quinta-feira, 13 de abril de 2017

DAS ESCADAS AO MAR


DAS ESCADAS AO MAR

São negras tão negras as escadas ao mar
Negras as pedras do lodo e do sal
E as ondas labaredas a arder o olhar
Vagas de lume de um ciúme fatal
E sem que percebas nele vais te afundar

Beija-lhe o sossego degrau a degrau a escadaria
Batem as águas sem medo e o vento da maresia
Sopra no ouvido rumor
São tantas as escadas a descer
E o mar salgado a estremecer
Vaga a vaga o seu amor
Onda a onda de prazer
Nas escadas o torpor
Vem do mar o querer
Litania azul a sua cor
Tantas as lágrimas há-de escrever
Mar de sentidos
De norte a sul

Beija-o a bruma
Nas pedras enegrecidas
Às vezes esverdeadas
Veste-o de espuma
De ondas enfurecidas
E uma brisa desnorteada
Nas pedras negras da escada
Gasta-lhe a lisura na loucura engrandecida
Bem lisa bem lavada
A rocha humedecida
Alma eternizada
De uma sereia perdida
Uma vaga vencida
Uma onda salgada
Uma concha escondida
No ultimo degrau incrustada
Esconde um segredo de vida
...
musa

2 comentários:

paulo Reis disse...

A mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa...

ana barbara santo antonio disse...

Gosto de ti :-) quando ficas assim tão romântico e filósofo ;-)
Mas não te esqueças que eu quero ser noiva de Sto. ANTÓNIO <3