domingo, 7 de fevereiro de 2016

DELITO

São borboletas queimando a boca de lume
Voos luminosos de cores de negra morte
Gosto a fogo e cinzas e azedo amertume
Uma fadiga de lágrimas em sentida sorte

Asas nunca abertas em céus abrasivos
De lavas escorrendo escarpas de cetim
Fluidos esvoaçantes húmidos sentidos
Vibrantes agitadas em louco frenesim

Nunca voarei para os teus lábios por querer
Esse o mais insano delito de breve momento
Porque no teu corpo não voo mais de prazer

Morreram as borboletas de ausente espera
Desisti de desejo vontade e sentimento
A luz negra da intimidade chama quimera
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musa

BREVIÁRIO

Escrever compulsivamente é desordem imperativa da harmonia do meu ser
De olhos fechados dou me conta de que não sei mais usar a pena do tinteiro
E há nas palavras efusivamente loucura que nunca ninguém vai entender
Um caos absoluto doloroso submisso profundo perverso intenso inteiro
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musa
Odeio a mais pequena lágrima que chora a tua ausência
Não mereces tão pouco um rasgo vibrar do meu coração
A angústia que rasga em pranto dor a odiosa insistência
Da dúbia insana e pesarosa prece ladainha desta paixão
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musa
Remendo as palavras como quem cerzindo
O pano roto das angústias gastas pelo tempo
Meigos os fios ou puxando unindo e sentindo
Num verso puído de dor ainda íntimo lamento
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musa
A dor é uma máscara que não cai
E desfila em noctivaga eternidade
Sofrimento que de paciência esvai
Horas mascaradas de tenacidade
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musa

EUTANÁSIA

"As pessoas em pleno uso das suas faculdades mentais, mas perante um sofrimento profundo ou uma doença incurável, devem ter liberdade de escolha, que pode ser também a liberdade para decidir morrer."

EUTANÁSIA

Se eu perder o rumo da consciência
E a boa morte em mim tardar
Abreviem-me a vida com decência
Ninguém será acusado de me matar

Não prolonguem a minha dor sentida
Ainda que nos meus olhos vejam negação
Atenuem em mim a brevidade da vida
Estendam ao meu sofrimento a vossa mão

Quero uma morte suave rápida e indolor
O meu último desejo morrer nessa dignidade
Será o mais doce e misericordioso acto de amor

Terminal moribunda inconsciente já tudo vivi
Não prolonguem em mim o sofrimento insanidade
De ser mártir piedosa resignada em vida desisti
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musa

DOR A FINGIR

Que dor tão deslumbrada se acerca do meu ser
E me toma por inteiro espanto desse encanto
Da alma enamorada em cativo padecer
Escorre dos meus olhos no mais meigo pranto

Vibra pungente em sentimental pulsar
A meiguice carnal do intimo sofrimento
É contundente aguçada ardente no olhar
Lateja crepitante como fogo em movimento

Varre de poro a poro ardendo visceral
Queima os sentidos em lume brando possesso
Dentro da cabeça aflora a visão surreal

Das palavras que um secreto sentir
Deslumbram a essência da dor que confesso
Ainda que inconsciente esteja a fingir
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musa

ÉDEN DE DESEJO

O paraíso existe sim nas tuas mãos suadas
Chão humedecido de calores e desejo
Existe luxuria nas caricias pela boca dadas
O húmido sentir em acalorado intímo beijo

É o lugar onde floresce a pureza nudez
Um jardim de delicias e fluidos a escorrer
O rosto ruborizado a pele quente de timidez
Em excitado gozo de perfumado prazer

Existe o Éden onde olhar se perde na lonjura
Além dos sentidos onde amor faz fronteira
Com outros sentimentos vontade e ternura

Existe corpo território de desejo e sedução
Quando o amor se faz assim dessa maneira
Em meiguice de feitiço e luxuosa excitação
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musa

UM PEDAÇO DE TI

Lacrimosa a máscara emerge da folia seda renda cetim
Um baile tecido na trama ardilosa da estranha loucura
Sumpetuoso desfile de sentidos da alma lágrima no fim
Da viagem a caminho desse altar de sacrificio da ternura

São cores deslumbrantes por entre plumas escondidos
Olhares tão tímidos de beleza pura encantos e segredos
A carnal submissão de candura nos rostos surpreendidos
Pelo espanto perene em cristais luz de ocultados medos

Do caudal risos murmúrios iluminados em auge gozação
Um pedaço de ti solto leve em insustentável movimento
Emotiva festa das cores e máscaras da vida em imaginação

Trajes de outros tempos carnaval de ensandecida efemeridade
Um pedaço de ti em pensamentos vivências com sentimento
A emocional despedida da hora mais louca do cortejo da cidade
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musa

sábado, 6 de fevereiro de 2016

ÉBRIA FILOSOFIA

Horas tivemos de discutir o mundo superior
Lidar com este oculto sentido profundo alienado
Essa imperfeita filosofia de ébrio odor
Que tem da vida o mais  estranho pecado

E acende velas de palavras em silêncio altar
No chão do pensamento trilho vermelho
Que esconde da alma a porta do olhar
E engana quem se deslumbra frente ao espelho

Porque a filosofia é nata da lama mais fina do sentir
Repousa na loucura íntimos versos sentidos
Esperando o vento espalhar esse existir

Promete o medo ocultado da ilusão
A mais doce prece dos pensamentos iludidos
Porque filosofar é dar asas divinas à imaginação
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musa

ÊXTASE - Dueto com VIRGÍNIA VITORINO

Dueto ÊXTASE com VIRGÍNIA VITORINO

Êxtase

Não sofras mais, amor, não digas nada!
Vem comigo; eu te levo. A noite é densa
e agora a voz do mar ficou suspensa,
dolorida, vibrante, apaixonada!

Não tarda muito a luz da madrugada...
Vem comigo! Não penses! Não se pensa!
Vem à conquista da aventura imensa,
vê, como eu vou, feliz e deslumbrada!

Um grande sonho me enlouquece e invade!
Vem procurar comigo a Eternidade
esse país tão vago, tão distante...

Vem, que eu busco o palácio da quimera
lá, onde seja eterna a primavera,
e a voz divina das estrelas cante!

(Virgínia Victorino)

Sou toda eu alma e sentidos poema carnal
No canto divinal das estrelas ainda insiste
Eterna a primavera tão meiga e triste
Quimera palaciana de um sonho sentimental

Adormeço esta intensa vontade enlouquecida
Essa vaga razão perdida e tão distante
Calo no silêncio a loucura da própria vida
Cativa prisioneira de quem cedo me fiz amante

E dizes-me: - Vem comigo procurar a eternidade
Como eu morreria de um só verso para te ter
Arrasto os dias em tão penosa saudade

Sofro amor sim um sofrimento sem fim
A noite o mar a madrugada a luz que vai nascer
São instantes dor feitos de poesia em mim
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musa

ABANDONO

(... em horas de des...espera...)

Deixo-vos poesia a ler por alguém
Em livros esquecidos da vã memória
Trémulas palavras em nome de ninguém
Páginas rasgadas de coragem e de glória

Livros que o tempo reduziu ao pó em segredo
Na estante das tristezas onde fica a saudade
Um silêncio demarca o lugar de meigo relevo
Da existência ausente que se faz eternidade

Há no olhar linhas em branco por escrever
E nas mãos restos de poemas veias a pulsar
A pele dos sentidos em pranto a estremecer

Enquanto houver sonhos não há despedida
E todos os livros abertos de par em par
São folhas soltas dos versos da vida
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musa

AUSÊNCIA E SILÊNCIO

A casa quieta embala o tic tac desassossegado das horas
Confessam as paredes silêncios escondidos
As portas fechadas esperam as longas demoras
Sobre os telhados já não fazem ninho pássaros perdidos
As janelas têm as cortinas corridas
Há segredos e sentidos
E por sarar feridas

As alegrias deram lugar ao sofrimento
E os dias engrossaram o vendaval
Do ausente silêncio que se demora no sentir
Toda a casa é insustentável lamento
Quase tumba sepulcral
Do intimo existir

A alma inteira é um sótão fechado
Um piano cansado faz parte das estranhas antiguidades
Restos de momentos e um pedaço de vida guardado
De meigas e tristes intimidades
E na cave já esquecido
Um livro de memórias
Toda a casa tem as suas histórias
Umas mais fantasiosas outras mais verdadeiras
Umas mais secretas outras mais gloriosas
Outras mais livres outras mais prisioneiras
Somente vidas espinhos e rosas
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musa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

BOSQUE INTIMIDADE - aguarelas JOAO BRUM

João Brum
Aguarela 20 x 30
W&N 200 gr
2015

BOSQUE DE INTIMIDADE

A negra turfa esconde colorido sedução
Por entre as árvores tuas mãos intimidade
Procuras o bosque das cores excitação
Misturas na boca nuances tonalidade

Cores efusivas da rubra clareira ensandecida
A flor murteira em doido querer
Na floresta encantada a luz de amor apetecida
O brilho azul do olhar em loucura prazer

Intimo bosque de secreto sentir pintado
O odor da tinta e água na paleta misturados
A imaginação florida de um sonho provocado

Talvez a cor da explosão de um desejo
Uma meiga paisagem de sentidos evocados
A sensual ilusão de uma aguarela num beijo
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musa

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PENEDO - Aguarelas JOÃO BRUM

João Brum
Aguarela 20 x 30
Canson Fontenay 300 gr
2015

PENEDO

Arredio o vento enche os pulmões de ar
Num abraço feito de pedra monumental
Ergue-se imponente rochedo como altar
Tomba olhar sobre a paisagem acidental

Castelo de pedra sem portas ou janelas
Rústico agreste império da doce agrura
Nuances outonais de bucólicas aguarelas
Inóspito recanto onde se aninha loucura

A montanha tem a sua rara joia na penedia
Lugar encantado segredo de moura guardado
De um país de mistícas histórias e de poesia

São salvos condutos esses promontórios gigantes
Penedos secretos lugares de um tempo passado
A magia de registos de cultos e feitiços distantes
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musa

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

MORTE LUZ

MORTE LUZ
Onde os olhos seguem a luz moribunda
Das dores ausentes palavras silêncios florescidos
Liquidas lágrimas onde a vida se afunda
Na inquieta dormência do tempo dos sentidos

Se se apaga no pranto enchente dessa dor
Por mais que eu a negue dentro de mim
A luz morte no infinito desencanto do amor
Que em silente sofrimento me leva ao fim

Martírio jardim das trevas no meu ser
Semente em terra húmida de cegueira
Misteriosa ilusão que me invade sem se ver

Delírio onde a escuridão rasga luz tão forte
Relâmpagos iluminando a alma dessa maneira
Que tanto me faz desejar essa doce morte
...

musa

ILUMINURA CAMPESINA - Aguarelas JOÃO BRUM

João Brum
Aguarela 20 x 30
W&N 200 gr
2013

ILUMINURA CAMPESINA

O rio a tarde cumprindo intimo entardecer
Na bordada margem de árvores coloridas
Na folhagem um fio de luz a esmaecer
As cores na água pintadas reflectidas

Pergaminho líquido em dourado alume
Faz viva cor o rio de fogo crepuscular
Como se as águas incendiadas de lume
O fogo brando que a tarde veio pintar

Um vitral espelho de cores vibrantes luminosas
O rio e as árvores na tela pintadas
Em tons de ouro e prata doces e velhos rosas

Na paleta do pintor uma aguarela de mil cores
As tonalidades vivas das miniaturas imaginadas
Fazendo do rio e das árvores um jardim de flores
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musa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

REGATO DA SAUDADE - Aguarelas JOÃO BRUM

João Brum
Aguarela 20 x 30
W&N 200 gr
2014

REGATO DA SAUDADE

Da cidade escondido na verdura que o leva
Por entre os arrabaldes esquecidos do tempo
Só as crianças lhe conhecem loucura da treva
O curso sentido da água gemidos de desalento

Sonha chegar à foz de um rio ou de um mar
Ser maior do que as casas erguidas aos céus
Ser riacho solto no campo feliz a serpentear
Por entre as coisas mais belas e vivas de Deus

Matizes de cor húmida esmeralda de saudade
Levam o regato ao sonho de azul e liberdade
O campo logo ali por detrás da vida da cidade

A infância é um regato na meiguice do passado
Perdido de saudade pelos dias vividos felicidade
A límpida água de um sonho de lágrimas guardado
...

musa

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CHÃO DE LINHO - Aguarelas JOÃO BRUM

João Brum
Aguarela 20 x 30
W&N 200 gr
2015
CHÃO DE LINHO
Em chão de linho planura de azul semeado
A terra toda primavera querendo florir
O pano cru no tear com amor bordado
Talhões de sentidos a ponto cheio de sentir

Campestre a paisagem como se um azul espanto
No regaço do campo tomasse os braços da terra mãe
Seus olhos azuis onde tantas florinhas esvoaçam encanto
Silvestre segredo bordado em lençol de ninho também

Estendido ao sol o campo azul enche o olhar
Dando colo às borboletas abelhas joaninhas sobre as flores
Parece uma nuvem dançante em azul céu a passar

O campo de linho ainda sem viver o seu azulado tormento
De todas as lides que lhe embalam e adormecem as dores
E escondem dos olhos azuis e tristes o doce lamento
...

musa

FARPAS

Para ti...

FARPAS

Farpas são essas ausências de silêncio pontual
Agrestes como um nevoeiro noctívago
A coberto da fria noite e húmida como um punhal
Que se crava no peito em fundura saudade
Um imperfeito rasgo de tristeza
Na ausente intimidade
Soldadura sentir incerteza
Para além do reflexo na vidraça
Transparece a beleza da escuridão
A dor insustentável trespassa
Embaciada luz da solidão
Nunca vou saber o que sentes
Porventura intimo querer louco desejo
A paixao sem palavras que consentes
Timidez discreta de um beijo
Todos os tempos e sentidos
A nudez secreta do amor
Devaneios insanos proibidos
Prazer loucura indolor
Olhares perdidos
...

musa