terça-feira, 9 de outubro de 2018

MEDALHA DE S. FRANCISCO DE ASSIS

A MEDALHA DE S. FRANCISCO

Oração de São Francisco
Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna!

S. Francisco desceu à terra tantas vezes. Tantos rostos, tantos rastos, tantos rumos, tantos quantos os afagos de mão estendida sobre a cabeça dos necessitados, e o sossego oferecido, e a promessa de vida de tudo o que já se havia perdido, por caridade reconduziu a esperança e a bondade pelos caminhos do bem, e deixou a missão de proteger os animais em muitos corações . Descido à terra remediou desassossegos e solidão, o abandono e o esquecimento, e atravessou de perdão todos quantos retidos no arrependimento, meditam de prece a espiritual caminhada do silêncio.
Foi numa dessas caminhadas que perdeu a medalha que o meu bisavô João achou, a amanhar os campos de terra fértil que lhe ocupavam as mãos, entregou-lha uma manhã fria, depois de ele libertar uma raposa que tinha caído numa ratoeira, ao enxotá-la para o monte, reparou como os seus olhos faiscavam, e uma áurea envolvia o animal e quase podia distinguir o santo de mão estendida atraindo a raposa por entre as giestas e altas estevas e afagando-lhe a cabeça, a conduzia em segurança à liberdade, e podia ver as vestes escuras e acobreadas como brilhavam por entre a vegetação e abriam uma clareira de coisa sobrenatural ou mística, ou a espiritual delicadeza de uma visão de generosidade e deslumbramento, ou quem sabe, o encantamento dos montes transmontanos e o cordão umbilical da memória a tecer de palavras a manta de afectos tantas vezes já remendada.
Numa face da medalha bem gasta pelo tempo, aparece S. FRANCISCO diante da cruz, a mão direita sobre o peito e a esquerda sobre um crânio. De inscrição quase ininteligível, em ambos os lados, no outro N. Sra. das Graças, a luz espargida de ambas as mãos, delével o relevo do cobre assume a idade e o longo adormecimento no chão virtuoso do caminho que levava romeiros a terras de Bragança.

musa

Artigo interessante sobre esta medalha: ano da medalha, anterior a 1830?
"Medalla de bronce, de forma ovalada y anilla perpendicular al plano de la medalla.
Anverso: San Francisco de Asis con hábito de la Orden : capuchón y cordón. Ancha tonsura monacal. Arrodillado frente a un crucifijo y apoyando su mano sobre un cráneo . Se perciben las llagas en el dorso de sus manos ). Nimbo característico del siglo XVIII. Leyenda en letras latinas : S.FRANCISCEORA PRO N
Reverso : Imagen de la Virgen con el haz de rayos que salen de sus manos ( Medalla Milagrosa 1930 ) pisando la serpiente sobre la bola del mundo.
Leyenda: MARIA SINELABE CONCEPTA O.PRO. AD TE CONFUGIENTIBUS.

Pensais que podría ser de la primera mitad del XIX , despues de 1930 y con motivo de la proclamación del Dogma de la Inmaculada Concepción ( 8 diciembre de 1854) ?
":reflexion: : Los Franciscanos, feroces defensores de la " Inmaculada Concepción" y conocedores de la aparición de la Virgen María a S.C. Laboure , acuñan una medalla con la efigie de San Francisco ,que seguramente ya habían utilizado y en el anverso una nueva imagen , hasta aquel momento no representada ,de la Inmaculada Concepción.
Los atributos para esta nueva representación , los toman del mensaje anunciado a S. Catalina Laboure y que copio de la página web citada : [...] " María aplastando la cabeza de la serpiente que esta sobre el mundo. Ella, la Inmaculada, tiene todo poder en virtud de su gracia para triunfar sobre Satanás.
-El color de su vestuario y las doce estrellas sobre su cabeza: la mujer del Apocalipsis, vestida del sol.[i] ( no figura en la sometida a estudio)
-Sus manos extendidas, transmitiendo rayos de gracia, señal de su misión de madre y mediadora de las gracias que derrama sobre el mundo y a quienes pidan.
-Jaculatoria: dogma de la Inmaculada Concepción (antes de la definición dogmática de 1854). Misión de intercesión, confiar y recurrir a la Madre.
Sí ,pero no según la posición de la Medalla Milagrosa : .. " Estas palabras formaban un semicírculo que comenzaba a la altura de la mano derecha, pasaba por encima de la cabeza de la Santísima Virgen, terminando a la altura de la mano izquierda"-El globo bajo sus pies: Reina del cielos y tierra.
-El globo en sus manos: el mundo ofrecido a Jesús por sus manos."

http://www.identificacion-numismatica.com/t13361-v-milagrosa-s-francisco-de-asis-s-xix

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

VIAGENS PELO MUNDO


VIAGENS PELO MUNDO

Viagens dos cinco sentidos
Não sei se navego as nuvens
Ou se navego as águas
Por rios perdidos
Se atravesso o céu nublado
De olhar marejado de lágrimas
No desafogo de mágoas
E o peso do corpo cansado
A sonhar com um céu estrelado
Por entre a nebulosidade
De um abraço por cumprir
Ou o silêncio por sentir
A ilusão do tempo
Breve esvoaçar
Pelo mundo a viajar
Na ternura do pensamento

Abro mansamente a mão
E o mundo cabe nos cinco sentidos
Nos olhos cegos escondidos
Às vezes uma viagem de avião
Levantar voo num sorriso perfeito
E abrir tantas fronteiras no peito
De estrada em estrada e de estação em estação
Ou apanhar o comboio devagar
E de abraços enganar o olhar
Ou o silêncio que fica por ouvir
Ou os monumentos por tactear
Os campos e as ruas por cheirar
As cidades por sentir
Ou as iguarias por provar
De sentimento profundo

Poder dizer
Já viajei por todo mundo
Só para viver
...
musa


ESSE MEDO DA MORTE

ESSE MEDO DA MORTE


Frialdade adormecida em névoa sobranceira
Quando da morte espreita de luz à cabeceira
Essa fealdade estremecida no escuro dorido
Que o medo desconhecido faz todo o sentido


Temerosa de pânico e pranto dessa escuridão
Fechar olhos na mortalha ou dentro do caixão
O receio devora a alma e todo o pensamento
A hora que acalma por dentro o sentimento


Poema algum em tempo e cura atenue o sofrer
Ou as palavras certas para a metáfora da vida
Sejam o refrão do verso que fique por escrever


E os livros encerrem nas tábuas do destino
Até à última morada encurtem a partida
E o medo se perca pelas pedras do caminho
musa

CÉUS DE INFERNO

CÉUS DE INFERNO

Estes céus de inferno
Que me habitam
De fogo intenso e vermelho
Não sei se a vida ao espelho
E de escuridão cogitam
Tudo mansamente derreter
Espalhando tristeza em degelo
Em infernal viver

De olhar aguado deslumbramento
Cílios marmoreados de fogo lento
Crepuscular chama do entardecer
Espalhando a pátina do vento
Numa asa quieta do tempo
De encarnado sofrer

Viva ilusão trémula ensanguentada
Corpo celestial raiado de vermelhidão
Por entre as nuvens treva manchada
Violácea dor a teimar de solidão

A querer queimar num sopro luminosidade
De penumbra sombria em murmúrios e pranto
Ou a melancolia rubra do desencanto
A hora ingrata da partida
Talvez a eternidade

Profundo martírio de mistério e beleza
Ou somente a dura e instável ilusão
O delírio intimidade e a incerteza
A loucura e a imutável confusão
Da vida…
musa

sábado, 29 de setembro de 2018

AS MÃOS DE SAFO

AS MÃOS DE SAFO


Dores e prazeres na ponta dos dedos
Cumplicidade de sentidos e de desejos
Escondem as tuas mãos líricos beijos
Versos de sedução preces e segredos


Ou as palavras tecidas doce elegância
O canto o pranto ou a mansidão da luz
Em teus cabelos de violeta a noite seduz
Murmúrios da brisa luminosa fragrância


Na dureza do mármore essa eternidade
No altar sagrado a dançar tão delicada
Com as musas em cativa intimidade


Mulheres de Creta Plêiades inocentes
Nessa ilha de Lesbos flor depravada
Tombam as palavras de mãos indecentes
musa


Nascida em Lesbos, uma ilha grega no mar Egeu, ela é considerada a maior poetisa lírica da Antiguidade, e muitos ainda quiseram chamá-la de musa. Uma das Nove musas.

Safo fazia poesia e muito bem, e por isso é uma das mais importantes contribuidoras para a poesia lírica, mais especificamente a mélica, que tem esse nome justamente por ser difundida pela canção – “mélica” vem de “melos”, que nos lembra “melodia”. Os temas principais da lírica mélica são o sentimento, o amor, o prazer. Suas canções traziam isso com muita frequência, através de descrições de sensações e da importância de lidar com o próprio corpo. Para ela, esse amor, esse desejo, esse prazer eram todos direcionados a pessoas diversas, algumas identificadas já nos trechos, outras eternamente desconhecidas. Reparem que eu disse “pessoas”. Safo se declarava para mulheres e também para homens, e portanto o termo “lésbica” veio justamente dela, Safo de Lesbos.
O que as hipóteses apontam é que a igreja católica, muitos anos depois, tenha censurado sua obra, por causa do conteúdo considerado “inapropriado” e erótico demais. Hoje em dia, é muito difícil ter em mãos materiais confiáveis desta autora, pois suas canções se perderam, se romperam, se espalharam por aí, no meio de outros textos. Hoje, de sua obra, pouco se tem além de uns duzentos fragmentos recheados de lacunas. Além de declarações de paixões, ela também escreveu sobre a saudade e sobre o que via e sentia em seu contato com o mundo.
Dizem ainda que Safo coordenou uma escola de aperfeiçoamento para moças, com aulas de poesia, dança e música, onde suas alunas eram chamadas de “hetairas”, que é a tradução grega de “amigas” ou “companheiras”. Porém, não se sabe ao certo o quanto esta informação está correta – alguns pesquisadores dizem ser muito provável, outros dizem que não. Fica a dúvida, assim como a que diz respeito à sua morte, em torno da qual gira mais de uma hipótese, envolvendo até suicídio. Não sabemos como Safo morreu, não sabemos quando, não sabemos onde, mas sabemos que sua obra foi crucial para o desenvolvimento da poesia grega antiga, seja na forma, seja nas mensagens. E quanto não há de Safo em nossas autoras modernas?


“Pensamentos para nós voltando

Como se fosses uma deusa

E nas tuas canções encontrava alegria;


Nesse momento ela resplandece entre as mulheres

Da Lídia: é assim que, depois do pôr-do-sol,

A lua dos dedos iguais a rosas,


Ofuscando as estrelas, derrama

Seu esplendor sobre o mar salgado

E os campos cobertos de flores,


E o puro orvalho se estende, quando

Se abrem as rosas, o khairéphylon

Delicado e o trevo-de-cheiro;


Errando, sem parar, de um lado imagens de Safo

Para o outro, ela se consome na lembrança

E no desejo da adorável Átthis”

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

INOCENTE METÁFORA

INOCENTE METÁFORA

Em longínquas histórias
Não há crianças no poema
Cheio de pedras no olhar
E orvalhos de madrugadas frias
A escorrer húmidas memórias
Em janelas sombrias
Ausente alvorada amena
A despertar

Do silêncio adormecido
E contrafeito
E faz todo sentido
A dor a bater no peito
O comboio devagar
A atravessar a cidade
De riso esquecido
E saudade

Aos gritos a romper
Horas mansas e tardias
Em pactos de intimidade
E palavras por escrever
Entorpecidos olhares e mordomias
Da luz por acontecer

No tempo já sem as crianças
E versos sem rima ou pontuação
E na frialdade da estação
Estrofes e metáforas como lanças
A perfurar a ilusão
Ou a súbita solidão
Do inocente existir
De uma meninice na escuridão
Em becos escuros de descrente sentir
E desilusão
...
musa

http://lisboadeantigamente.blogspot.com/2015/08/beco-de-sao-miguel-antigo-beco-dos.html

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A PENUMBRA É VERDE

A PENUMBRA É VERDE


Escondida
Numa penumbra sombria
A casa assim adormecida
De escuridão tecida
Silenciosa húmida e fria
Respira em verde flor
O canto da dor


Impede sensível luminosidade
A derreter em claridade
Infinito entranhamento
De esverdeada cor
E opacidade
Por ali adentro
No interior


É tanto o verde impregnado
Necrofílico espessamento
Da luz frialdade
Fenesta o sombreado
Em frágil pigmento
Na intimidade


Vítreo segmento
Verdejante olhar
Um detalhe de silêncio
Como brisa de vento
Quieta a palpitar
O escuro cortante
De arestas por limar
Parado no tempo
Outrora a cintilar
Perfume sossego

Em segredo
Contentamento
A serenar
O medo
musa