terça-feira, 12 de novembro de 2013

ÁGUAS PURAS

                               mar da Granja
queres um poema
no colo das tuas pedras
no convulsar das tuas águas
no cume das tuas vagas
dos meus olhos lustral
em pia batismal
águas serenas
paralisam sentir
dorme o verso
mar universo
quer existir
poesia

queres um poema
das águas do rio Jordão
em ritual purificação
vento escultor
vagas esculpidas
espumas destemidas
sal e dor
elevam-se do rio
que mancha a poesia
de um crepúsculo tardio
calandra solta vendaval
traz a noite ao dia
nas águas puras
águas escuras
nas águas impuras
purifica-se a poesia
do poema desejo
do vento e do mar
imortaliza-se o beijo
diante do meu olhar

queres um poema
nos meus olhos a grivar
as palavras casco de navios
as rochas humedecidas
pelas marés a naufragar
de musgos líquenes feridas
com o sangue de todos os rios
que ao seu leito vêm repousar
em assoreado descanso
nesse mar revoltoso e manso
navegam poemas à deriva
em olhar e maresia
vagueia a palavra perdida
da mais pura poesia

musa

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