quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DILÚVIO

DILÚVIO

Os deuses ou os anjos
Abriram as fontes
No céu a nascer

Bátegas banjos
Trovoam
Em raios melodia
Abrem entre os montes
Nuvens a estremecer
Fazendo da noite dia
Ecoam
Pingos e trovões
Em dilúvio malvasia

Embebeda-se o chão
Das uvas por colher
Da loucura dos deuses irados
Não cessa de chover
Dos céus desolados
...
musa

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

AMORES DE VERÃO

AMORES DE VERÃO
fenecem aromas floridos
onde ausentes desgostos
assumem crisalidas perfumadas
odores perdidos
de distantes agostos
onde ficaram as pétalas tombadas
agora não sei mais desse verão
as flores feitas nadas
e os amores
onde estão?
têm as pétalas asas floridas
luz do fim da estação
borboletas esvoaçantes
amores de tantas vidas
nada será mais como dantes
...

musa

domingo, 14 de setembro de 2014

OLHAR EM TI

Os olhos cerrados aguardam a hora
De transpor o tempo e viajar
Nas asas das tuas mãos em mim
Sem delongas sem demora
Para além de todas as fronteiras
O teu jeito lento de penetrar
Bosques caminhos clareiras
Sem começo sem fim
Um todo por desbravar
Terra prometida
O sentir e a vida
Vivido assim
Puro prazer
A alma da pele assim oferecida
Em mil pedaços lembrados
Os sentidos aos bocados
Em louca evasão
Terna sedução
Resgate endoidecer
Do sentir e do ser
Fecho os olhos e resgato-te a sombra do sentir
Demoro-me no instante de lembrar-te
Há mil pedacos de ti em sentidos
Os poros da pele contraídos
Nessa vontade de te invadir
De carícias e gemidos
Somente pedir-te
Vem
Para onde há esperas na pele das palavras
Membranas ténues hesitações
Quimeras olhares perdidos
Nos sulcos nas lavras
Dos sentidos e das ilusões
Instantes comprometidos
De meras desilusões
E depois e ainda
As promessas sem tempo algum
Esta dúvida que nunca finda
Pairando receios e contrariedades
O sentido quase nenhum
De desalentos e veleidades
Omisso sentir ou doce iludir
Em mentiras ou verdades
Aceitar ou desistir...
...

musa

SOMBRA NEGRA

Não mais Poesia num mundo onde decapitam pensamentos livres ...
SOMBRA NEGRA

De longínquo deserto
Paira medo negra silhueta
Escondido secreto
O rasto infame da borboleta
E o brilho sangue da faça afiada
Que lágrimas dor desperta
A sombra negra amordaçada
Despedaça a vida
Na areia deserta
Escondida
O negro cárcere do tempo
Impera leis do silêncio mal
Alento de luz perdida
Esvoaça a borboleta ao vento
No escuro deserto sepulcral
Derrama o sangue sentimento
Num golpe diabólico animal
Negra lei da insanidade
Ergue vitorioso punhal
Em desumanidade
São avermelhados os desertos
Negros de sonhos desfeitos
Caminhos estranhos incertos
Em advires profanos imperfeitos
Gozam mentes em fanático sentir
Em adormecidos defeitos
Corre lhes infame sangue
Desmedido afluir
Ódio a consentir
Fanatismo nos peitos
Exangue
...


musa

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

URGÊNCIA DE SENTIR-TE

Trazes-me vontade sem saber caminhos
Em despertar de mãos entre as minhas
De olhos atentos a silêncios sozinhos
Por onde vagueias ou caminhas
Em passos de pele e sentidos
E de desejo determinas
Urgentes pedidos
Adivinhas

E amas-me rompendo distâncias
Invocando todo nosso sentir
Meigos murmúrios ânsias
No desassossego a proibir
Ousar não te ter
E morrer nos teus braços
De louco prazer
Doidos abraços
De amor

Sulcos de sintonia
Subtis fragrâncias
Pele poesia
De doce intimidade
Química cumplicidade
Aromas de instância
Odores docilidade
O teu meu olhar
Somente sim
Esta vontade de te amar
Amar-te sem fim
...

musa

CHUVA DE SETEMBRO

Agride sombridade orvalhado dia
Há sol e chuva na luz já outonal
Quanto de Setembro será poesia
Na luminosidade densa sepulcral

Do gozo esvaecido na chuva fria
O olhar estende lúgubre arrepio
Na clara intensa frialdade do dia
Descansa nas horas tempo sombrio

Pálidos sons no inerte sentir delicado
Os pingos engrossando a sensação
Do olhar em pranto do céu desolado

Chove em Setembro o Outono não é ainda
Que a mais melancólica e alada estação
Trazendo ao dia a chuva que não mais finda
...
musa
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Senhora Solidão do poeta Nathan de Castro




domingo, 7 de setembro de 2014

POEMA PARA UM DOMINGO SEM SOL

POEMA PARA UM DOMINGO SEM SOL

Há rugas que nenhuma alma tece
Traços que sol algum pode apagar
Sulcos onde a memória se possa entranhar
Riscos onde a luz desmaia e desfalece
Linhas de toda uma vida por desenhar
E ler na pele dos sentidos
Um domingo sem sol por inventar
Dos dias quietos lá longe esquecidos
Nas horas de um entardecer a sonhar
Todos os tempos já inventados
Em lapsos de sentir desmemoriados
A vida que parece parar
Mas não
Foi só um domingo de solidão
Das lágrimas que ficaram por chorar
Sem sentido sem razão
...

musa

sábado, 6 de setembro de 2014

ENVELHECER

Mãe envelheces
E o tempo não pára
Dos dias não esqueces
De tecer sonhos sentidos
As horas incrustadas na tiara
Dos minutos perdidos
Somente a amar
Os filhos
A vida nesse longo envelhecer
Rasgados os trilhos
Cansada de ser
E sentir
Onde os instantes envelhecidos
Brilham a pátina do sorrir
Mesmo em dor
Todos os sonhos vencidos
Na eternidade do amor
Envelheces minha mãe
De rugas no rosto
De faúlhas prateadas no cabelo
Mais bela do que ninguém
Quem amo e gosto
Com carinho e desvelo
Ainda que envelhecida
Pelo peso da vida
Amo-te minha MÃE
...

musa

NÃO SEI

NÃO SEI^

Dizem que chove onde não estou
Dizem que há lágrimas num céu cinzento
Dizem que toda me invento
Não sei mais quem sou
O que sinto por dentro
Não sei não vejo não sinto
Há no ar melancólico lento
Palavras vivas ao vento
Este sentir que consinto
Dizem mas não me contento
E do que sinto direi
Ainda não me inventei
...

musa

SETEMBRO TALVEZ

Entra aberta a porta aos dias esfriados a luz pouca
Talvez seja o Outono pela mão de Setembro
Desses dias no passado já quase não lembro
As folhas amarelecidas na luminosidade louca
As memórias sentidas como preces ladainhas
Coisas da intimidade tão secretas tão minhas
Há muitos anos meses dias se passaram talvez
E tenham regressado ao presente outra vez
Pela porta entreaberta ao frio do sentir
Os meus olhos que de novo choraram
Não sei se de saudade ou tristeza ou sorrir
À luz de Setembro e ao frio da manhã
Com as lembranças que voltaram
Nesta hora tão vã
...

musa

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

POEMA ROSA DA LEONOR - OBRIGADA 5 PRÁ MEIA NOITE


POEMA ROSA DA LEONOR

Do mundo rosa a cor
Entre as mãos a fantasia
Um legado de gratidão e amor
Rosado mundo de poesia
Pintado roseiral em flor

E agora vais pintar as estrelas
Doce princesa Leonor
De cor de rosa garrido
Abrir no céu todas as janelas
Ao teu sorriso perdido
Agora de um rosa de dor
Por este pranto furtivo
Tu que nos ensinaste a sorrir
De rosa cor em brilho olhar
A inocência e o amor
Em nuances de sentir
De uma lágrima por pintar
No céu azul rosa em flor

Para ti rosal dos anjos Leonor
A esperança em botão
Um dia há de florir
Em abraço gratidão
Fica o rosa a sorrir
...
musa

Morte que obriga
Intima profunda
A dor abriga
Entrega
Afunda
O sentir da vida
Íngreme calvário
Onde subir
Cansada perdida
Arrastando o rosário
Do lento existir
Com a mágoa ausência
A difícil transparência
Da morte aceitar
E tanta lágrima chorar
Com o aperto do peito
Da partida que não aceito
A injusta decisão
Que rasga o coração
Dilacerado estreito
Dorido desfeito
Por este partir sem razão
Para sempre a noite ser dia
Na clara tristeza do sentir
O luto lento da alegria
Que em mim vem existir
Quase demente
Para sempre
...
musa

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ABRAÇO POÉTICO - Parabéns MARIA HELENA RIBEIRO

Onde as palavras moram o olhar poesia
No dizer tão sentido quase em oração
Espalha carinho afectividade alegria
Num abraço declamado com emoção

Amigos há do sentir aos sentimentos
Quase um poema de versos partilhados
Há na voz o embargo dos pensamentos
Que nos olhos brilham emocionados

Tem alma e coração abarrotar de bondade
Gestos onde a arte é a maior ternura
Onde a poesia clama a luz fraternidade

Acende-se a chama do teu sorriso ternurento
Imprimes às palavras sentidos e doçura
Declamas soberba para nosso contentamento
...

musa

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A HORA DO GALO

Ao galo de Portugal

Na hora que o tempo dá corda
Rompe aurora o galo a cantar
Desperta claridade que acorda
Amanhecida hora a madrugar

Canta o galo na fria madrugada
Da noite que ficou na escuridão
O dia clareado de luz afogueada
Traz aos gritos cacarejar trovão

Saberá o tempo das horas vespertinas
Da corda que grita estica a garganta
Endoidece de berros todas as galinhas

A hora do galo acorda a manhã enevoada
Que dos meus olhos o sono espanta
Anda no galinheiro tudo em revoada
...

musa

VAGAS DE AZUL

As terras rasgadas de vento
Soltas pedras do alto monte
Para lá da alma e do tempo
Ressoa claridade horizonte

As linhas recortadas de luz
Das sombras emolduradas
O longe em negro reproduz
Matizes nuances douradas

Cores em tépido crepuscular
As vagas de areia ondulando
Parece toda a bruma um mar
Entre montanhas cintilando

Sol da manhã ao entardecer
Que dos montes estendido
Parece palha iluminado arder
Do olhar de espanto sentido

Amor à serra em fantasia
Ao chão agreste de raiz
A inspiração da poesia
Assim me fazendo feliz
...
musa

ALMA DE XISTO

A idade metamorfizada
O sangue argiloso
A veia fragilizada
No tempo venoso
Do ser escorre

Fragmento cindido
Pensamento morre
Fingimento sentido

Os dias dispersos
No tempo perdido
Grãos de folhelho
Soltos versos
De sentir velho
Comprimido

Pedras acasteladas
Sem castelo algum
Do corpo o espelho
Das mãos as palavras
Da alma nenhum
Verbo de pedra ou xisto ou cal
Muros erguidos ao tempo
Possa ser mais humano mais carnal
Que a rocha laminada
Em estranho discernimento
Pedra a pedra incrustada
Terra lousinha mineral
Do solo sentimento
...

musa