sexta-feira, 20 de março de 2015

DesESPERA A VIDA

DesESPERA A VIDA
Adormeço as lágrimas com que me deito
Adentro raiva dor amante ódio
Amargo vida pulsante no peito
Levo o pranto tristeza lugar ao pódio

Desesperada vencida pelo sonho desfeito
Nos olhos fundos a imensidão entristecida
O choro da esperança do verbo imperfeito
Como se tempo olhar fosse a despedida

Amanhece no meu corpo cansaço do leito
A escuridão da noite na alma vazia
Desespera viver assim desse jeito
Sem rumo sem remo amor em cama fria

Fosse somente desespero uma trégua sentida
Ultraje da vida em golpe de azar
Uma hora de mim aberta ferida


Há por dentro brechas palavras por dizer
Fendas de orvalho humedecendo olhar
O desespero inteiro rasgando todo o ser
...
musa

MAUS TRATOS

MAUS TRATOS
Violeta purpura roxo lilás
Nódoas de alma do sangue matizes
Cores marcas que o tempo desfaz
Vincos veios varizes
Dores olhares infelizes
Onde tristeza é paz
E tu nada dizes

Um só beijo
Gozo desejo
Louco sentir

Raiva estalo apertão consolo
Tanto resvalo assim mentir
Silêncio solidão sentida
Pode ser dano ou dolo
Essa ilusão que persiste
Aberta quase ferida
Sangra a dor vertida

A hora insiste
Nesse sofrer
Ainda resiste
Viver ou morrer
Esse colorido
Azulado vivo
A escorrer


Uma mancha mão levantada
Um grito abafado olhar triste
Uma lágrima a verter
A boca calada
Por nada dizer
A marca arroxeada
A violeta por florescer
Na carne marcada
De tanto padecer
...
musa

ECLIPSE - AO LUAR

ECLIPSE
Porque está tudo tão quieto
Esta manhã o galo não cantou
Amanheceu um luar fluo discreto
De nuvens que o vento não levantou
E junto ao mar
Que calmaria

Parece que o tempo se faz poesia
A lua encobriu o sol de brilhar
Fez lhe frente para a tapar
Quimera magia

E sim ainda está tudo aquietado
O dia em silêncio enevoado
Parece ter parado
No tempo

Há uma lua nova eclipse solar
super lua equinócio da primavera
A natureza agita se quieta serena
A calma estende a alma terrena
Amanhece uma sexta-feira perto do mar
Trago nas palavras versos temporais de espera
Sim começou a Primavera
Mas está tudo tão quieto
Parece que o dia desperto
É um segredo dito ao ouvido do sol pela lua
...
musa

AO LUAR
Espreitei a lua no teu olhar
Pareceu me nuvem na poeira
No pó das estrelas a brilhar
Um rasto de luz no luar
Nos olhos da feiticeira
Havia a lua a cintilar

Branca grande arredondada
De um azul frio mármore
Por entre a folhagem da árvore
Espreitei a iluminada

E quis parecer me um anjo branco
Estendendo sobre a terra o manto
De uma brancura caiada
De azul olhar espanto

Dentro dos meus olhos escondida
Brilha a lua e a vida
Tanto mas tanto
...
musa

quinta-feira, 19 de março de 2015

TORRE DOS SONHOS

TORRE DOS CLÉRIGOS - PORTO

Gáveas sombras anunciam a noite além
Longínqua torre chão de sonhos silvestres
Arvoredo escuridão noctívagas agrestes
As trevas que escondem alguém

Na alta torre dos céus iluminada
Vislumbro segredo guardado a sete chaves
Por entre a folhagem ausente luz coada
Que gritos ecoam atrás das grades

Murmura a brisa agitada aragem
Esvoaçam as aves silencio dorido
Da torre se avista doce miragem

Galhos nus tombam a noite serena
Árvores promontório longínquo sentido
A noite secreta guarda o poema
...
musa

SE ISTO É UM PAI

FELIZ DIA DO PAI

SE ISTO É UM PAI

Ocorre a aventura
O gozo vivido
A inconsequente loucura
Do acto consentido
E o sêmen escorre
Sem ser proibido
E dentro não morre
Multiplica se está vivo

As luas avançam
As estrelas dançam
O sol amanhecido
As tardes cansam
O ventre crescido
E vais ser pai sim
Já nada se pode fazer
Teu nome apetecido
O filho feito sem prazer
Cresce dentro de mim


No olhar dizes não
Negas com firmeza
Foges da razão
Semeias a incerteza
Abafas o grito inocente
Renegas a semente
Há nos olhos a tristeza
Da palavra que mente
A raiva o ódio a dureza
Que a natureza desmente
Tanta sentimental frieza
Carnal indiferente

Se isto é um pai
Se isto é ser pai
Se isto faz um pai

Há de um filho ser gente
...
musa

domingo, 15 de março de 2015

LONGURA

LONGURA
la longe
as luzes amorfas
vigiam a escuridão
num ocre alimonado
a estrada curva a aragem da maresia
jaz a escura sombra do silencio
riscada de faróis inquietos de fuga
trepida o comboio na linha junto ao mar
a noite enfurecida vai numa viagem sem fim
espera amanhecer o tempo curvado de neblina
são assim os dias entre o campo e o areal
onde a praia rumina as rochas salgadas
com o vaivém das ondas fugidias
a cada vaga a aragem morre
onde o tempo lacrimeja
uma cor enevoada
o escuro da luz
nuas trevas
distantes
...
musa 

SOLITÁRIO

O tempo bruto pedra negra cal
Gema solidão caminhada só
Deambulando pelo areal
A maresia o sol e o pó
Serão teus dias
Esse caminho


Tão perto do mar
Tão distante
Tão destino

Aonde queres tu chegar
Solitário caminhante
Assim sozinho
...
musa

quarta-feira, 11 de março de 2015

TROTE CREPUSCULAR - Cavalo Á Solta - Ary dos santos - Fernando tordo



Eram cavalos nas palavras que dizias
as imagens que mostravas quieta pradaria
eram gomos de emoções aquilo que sentias
no trote crepuscular em corrida fantasia

cavalo à solta onde o tempo trouxe saudade
a doçura campestre em crina de vento
para lá do horizonte rubra sensualidade
versos de corrida contra o sentimento

faz-se tarde e soltam-se os cavalos nesse entardecer
morre a luz outrora potro em rebeldia
e dentro de nós a loucura dos sentidos de prazer

clara e terna a nostalgia e o sossego pensamento
rédea solta pelo chão de versos a poesia
corre cavalo pelo orvalho do desalento
...
musa


domingo, 8 de março de 2015

MULHER

Sangram rubras rosas perfume
No leito mensal da criação
Acende a deusa o lume
Do fogo da procriação

E no inicio do desejo ateado
O corpo e a alma aberta
Na meiguice sedução
Ao ser emancipado
Pela porta secreta
Do único pecado
A maça condição
Do gozo trincado
Oferecido à mão

Aos olhos ímpar nudez
Teu corpo de sedução
Caído o véu da timidez
Casta e pura negação

O ventre de luz fecundado
Pela semente da razão
Na tua boca degustado
Dos seios o leite vertido
Tolda-te o sentido
A vida ou a paixão
Teu jeito incerto de mulher
No rosto tão vincado
O desejo escondido
A real ilusão
Teu gozo consagrado
Tua vontade ou prazer
Teu segredo confundido
Com a inocência do ser
Semelhante mulher
Fruto proibido

Quis o Éden ter-te em seu jardim
Nessa vergonha tímida desobediente
A loucura do bem e do mal sem fim
Na árvore do conhecimento inocente
...
musa

sexta-feira, 6 de março de 2015

LEALDADE

Ainda há miosótis escondidos nas cartas fechadas por abrir
Secretas palavras em floreado azul da tinta permanente
E lágrimas e olhares sentidos de silêncios a sorrir
A saudade e as mágoas na lembrança descontente

O tempo adormecido nas flores campestres
Era de azul o esconderijo do nosso amor
Perfumado de murmúrios e encantos silvestres
Um ninho enternecido de desejos e de cor

Ainda guardo as cartas por dentro florescidas
Entrelinhas de céu e mar no jardim da mente
As tuas palavras que nunca foram esquecidas

Volto ao campo dos miosótis no meu olhar
Desabrocham tantas saudades docemente
São de azul as lágrimas que eu vou chorar
...

musa

SEGREDO

Sabes meu secreto amor de seda e cetim
Das lembranças segredo no meu coração
Dos teus olhos janelas abertas do varadim
Alma entregue a essa loucura doce paixão

O teu riso inesquecível melodia um festim
Para a minha boca coberta dos teus beijos
Fazias do meu corpo um inebriante jardim
Onde colhias caricias ternas como desejos

Em pele humedecida abraçada assim
Tocavas a intimidade como fonte rio
Vibrante sonoridade louco frenesim
Ainda hoje quando lembro sim sorrio

Entre nós foi impossível haver esse fim
Que agora desperta na alvorada do querer
O aroma das lembranças florido jasmim

Guardarei eternamente num laço carmim
Memórias sentidas ainda por escrever
Porque adentro de mim sempre direi sim
...

musa

A VIÚVA

A VIÚVA

Passa na rua secreta de negro vestida
Auréola violeta em cansado olhar
As pedras da rua sabem-na entristecida
Recolhem-lhe as lágrimas de tanto chorar

E no jardim as flores sorriem para ela
As árvores da praça invejam seus cabelos de oiro velho
E quando ela passa de encontro ao rio seu espelho
O pintor espalha na tela a cor da bonita aquarela

Guarda no peito tristeza do amor a eternidade
A singela beleza que o tempo lhe roubou
E deixou no rosto marcas de dor e de saudade

Tem os dias presos em nostalgia e timidez
Há dentro de si o homem que ela amou
Agora vive o momento da intíma viuvez
...

musa

quinta-feira, 5 de março de 2015

MADALENA

MADALENA

O que dizem os teus olhos de arrependida
Cada centímetro da tua pele mal amada
As esquinas e os becos que te deu a vida
O corpo usado e a alma maltratada

Dizem as tuas mãos de escondidos segredos
Velhos afagos e carícias com dor a remoer
O silêncio da tua boca mordendo medos
De sentidos aguilhoados pela raiva do prazer

As lágrimas enxutas dos pés lavados
Com os cabelos usados em doce perdão
Tens as culpas e os remorsos perdoados

Se ainda continuas pecadora, mas Mulher
A chorar da vida inteira a solidão
Que pode esperar outra qualquer
...

musa

domingo, 1 de março de 2015

Tempo de pedra

TEMPO DE PEDRA

No caminho das sombras a luz compôs
Onde as planícies tingidas de sol dourado
A noiva sobre a terra em flor depôs
O ramo enfeite estevas giestas um cardo

O entardecer levou o corpo do planalto
Aos montes resta a saudade umbilical
Eleva se o espírito lá no alto
Sobre a seara do estio tão carnal

Tanto frio agora que ameaça primavera
As lágrimas da chuva em pranto verso
Da terra rude profunda e tão severa
Poema imortalizado no sentir disperso

Assim fica mais pobre a eternidade
A carne a alma essência âmago sentir
Talvez o tempo se demore na idade
Com tempo de trazer caminho a cumprir

Se o fiz ainda do voo das andorinhas
Com as penas esvoaçadas pelos montes
As fraguas as mágoas assim tão minhas
Recolhem fresca água do leito das fontes

São lágrimas terra acolhe as no horizonte
Doce noivado do chão até ao céu
Fazendo das palavras essa ponte
Do verso iluminado que é tão meu

É aqui a memória feita torga sol e pedra
Sete palmos os versos das sombras doloridas
Quando eu morra a voz suba enfim a serra
E deixes as sombras assim sentidas
...

musa

ANDORINHA - Parabéns MAR

Feliz aniversário Maria Augusta Ribeiro

Abraço poético

“A reserva

Quando olho para trás
Não me entrego ao passado
Tento dar á minha paz
Um arco iris dourado
Já esgotei todas as cores
Tonalidades...mistura
Do negro das minhas dores
Retirei o da amargura
Misturei-o na alegria
De que nunca me afastei
E, aos poucos...dia a dia
Do negrume regressei....
Ser poeta me salvou
Para que enquanto viver
Eu seja assim como sou
Mais menina que mulher....
M.A.R.”

Das vossas palavras senhora
A sentimental tristeza da saudade
Onde a poesia fica e se demora
No verso com a doce tonalidade

Esgrimais poemas de leves rimas
Com tanta cor força e ternura
Palavras vestidas de meninas
Para encantar com doçura

No rosto a marca forte de mulher
Sem o negro dos traços doridos
As rugas de uma dor qualquer
Dando pátina de vida aos sentidos
...

musa

AMADEU FERREIRA - RIP... Um Poeta Amigo... Transmontano de grande Admiração... Morreu o Amadeu Ferreira, poeta, escritor e grande divulgador, talvez o maior, da língua mirandesa Honra à sua memória

A ti AMADEU FERREIRA... porque a poesia nunca morre

Em paz o espírito se eleva voz poesia
Nunca a terra o teve assim imortal
Esvoaçando a alma a maresia
A luz indicando o portal

Recebe as cinzas do corpo verso
A palavra o poema carnal
Há de haver além no universo
Uma estrela do tempo visceral

Com réstias de um chão de fragas
Perfumado de giestas em flor
Raízes onde medraram mágoas
Que agora são leito de dor
...
musa

Amadeu Ferreira, um dos maiores investigadores do mirandês, considerado um dos maiores escritores e investigadores do mirandês, a segunda língua oficial em Portugal, morreu hoje em Lisboa, com 64 anos, vítima de cancro no cérebro. Por vontade do próprio, o corpo será cremado e não haverá cerimónias fúnebres, indicou a família.
Amadeu Ferreira nasceu a 29 de julho de 1950 em Sendim, Miranda do Douro.
Entre outros cargos, era presidente da Associação de Língua e Cultura Mirandesas (ALCM), presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, vice-presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, e membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Bragança.
Em 2004, recebeu a comenda da Ordem do Mérito da República Portuguesa.
É autor e tradutor de uma vasta obra em português e em mirandês, onde assinava com os pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda e Fonso Roixo.
Amadeu Ferreira deixa obras científicas e literárias, desde a área do direito à poesia.
Traduziu para a língua mirandesa obras como "Os Quatro Evangelhos", "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, "Mensagem", de Fernando Pessoa, dois volumes de "Astérix", obras de Horácio, Vergílio e Catulo, entre muitos outros.
Foi, além disso, colaborador, sobretudo em mirandês, de diversos meios de comunicação social e publicou mais de três mil de textos, quase exclusivamente literários, em blogues.
A sua biografia e o seu mais recente livro, "Belheç / Velhice", têm lançamento marcado para quinta-feira, na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Amadeu Ferreira vai ser homenageado em Lisboa e em Sendim, localidade do concelho de Miranda do Douro, de onde é natural, revelou hoje a família.

As cerimónias estão marcadas para terça-feira, em Lisboa, na Casa de Trás-os-Montes, e na quarta-feira, na Casa da Cultura de Sendim, no distrito de Bragança, onde os amigos poderão prestar homenagem lendo textos da autoria de Amadeu Ferreira ou simplesmente estando presentes, informou a família numa nota enviada à Lusa.
Fonte:
http://www.tsf.pt/

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ATALHO

ATALHO

As palavras sempre foram meu último reduto
Anuência escape luminescência atalho
Deixo entre elas o pensamento devoluto
Escritas as palavras denunciam o que valho

Essência líquida em sentimento visceral
Encurto o tempo que toma as palavras de mim
Sou toda eu âmago esse ser o sentir carnal
Que hei-de cumprir transcendental até ao fim

O verso somente a forma curta dos sentidos
Como descarnada a alma do corpo poesia
E tudo assim desnudado aos olhos despidos

Deixam ver para além da vida a eternidade
O gozo desmedido do apogeu em demasia
Que é sentir na morte o alcance da saudade
...

musa

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DEVO ESPERAR?

Corro para os teus braços abertos
Tu que sempre me ensinaste a esperar
Os instantes de ternura tão secretos
Quando nos teus olhos havia tanto para amar

Havia dentro deles um sentir tão profundo
Riso calmaria agitação e lágrimas de permeio
Quando me olhavas era neles que eu via o mundo
Tão alegre colorido sorridente e nunca feio

Depois... um dia foste embora e disseste que não voltavas mais
Aprendi a sorrir com olhos de saudade
Lá fora sussurrava o pranto da demora dos vendavais

Um dia... um dia volto para dentro dos teus olhos e conto te...

Devo esperar? Perguntei-me vezes sem conta a chorar
Como se o destino abrisse a porta da felicidade
Porque esperar um amor sempre humedece o olhar
...

musa