Falo do teu beijo com asas
Desejo feito brasas do teu olhar
O meu corpo despido
Nos teus olhos sentido
Pele nas tuas mãos a esvoaçar
Na proximidade do teu querer
Em união olhar e sentir
Volúpia de intenso prazer
Quase incerto admitir
O que deixamos acontecer
Colados já num abraço desfeito
As bocas morrendo um último beijo
O nosso sentir pulsando no peito
Essa vontade soltando o desejo
Que imensa insanidade entre os dois
Tão sentidos em palavras carne e mente
O que acordamos deixar para depois
Além no tempo que a alma sente
Futuro que a loucura consente
Mistério que colocamos num verso
Além de todo o sentir do universo
Fazemo-nos de palavras sentidas
Todo um sentimento disperso
E consentimos já ter amado mais do que outras tantas vidas
Ter em nós provocado a fúria da criação
Beijos com alma e profundidade do ser
Abraço que abraça com garra e sedução
Terna intensidade de carinho e prazer
Seres o falo intumescido por minhas mãos sagradas
No doce torpor do teu sentir viver
Delicada comunhão dessas peles abraçadas
As bocas entreabertas de palavras humedecidas
Como duas almas fundidas apaixonadas
Num dócil abraço das nossas vidas
…
musa
PENAS DA ALMA PARA A MÃO - papiro editora TEU CANCRO MEU - papiro editora RUSSA A BURRINHA TECEDEIRA - papiro editora À FLOR DA PELE DOS SENTIDOS DA ALMA - pastelaria studios editora
domingo, 14 de agosto de 2011
ETERNIDADE DE PALAVRAS
Junto ao mar espalho palavras
Abro o livro liberto saudade
Deixo partir todas as mágoas
ADEUS… palavras dentro de mim
Pacto de sangue com a eternidade
Das folhas soltas as letras sem fim
Esvoaçam a caminho da felicidade
E o livro aberto ganha doces asas
Como pássaro sentimento de penas
Sopram cinzas de palavras brasas
Um a um esvoaçam mil poemas
Frente ao mar espalho sentidos
Como se da morte fosse pedido
Cumpro ritual sonhos perdidos
O esvoaçar do livro consentido
E sobre a flor da água brilhando
Palavras poisam como asas de aves
Agitam salgadas águas ondulando
Páginas vagas sons de liras suaves
Fuga bravia do fundo sentimental
Nas profundezas do sentir profundo
Fica a despedida sangrento punhal
Que no verso se eterniza meu mundo
Bando de palavras em gume de sabres
Rasgam-se do livro aberto par em par
Seguram a eternidade páginas traves
Onde a escrita poesia se deixa ficar
…
musa
SENTIDO VISCERAL
Das vísceras do mais sentido sentir
Alvíssaras dão meus sentimentos
Acena-me de longe meu pensar
Andarilho de leves tormentos
Quase perto de me alcançar
Sem eu de mim me despedir
Sei que por dentro essa morte clama
E eu já não posso mais me redimir
Olhos tão cansados de doce torpor
Sei que sinto essa morte que chama
Entra adentro sem querer sem pedir
Não é por prazer paixão ou desamor
E eu que nada faço para a consentir
Rasgo-me toda em convulsão visceral
Quase tão intenso do dizer deste verso
São as palavras que assim ditam fatal
O meu descontentamento ao universo
Vísceras prisioneiras do cárcere poesia
São tantos os sentidos que morrem razão
Pois deles escorre meu sangue fantasia
Ninguém entende meu sentido visceral
Todo este sentir que me esventra de paixão
Tanta da poesia cravada em mim como punhal
…
musa
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/sentido-visceral
Alvíssaras dão meus sentimentos
Acena-me de longe meu pensar
Andarilho de leves tormentos
Quase perto de me alcançar
Sem eu de mim me despedir
Sei que por dentro essa morte clama
E eu já não posso mais me redimir
Olhos tão cansados de doce torpor
Sei que sinto essa morte que chama
Entra adentro sem querer sem pedir
Não é por prazer paixão ou desamor
E eu que nada faço para a consentir
Rasgo-me toda em convulsão visceral
Quase tão intenso do dizer deste verso
São as palavras que assim ditam fatal
O meu descontentamento ao universo
Vísceras prisioneiras do cárcere poesia
São tantos os sentidos que morrem razão
Pois deles escorre meu sangue fantasia
Ninguém entende meu sentido visceral
Todo este sentir que me esventra de paixão
Tanta da poesia cravada em mim como punhal
…
musa
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/sentido-visceral
sábado, 13 de agosto de 2011
PURO DESEJO
"O ser humano internamente rico... vive numa sala de espelhos"
Rüdiger Safranski
Só a alma poética reflecte sua riqueza no poetar espelhado dos sentidos...
Puro sentido
esse descoberto carnal
no mais profundo descuido
insensatez natural
Puro desejo
das palavras como um beijo
onde poisar sentimento
esvoaçar ao vento
pensamento perdido
tão estranho querer
em voto de silêncio poesia
apenas o olhar de prazer
nos lábios o beijo comovido
em subtil fantasia
rasga-se desprendido
quase uma rasia
percorre corpo e mente
desabrocha em loucura
e na vontade consente
docilidade e ternura
pureza desejada
vincos de candura
a pele adocicada
de tesão perdura
olhos que não mentem
mãos que ainda sentem
puro desejo
doce beijo
…
musa
Rüdiger Safranski
Só a alma poética reflecte sua riqueza no poetar espelhado dos sentidos...
Puro sentido
esse descoberto carnal
no mais profundo descuido
insensatez natural
Puro desejo
das palavras como um beijo
onde poisar sentimento
esvoaçar ao vento
pensamento perdido
tão estranho querer
em voto de silêncio poesia
apenas o olhar de prazer
nos lábios o beijo comovido
em subtil fantasia
rasga-se desprendido
quase uma rasia
percorre corpo e mente
desabrocha em loucura
e na vontade consente
docilidade e ternura
pureza desejada
vincos de candura
a pele adocicada
de tesão perdura
olhos que não mentem
mãos que ainda sentem
puro desejo
doce beijo
…
musa
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
SETE VERSOS DA ALMA E UMA BORBOLETA AZUL
Alma
que respira do sentir
Mente
que inspira sentidos
Pensamentos
a competir
Sentimentos
divididos
Esta
poesia que eu pude sentir
Nem
sete mares lhe dão a dimensão
Nem
sete vagas a podem definir
Nem
sete marés lhe dão a imensidão
O
areal e o mar adentro do olhar
Fustigados
desejos parecem surgir
Como
vaga gigante por dentro arrasar
Areias
da praia parecem fugir
Da
mesma profundidade que o mar
Poesia
que em mim é consentir
Escuridão
alma a naufragar
Húmido
poema a fluir
Profundo
mar silenciado
Ao
fundo luz ténue brilho
Do
mesmo sentir declamado
Segue
o verso o seu trilho
São
abertas de luz
Em
brechas de vagas
Sal
que olhar seduz
Sentidas
mágoas
Fios
luminosidade porosa
A
cada onda cheia de vento
A
cada verso cheio de prosa
Rimando
brisa suave alento
Sobre
a alma terra rodopia
Uma
borboleta azul cobalto
Erra
em voltas da poesia
Pairando
lá no alto
Sossega
a imensidão
Do
verso sentido
Mar
de paixão
Azul
olhar
Despido
Poesia
...musa
segunda-feira, 25 de julho de 2011
ESCREVER É SENTIR
Escrever é sentir
É ser além da escritura
Nobreza de consentir
Da alma sua loucura
Do corpo seu tormento
Matar fome de secura
Em melancolia lamento
Saciada literatura
Em doce consentimento
Que na escrita perdura
Pedra pensamento
Aço sentimento
Sentir do ser
E por dentro
Transparecer
Palavras magia
Força poesia
Prosa e Verso
E ser do universo
Profundo sentido
Das palavras abrigo
Magia de pensar
Dizer do sentir
E com o verbo amar
De escrita repartir
O que não se pode guardar
Em imensa alma sentida
Prosa e Poesia
De toda uma vida
...
musa
sexta-feira, 22 de julho de 2011
TEUS OLHOS TRISTES
Teus olhos tristes
Aos meus se juntaram
E em chamas se queimaram
No fogo da paixão
Olhos tristes se amando
Dentro dos meus confiando
O dia que se apaixonaram
Nunca mais se deixando
Dentro do coração
Se amaram
Teus olhos tristes
Dos meus não se separam
Dentro deles tu assistes
Ao fogo onde se queimaram
Em chamas e carvão
Labaredas de amor
Olhos de solidão
Porque amar também é dor
Vou ser fogo no teu olhar
Nele a tristeza vou apagar
Vou arder no teu coração
Em chamas de paixão
Os teus olhos tristes
Brasas dessa fogueira
Em chamas tu assistes
Ao amor dessa maneira
Fogo que arde sem se ver
E consome o coração
É braseiro de prazer
Fogo de amor e paixão
…
musa
segunda-feira, 18 de julho de 2011
MIRANDO ELA BRANCA LOURENÇO
(El Rei D. Dinis e a Rainha das Rosas Santa Isabel)
MIRANDELA princesa do TUA, águas de história mirando ela…
Terras doadas a uma dama por El Rei D. Dinis, à formosa amante BRANCA LOURENÇO por seus serviços de cama, desejo testamentário conforme se
guarda em memórias.
“Em
nome de Deus amen. Conheçam quantos esta carta virem e leer ouvirem que
eu dom
Deniz pella
graça de Deus Rey de Portugal e do algarve com ho infante dom Afomso meu filho
primeiro herdeiro dou e outorgo a vos Branca Lourenço a minha villa de Mirandella com
todos seus termhos velhos e novos, dereictos e dereicturas, rendas, padroados e
com todo o dereito e jur reall que eu ey e de direicto devo a aver em essa
villa e em seus termhos velhos e novos e que vos ajades e possoyades em toda
vossa vida. E se Deus tiver por bem que eu aja de vos filho ou filha ou filhas
a vossa morte fique a dicta villa com todos seus termhos velhos e novos e
pertenças e com todo dereyto reall ao filho ou filhos, filha ou filhas se ho eu
de vos ouver. E mando e outorgo que aquel ou aquelles que dese filho ou filhos
filha ou filhas se ho eu de vos ouver decenderem de dereicta linha liidimamente
aja ou ajam a dicta villa com seus termhos velhos e novos e direictos e
padroados como dicto he. E se esse filho ou filhos, filha ou filhas se o eu de
vos ouver ou aquelles que delles descenderem de dereicta linha liidimamente
morrerem sem filhos liidimos a sobredicta villa com seus termhos, padroados e
dereictos torne-se aa coroa do Regno com todos seus melhoramentos livremente e
sem embargo nenhum.
E
esto vos faço por compra de vosso corpo. E todollos Reys de Portugal que depos
mi veerem que aguardarem e manteverem esta doaçam que eu faço e nunca contra
ella veerem em todo nem em parte ajam a beençam de Deus e a minha pera todo o
sempre; e se alguns dos Reys de Portugal que depos mim veerem nom aguardarem e
manteverem esta minha doaçam e contra ella veerem em todo ou em parte aja a
maldiçam de Deus e a minha pera todo o sempre. E por esta doaçam seer firme e
mais stavel e nunca viir em dovida dei a vos Branca Lourenço esta minha carta
sellada do meu sello do chumbo.
Feita em Lixboa viinte e oyto dias de
Joynho. El-Rey o mandou. Afomsso Martins a fez era de mil trezentos trinta nove
annos.” [Para
os mais distraídos: 1301 da era de Cristo.]
In Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito
de Bragança, Tomo IV, p 443, ed. Câmara Municipal de Bragança, 2000
BRANCA
LOURENÇO
Sois vós
formosa
Minha dócil
dama
Pele cheiro
de rosa
Perfumando minha
cama
Não há dia
que não vos veja
As minhas
mãos ao vosso olhar
Como quem
outros olhos deseja
Outro corpo
quer amar
Sois uma dama
com respeito
Que aos meus
serviços se entrega
Dou-vos
lugar no meu leito
Corpo que de
vós já se apega
Trazendo vossos
olhos no peito
Que por amor
a terra reclama
Quando ao
vosso lado me deito
Sois vós
minha única dama
Mirando ela
Já o dizem
À terra
dando-lhe o nome
D. Dinis de
Branca tem sido
Formosa mui
bela ela
Pois que
dela ajuízem
Algo mui
nobre ou parecido
E podem
dizer
El Rei muito
apreço lhe tem
Pois ela lhe
dá muito prazer
Do berço
perde-lhe o sentido
O corpo que
lhe dá o ser
Ama-a como a
ninguém
É já um caso
perdido
Nada se pode
fazer
E por
favores do corpo saciados
El Rei vila deMirandela lhe doou
Terras ermos outeiros sagrados
Montes que
de seu corpo cismou
É-lhe serva
de afectos pelas terras
Alqueires formosos
de Mira Tua
A estender
para além das serras
Perde-se
olhar quando sua
Formosa sim
e boa de cama
No seu leito
bela e nua
Por entre
trovas a ama
Nem a Rainha
das Rosas o prende
Pois o rio
Tua lhe corre selvagem no peito
Branca Lourenço
seus caprichos entende
E de prazer
o atende em seu leito
…
anabarbarasantoantonio
SEGREDOS DE VALE MANSO
Lezíria do campo em branco e amarelo
Albufeira sentida humedecendo olhar
Essa idílica paisagem em verde singelo
Hotel maravilhoso para aqui descansar
Tuas águas Castelo de Bode nostalgia
Guardando os Segredos de Vale Manso
É uma surpresa essa paisagem poesia
Pouso acolhimento de afável descanso
Simbiose perfeita conforto e natureza
Belas paisagens naturais e acolhedoras
Meus olhos se perdem em tanta beleza
Para além espelho de águas tentadoras
Foi-me contado um segredo em Vale Manso
Guardado entre paredes secreto seio
Na profundeza azul das águas doce remanso
Mistérios da aldeia prometem campestre ambiente
A todos convidam um dia visitar em passeio
E aos olhos revelar todo esse paraíso que se sente
…
anabarbarasantoantonio
Albufeira sentida humedecendo olhar
Essa idílica paisagem em verde singelo
Hotel maravilhoso para aqui descansar
Tuas águas Castelo de Bode nostalgia
Guardando os Segredos de Vale Manso
É uma surpresa essa paisagem poesia
Pouso acolhimento de afável descanso
Simbiose perfeita conforto e natureza
Belas paisagens naturais e acolhedoras
Meus olhos se perdem em tanta beleza
Para além espelho de águas tentadoras
Foi-me contado um segredo em Vale Manso
Guardado entre paredes secreto seio
Na profundeza azul das águas doce remanso
Mistérios da aldeia prometem campestre ambiente
A todos convidam um dia visitar em passeio
E aos olhos revelar todo esse paraíso que se sente
…
anabarbarasantoantonio
domingo, 17 de julho de 2011
À CASA MINHA (a David Mourão Ferreira)
À CASA MINHA (poema a
David Mourão Ferreira)
“CASA
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.”
David Mourão Ferreira
Infinito Pessoal
(1959-1962)
Obra Poética
1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença
À CASA MINHA
Homem que à casa
minha
Meu corpo acedes
Escuridão que caminha
E sobes pela voz
Escadas do sentir
Onde me amas a sós
E aos meus olhos
concedes
Janelas por abrir
Para entrar tua
claridade
Onde luz é treva do
meu ser
Paredes de
luminosidade
Desejos íntimos de se
ter
Corpo que te recebe
Sentir que te concebe
Abrigar por querer
Meu corpo dado prazer
Morada em mim
Casa da loucura
Erotismo sem fim
Corredores de procura
Pelo cio salas de vício
Esvoaçam cortinas de
frescura
Recantos de meigo tesão
Divisões de sacrifício
Poro a poro o teu
chão
A esse gozo propício
Onde te abrigas sem
tempo
Cheiros que te são
intimidade
Do coração já lamento
Da alma telhado
felicidade
Poema que imaginado
antevi
Tua sepultura
sentimento
Do teu ser à terra eu
senti
Dar-lhe voz
pensamento
Neste verso por ti
…
musa
quinta-feira, 14 de julho de 2011
ALMA VIVA
a alma
tenho-a no peito do pé
ao cimo dos sentidos
no ermo do sentir
de quem chega ao sopé
em lento provir
do ser
tenho-a a alma
em derradeiro florescer
em brechas fendas sulcos
em sobressalto alvorecer
rachaduras de tumultos
onde cabem os sentidos
depois dum amanhecer
pensamentos perdidos
duma alma inteira
planalto alento
flecha certeira
tiro ao vento
esgrimido
sentido
a alma
fuga do sentimento
ser desconhecido
remoinho de ar
desalento
sobre o pó do chão
caminho onde pisar
coração e razão
de Aquiles calcanhar
tenho-a na palma da mão
linhas da vida por decifrar
intuição por adivinhar
por dentro anima paixão
tenho-a a alma ser
nobre solidão
transparecer
abnegação consentida
guia-me sentido prazer
de assim me sentir viva
e tanto amar viver
…
musa
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