sexta-feira, 7 de setembro de 2018

POEMA EM ÂNSIAS

POEMA EM ÂNSIAS

Queria dizer-te um poema
Sobre o silêncio das águas
E a inocência das vagas
Em velado azul de sentir
O mais profundo tema
De inspiração de mágoas
As mais salgadas marcas
De náufrago existir

São de ânsias
Delírios
De sombras
Martírios
Dançam na pele
De sol salgado
O corpo afogueado
Sereno sombreado
Frágil como papel
Na brisa dançante
E a areia esfoliante
Goza a ansiedade
A húmida intimidade
Do areal escaldante
Na água saudade
É de sal o pranto
O súbito encanto
De azul cumplicidade
A praia e eu
O mar e o céu
De tanta felicidade
...
musa

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CICATRIZ

CICATRIZ ... são só cicatrizes ...

Não tenho memória da dor
Que o bisturi ao escapelar
Rasga em glória a pele
Frágil manto de papel
Sem o medo no olhar
Que gume algum pode transpor
Além do sofrimento
Perturbador

Não sei quanto o tempo
Que a broca perfurou
Dura-máter resistente
Alma líquida sondou
Húmida e quente
Adentro

O sangue de lágrimas a escorrer
Na ferida aberta nascente
A porta secreta da mente
De tão íntimo sofrer
Derramado

E por fora as sombras cansadas
O sono velado
Os vultos dançantes
As mãos geladas
Tão duras como diamantes
De pontos cintilantes
Adormecidos

Pontos cardeais dos cinco sentidos
Agora eternas cicatrizes
Marcas de silêncio e gemidos
Por detrás do cabelo escondidos
Pontos e raízes
Como mágico troféu
Um pedaço de céu
De invisível emoção
Uma dor por um poema
E nessa alma serena
Tatuado o coração
Do existir

É somente uma cicatriz
Fracionada
Raiz do sentir
Emocionada
...
musa

DVP em Setembro de 2009 e Fevereiro de 2013
"Setembro mês da consciencialização da HII no mundo.
O que são as derivações (válvulas) .
Uma grande dúvida dos pacientes com hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebral) é sobre o tratamento cirúrgico. Quando escolher a derivação ventriculoperitoneal (DVP) e quando escolher a derivação lomboperitoneal (DLP)?
Cada uma das opções possue riscos e benefícios que devem ser pesados na escolha do tratamento cirúrgico.
A derivação lomboperitoneal (DLP) não é um procedimento comum na neurocirurgia, e caso o neurocirurgião não tenha experiência com esse tipo de cirurgia, a DVP é a melhor opção. Em pacientes com dilatação ventricular, a DVP é a melhor opção.
Caso o paciente não apresente dilatação ventricular (ou apresente ventrículos em fenda), é mais seguro realizar uma DLP, pois puncionar um ventrículo pequeno pode ser difícil, e o risco do cateter ficar em um posicionamento não adequado existe, e com isso, podem ocorrer complicações. Pode ser utilizado a neuronavegação na colocação do cateter, porém, mesmo assim, o risco do cateter não ficar em lugar ideal, ou o ventrículo colapsar “fechando" o cateter da DVP existe.
As taxas de infecção entre as duas são similares, porém a derivação lomboperitoneal parece ter uma maior chance de reoperação (3% a mais) que a DVP. Em resumo, ambas as cirurgias são boas e eficientes para reduzir a hipertensão intracraniana. Obviamente, o tratamento clínico deve ser realizado antes (inclusive, a difícil tentativa de perda de peso) pois também apresenta bons resultados. A cirurgia fica então indicada após falha do tratamento clínico (medicações e perda de peso).
O tratamento do pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana idiopática) quase sempre é para toda a vida"

SEGUE-ME

SEGUE-ME

O reencontro foi em Setembro
Por entre um aroma de cidreira e hortelã
E outros cheiros que já não me lembro
De maresia a refrescar a manhã
E as vagas como canteiros de espuma florida
Por entre as pedras húmidas e esverdeadas
Uma melancolia de brisa e névoa estendida
A saudar nossas mãos entrelaçadas

Segue-me o tempo em palavras sentidas
Em despedida de estações ao vento
Todas as memórias perdidas
Desvanecido sentimento

Talvez as lembranças sombrias
No frágil olhar da ilusão
A indivisível emoção
Aqueça as mãos já frias
Vagueando o abraço
Demorado cansaço
No delito do seguimento
O estranho comprometimento
Das horas por consentir
O único momento
Em que te pude sentir
…
musa

MAR VERDE PEDRA

MAR VERDE PEDRA

E sempre
Este mar de pedra a sugar-me a alma
De mansidão delírio a murmurar
Água a escorrer aos pés do olhar
E a fazer da sombra martírio que acalma
O verso verde pedra em palavras a suspirar
Pedras no frontal da maresia
A areia pedregosa e macia
Nas mais ternas metáforas de sal
E nesta costa empedernida de Portugal
Tão verde e tão rochosa
Límpida de um azul a ferir
De inspiração a prosa
Profundo e marítimo sentir
O líquido leito em vagas sereno
E todo o areal terreno
Carne adormecida de temerosas tempestades
Areias e ventos a varrer eternidades
Mar de pedra em bucólico veneno
Não me canso de o dizer
Como se um vendaval ameno
Em pedra e sal
Pudesse morrer
...
musa

PALPITAÇÕES

Palpitações

Os versos nos teus lábios a fibrilar
E húmidos de espanto no olhar
Nos gestos mansos a estremer
Como se um pranto a derramar
Chuva em filamentos
Que a alma ao escrever
Nessa doida fibrilhação
Esvazia em sentimentos
Poesia de pensamentos
Da mais íntima inspiração
E como fímbrias a derreter
Espalhando palavras sentir
Em louca palpitação
A fibrilhar sem querer
A mais doce sensação
Nesse trémulo existir
Quase êxtase prazer
Do espasmo da mão
A loucura a consentir
...
musa

MIGRAREI

MIGRAREI

Calem-se os rios salgados
Em margens vagas de brumas
A estalar sobre pedras espumas
Há na flor da água penas
Onde tombam pétalas de açucenas
Migrarei os olhos cansados
Ao rio que se faz mar
Nas ondas desmaiadas serenas
Que ao areal vêm descansar

Tenho no sangue chão sentimento
Mãos que desbravam o papel
Nos sulcos da escrita o pensamento
Que lavra o instante que me cobre a pele

Migrarei com as aves dos oceanos
Onde todos os amanheceres me desperto
Dos sentidos terei todos os tamanhos
No olhar viagens que nunca fiz
O destino errante e incerto
Os poemas disfarçados de um entardecer matiz
A unir pólos gelados do equador ao deserto
Da terra o sentir da palavra mundo
A imaginação distante poesia de sentir secreto
De toda esta migração de amor profundo
De tanto que amo viver
Deste amor migrante e fecundo
Porque a vida é um prazer
...
musa

POEMA

POEMA

Queria dizer-te um poema
Sobre o silêncio das águas
E a inocência das vagas
Em velado azul de sentir
O mais profundo tema
De inspiração de mágoas
As mais salgadas marcas
De náufrago existir

São de ânsias
Delírios
De sombras
Martírios
Dançam na pele
De sol salgado
O corpo afogueado
Sereno sombreado
Frágil como papel
Na brisa dançante
E a areia esfoliante
Goza a ansiedade
A húmida intimidade
Do areal escaldante
Na água saudade
É de sal o pranto
O súbito encanto
De azul cumplicidade
A praia e eu
O mar e o céu
De tanta felicidade
...
musa

sábado, 25 de agosto de 2018

O CHAMAMENTO AZUL

O CHAMAMENTO AZUL 
“L’APPEL DU BLEU”

Ana, Jean-yves Simon

Estava no pátio das traseiras da casa, não sei se procurando o milho-rei, os bagos da maçaroca saltavam na lona e para o chão de cimento, alguns caíam na terra do quintal, e talvez o ciclo da vida se comprometesse a fazer renascer o pão de todos os dias.
Na mesa havia sardinhas fritas e broa de milho. O fim da manhã incendiada e o trabalho do campo convidam a aconchegar o estômago com esse repasto bem regado pelo vinho maduro de Trás-os-Montes, trazido à beira-mar para fazer cair melhor o peixinho.
Os franceses chegaram, de mochila às costas e livros nas mãos. Três irmãos, parisienses, moços bonitos, delicados, educados, artistas.
O mais velho, Jean-yves o pintor, pousou a mochila e abriu um livro, começando a desenhar, olhava para mim, olhava para a folha branca do caderno entre as páginas do livro, e com o carvão rabiscava traços a negro, surpreendendo-me na sua agilidade e rapidez com que imortalizou a cena de debulhar a espiga de milho.
Os nossos olhos cruzaram infinitas paisagens, do mar à montanha, contei-lhe dos poetas portugueses e aprendi na sua paleta de traços negros, as cores escondidas de mil tonalidades de aguarelas que ele tinha para me oferecer, no cântico doce da poesia francesa, aprendi com o pintor de imagens salgadas a descobrir um país de sardinhas, eucaliptos e o fogo devorando montes, serras, bucólicas imagens de um tempo que fica memória em esboços de pintura e poemas.
Fizemos promessas sobre nuances e palavras, em duas línguas oficializamos a paixão pela escrita e pelo desenho e realizamos sonhos feitos em papel.
Os livros existem para o provar.
No dia 25 de Agosto de 1988, chegamos a Lisboa, e o Chiado ardido esperava por nós como fogo que arde sem se ver. A cidade fragilizada recebeu-nos com lágrimas no olhar dos lisboetas e um odor a queimado perfumava dessa herança pesada, a cidade hospitaleira, ferida de morte no seu coração.
Perdura o cheiro a cinzas molhadas, panos ardidos, papel queimado, suspiros e desilusão de mão na boca e sinal da cruz diante dos escombros.
O pintor francês retratou esse bairro lisboeta com o peso e a genuinidade do carvão, preparando cada momento delicado com a profundidade da alma sensibilizada, traço a traço visionário de toda a tragédia, no deslumbramento desse Chiado pitoresco e bairrista.
No papel tombaram as sombras e renasceram das cinzas em pranto e súplica, formas e feitios imaginados, com a magia da nobre arte de talhar luminosidades em riscos de contraluz e observar cada detalhe ao mais ínfimo pormenor.
Nunca Lisboa foi assim desnudada de tão difícil nudez e de toda a luz roubada pelas chamas devoradoras, deixando um véu de fumo e negro por tantas lembranças.
Trinta anos depois o reencontro dessas memórias, tem o gosto de uma paixão ternamente guardada no baú das recordações.
O chamamento do azul em flamas incandescentes ruborizou o tempo de inspiração poética.
As ruas do Chiado eram fantasmas de muros erguidos ao alto sobre o vazio dos seus interiores esventrados pelo fogo, sem qualquer misericórdia, tudo ardido, reduzido a cinzas, e dois seres de mãos dadas pelas ruas da cidade, tentando unir uma paixão de olhares impressionados pela vida.
Resta a poesia e a pintura, a palavra e o traço como dever de amor, e a secreta ternura entrelinhas de momentos vividos em doce cumplicidade.
…
musa
http://www.simon-artiste-peintre.com/fr/fiche_peintre_ecrivain_simon.php?fi=22