CONFIRMO
Este sossego apreensivo
Um quase medo
Interior sentido
Manso terror em convulsão
Esta meiga desilusão
A encurtar o tempo
Sem querer ser lamento
Apenas confissão
Acto íntimo confessável
Como a última peça a representar
Na boca de cena inimaginável
A voz morrendo lentamente
Como se o silêncio pudesse falar
O murmúrio indecifrável
Que o texto parece divagar
Entregue a si mesmo por amor
E não é uma entrega
Este doido fervor
Ou vontade de desistir
É esta insistência cega
Esta ansiedade sofreguidão
Loucura tremor
Sofrimento sentir
Esta intimidade compaixão
Confirmado dolente devasso
Porosa fragilidade
Às vezes vidro às vezes aço
Esta fraqueza desalento
O corpo todo um tormento
Laço desfeito com a eternidade
Sem tempo lugar ou espaço
Chama apagando passo a passo
Súbita urgência de parar
Correr a cortina do palco do olhar
Talvez coragem talvez fracasso
Talvez somente cansaço
...
musa
PENAS DA ALMA PARA A MÃO - papiro editora TEU CANCRO MEU - papiro editora RUSSA A BURRINHA TECEDEIRA - papiro editora À FLOR DA PELE DOS SENTIDOS DA ALMA - pastelaria studios editora
quarta-feira, 14 de março de 2018
PAIXÃO
PAIXÃO
Por vezes
Ainda voltam
as tuas mãos
Como pássaros se soltam
Anos dias meses
Lágrimas escorrendo
A chuva molhando a vidraça
Uma saudade moendo
Como lã roída pela traça
E sobre a pele fria do decote
Ainda há quem note
O carinho descendo dos teus dedos
A desenhar nos ombros a ilusão
A desvendar segredos
Em riscos com asas em relevos
A giz a lápis ou a carvão
E num traço húmido anote
O voo cego da paixão
...
musa
Por vezes
Ainda voltam
as tuas mãos
Como pássaros se soltam
Anos dias meses
Lágrimas escorrendo
A chuva molhando a vidraça
Uma saudade moendo
Como lã roída pela traça
E sobre a pele fria do decote
Ainda há quem note
O carinho descendo dos teus dedos
A desenhar nos ombros a ilusão
A desvendar segredos
Em riscos com asas em relevos
A giz a lápis ou a carvão
E num traço húmido anote
O voo cego da paixão
...
musa
DOS VENTOS AINDA
DOS VENTOS AINDA
Destas árvores agitadas
A esbracejar a ira
Folha a folha bramir delira
A melodia do vento lira
Esvoaçam leves arrancadas
Nos parques jardins recantos
As árvores do tronco aos ramos podadas
Carpideiras querubins aos prantos
Num desassossego agitação
De braço forte com a ventania
De aço porte a litania
O vendaval furacão
Ainda que o vento as sacuda
Não há quem lhes acuda
As segure pela mão
Ainda quase despidas
A tenra folhagem renascida
Rasga-se em desilusão
Folha a folha assim feridas
As árvores frágeis sentidas
São o retrato da vida
Quando o vento é solidão
...
musa
Destas árvores agitadas
A esbracejar a ira
Folha a folha bramir delira
A melodia do vento lira
Esvoaçam leves arrancadas
Nos parques jardins recantos
As árvores do tronco aos ramos podadas
Carpideiras querubins aos prantos
Num desassossego agitação
De braço forte com a ventania
De aço porte a litania
O vendaval furacão
Ainda que o vento as sacuda
Não há quem lhes acuda
As segure pela mão
Ainda quase despidas
A tenra folhagem renascida
Rasga-se em desilusão
Folha a folha assim feridas
As árvores frágeis sentidas
São o retrato da vida
Quando o vento é solidão
...
musa
terça-feira, 13 de março de 2018
domingo, 11 de março de 2018
ABNEGADA LOUCURA
ABNEGADA LOUCURA
Esguia a loucura vulto
Uma sombra que foge do olhar
As mãos suadas a palpitar
Corta a sombra um esgar
Do silêncio o indulto
Louca a luz
Tão fugazes
Odor a violetas mimosas lilases
Um perfume seduz
Formas objectos danças secretas
Parecem esvoaçar borboletas
Espectros a pairar
Enlouquecido o olhar
Distraído com as meninas indiscretas
Num movimento circular
Algo ali
Ainda outro dia as senti
Pétalas como uma chuva perfumada
Parecia o vento a soprar
Uma porta a abrir
Do canto do olhar
A loucura abnegada
Tempo de partir
Não resta nada
…
musa
FLORBELA ESPANCA
FLORBELA ESPANCA
Na intimidade da manhã ainda surpresa
Janela da alma que em sentir flor abria
Odor inebriante da dor despertada sentia
Como se a escura madrugada fosse acesa
Aurora de violentos fogos em matizes
Uma frialdade de espanto em explosão
E nos olhos adormecidos tempos infelizes
Acordasse para o mundo a alma do coração
Tão arroxeadas as veias como violetas
As mãos a face e todo corpo tão dorido
Parece vestido por um manto de borboletas
Perfumado e assim ungido e tão floral
Um verso de tantas palavras com sentido
Não sabendo mais se é flor espírito ou carnal
...
musa
https://youtu.be/yd9qSIYGBGc
Na intimidade da manhã ainda surpresa
Janela da alma que em sentir flor abria
Odor inebriante da dor despertada sentia
Como se a escura madrugada fosse acesa
Aurora de violentos fogos em matizes
Uma frialdade de espanto em explosão
E nos olhos adormecidos tempos infelizes
Acordasse para o mundo a alma do coração
Tão arroxeadas as veias como violetas
As mãos a face e todo corpo tão dorido
Parece vestido por um manto de borboletas
Perfumado e assim ungido e tão floral
Um verso de tantas palavras com sentido
Não sabendo mais se é flor espírito ou carnal
...
musa
https://youtu.be/yd9qSIYGBGc
sábado, 3 de março de 2018
SOMBRIO INTERIOR
Perdeu o gozo da vida
A vontade de viver
Fechou a porta
Para morrer
Retirou as cortinas
Abreviou a despedida
E sem muito bem entender
A súbita desilusão da aorta
Sem nada dizer ou querer
Pois nada mais importa
Do cimo da alma fez saber
Do sombrio interior
Do sonho abandonado
Do pranto e da dor
Do silêncio calado
Confessou que haveria pó
Sobre os ossos e o olhar
Por cima de tudo a ser deixado
Quando velha e só
Já nada dissesse
Mais ninguém a visse chorar
E a casa já esquecida
Numa berma da vida
Alguém a pudesse
Encontrar
...
musa
QUE NOS TIREM TUDO
"Que nos tirem tudo
mas nunca a poesia"
O mar bravio agitado
No excesso das metáforas
Agredido
Da ausência do sossego
Algo aturdido magoado
No paredão ruidoso e bravo
Parece um cão raivoso ferido
A espumar o medo
Despojado de tudo
Vejo-o e quase o sinto
Assim furioso e faminto
Entre soslaio desejo
E o barulhento instinto
A lamber as feridas
Por entre as rochas nuas
De saudades despidas
De ventos e de luas
E as estrelas que a bruma encobre
E o vaivém da água
Pranto que sobre
A palavra só uma
Tudo além da poesia
A húmida mágoa
Pó espuma
Não mais do que nostalgia
O verso nobre
Tudo para te dizer
Meu amor
À água flor
Sim
Ainda há o desejo
Com a poesia o escrever
Tudo mais é o fim
Se te não vejo
Até morrer
Tudo mais que resta
Este mar furibundo
Mar e terra
E tudo mais não presta
Que da areia seresta
O grito profundo
Encerra
Dos teus lábios
O beijo
Um fio de desejo
Pálido sentir
E toda esta agitação
Tanto ruído de vagas
Parecem ondas a ruir
Da tua boca a excitação
Das mãos aonde
Ainda guardas
Solidão
No peito do olhar
Mais terra do que mar
Onde afunde
Desilusão
Gritos e segredos
E este murmurar
Vagido silêncio
Tanto mar
Estendal de angústia
Profundidade de medos
As pedras lavradas
Um sem fim de sobressaltos
Águas revoltadas
Areias a escorrer entre os dedos
E dos precipícios mais altos
A espiritual litania
A bruma melancolia
Murmúrios segredos
As pedras tão molhadas
As lágrimas por esconder
Todo corpo a estremecer
E a noite um trovão
Um verso de poesia
O ritual escrever
Fantasia
Oração
O dia apressado nascer
A madrugada esfria
Gélida e vã
Prece
De sentidos
Se tece
Geme o mar a manhã
De luz translúcida tecida
Lá longe te conheci
Nos teus abraços amanhecida
Meus olhos fechados perdidos
De beijos na sede bebida
Raivas gritos feridos
Gota lágrima pranto
Dilúvio desencanto
Agitado viver
Da vida
Ainda senti
Perder
...
musa
O mar bravio agitado
No excesso das metáforas
Agredido
Da ausência do sossego
Algo aturdido magoado
No paredão ruidoso e bravo
Parece um cão raivoso ferido
A espumar o medo
Despojado de tudo
Vejo-o e quase o sinto
Assim furioso e faminto
Entre soslaio desejo
E o barulhento instinto
A lamber as feridas
Por entre as rochas nuas
De saudades despidas
De ventos e de luas
E as estrelas que a bruma encobre
E o vaivém da água
Pranto que sobre
A palavra só uma
Tudo além da poesia
A húmida mágoa
Pó espuma
Não mais do que nostalgia
O verso nobre
Tudo para te dizer
Meu amor
À água flor
Sim
Ainda há o desejo
Com a poesia o escrever
Tudo mais é o fim
Se te não vejo
Até morrer
Tudo mais que resta
Este mar furibundo
Mar e terra
E tudo mais não presta
Que da areia seresta
O grito profundo
Encerra
Dos teus lábios
O beijo
Um fio de desejo
Pálido sentir
E toda esta agitação
Tanto ruído de vagas
Parecem ondas a ruir
Da tua boca a excitação
Das mãos aonde
Ainda guardas
Solidão
No peito do olhar
Mais terra do que mar
Onde afunde
Desilusão
Gritos e segredos
E este murmurar
Vagido silêncio
Tanto mar
Estendal de angústia
Profundidade de medos
As pedras lavradas
Um sem fim de sobressaltos
Águas revoltadas
Areias a escorrer entre os dedos
E dos precipícios mais altos
A espiritual litania
A bruma melancolia
Murmúrios segredos
As pedras tão molhadas
As lágrimas por esconder
Todo corpo a estremecer
E a noite um trovão
Um verso de poesia
O ritual escrever
Fantasia
Oração
O dia apressado nascer
A madrugada esfria
Gélida e vã
Prece
De sentidos
Se tece
Geme o mar a manhã
De luz translúcida tecida
Lá longe te conheci
Nos teus abraços amanhecida
Meus olhos fechados perdidos
De beijos na sede bebida
Raivas gritos feridos
Gota lágrima pranto
Dilúvio desencanto
Agitado viver
Da vida
Ainda senti
Perder
...
musa
"Que nos tirem tudo
mas nunca a poesia"
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