sábado, 14 de setembro de 2013

AMOR DE PERDIÇÃO - dedicado a José Martins Pereira jmp

As palavras só têm uma identidade
Esse amor de perdição
Que leva à loucura
Da alma e do coração
E no tempo perdura

Imortalizado num abraço eternidade
O peito aceso do olhar assim perdido
O olhar preso assim sentido
O pranto extinto da ilusão
Abraçada perdição

Perpetua promessa cumprida vida
Camilo e Ana assim viveram
Amor de perdição elegia viva
A ilusão que teceram
Sublime paixão
Que os dois tiveram

Amor maior possa ser
Guardado atrás de grade alguma
Encarcerada a vida e o prazer
Da eternidade que há só uma
A ilusão de assim viver
Amor maior

E em afogueado leito da saudade
Na ilusão dessa dor
Seja cumprido de palavras por escrever
Nos versos dóceis da sensualidade
Sejam cantados sonhos consentidos
Em vivo amor
Possa na perdição da alma renascer
Profundo afecto amor intensidade
Amor desperto mais do que saudade

Possam poetas ousar de tamanha vontade
E esse amor de perdição descrever
Cantos eternos dos sentidos
De um amor que ousou viver
Encantos proibidos
Onde o sentir foi encerrado
Imortal perdição
Os levou à prisão
Por pecado
…

musa

SOPRO D'ALMA

Amei tantos homens na minha pele
e não fiquei com nenhum
travo amargo doce fel
sentimento algum
culpa compromisso
o sentir omisso
alma e carne
desilusão

amei num sopro d'alma
saciando sentidos
amei por amar
sopros de instante
fiz do homem o amante
no sentir a plenitude
o sopro fulminante
da doce inquietude
do prazer

fiz o desejo acontecer
onde vontade adormecia
fiz a loucura endoidecer
no prazer de me ter
quem por prazer me queria
corpo inteiro de tesão
na luxuria do sentir
amar somente
bravia ilusão
e proibir

o que ainda sente
coração...
...

musa

SAUDADE - ao João...


tenho saudades do teu abraço
de que escrevas palavras no meu corpo
pelas tuas mãos cheias de sentir
de que me prendas no laço que desfaço
de nós que ato de saudades
pelo que de abraços ouso permitir
inebriantes docilidades
abraçar-te foi encontrar-me a mim
talhada no aroma da tua pele
no traço carnal carmim
do teu olhar de mel
da tua boca rio
meu leito
amor

há a languidez
onde ainda deito
do agora sombrio
doce olhar
abrigo teu peito
desesperando a nudez
com que não me podes abraçar
ao colo do teu ombro
encosto a timidez
doce enlaçar
assombro
olhar
tez

na tua fronte escrevo os dias
do que restou dos sentidos
as memórias fugidias
os olhares proibidos
meigo descanso
nosso sentir
remanso
existir
nós
…

musa

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

TRISTE PENSATIVA

Há um poema de um choro cativo de solidão
Um verso lavrado nos sulcos do rosto triste
Pelas palavras que por dentro a alma insiste
Desbravando a tristeza ao escrever da mão

Pensamentos que de saudade amadurecidos
São pelo sentir dos versos loucura do refrão
Na carne lavrada de tristeza pelos sentidos
Esse poema que dá ao rosto escrita desilusão

Triste pensativa alma madura sentimento
Transfigurado rosto semblante em flor
É talvez espelho alma duro consentimento

Há nos traços do olhar vínculo de uma paixão
Cativando na pele o corpo de tão ingrata dor
No olhar as portas da alma abertas à ilusão
…

musa

QUANTO MAIS AMOR MAIS DESISTÊNCIA - Homenagem a NATÁLIA CORREIA

QUANTO MAIS AMADA MAIS DESISTO

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia, in "O Dilúvio e a Pomba"

QUANTO MAIS AMOR MAIS DESISTÊNCIA

De amor nada mais resta que Dezembro
Adormecida amada em sentida existência
Quantas as palavras de que ainda lembro
Quanto mais sentir amor mais desistência

No enleio deslumbrada flor oculto existir
Frio inverno de uma estação por inventar
Sol iluminado em corpo místico a proibir
Amor maior que por dentro possa guardar

Desisto não me acordes estou morta este inverno
Morri dos teus beijos na desilusão desse olhar eterno
Nem teus abraços amantes me demovem de o ser

Nuvem carregada de lágrimas tristes por chorar
Terra fogo carne e alma com o frio a trespassar
O tanto que com as mãos me dás de dócil prazer
…

musa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

COLO DE MÃE-NATUREZA

Quero teu colo Mãe-Natureza
No aconchego dos teus braços frondosos
Quero deitar meu ser cansado
No regaço dos teus olhos amorosos
Quero descansar meu corpo abandonado
Mãe-Natureza de colo imenso
De peito aberto em abraços de tempo
De uma primavera florida
Em colo perfumado intenso
Bailado de aromas ao vento
Renasce comigo a vida
Em estival contentamento
Faço-me azul mar de verão
Na sombra da meiga estação
Fico a repousar
O outono que há-de vir
Vestir teu colo de cores quentes
Amornar meu sentir
Com olhares doces sorridentes
E preparar dentro de mim o inverno
Adormecido sentimento
Um canto prece eterno
Embalo da Mãe-Natureza
Que na sua elegante beleza
Se faz noiva ao meu olhar
Veste-se de branco
Gélido manto
E nela adormeço
À espera de renascer
Pequenos nadas que não esqueço
Um pouco de tudo que mereço
Por entre palavras que possa escrever
Dócil existência a florescer
Guardada ainda dentro do peito
Paisagens memórias leito
De todo meu engrandecido sentir
Com a Mãe-Natureza possa existir
E sempre acordar quando me deito
No seu colo me abraçar e consentir
E da vida nunca desistir
…

musa

FRÁGUAS DA ALMA


Olhei meu rosto ao espelho
vi-o pedra cantaria
olhar cansado e velho
com alma de poesia
granítica frágua montanha
beijada pela ventania
paisagem inóspita estranha
agreste colo solidão
nudez ousadia
uma rajada de ilusão
parte o espelho fantasia
olhar enche-se de cinzento
no planalto assim despido
dança com as pedras o vento
varre-se-lhe o sentido
meigos demónios gigantes
prece murmúrio gemido
pelos montes seu desalento
riscam trilhos tristes distantes
na pele do rosto enrugada fria
espelha-se louco o tempo
na montanha silente sombria
anda errante descontentamento
e o rosto no espelho vagabundo
aí parece descansar
há nele um sentir profundo
que espelha a solidão do mundo
que meus olhos parecem guardar
que meus olhos parecem chorar
…
musa 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

AMOR DESEJO

 Olhar em estendal desejo
Da varanda do sentir
Flores rubras do beijo
Por entre grades a cair
Nossos olhos separados
Nossas bocas tão distantes
Nossos corações apartados
Sermos amigos e não amantes
E nos beijos nunca dados
Nos abraços desatados
Nos olhares enfeitiçados
Nos sentidos fulminantes
Sermos estrela a brilhar
Querermos somente ser
Na urgência do prazer
Nossas bocas a beijar
A quântica emergência
A espiritual demência
Deixada acontecer
Eloquência de vontades
Separadas liberdades
Pássaro preso
Amor desejo
…

musa

DILACERAÇÃO

secreta loucura
mágoa fundida de mel
amo dor que me tortura
rasga alma e pele
adentro perdura
doce fel

peito em fogo frio
dilacerado de penas
incinerado vazio
cinzas açucenas
pétala pavio
poemas

fazem das palavras loucas
héstias acesas dilaceração
rasgando estrelas do universo
asas presas à solidão
livres são poucas
as que são
verso

no seio invertido do sentir
quase demente quase perverso
há a razão a consentir
sofrimento a dilacerar
e por dentro permitir
sofrer em vez de amar
…

musa

QUEM NÃO TE AMOU

quem sangrou teu coração
de um amor empedernido
quem maltratou a ilusão
de quem não vive o sentido
desse amor não correspondido
desse amor ferido
de loucura e de paixão
e sangra vivo por dentro
coração imperfeito
a doer fundo no peito
em profundo leito
descontentamento
quem não te amou
não te pode ter
nem viver o tempo
de deixar acontecer
tudo o que o vento levou
os sentidos as perdas
essa dor que herdas
sem a querer
a memória ingrata
de assim sofrer
tanta desilusão
e nos olhos ter
uma dor que mata
lágrimas sangradas
dores apunhaladas
de um coração
a desfalecer
…

musa 

PERTO DE TI

Perto de ti tenho um sorriso escondido
A querer romper na alma de segredos
De máscaras desmitificando o sentido
Reveladas em mistérios dos meus dedos

Perto de ti há aromas trazidos ao olhar
Asas esvoaçando em beijos perfumados
Silvestres flores nas mãos a desabrochar
Gosto dos lábios a sorrir enamorados

Perto de ti todos os sentidos são o roseiral
Doçura em alegria desprendida do meu ser
Irrequieta borboleta seguindo cio floral

Perto de ti a alma inteira rejubila a paixão
Nas asas do sonho deixa-se acontecer
Há uma flor desabrida dessa ilusão
…

musa

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

HAVIA NA TUA MÃO

Olho a tua mão pequena e perfeita
E dentro de mim afagos lembraria
Doces instantes com que me deleitas
Em minha alma só plenitude alegria
E no meu olhar de amor assim deitas
Teu corpo inteiro em prosa e poesia
Tua alma profunda de doce sagração
De todos os tempos de ti lembraria
Como foi amar de versos a paixão
Que da tua mão meu olhar te pedia
Todas as palavras na ponta dos dedos
Com os olhos baços a alma escrevia
De beijos em teus lábios mil segredos
Num afago da tua mão olhar sentia
Prazer de beijar poema por escrever
Havia na tua mão loucura e fantasia
Havia no teu olhar emoção e magia
Havia na tua mão algo por acontecer
…

musa

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

OUTRA VEZ - Adriana Calcanhotto - Outra vez



OUTRA VEZ

vens
nos dias esquecidos e negados
dos dias que não queria e não queres
na força dos sentidos renegados
no amor que me não tens de que me feres
outra vez a ousadia de sentir
que terei tudo em mim o que não me deres
no olhar imenso amor a proibir
ter o que não posso ter
e em mim renegares
sentir e ser
sofrer

o meu prazer
roçando os lábios de sedução
ágil emoção relevos nudez
na ponta dos dedos a excitação
faiscando sentidos na palidez
aprendida de cor no teu olhar
nos gemidos murmurando riso timidez
acendida nos poros cirios a brilhar
iluminando de húmido tesão a tua tez
quente suando agitada a pele a estalar
em convulsão provocada embriaguez
de tesão e táctil fluidez
sentimos outra vez
nosso desejo a reclamar
nossa vontade ser
começar
terminar
…

musa

NOITE ENFURECIDA

Perturbando as tuas ideias…
Há clarões rasgando a noite e rugidos murmurados ao ouvido de estrelas e no alçapão da alma estalam enfurecidos gritos a romper de luz todos os sentidos abafados…
Injúrias de trovões soltos no universo da noite enfurecida…
Troveja a pele riscada pelas tuas mãos em raios abrindo sulcos quentes de enxofre nos poros iluminados como rios escorrendo o suor do medo e da emoção…
Há o cheiro de terra lavrada ameaçada de chuva e vento e desejos acendidos na vontade da tua boca cheia de pranto em bátega excitação prestes a romper dos lábios escurecidos…
Cansada...canto-me e adormeço em despertado sentir que a luz volumosa do teu olhar me enche de palavras que vão amanhecer num cansaço de sonhos e sentimentos...
A noite caminha no silêncio dos gritos que me despertam medos não sonhados...
A lua... as estrelas... as luzes... a noite e os meus medos de criança a bailar no escuro murmúrio da brisa com gritos de maresia...
Queria o colo da avó...
Há um vendaval de emoções a manchar de luz a escuridão da noite atrevida de lágrimas e murmúrios abafados…
Na ventania dos sonhos sussurram brisas alvoradas em manto claridade e pranto do olhar humedecido de tristezas antigas…
Desaparecem as estrelas no negro tingido de azul celeste e as sombras esvoaçantes da madrugada erguida luz e vento rompem dos meus olhos como véu que esconde proibido sentir em desnudada vontade…
Há no teu corpo querer apetecido de uma morte que nasce palavra inventada em silêncio e solidão…
...

musa

domingo, 1 de setembro de 2013

HÁ AQUI NESTE MAR

Há aqui neste mar
Uma solitude sobrevivente
Neste perdido lugar
Um silêncio quieto afluente
Banhando de sal o meu sentir
Nem sempre mar às vezes pedra
Qual angustiada Fedra
Uma maresia ausente
Parece fugir
De mim

Um mar sem vagas a desnudar-me
Rochas nuas brilhantes humedecidas
As lágrimas a soltarem-se
Com asas ao vento perdidas
Em ondas e espumas a esvoaçar-me
Descobertas areias lívidas
Em abraços estreitam a tarde esbatida
Na quietude das águas salgadas
Esmaece uma lágrima tida
Choro marítimo sem fim
De algas entrelaçadas
Abraço firme e duro
Prata e carmim
Sal puro
Vento

Há aqui neste mar parado o tempo
Por todas as angústias já desfeitas
Em sonhos prantos e maresia
Por todas as palavras já eleitas
Areal imenso desalento
Profundo sentimento
A calar a poesia
…
Musa

Praia da Granja Setembro13

EMBRIÃO

Âmbar em luz nudez
Sombra sangue em flor
Sensível palidez
Acto de amor
Poesia

Bolsa amniótica quente
Ninho sombreado cor
Dos sentidos afluente
Ramos de fantasia
Rubro alvor
Magia

Nauseados sinais
Arredondado ventre
Simbolos carnais
Dócil torpor
Coração sente
Duvidas anseios
Maternal calmor
Frágeis veios
Dando-lhe forma
Incham os seios
Que a curva toma
Lágrimas devaneios
Risos pastoreios
Primeiro sintoma
Sente-se a vida
Dúcteis enleios
Frágil redoma
De vidro tida
Em carne e sentidos
Assim permitida
De sonhos pedidos
A vida sentida
…

musa