quarta-feira, 8 de abril de 2015

AGONIA

AGONIA ( para a Odete Ferreira )
Saber te tão bela e colorida no teu sossego vivo
Lembrar te sôfrega agoniada em tão agreste intimidade
Uma tela nos montes perdida quase um segredo escondido
A água a brotar das fontes fresca e lívida a veste de saudade


Assim é a montanha quase uma alma um grito profundo
Lonjura de Trás os Montes salpicada de flores silvestres
Manto de granítica súplica de um corpo quase um mundo
Além todas as pedras e essa loucura dos aromas campestres


A nordeste de um Portugal norteando
Do frio mais gélido a um estio infernal
A terra toda o vento vai amansando



Dizem do demo será ou que anjo a veio pintar
Esta agonia de cores e cheiros tão espiritual
Que até depois da morte na eternidade eu hei de amar
...
musa

2 comentários:

EU disse...

Já to disse de viva voz, mas deixo-te aqui também registado: gosto imenso da tua poesia, seja em que género for.
Conheço a facilidade com que as palavras jorram de ti... És a palavra e o sentir ou vice versa.
Mas este soneto vai além de ti: é hino, é seiva, é a pele da transmontaneidade...
Só posso dizer: OBRIGADA!
Para mim, um soneto com (e da) alma.
Bjos, querida Ana :)

MARILENE disse...

Que belo! Segui o link que a Odete mencionou e vim ler seus versos. Um presente encantado, que jorra sensibilidade. Parabéns! Bjs.