sexta-feira, 7 de março de 2014

SOLITUDES VERSIAIS

Desenha-me solitudes versiais conspurcadas de luz e coloco no umbral do teu sentir a trave-mestra das enunciações da loucura com corpo endeusado pela poesia por onde passam os sentidos a palpitar sedutoras estrofes de inspiração
A neblina tinge me as vértebras do olhar
Caustica sensação do lume aceso das palavras no dorso ardor do queixume
Fumo doloroso da respiração onde o azedume do sentir estende o seu manto de pérolas de maresia
Cansado corpo transpira poros de nevoeiro toldando olhar ao leme do pensar
A claridade traz se madrasta de uma incumprida profecia
Unguento de rimas que acalmam o poeta
Névoa ainda em meus olhos de mar
...
musa

Sai o dom mostrengo destas caravelas, olhares do teu horizonte, el rei, póstumo mar o seu, ritmos do vento assoprando os seus beijos, nas profecias das sagradas escrituras das saudades. Tu além, ajoelhada nas ombreiras da janela com o cabelo ao vento, ele saqueando as mais sagradas especiarias do teu coração. Lá longe, onde os bojadores cabos, se inclinam no fogo das ninfas reclusadas nos seus cegos olhos amados em ti.
Vitor Hugo Moreira

Odor de um verso perfumando os tempos em vitral dos teus olhos marejados de especiarias trazidas de reinos silenciados pela loucura do teu sentir...
musa

Odes marítimas de navegar em teu mar, saquear o de mais profano sagrado lanzir do teu ventre. Oh almas do templo me permiti compor as citaras vozes melódicas dos versos camonianos na pessoa lírio jasmim desta fêmea
Vitor Hugo Moreira

Não mais do que uma lira no timbre azul do sangue em sal vagueando dispersa neblina em gozo de calor e humidade tombada pranto ao vosso olhar... Queria ser vaga e alterada ser rima com a ternura da tempestade...
musa

Vingai em aclamações do vosso vestíbulo despido das anunciações evangélicas. orai ajoelhada nos abraços da verdade sedutora no vermelho escarlate, desta carta aqui recebida em vossos lábios, oriunda do mais recôndito mar alto do meu corpo
Vitor Hugo Moreira

Há luz que permeia força e frio e abraça de nuança cor forma e feitio de uma imensidão sedutora que te faz ser poesia
musa

E as almas agigantam-se no miudinho frenesim dos teus olhos
Cantai almas, o amarelo do sol queima as solidões das sombras que se dançam em vossos olhos
Vitor Hugo Moreira

Precisava sentir a areia sob os pés e encontrei palavras amansadas em marés de espanto e luz...
musa

Os semáforos verdes dos templos libertam as ansiedades tumultuosas de as asas se serem Fénix, os unicórnios dos sagrados manjares da liberdade excêntrica sonhadora
Vitor Hugo Moreira

Virgens luminosas incendeiam escarpas das ondas que esvoaçam espumosas asas...
musa

E nas montanhas do teu Olimpo, de ouro transformado o fino linho do teu corpo, emana as vozes silenciosas dos ecos da tua plena sabedoria existência.
Vitor Hugo Moreira
Fio da trama de uma Ariadne furtiva ao encanto existencial
musa

Duo musa & Vitor Hugo

quinta-feira, 6 de março de 2014

DOR DE MÃE

 
Mãe
Olho nos teus olhos de mãe
O sorriso ensurdecedor
Que bate as asas dentro dos meus ouvidos
Não sei mais se são risos se são gemidos
Mas é nos teus olhos de mãe a dor
Asas cortadas dos braços feridos
Tombam dos teus lábios em silêncio pendor
Os gritos amordaçados dos meus sentidos

Estás tão quieta mãe
No embalo da surdina das memórias
Arrasta o teu olhar além
Do regaço cinzelado de meigas histórias
Em esculpidas recordações
O olhar vazio com asas a esvoaçar
Num voo picado de infinitas ilusões
Há no colo dos anjos uma menina a ninar
Que é o palco dos afetos e das lágrimas por chorar

Nos braços dos anjos adormece
Sossega mãe a tua dor profunda
Que no seio ferido desfalece
E de lágrimas de tristeza inunda
O rosto que de luz se tece
E a claridade afunda
...

musa

quarta-feira, 5 de março de 2014

UM COLO PARA TI ... para a Elsinha

... E eras só uma menina com a doçura eterna da infância...

UM COLO PARA TI ... para a Elsinha

Foi ontem que te conheci
Foi ontem que pedias colo
Foi ontem que ouvi teu riso

Um colo para ti
Foi ontem que te ouvi
Chamando por mim
Na doçura do teu sorriso
A meiguice da ternura senti
Sem lonjura sem fim
Alegria e riso

Inocência em flor
Desabrochando em jardim
Onde agora cresce a dor
Em pétalas carmim
No despeito da loucura
Arrancada a ternura
Em asas de querubim

Quem vai agora chamar por mim
Quem vai pedir me o colo
Esta dor este dolo
Que dilacera sem fim

Anjo na luz a esvoaçar
Rasgando me o peito
Negra tristeza a iluminar
O colo rasgado desfeito
Que não mais vou poder te dar

Apaga se a luz e o teu sorriso
E as asas desfeitas são lágrimas palavras
São silenciadas mágoas
De um sentir silente impreciso
Que o choro faz voar
E e já uma estrela
Lá no alto a cintilar

Olho o céu tão distante
Que frio é o firmamento
Que gélido o universo
Que dor dilacerante
Nas asas do pensamento
No choro verso
Cintilante

Adormece o sentimento
Eternamente no meu colo aqui
A tua despedida já senti
Guardo te com lágrimas por dentro
Jamais me esquecerei de ti +++ 04/03/2014
...

musa

terça-feira, 4 de março de 2014

UMA RUA DENTRO DAS MINHAS ESCADAS

Ainda que haja três andares e um elevador
Por dentro do prédio onde habito
Do rés-do-chão ao telhado
As paredes de tijolo avermelhado
Têm das telhas a mesma cor
Um tom velho e bonito
Quase parece uma flor

Sobem e descem as escadas a correr
Crianças adultos e cães
Uma rua dentro das minhas escadas
Degrau a degrau parecem dizer
De mão dada com as mães
As crianças não o querem ser
E as mães demasiado apressadas
Levam pela mão sem o saber
Degraus da sabedoria
Até um dia compreender
Esta intenção alegoria

Há vida por dentro do prédio a escorrer
Um sangue vivo de doce fantasia
Um sangue novo de ternura e alegria
Um sangue pungente e fulgurante
A subir e a descer escadas escondidas
De um presente que passado será distante
Crianças animais e gentes tão queridas
Dão vida à vida que sobe e desce interior
Do prédio que aloja os meus sentidos
E eu vejo tudo com espanto e muito amor
Sonhando acompanhar esses meninos já crescidos
Até que a vida me feche os olhos a esse esplendor
De tantos dias assim vividos
…
musa 

NOITES No PINGUIM

Pinguins de luz na noite poesia...
NOITES No PINGUIM

São noites de uma luz coada
Em frescos de pedra esculpida de vozes frias
Na penumbra estilhaçada
Há sombras na pedra de telas vazias
Música iluminada
E as palavras soltas em silêncio desmedido
O tempo de pedra humedece o sentido
E a luz continua em doce esfriar
Da poesia que escorre pelas paredes
Nas cordas acesas de quem vem declamar
Línguas fulgurantes aplacando sedes
De um gotejar insano gutural
Com vontade de serem poetas
Murmurando palavras secretas
De um tom humano escultural
Mas pedras da noite despertas
As memórias de um sentir
Na cave de portas abertas
Enquanto o Pinguim existir
...

musa

VOLTA SEMPRE

VOLTA SEMPRE

Depois de te perderes por aí
Em abraços de olhares anoitecidos
Em sorrisos de lábios entontecidos
Nos desejos ofegantes e desmedidos
Do que confessei e já senti
Em pensamentos proibidos
Que em silêncio adormeci

Depois de respirares a cidade já cansada
De dares as mãos a instantes já perdidos
De murmúrios inconfessáveis à madrugada
Traz de volta os teus silêncios e os teus sentidos

Volta sempre com o teu todo ou somente parte de ti
Algo que complete a solidão
Como parte de silenciado sentimento
Traz de volta o pensamento
Envolta de saudade e ilusão
Que no regresso já perdi
Em silente descontentamento
No olhar da noite escuridão
Volta sempre que o teu sentir deixar
Ainda que vazio de ti
Haverá um beijo ao teu olhar
A vontade de te abraçar
Pelo amor que sempre senti
...

musa

segunda-feira, 3 de março de 2014

TODO AMOR

TODO AMOR
“É fogo que arde sem se ver…”

Todo amor que não coubera
No fundo sentir do meu olhar
Por ti
Somente por ti
Alongaria profunda espera
Sem nunca desesperar
Deste amor que sempre senti

Todo amor que perdesse brilho
Faúlha de morno existir
Que acendesse de novo rastilho
Para te poder ainda sentir
E de novo dizer e confessar
Que ardes bem fundo no peito
Fogo que deixo consentir
Em brilho aceso no olhar
De um amor estranho imperfeito
De sentidos quase loucura
De uma espera que assim aceito
Este amor que tanto perdura
Pudesse eu dele desistir
Sentindo-me liberta
Desta dor secreta
De que arde o sentir
E de ilusão me deixa repleta

Todo o amor não inventado
Cabe no peito do meu olhar
É como um abraço cerrado
Que acende um fogo a queimar
Olhos acesos de louca paixão
Teimosamente sentindo
Iluminando de escuridão
Uma dor que vou fingindo
Não existir na razão
Mas a que vou resistindo
Em chamas no coração
…

musa

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sonetos da MORTE - King Crimson " Fallen Angel"



MORTE DOR

Toquei-te os lábios fria e leve
A roçar-me os dedos no sepulcro
A saciar-me a alma de infinita sede
Na fonte estranha do oculto

Tive em mim teu rosto demorado
Por breves instantes do sentir
Como se a dor tivesse voltado
Na mais latente forma de existir

O teu cheiro de cera ardente
De flores mortas em eterno leito
No espelho olhar que vida consente

Forma cruel e feia solta pranto olhar
Ferindo desalmada dor no peito
Que a adaga da morte parece cravar
…
musa

CANTO DA MORTE

Não peço se não que a vida seja breve
Do corpo cansado mais nada temo
Angustia e pranto pesado e leve
Levado ao martírio insano extremo

Os dias que vivi são já defuntos
Em enterro de horas em campa rasa
Sobram-me meses que assim todos juntos
Sepultam a dor que do olhar se vaza

Estranha forma de vida que viver é morrendo
Nos braços abertos de infinito tempo
Do corpo moribundo a morte renascendo

Meiga morte enraizada no doce sentir
Que apelo sussurro canto parece o vento
Varrendo de frio inóspito partir
…
musa

SEDENTA MORTE

Tem ela chamamento sereno sombrio
Sinto-a roçar meiga apetecida
Como se vingasse esta sede de vazio
Que por dentro corrói profunda sentida

Apetece-me tanto tê-la dentro de mim
E vivê-la a sangrar inferno de sentidos
Canto prece encantamento oração do fim
Sedenta morte de pensamentos proibidos

Deixem-me ficar qual lua cheia de plena solidão
Vibrante pulsátil no sangue a escorrer
As veias do sentirem loucura excitação

Que sede arqueia trave do sentimento
Sustenta a vida que corre a morrer
Antes que a veia emudeça o pensamento
…

musa

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

VAZIO

VAZIO

A ausência do corpo sobre o leito
Desocupado espaço da prostração
Traz a memória quente onde deito
Ainda a luz acesa dessa solidão

E por mais que entre a claridade
Iluminando lençóis da pele humedecidos
Há marcas indeléveis da saudade
Aquecendo de lembranças os sentidos

Gotejam alumiadas no calor imperfeito
De um verso nos lençóis adormecido
O calor abafado e profundo do meu peito

Despojado o corpo na brancura do vazio
Fica silêncio em marcas carnais no tecido
Sobra a ténue clara sombra luz e frio
…

musa

ALQUIMIA POÉTICA

Poética alquimia
Delicadeza luz das palavras
Emoções versos magia
Transmutação
Força quimérica dos sentidos
Inspiração
Transformação dos sentires
Colisão
Pedra Filosofal
Quimera dos perdidos
Transcendental
Sonhos sumidos
Química do tempo
Derramadas areias
Deserto secreto
Doce sal pensamento
Libertas ameias
Em ampulheta poema
Escorre poesia
Sentimento
...
musa


A Alquimia é uma Arte que utiliza grande número de símbolos, e o grande símbolo da Alquimia é a borboleta, por causa do efeito da metamorfose… POETAS são borboletas, o verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto, o poeta… Ser de luz poética, irradia dos seus sentidos para as palavras em poesia… iluminuras crivadas de alquimia… que de acordo com os especialistas nessa matéria dizem, a alquimia é o nome da química praticada na Idade Média, que se baseava na ideia de que todos os metais evoluem até virar ouro, os poemas são o ouro dos poetas, podem ser o nada absoluto mas são também explosões luminosas da alma gerada no cosmos do pensamento. Os alquimistas tentavam acelerar esse processo em laboratório, por meio de experiencias com fogo, água, terra e ar (os quatro elementos), empenhados principalmente na descoberta de uma "pedra filosofal", capaz de transformar tudo em ouro.
Um alquimista é um andarilho a percorrer as estradas da vida… o Poeta é o alquimista da Poesia… ALQUIMIA DOS SONHOS EM PALAVRAS…

Grata a todos em POESIA
...
musa

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CHUVA DE SAUDADE - Mariza - Chuva - Fado


CHUVA DE SAUDADE

do tempo de não ter-te
valados de saudade sulcaram águas
reunindo as chuvas que não cessam de chorar te

em obliqua fronte desse pranto
desaguei o olhar doce encanto
no sentir te fiz me nascente
rio em abraços para o mar
húmido e quente
em gotas a pingar
docemente

a chuva que não cessa de cair
no branco acinzentado da claridade
em cor de chumbo a fingir
raiar de cinza a tonalidade
que olhar e saudade fazem sentir

reúnem se águas em véu manso escuridão
desnorteados ventos vêm dançar
sopram gotas na clara ténue ventania
da saudade e da melancolia
a chuva do silêncio e da solidão
na terra e no mar
faz se poesia
…

musa

SAUDADES DO TANTO E DO TUDO - Rodrigo Leão *A Mãe #2* Vida tão estranha


SAUDADES DO TANTO E DO TUDO

Saudades do tanto e do tudo entre nós
Saudades do tanto
Do grito mudo em silenciado da tua voz
Da meiguice do pranto
Na solidão de estarmos a sós
Embalando o colo do sentir
Saudades do tudo
Do amontoado de palavras deixadas consentir
Do secreto inominado absurdo
Saudades do que ainda não pode existir
Neste sentir imenso e louco
De que não queremos desistir

“Saudades... De tanto e tão pouco...
Dos desejos segredados,
Dos abraços nunca apertados,
Dos beijos apenas aflorados...
Ou da humidade ardente da paixão,
Tantas vezes incendiada num fogo
Feito de folhas cheias de gemidos de palavras...
António
Beijo-te... Sempre...”

Saudades do que nunca foi... sim
Do bramir secreto do desejo
Da brisa ardente em frenesim
Em aflorado pensamento desse beijo
Nunca dado nunca sentido mas tão imaginado...
Em húmido olhar contra o tempo
Contra tantas as vontades
No fogo incendiado do vento
Feito de palavras ardentes de saudades...

Beijote... Sempre...
…

musa

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ENCANTAMENTO – ao António

Era dela que falavas em bandos de azuis borboletas quando me ouvias
Ode sagrada de palavras secretas a essa deusa de todos os mistérios e encantamentos
Ainda que fosse a minha voz que em ti sentias
No olhar fugidio de todos os instantes e deslumbramentos

“O meu olhar retém-se, teimoso, nas sedas delicadas da tua voz...
Filigrana de emoções que enfeitiça ainda a minha memória...

Se fosse possível, beijava-te sofregamente,
as palavras que baloiçam, ainda, naquela brisa de mar...”

era dela que falavas e adentro do meu olhar rebatias
o encantamento e o fascínio da voz dos búzios dos oceanos
nas profundezas mergulhavas e nas algas te prendias
em murmúrios de sereias e dos ventos bramindo tão estranhos

deusa poesia do silêncio das palavras em prece de sentidos
sussurradas em abraços de um tremente sentir
se fosse possível resgatar esses instantes já perdidos
e à flor da água de sal em doçura e encanto fazer florir
todos os momentos por nós consentidos
neste mar imenso da voz a existir
somente ser esse vaguear de sonhos vividos
que por ela não nos deixa desistir

do mar à terra resgatar a fantasia
sôfrego sofrimento da nossa existência
que feitiço algum seja maior do que essa alquimia
encontro de alma desejo e sentir dessa eloquência
de que assim se faz o encantamento da poesia
e no silencio da palavra encantada
a lírica sustentação do verso
haja no sentir a letra iluminada
que arrebate de luz todo o universo
pela força profunda do poema
tão imenso como um mar
que de sentir se possa abraçar
numa leitura serena
e sentir somente com o olhar
quem lê e sente
porque poesia é sentir
e consente amar
e consentir

e consente o mar
…

musa 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

NAUFRÁGIO NO AREAL

há um areal carregado de lembranças
de naufrágios pálidos em pedaços
sobre a areia sonhos em laços
algas perdidas longas tranças
uma praia de húmidos sentidos
memórias das profundezas do mar
ventos apunhalados como lanças
nas dunas varrendo enfurecidos
onde as conchas vêm naufragar
e as pedras endurecem temporal
ficam despojos de vagas encapeladas
nas águas bravias o sol a brilhar
na espuma das ondas de sonho e de sal
na praia dos ventos e da maresia
vagas dançantes despojadas
em bordado de algas e pedraria
sobre a praia deserta
há fantasia desperta
em areal poesia
…

musa