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quarta-feira, 30 de março de 2016

HAVEMOS DE SER

HAVEMOS DE SER

"haverás de ser minha pátria
meu cardume em mar desconhecido
meu vento
minha calma
minha corrida num torpor adormecido
minha breve manhã
cheia de cálices de incensos
minha água fresca e madura
meu vinho envelhecido
minha brandura
de fortes ventos que te anunciam
minha cama onde cansado me deito
onde o amor sem nada saber
surge feito
meu bando de pássaros tontos
e perdidos
haverás de ser um universo
num dia que não é dia
onde só Deus pára
para escrever
o meu mais lento e último verso
Renato Paulino"

Havemos de ser país
Um lugar livre
Um bando de pardais
Soltos na pradaria
A chuva amanhecida
O sol na pele estremecida
Um voo de poesia
Em manhãs carnais
Beijos de entardecer
Mãos em capela
A boca o altar
O ritual do prazer
E a loucura do olhar
O teu corpo a paz e o descanso
Do cansaço leve e manso
Onde acontece a ternura
E se tecem os sentidos
Havemos de ser o verso
O tear das palavras
O mesmo sentir do universo
Onde rezas apaziguam mágoas
E o amor que eu tanto esqueço
O milagre oração que eu ainda peço
...

musa

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