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terça-feira, 25 de março de 2014

FRIA PRIMAVERA

FRIA PRIMAVERA

Onde desabrocharam as flores que eu não vejo
Que ventos levaram odores que eu não sinto
Que asas voaram céus que desejo
Ser primavera que em flor consinto
Esperando quieto ensejo
Campos ao olhar floridos
E no meu ser despedidos
Este sentir que prevejo
Longe dos meus sentidos
Em flor frialdade
Instante saudade

Por onde andam perfumes da primavera
As cores salpicando o verde da paisagem
Sol bordando de calor iluminada esfera
Que aquece em luz e cor dócil estiagem

Olho além horizonte e tudo é frio
Do azul do céu agora tão cinzento
Prevalece no olhar húmido sombrio
Um abraço de maresia trazida pelo vento

Nas árvores tímidas folhas de um verde tom
Quase esmaecido pela gélida ventania
Estão tão sozinhas e o mar dá-lhe o som
Da dança frenética das ondas em agonia
Uivando o vento sobre as aguas revoltadas
A frialdade em agitadas vagas alteradas
Não há mais frio que uma primavera à beira-mar
E ao longe os campos de um verde acinzentado
As árvores se curvando a um Neptuno a gritar
Nos céus a chuva bramindo cântico agitado
E eu aqui sentindo este Março por desflorar
O perfume das flores no meu olhar fechado
Em silêncio escondido entristecido chorar
No mar e em terra há flores por abrir
Há instantes por sentir
Há flores por florir

musa

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