terça-feira, 19 de janeiro de 2016

AMOR RECUSA

AMOR RECUSA

É talvez o último verso que te faço
Recusa deste amor em vil sofrer
Talvez mais do que prazer o meu cansaço
A recusar as lágrimas de assim viver

Esta entrega de instantes nos teus braços
Em fugidio amor de doce intimidade
No leito secreto dos amantes tão devassos
A essa luxúria de beijos na saudade

Meigos devaneios de corpos em entardecer despidos
Por momentos que amor tão puro de ternura
Mas nos olhos a alma entristecida dos sentidos

Talvez o único verso onde tanto te amei
Amor maior não fora esta vida de loucura
Que recuso mais viver porquanto não morrerei
...

musa

DO AMOR PAIXÃO

DO AMOR PAIXÃO
Calo este amor que enfurece o peito
Vento tempestivo em Inverno tardio
Eterno sentido de pranto desfeito
Tece a dor do amor profundo e vazio

A vida tão terna pecadora inocente
Trazendo aos meus dias tempo tão frio
E esta paixão que adentro consente
Ser na alma tão só o leito de um rio

E nas águas revoltadas do amor que não posso ter
Vivo invernal caminho com lágrimas de saudade
A cada momento que o inverno aquece de prazer

São dias tristes de ausência demorada em loucura
A paixão carnal e estranha consentida doce eternidade
Com que nesses instantes a vida se faz poesia e ternura
...

musa

MANHÃ NA SERRA - Aguarela JOÃO BRUM

João Brum
Aguarela 31 x 41 Bockingford 300 gr 2015

MANHÃ NA SERRA

Vieste inventar paisagens
Nos meus olhos de sal
Um areal de azul
Silencio nu
Deslumbrado céu cru
Brisas deslizando o vento
Em olhar transcendental
Trazendo ao norte o sul
Num papagaio pensamento
Crisálida líquida de contentamento
Pinga gélida a montanha em gotas de orvalho
Em tons de matizado azul cinzento
E cobre a serra o pinheiro e o carvalho
Adormece a terra madrugada ao vento
Claridade fria de neve embala o tempo
Na clareira regaço não há folhas pelo chão
As árvores agitam o cansaço da inóspita solidão
Da serra com seu branco manto vestida
O silêncio brisa acorda a noite escuridão
Para além do sentir madruga a vida
A manhã na serra é loucura e solidão
Está tudo tão quieto
Na encosta do monte a brancura
Parece fugir um animal inquieto
Vai se esconder
Há marcas de pegadas na neve fria
Foge a correr
Pingam gotas de candura
A paisagem bucólica sombria
Humedece de amor e ternura
De esplendor e doçura
A serra em poesia
...


musa

A YUKI

A Yuki
Dizem que neva no Japão
Yuki trouxe a neve no olhar
Negro azulado cor de carvão
Com cabelos negros esguios
Com cristais de gelo a cintilar
Farrapos de neve aos fios
E ilha do Japão para desenhar
Com pétalas de cerejeira em flor
Com lagos templos e o altar
E nos lábios um sorriso de amor
E nas mãos a neve branca
Que trouxe ao meu país primavera
Caía tanta mas tanta brancura
Magia de inverno quimera
No seu rosto de ternura
...

musa

MORRER NUM ABRAÇO DE AMOR

Morrer nos teus braços meu amor
Tudo o que eu daria para que esse momento acontecesse
Morrer no teu abraço em dulçor
Como por magia como se com tempo adormecesse

Nos teus braços estreitado o corpo nu e quente
E as tuas mãos a deslizar as costas macias suavemente
Em caricias ternurentas docemente
Como quem de afagos afectos delícias consente

Morrer nos teus braços num olhar de desejo
Um pacto da alma e pele em intimidade
Selado e sentido nos lábios por um beijo

Meu amor nos teus braços a morte encerra
O mais sentido instante de dádiva e cumplicidade
Morrer no teu abraço de doce amante sobre a terra
...

musa

MORRER NOS MEUS BRAÇOS

 Contemplativa num repente de tanta dor
Ter-te nos meus braços com a morte já contigo
E perdida buscar a vida nos teus lábios meu amor
À tua alma recolhida em meu pranto doce abrigo

Rezo prece das lágrimas com que me confesso
Chuva melancólica loucura de tantos sentidos
O desejo de levar-te para longe e sem regresso
Oração de sofrimento de raiva e de gemidos

Chorarei o silêncio triste mais dolorido e profundo
Que toda a vida possa ter em contemplativo olhar
Sofrer injustamente a morte da vida e deste mundo

Partir assim dos meus braços sem nada poder fazer
Perder para a morte quem mais eu pude amar
Como pode a vida ser tão cruel e não te deixar viver
...

musa

MORTE SOBERANA

Preciso morrer deste amor sem razão
Viver de amor nefasta vida sem sentido
Soberana morte abre os braços de paixão
Acolhe em teu seio o meu olhar perdido

Um fio de loucura a teia de mortal desejo
A pele crisálida empalidecida doce abrigo
Na tua boca dádiva cristal ternura beijo
A sombra luz a romper eternidade castigo

Amor de abraços que de instantes nos faz morrer
Em silêncio dormente no aconchego do leito
Entregue em cumplicidade íntima de prazer

E se a vida por amor e devaneio ainda demora
A morte que estremece no corpo e no meu peito
Quero morrer de amor nesta hora e agora
...

musa

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SE NO POEMA EU TE DISSER

SE NO POEMA EU TE DISSER

Tinha medo sim, receio admitir
Há instantes na vida em que nos sentimos perdidos
Olhamos receosos, às vezes algum preconceito, algum medo a sentir
Mas isso foi antes, antes de te conhecer e aprender os teus sentidos
Encontrar nos teus gestos abraços e beijos desmedidos
E todas as dúvidas enfim dissipadas
São apenas um esboçar do seu sorriso
E não há mais diferenças encontradas
No seu olhar no seu rosto de criança
Onde existe tudo o que ao ser humano é preciso
Onde ficou aprisionada a infância
Cheia de amor ternura afecto dedicação
E se no poema eu te disser
Tudo o que cabe num coração
O que nunca saberei dizer

Há por palavras confessadas e urgentes
A esperança prometida doce protecção
Pacto de vida prioridades prementes
Dever e sentido pelo outro ser irmão

Ninguém pode saber qual é a diferença
E estamos sempre a aprender
Atrás da deficiência há a beleza da humanidade
No rosto de cada ser diferente a sinceridade
Há um ser humano secreto tolerante inteligente
Esperando do outro um colo de felicidade

E a dizer com o coração aberto - eu também sou gente!
...
musa

LA VOIX DU SILENCE - Richard Anthony - La Voix du Silence


LA VOIX DU SILENCE

Vous m'avez fait d'un vieux silence
De tous les mots que vous m'avez jamais dit
Ils étaient vos câlins et votre regard mon abri
Un immense abîme de la solitude et de l' indolence
Le temps de murmurer un murmure de malaise
La joie un pétale arraché de la souffrance
Le goût amer d'un secret dans la voix portugaise
Tout inventé silence entre toile et pinceaux
Et ma vie défait en morceaux
Le temps et le désir qui nous a tirés
E a "saudade" désir qui ne m'a laissé comme un cadeau
Vous le seul homme que je vraiment aimé
Il n'y a rien d'autre que le silence pour couvrir ma peau
Et je reste à entendre votre voix en criant mon nom là-bas
Comme je l'échangerais le silence pour écouter votre voix à nouveau
Et face à vous gagner tous les combats
Mais le sort de la brise balayée
Et tous les pétales se sentent volés feuilles lâchées dans le vent
Mais je vous porte pour toujours dans mes pensées
Comme dans le poème en ce moment
Vers calmes en douces larmes silence et idées
...

musa

DA CHUVA A DOR

DA CHUVA A DOR

Gotas de chuva e pedaços de mim
Por dentro um vendaval de dor
E o corpo fustigado pelo sentir
Arrefece os sentidos o húmido cetim
Das lágrimas que se abrem em flor
Como pétalas de orvalho a cair
Da alma entregue ao fim
Latejando carmim
O sangue a doer
De tanto sofrer
Pano dorido
Da chuva a dor molhada e fria
Enregela o sentido
A lívida face macilenta vazia
Humedecida a tremer
Desafia o vento
A estremecer
Acetinada
Da chuva a dor onde há tanto sofrimento e nada
O corpo e alma pedaços de vida a padecer
A pele molhada empalidece o tempo
Envelhece enrugada a entristecer
Não sei se do frio se de dor
Pensar transforma se em tempestade
Faz frio na alma e gela o corpo em torpor
A chuva são lagrimas de saudade
Quando dói o sentimento
Ainda que a dor seja verdade
Tanto há na chuva puro fingimento
Que importa ser de gelo ou de pedra ou de tecido
O descanso perdido
O tormento
...

musa

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

TALVEZ VIDA

TALVEZ VIDA

Estou cansada de inventar
Dentro de mim
Uma força que não tenho
Cansada de esconder lágrimas sem fim
De arrastar passos sobre a lama
De ignorar o caminho de onde venho
De urdir de analgésicos a trama
De dores no tear dos sentidos
Este aperto de alma no peito
Um cansaço sem tempo nem medida
A fadiga em silêncio e gemidos
Que o corpo adormece no leito
A invenção desmedida
A dor que me tortura silenciosa
Como se fosse a razão da vida
Um espinho doce da rosa
Que faz sentir a sofrer
Que importa assim viver
Essa dor preciosa
Talvez doçura
Talvez tortura
Talvez loucura
...

musa

DESPEDIDA

DESPEDIDA
Vim para te dizer que não volto mais
Não há tempo para subir as escadas sem a tua mão
E abrir da luz a janela na meiga obscuridade
Os sons de silêncio perdidos na melodia dos pardais
Que entoam saudade na solitude da paixão
E afagam de prazer lençóis húmidos de intimidade
Vim para te dizer com olhos que ferem o escuro
A nudez pelo chão na cama despida
A timidez que enlouquece o desejo puro
A melancolia sentida
O desgosto impuro
A despedida
Vim para te dizer que acaba aqui o que nada foi
As rugas do sangue gélido e estremecido
Um fio de cor na brancura do leito
A pele apertada e fria que arde e que dói
O orgulho sangrado e ferido
O amor imperfeito
O reverso de um adeus murmurado
Dito assim parece promessa sem sentido
O corpo inteiro apunhalado
Partir é uma traição eu sei
Mas preciso ir embora
Já muito de mim eu te dei
Já fiquei tempo de mais
Nesta dor que se demora
No canto pranto dos pardais
...

musa

INSENSIBILIDADE

INSENSIBILIDADE
A vida serve-se fria e azeda
Insensível e crua
Demasiado cáustica e amarga
Angustiante e leda
Destrutível e desiludida
Um prato cheio a transbordar
De decepcionante sabor
A verdade sentida
A verter do olhar
Raiva de dor
A vida essa profunda insensibilidade
Que tantos amargam de cor
Sabem-lhe a habilidade
Do doce ferir
Dócil sentir
Dura realidade
E mesmo ninguém sendo perfeito
Espera-se algum sentimento
A razão de bater no peito
Mas sempre impera o descontentamento
Ninguém parece saber
Um pequeno defeito da vida
Que um ou outro possa perceber
Onde tanto dói a ferida
Mói o pensamento
Onde bate o coração
O compasso da desilusão
A vida era essa centelha a brilhar
Quando dizemos não estar bem
Um grito de silêncio sentido a ofegar
Que deixamos para a esperança ouvir
Nunca ouvido por ninguém
O mundo demasiado ocupado para sentir
Quando estamos em sofrimento
Somente queremos seguir viagem
E nesse egoísmo a pressentir
Misericórdia e dó
Morremos a existir
Estamos de passagem
Somos apenas e só
Um momento
A imagem
Da vida
...

musa

domingo, 3 de janeiro de 2016

AS MINHAS CINZAS

Recolham as minhas cinzas em alabastro
Três partes iguais da minha alma do meu coração do meu corpo
O meu sentir dos sentidos profundo astro
Quando além chegar meu espirito abandonado o ser morto

Uma parte de mim dádiva em cinzas nas mãos da minha mãe
Uma parte da terra pó junto às raízes de um velho carvalho
Uma parte de mim soprada ao vento também
Poeira divagando em húmidas gotas de orvalho

Espalhem-me um pouco junto ao mar
As minhas cinzas voando sopro da maresia
Marejadas lágrimas na crina saudade do olhar

O que resta espiritual sentimento do que foi a minha vida
Um rasto de ilusão no firmamento da poesia
Cintila doce centelha em pensamento de partida
...

musa

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

AGONIA DE VIDRO - Philippe Jaroussky - Stabat Mater. Antonio Vivaldi (part 1)


AGONIA DE VIDRO
Tempo tão duro inquebrável
Ronda eterno a serenidade
Da vida prisioneira imutável
Na redoma vidro da saudade

Quão líquida de lágrimas a cair
Chuva espessa atravessa a dor
Dias de cinzento amargo sentir
Que mudam dos olhos sua cor

Vidrada saudade em pranto do peito
Choro triste de ausência se quebrava e desfazia
Em horas de silêncio e sonho liquefeito

São de vidro espelhado as lágrimas derramadas
Espelham da alma os sentidos em poesia
As palavras em choro assim agoniadas
...

musa

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

LUTO PASSIONAL

LUTO PASSIONAL

Que descanse em paz
Esse amor impossível
Assim breve e fugaz
Eterno seja além da vida
Como essa brisa aprazível
Amansando enfurecida
O tempo e o vento a endoidecer
Onde nem os amantes
O ousem assim viver
Para além dos sonhos distantes
No negro queixume dos mortais
Na rósea luz de pontos cardeais
No brilho endurecido de diamantes
Entre estrelas e pequenos nadas
De que a vida se faz em momentos
Como areia que escorre das mãos fechadas
Esses pequenos nadas carregados de sentimentos
E nada levamos quando morremos
E nada choramos do que vivemos
Somente o sentir que a morte desfaz
Intenso pranto de vida a esvair
E assim descansa em paz
No luto passional da dor
A última lagrima a cair
De amor
...

musa