domingo, 16 de junho de 2013

CLARABOIA

                    http://porto-sentido.blogs.sapo.pt/154117.html
Vidro e luz
Na fresta acesa
Da claridade
Óculo ventilado
Salvação da luminosidade
O ventre fechado
Em colorida tonalidade
De ferro envidraçado seduz
Quem olha os telhados da cidade
E se perde na abertura
Da luz em fogo trabalhada
Água-furtada
Lucerna clareada
Cirio da loucura
Arquitetada
…

musa

VERSO EPITELIAL

Contei-te o tempo os versos e os dias
As horas cílios curtos finos e piliformes
Palavras secretadas em tubas uterinas
O poema de sentidos disformes
O verbo dos flagelos
O exausto sentir

Na pontuação perdes-te de desvelos
Na entoação deixas fugir
O verso epitelial
É a tua voz
Segredada
Cântico
Doce

Fazes-me lembrar útero versial
Das palavras que se inventam ao contrário
Palavras de açúcar em versos de sal
Contas desfeitas de um rosário
No pensar em oração
Apimentado

E o verso declamado das tuas entranhas
Em cirios e flagelos desprendido
Ficam sensações estranhas
Do poema em sentido
Dentro de nós

Verso epitelial da tua voz
Em morfologia adocicada
O sentir somente vertido
Da poesia declamada
…

musa

terça-feira, 11 de junho de 2013

ESPECIAL SANTO ANTÓNIO - DIA 13 DE JUNHO 2013

Tens nas mãos o livro da tua vasta sabedoria
A mão direita como alusão ao pregador
O rosto sereno iluminado de alegria
Do Deus Menino adorador
Visão antes da morte
Ato de amor
Sorte

Ao teu saber humilde frade franciscano
Recorrem as donzelas para casar
Pedem proteção do perigo mundano
Erguem-te pelos bairros lindo altar
Ao dia 13 de Junho de cada ano

No livro dos assentos de casamento
Tantos há que escolhem esse dia
Pela Fé pela adoração por sentimento
Vão até ti em animada romaria

Santo António aos peixes falou
De amar nunca me deixes 
quem de amor nunca me amou
Santo António padroeiro dos namorados
Pelo amor estão casados 
quem com ele se enamorou
Caminheiro de destinos cruzados 
que a vida já cruzou
Santo António que aos peixes falou

SANTO ANTÓNIO olha a graça 
a graça que assim se fez
Trazida às janelas do fado 
É desgraça ou insensatez
Santo António tu bem vês 
Com tanta mulher estou desgraçado
Nem encanto nem canto o fado

As noites à quinta-feira são para mim uma canseira
tanto que tenho que palmilhar para acabar a cantar
elas bem puxam por mim e sempre me deixam assim
Santo António desta maneira mais depressa chego ao fim

canto canto e encanto mas nunca me irei casar
...
musa

domingo, 9 de junho de 2013

DIVAGAÇÕES

Meu segredo…
… se um dia eu te contar os meus planos para voar prometes que de tanto me beijares ganho umas asas...
Escuta o silêncio…
Empresta-me as tuas palavras até amanhã para subir aos sonhos ... Devolvê-las-ei antes que a noite se envolva nos abraços da claridade no regaço dos instantes... Fica comigo até ser dia... senta-te aqui nas escadas do tempo…
sabes... um dia entramos os dois pela mitologia adentro e fazemos com as palavras o que se faz com o amor...
…

musa

sábado, 8 de junho de 2013

DECLARAÇÃO

“Se em declamar há amar, em matar há atar. Por mais que queremos matar saudades, desatamos por atar a ilusão à recordação.” MF

Temo tanto essa ilusão como tu. Declamo os atos sobrescritos de lembranças em saudades de um tempo que nos teve sem que soubéssemos guardá-lo inteiro dentro de nós e por isso não sei se sobrou alguma coisa que seja agora recordação.
Tivemo-nos de instantes em lençóis desconhecidos mortos de desejo por fugazes memórias que contamos e vivemos recordadas vidas que assim fizemos de suor e beijos.
E era no teu corpo que fazia viver o passado. Despertando do dia em tom agreste e lento uma noite apetecida. Adormecendo fim de tarde esfriado na pele amada e acalmando o desassossego das bocas num duelo de olhares feitos afetos e vontade cumprida.
Houve um riso escapado dessas lembranças que envolveu os meus olhos em capricho e loucura e quase quase vivi para te ter amado nessa hora, em rebeldia e ilusão.
Havia as tuas mãos em desenfreada correria por palmos de pele excitada e o vento da tua respiração soprando brisas de luz em caricias por inventar.
Ainda há amor declarado nos poros acesos pela saudade.
Fazes reviver momentos amortecidos em textos de lembranças querendo ir para o prelo da tua boca tornarem-se livros com folhas por desvirginar na profundidade de lágrimas perdidas em contraluz declamadas.
Não sei se somos uma declaração de amor ou o silêncio que por ela se escapa para acender o fogo da paixão.
…

musa

PENSAMENTO

Não me importa que gastes todas as limalhas
Dos ferros da madeira onde os anos são elos
Das falhas onde te tenho incumprido sentir
Desmembrado sem eira nem beira dos paralelos
Que desunidos possam dentro de mim resistir
Palavras pedras passos dados sem saber
A razão repartida do ser e existir
Ainda que sentida e ausente
Deixa por dentro ferir
Parte demente
Em ti

Agora vem dizer-me que do verbo sabes
As ferragens polidas nas arestas do tempo
E no meu interior de pensamentos ardes
Chama de uma fogueira de sentidos
Ainda que incompreendidos
O pensamento
O ferro a madeira a carne e a alma
A possessão o grito a desordem e a calma
Cada um à sua maneira possa ser
Gume invertido do pensar
E na existência sumula do prazer
Possa fazer acontecer e inventar
Razões da árvore do conhecimento
Cegueira de um caminho perdido
Onde procuro discernimento
E de ti um só sentido
…

musa

ILUSÃO

Preenchida pela ausência do saber-te
leio-te em cartas que chegam de distâncias
que encurtam saudades ao ler-te
e trazem pela mão fragrâncias
odores em cada dedo
que deixam em palavras ilusão
e contam um segredo
e sonhos por escrito
de paixão

quanto desse sentir trouxe espanto
folhas de afetos num manuscrito
nas linhas gastas a escrever-te
a tinta diluída com o pranto
os meus sentidos a dizer-te
de um consentir circunscrito
que tanto mas tanto
gostei-te tanto
e agora já não acredito
tal é o desencanto
do encanto

eras uma carta por abrir
o luto nunca feito pela saudade
eras o instante de sentir
essa melancólica sem idade
e agora o que pensar
as cartas nunca são iguais
fico na ilusão a esperar
que chegue somente uma
ou se calhar nenhuma
mais
…

musa

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ESPERA

ESPERA
Regressa amanhã amor que hoje já não tenho tempo de te saudar.
Sou corpo pedra templo do tempo dos dias da vida em que me despeço e fico a esperar que passe a desolação.
Parte dos dias com pressa de voltar e no regresso anunciado deixa as palavras presas ao grito amordaçado pelas lágrimas da saudade e chora com a alma rasa de tristeza as voltas que a vida dá nos ponteiros parados da inquietação.
Volta amanhã amor do passado feito um dia das horas por cumprir segundos cheios de vontade e o instante bloqueado por minutos emotivos e sombrios na nostalgia de sentir somente a solidão.
Ah se fosse só esse o teu desejo voltar.
Houvesse a loucura de ir embora e na demora que perdura insistentemente a angustia inquilina de momentos tímidos de melancolia e arduamente te deixasses em cada partida e cada chegada trazendo parte de ti ao meu sentir-te assim sempre em euforia desmedida.
Queria tanto acreditar na vida. Acreditar em ti. Acreditar que voltas.
Fico em cada palavra escrita juntando as pontas soltas como que à procura de uma pontuação feita para a eternidade e na esperança de quem ainda acredita no teu regresso olho além do tempo e dos sentidos e comemoro no expresso sentir que regressas amanhã.
Vã saudade e solidão confessas nesse existir que alcança a felicidade dada em nós do sentir que derrama e aperta os parágrafos no espartilho das palavras por escrever e deixa ousar e consentir o prazer de sonhar.
Regressa amor que eu ainda estou aqui para a te esperar.
…

musa

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DEDICACE - a JOSÉ LUÍS PEIXOTO

Na timidez profusa de um silêncio entre paredes
Lanças palavras sem tempo nem pensar e nessa ousadia
São como peixes entontecidos apanhados nas redes
Dos sentidos a naufragar marasmo da fantasia

É o teu ser a casa escura que trouxe ao mar profundidade
E o teu rosto despojado à minha espera um cais sem pontão
Amarras as mãos da loucura onde navega a ansiedade
Rosto mãos e o ser vagas soltas em águas solidão

Amor são os teus olhos e o sentir devoluto e ardente
Brilho de sal e sentidos no olhar suado do gozo amante
Quase como um sol a esmorecer para além do poente
Quando tudo e todos já te sabem cumprido e distante

E hoje em Junho vieste aos Maus Hábitos no Porto
Sentado defronte a uma multidão ouvindo vendo-te falar
Era a casa cheia em escuridão e o olhar atento absorto
José Luís Peixoto na t-shirt um galo por cantar
…

musa

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A CASA


        ( Avenida do Choupal nº 25 - Torre de D. Chama - a casa onde nasci nessa janela que se vê.)

Das casas que me viveram
Na casa onde eu vivi
Palavras versos poemas nasceram
Do pátio ao jardim onde eu cresci
Deixei parte de mim nesses espaços
Das casas que eu habitei
Deixei a alma aos pedaços
Deixei o corpo nesses traços
Deixei os sentidos e os abraços
O sono e o sonho onde me deitei
A casa o sentido e o ser
Parte de uma existência em dor
Parte de um sonho em que acreditei
Parte de uma vida vivida com prazer
Com tristeza alegria ódio e amor
Em sensibilidade meditei
Na casa aberta ao mundo
Alma e corpo e o sentir o alicerce
Sentimento dolorido e profundo
Teia que o pensar enreda e tece
Por todas elas passei
Esquecendo parte do ser
Andarilha estranhamente abandonei
Na casa deixei sem saber
Memórias lembranças recordações
Histórias de infâncias ilusões
Tão parecidas com as minhas
Como se a casa fosse um espelho
Revelando sinais advinhas
Desse mistério tão velho
Esperando eu morrer
Como a ira das vinhas
Onde o vinho espiritual
Faz a sagração do ser
E a casa sepulcral
A última morada onde eu viver
…

musa

domingo, 2 de junho de 2013

AS COISAS

Têm as coisas em mim memória
Arrastam a luz em sombras pelo chão
As coisas têm a sua história
Numa eternidade plena de solidão
Têm as coisas em mim lugar
Num altar de prece e glória
As coisas sempre aí estarão
Tendo até alguma coisa para contar
E dentro de mim lembrarão
Onde existem as coisas a recordar
Há uma estante com livros e pó
Um tapete de lã com as mãos da avó
Um candeeiro de abajur pintado e velho
Uma ténue luz esforça-se para respirar
E há fios soltos no reposteiro vermelho
E cheira a maça e canela do pomar
E há nas paredes telas pela mão da mãe
Bucólicas aguarelas com cenas silvestres
Naturezas mortas e autorretratos
E quadros de outros pintores também
Com cenas de caça e paisagens agrestes
Ocupando lugar nas salas e nos quartos
Têm as coisas ordem e o tempo
Serão numeradas catalogadas em testamento
No auge dos dias em plenitude
De contornos gastos de ternura
São feitas as coisas de sentimento
Guardam em si silêncio e quietude
Dançam na penumbra sonho e loucura
Têm as coisas em mim a virtude
De me fazer sentir mulher vivida e madura
Filha de um momento e de um pensamento
Como alguém que ainda procura
As coisas que hão-de vir perdidas para além do tempo
E nunca deixarão de existir coisas e vidas
As coisas em mim por dentro
Sentidas
…

musa

sábado, 1 de junho de 2013

A CASA E AS COISAS

Na casa todas as coisas têm o seu lugar
Cada divisão cumpre os seus silêncios absolutos
Na casa há nascimentos festas de aniversário
Casamentos separações e os lutos
Sentimentos que vieram para ficar
As horas de sonhar e todos os ânimos devolutos
Há o condão da prece desfiadas as contas do rosário
As tristezas e a esperança a cada hora
De pensamentos que a vida tece nas alegrias
Que cumprem o tempo e as fantasias
O sonho que em cada um se demora
Nas portas há o calor das mãos e dedadas
A demarcar intenções e quimeras
Há um torpor embaciado de suspiros e horas dadas
Contra o vidro da solidão soprando longas esperas
E um choro amordaçado na força da resignação
Os objetos que deixam as marcas mesmo que o pó
Seja limpo e espanado todos os dias
E nas gargantas há um nó
De pura e intensa emoção
Difícil de desatar
Há lágrimas vazias
Há barulhos por decifrar
Há desespero e desilusão
Ranger de portas fechadas
E balbuciar de vozes arrastadas
E na casa quieta as horas mortas
Dançam valsa na penumbra sombria
Rodopiando uma melodia de poeira sangrenta
Nas frinchas acendidas de luminosidade
Fazem do soalho ao teto um fogo em sinfonia
Do rosa ao lilás da fogueira de sentidos magenta
Há um frio tépido a enamorar-se dos recantos
Impregnando tudo de profunda saudade
Um sentir da casa às coisas de forma desatenta
E no canto do olho demoram-se os prantos
Com raízes espalhadas de infelicidade
Recortando na escuridão poemas por escrever
Como se a alma da casa fosse a folha imaculada
A deixar testemunho do tempo e do ser
E a carne habitada de mim
Em dor e angústia trespassada
Com todos os poemas como bibelots esquecidos
Estátuas por entre as flores de um jardim
Abandonados numa qualquer divisão
Ficassem aí fechados o ser e o sentidos
Com todas as memórias do passado
A recordarem o meu fim
Porque uma casa é toda feita de nós
Tem choros gritos sussurros risos
E por dentro de cada objeto entranhada a nossa voz
Os nossos gestos estranhos e imprecisos
A demorarem-se no colo das palavras para lhes sentir
A verdadeira e adorada emoção
E nesse instante de vida e existir
Saber que a casa tem afetos que dão abraços
Que há amor a consentir
A luz em todos os espaços
E são como um regaço estendido
Onde eu ainda descanso os meus dias
E descubro na casa as coisas e o seu sentido
E em tudo vejo o seu devido lugar
As coisas à casa dão o ser
Mas há um desalinho que eu nunca conseguirei arrumar
Faltam na casa crianças a correr
…

musa

sexta-feira, 31 de maio de 2013

CANOCHINHA E A FOFA NUVEM CHORONA - Conto Infantil

... e porque amanhã é DIA DA CRIANÇA... aqui fica uma historinha para contar logo a noite antes de adormecerem...

de ana bárbara de santo antónio

CANOCHINHA E A FOFA NUVEM CHORONA

Conto Infantil
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Era um país virado do avesso.
Ora deixa-me cá ver se eu não me esqueço do que vos vou dizer. Vou falar-vos de um menino travesso, com cara de anjinho mas que era um diabinho, um cão bolinha, traquina, de pelo pequenino todo enrolado, encaracolado, e uma nuvem endiabrada que nunca lhe escapava nada.
As pessoas viviam nas nuvens e as nuvens viviam na terra. E com esta confusão já nem sei quantos eles são?!
Ah! Já me lembro! Se calhar passou-se em Dezembro?!
Havia o CANOCHINHA, um miúdo de 5 anos, que vivia mais vezes nas nuvens do que tinha os pés na terra, sentia-se triste e sozinho porque não tinha manos, mas tinha um cão que tratava como um irmão, e não falava com estranhos. Mas se as nuvens estão na terra e as pessoas vivem nas nuvens como pode o CANOCHINHA não estar nas nuvens?
Também havia uma nuvem que se chamava FOFURA, muito malandrinha mas de uma enormeeeee doçura, fofa e pequenina de uma grandeeeee ternura, e que era uma nuvem chorona mas muito brincalhona. Ria por tudo e por nada e arreliava a rapaziada quando queriam ir brincar na rua e ela se transformava em lua sem olhar a meios, e escurecia o dia, roubando-lhes a alegria de correr em pleno dia de sol, então era um rol de nomes feios, daqueles que não se podem dizer, pois a mãe ou o pai ou seja lá quem for, podem nos ralhar ou bater, e depois se calhar dói de dor e de injustiça a valer, porque se os nomes existem é para que se possam dizer e não fiquem na preguiça de quem não os quis aprender.
Aprender era com o CANOCHINHA! E lá ia ele para a cozinha ver o seu pai a preparar os guisados, os cozidos, os assados, tudo lhe saía bem, melhor do que há sua mãe. Jeito ela não tinha para cozinhar, mas para mimarrrrrr… ai ai ai, que bem que ela sabia acarinhar, dava colinho e miminho, sempre que se fazia beicinho, ela nisso já não era como o pai, não era não! Mas amor de mãe ou amor de pai são do mesmo coração, letra da mesma canção.
Sempre que o miúdo saía com o cão, a nuvem FOFURA divertia-se com uma diabrura.
Andava o CANOCHINHA na rua em plena luz do dia, com o SABOGAS a passear, todo cheio de alegria, a cantarolarrrrr… e não querem ver o que passou a acontecer!
O dia ficou escuro, como se embatessem contra um muro, e começou a chover.
O miúdo e o cão ficaram atrapalhados, quase envergonhados pela sua figura, roupa molhada, pelo molhado, a manhã estragada o dia roubado, pois ficou de noiteeeee muito escurooooo, mas que loucura os dois a pingar, a nuvem chorona desatou a rir, e os dois nas nuvens com vontade de lhe dar um açoite, de tanta raiva a espumar só lhes apetecia gritarrrrr, completamente encharcados só lhes apetecia fugir, e a nuvem na terra a rir, a rirrrrrrrrrrrr.
Grande trapalhada! Era mesmo uma nuvem traquina, fosse de noite ou de dia, chovia em cada esquina. Toda a gente ficava arreliada com essa tropelia.
- Olha lá oh nuvem destrambelhadaaaaa, tu sabes o que estás a fazer? Pára lá de chover, ouviste! Estou-te a repreender! Volta a devolver o dia e leva lá a noite para outro lado, ou eu fico mesmo zangado!
- Não querem ver o miúdo reguila! A encher o peito como se fosse um gorila, eheheheheh, agora vai para casa secar o cabelo e bebe mas é um chá de camomila, ou a tua mãe chega-te a roupa ao pelo, porque vais ficar constipado, tu e o teu cão ensopado!
- E a culpa é tua, nuvem do tamanho da lua! Ai se te apanho torço-te até ficares deste tamanho, um grão de areia, sim, sim! Nunca mais ficas lua cheia!
- Pois mas isto é porque tu andaste a fazer disparates, é só uma lição, porque ontem deitaste muito limão na água da tua prima, e coitada da menina, ficou com a língua parecia uma tangerina, encarnada alaranjada a queimar!
O SABOGAS ajudou à festa e começou a ladrar e a rosnar e a saltitar com vontade de morder, para ver se apanhava a nuvem lua, à dentada, o CANOCHINHA limpava a água da testa a escorrer, era mesmo de enlouquecer!
Mas ela contorcia-se, torcia-se, retorcia-se, como um contorcionista de circo, mais parecia um trapezista no alto do arame, e chovia chuva a chover num derrame que só visto.
Chover chover chover era o que mais lhe dava prazer.
O SABOGAS parecia um pintainho saído do ovo ainda no ninho, uma desolação, cortava o coração. Mas o seu pelo molhado, o desengonçado cheirava mesmo a cão. O CANOCHINHA encharcado da cabeça aos pés, dava passos de lés-a-lés para chegar rapidamente a casa, trocar de roupa e secar o cabelo para não apanhar um resfriado, o pobre coitado não conseguira impedir a nuvem FOFURA de chorar a rir e parar com aquela loucura de fazer o dia ficar noite e ainda por cima, chover em cima da sua ternura o SABOGAS.
Mas o CANOCHINHA malandro, agarrou o globo da terra e virou-o ao contrário, fazendo a noite ficar dia, o sol brilhou por detrás da serra, e do outro lado da terra ficou noite. Com isso atrapalhou as nuvens todas, que já não sabiam se haviam de chover ou deixar-se levar com o vento, e nesta trapalhada, a terra por debaixo das nuvens, as nuvens por cima da terra, as pessoas começaram a cair das nuvens para o chão, a todo momento pum, lá caía mais um! E que grande trambolhão!
Agora era o miúdo traquina mais a fofura canina que desatavam a rirrrrr…
Mas não se deve rir do mal dos outros. Nem por fazer diabruras, malandrices e loucuras, pois aos poucos ganha-se fama, de que se é muito traquinas e os meninos e as meninas devem ser bem comportados, e não mal-intencionados, pois quem ama ensina, ensinando a amar comportar-se bem, ganha-se mil beijos da mãe, que nunca se cansa de nos beijar!
anabarbarasantoantonio
fim

(esta história tem sempre que terminar com um grande xi-coração da mãe ou do pai e trambolhões de beijinhos nas nuvens, e para terminar doces sonhos para os meninos e meninas irem descansar!)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

AMOR DE CRIANÇA

em criança caminhamos lado a lado
num namoro do passado
que ficou bem para trás
e deixamos agora
o presente que se demora
num rosto distante fugaz
lembra a hora em que menina e tu rapaz
numa euforia audaz
seguíamos a estrada em caminhos paralelos
e nessa caminhada reforçávamos os elos
de um sentir a dois

mas a vida bem depois
esqueceu-se de nos dizer
que os momentos mais belos
nem sempre são feitos de prazer
e a vida pela estrada fora
no presente se demora
deixando-nos viver
mão na mão
a tua sobre a minha
e a nossa alma caminha
na estrada da ilusão
na construção do ser
eternamente até morrer

de mãos dadas
nas nossas caminhadas
no nosso querer
lado a lado
seguimos sonho do destino
seguimos nosso passado
seguimos mesmo caminho
com vontade de viver
este amor não vivido em criança
mas sonhado na esperança
de um dia o ver crescer
…

musa