quinta-feira, 25 de abril de 2013

"POESIA SEM GAVETAS" Antologia de poesia da Pastelaria Studios Editora

Apresentação da Parte I de "Poesia Sem Gavetas", será em Lisboa na Fábrica Braço de Prata, pelas 21 horas...
 E lá vos esperamos no dia 27 de Abril de 2013. Vamos celebrara a Poesia e os nossos Poetas, vamos dar voz às palavras, vamos fazer com que a Poesia seja uma festa! 




Perdoa-me vida
Esta abnegação ingrata com que sinto
As raízes da alma estendidas no além
E esta amarga dor com que me consinto
Não conseguir amar agora ter ninguém
Perdoa-me vida
O ser assim despegada desprendida
Inconformada delével nos sentidos
A musa estranha e tão insatisfeita
Essa dos sentimentos assim perdidos
Perdoa-me vida
O vil descontentamento quase rendição
A paixão inútil das palavras amargas
Não ter nem um pouco de mim compaixão
E ter duas almas como punho das adagas
Perdoa-me vida
Confessar meu omisso constrangimento
Ser duas que acabo a não ser nenhuma
Aclamar este poético louco fingimento
Pois a busca infértil é não ser só uma
Perdoa-me vida
A desgraça do corpo que nada quer sentir
Renegando os seus sentidos à alma inteira
E as mãos estendidas em desespero a pedir
Perdão na sua última absolvição derradeira
Perdoa-me vida
Este sofrer por quem não me ama e chora
De todo esse amor fingido falso forjado
E o querer esta morte que tanto demora
Pois da vida o coração se sente enganado
Perdoa-me vida
As horas manchadas de desespero fantasia
Instantes esquecidos no tempo lembrança
Minutos que são vida em palavras poesia
Como se ao sentir voltasse a ser criança

anabarbarasantoantonio

Perdoa-me vida
A minha revolta às escaras cicatrizadas
As forças perdidas os tristes pensamentos
As duras ideias tão em mim estigmatizadas
A vida essa mãe dos mais sentidos lamentos
Perdoa-me vida
Ser luz crepuscular da tarde que se esfria
Do sol-posto em sombras ausente compadecido
A escuridão aninhada pela noite findo o dia
Na cegueira solidão do olhar assim perdido
Perdoa-me vida
Esvoaçar-me frágil em céus que não domino
Qual ágil ave em liberdade plena prematura
Esta ânsia que já me esgota odeio e abomino
Pois mais me parece insana insensata loucura
Perdoa-me vida
O ter perdido das mãos controle do meu pensar
O ter amar como castigo em deturpada penitência
Deixando-me ser dos homens a cruel musa a odiar
Vivendo pois perigo dessa dualidade existência
Perdoa-me vida
As saudades breves famintas ousadas fugidias
Que em silêncio poetar se aninham no abrigo
Do peito que as solta como palavras sombrias
Como alma libertando-se das dores seu castigo
Perdoa-me vida
O voo do pássaro manhã em tempo estilhaçado
Os meus telhados de vidro opaco e embaciados
O renascer da fénix fogo cinza quase apagado
Os dias a ruir em pedra lume quase contados
Perdoa-me vida
Desabafar assim humildemente desta maneira
Em versos poetizados de perdão pelo ser
Construindo pela mão da poesia companheira
Um castelo de penas onde eu sonho viver
anabarbarasantoantonio

Perdoa-me vida
Da tristeza que tenho
Do amor que não trago
Nesta dor em que me detenho
De sabor bravio intenso amargo
Perdoa-me vida
Do tanto que não guardei
Das lágrimas que chorei
Do tanto que não pensei
Perdoa-me vida
O choro da existência mal-amada
A ausência vã sacrificada
O desgosto insatisfação amordaçada
Perdoa-me vida
O risco que por imprudência pisei
O rebate da consciência tão pesada
O rasgo do corpo e alma que maltratei
O pranto do ser em névoa fechada
Perdoa-me vida por ser tão só
Peço perdão aos teus pés alma resignada
Perdoa-me vida sem piedade nem dó
Vida assim perdoada possa eu ser calmaria
Perdão sem tempo vida agarrada
A esta força transcendente que me tem poesia

anabarbarasantoantonio

1 comentário:

Carlos Lobato disse...

Lindissimo como so tu escreves!