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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A CORUJA

Solitária coruja pia tristemente
Guarda o seu ninho no negro telhado
Pia amargurada um choro de gente
Como um menino dum colo roubado

Levaram-lhe os filhos sem explicação
Que dor é ouvir seu triste gemer
Quando a noite desce fria solidão
Estranho é seu canto parece morrer

Vazios seus olhos brilham noite escura
Sobre o telhado que não quer deixar
Pia desgraçada sua desventura
Pede os seus filhos que vieram roubar

Pia abandonada inerte como um farol
Morre de fome e sede de boa vontade
Ao vento ao frio à chuva e ao sol
Pia tristemente de dor e de saudade

Já ninguém a vê sobre o alto telhado
Todos a procuram com o mesmo olhar
Mas juram ouvir seu pio cansado
Decerto morreu de tanto chorar
musa

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