quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SETE VERSOS DA ALMA E UMA BORBOLETA AZUL


Alma que respira do sentir

Mente que inspira sentidos

Pensamentos a competir

Sentimentos divididos



Esta poesia que eu pude sentir

Nem sete mares lhe dão a dimensão

Nem sete vagas a podem definir

Nem sete marés lhe dão a imensidão



O areal e o mar adentro do olhar

Fustigados desejos parecem surgir

Como vaga gigante por dentro arrasar

Areias da praia parecem fugir



Da mesma profundidade que o mar

Poesia que em mim é consentir

Escuridão alma a naufragar

Húmido poema a fluir



Profundo mar silenciado

Ao fundo luz ténue brilho

Do mesmo sentir declamado

Segue o verso o seu trilho



São abertas de luz

Em brechas de vagas

Sal que olhar seduz

Sentidas mágoas



Fios luminosidade porosa

A cada onda cheia de vento

A cada verso cheio de prosa

Rimando brisa suave alento



Sobre a alma terra rodopia

Uma borboleta azul cobalto

Erra em voltas da poesia

Pairando lá no alto

Sossega a imensidão

Do verso sentido

Mar de paixão

Azul olhar

Despido

Poesia
...
musa

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ESCREVER É SENTIR


Escrever é sentir
É ser além da escritura
Nobreza de consentir
Da alma sua loucura
Do corpo seu tormento
Matar fome de secura
Em melancolia lamento
Saciada literatura
Em doce consentimento
Que na escrita perdura
Pedra pensamento
Aço sentimento
Sentir do ser
E por dentro
Transparecer
Palavras magia
Força poesia
Prosa e Verso
E ser do universo
Profundo sentido
Das palavras abrigo
Magia de pensar
Dizer do sentir
E com o verbo amar
De escrita repartir
O que não se pode guardar
Em imensa alma sentida
Prosa e Poesia
De toda uma vida
...
musa

sexta-feira, 22 de julho de 2011

TEUS OLHOS TRISTES


Teus olhos tristes
Aos meus se juntaram
E em chamas se queimaram
No fogo da paixão

Olhos tristes se amando
Dentro dos meus confiando
O dia que se apaixonaram
Nunca mais se deixando
Dentro do coração
Se amaram

Teus olhos tristes
Dos meus não se separam
Dentro deles tu assistes
Ao fogo onde se queimaram
Em chamas e carvão
Labaredas de amor
Olhos de solidão
Porque amar também é dor

Vou ser fogo no teu olhar
Nele a tristeza vou apagar
Vou arder no teu coração
Em chamas de paixão

Os teus olhos tristes
Brasas dessa fogueira
Em chamas tu assistes
Ao amor dessa maneira
Fogo que arde sem se ver
E consome o coração
É braseiro de prazer
Fogo de amor e paixão
musa

segunda-feira, 18 de julho de 2011

MIRANDO ELA BRANCA LOURENÇO

                  (El Rei D. Dinis e a Rainha das Rosas Santa Isabel)

MIRANDELA princesa do TUA, águas de história mirando ela…
Terras doadas a uma dama por El Rei D. Dinis, à formosa amante BRANCA LOURENÇO por seus serviços de cama, desejo testamentário conforme se guarda em memórias.
Em nome de Deus amen. Conheçam quantos esta carta virem e leer ouvirem que eu dom Deniz pella graça de Deus Rey de Portugal e do algarve com ho infante dom Afomso meu filho primeiro herdeiro dou e outorgo a vos Branca Lourenço a minha villa de Mirandella com todos seus termhos velhos e novos, dereictos e dereicturas, rendas, padroados e com todo o dereito e jur reall que eu ey e de direicto devo a aver em essa villa e em seus termhos velhos e novos e que vos ajades e possoyades em toda vossa vida. E se Deus tiver por bem que eu aja de vos filho ou filha ou filhas a vossa morte fique a dicta villa com todos seus termhos velhos e novos e pertenças e com todo dereyto reall ao filho ou filhos, filha ou filhas se ho eu de vos ouver. E mando e outorgo que aquel ou aquelles que dese filho ou filhos filha ou filhas se ho eu de vos ouver decenderem de dereicta linha liidimamente aja ou ajam a dicta villa com seus termhos velhos e novos e direictos e padroados como dicto he. E se esse filho ou filhos, filha ou filhas se o eu de vos ouver ou aquelles que delles descenderem de dereicta linha liidimamente morrerem sem filhos liidimos a sobredicta villa com seus termhos, padroados e dereictos torne-se aa coroa do Regno com todos seus melhoramentos livremente e sem embargo nenhum.
E esto vos faço por compra de vosso corpo. E todollos Reys de Portugal que depos mi veerem que aguardarem e manteverem esta doaçam que eu faço e nunca contra ella veerem em todo nem em parte ajam a beençam de Deus e a minha pera todo o sempre; e se alguns dos Reys de Portugal que depos mim veerem nom aguardarem e manteverem esta minha doaçam e contra ella veerem em todo ou em parte aja a maldiçam de Deus e a minha pera todo o sempre. E por esta doaçam seer firme e mais stavel e nunca viir em dovida dei a vos Branca Lourenço esta minha carta sellada do meu sello do chumbo.
Feita em Lixboa viinte e oyto dias de Joynho. El-Rey o mandou. Afomsso Martins a fez era de mil trezentos trinta nove annos. [Para os mais distraídos: 1301 da era de Cristo.]
In Francisco Manuel Alves, Abade de BaçalMemórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, Tomo IV, p 443, ed. Câmara Municipal de Bragança, 2000

BRANCA LOURENÇO

Sois vós formosa
Minha dócil dama
Pele cheiro de rosa
Perfumando minha cama

Não há dia que não vos veja
As minhas mãos ao vosso olhar
Como quem outros olhos deseja
Outro corpo quer amar

Sois uma dama com respeito
Que aos meus serviços se entrega
Dou-vos lugar no meu leito
Corpo que de vós já se apega
Trazendo vossos olhos no peito
Que por amor a terra reclama
Quando ao vosso lado me deito
Sois vós minha única dama

Mirando ela
Já o dizem
À terra dando-lhe o nome
D. Dinis de Branca tem sido
Formosa mui bela ela
Pois que dela ajuízem
Algo mui nobre ou parecido
E podem dizer
El Rei muito apreço lhe tem
Pois ela lhe dá muito prazer
Do berço perde-lhe o sentido
O corpo que lhe dá o ser
Ama-a como a ninguém
É já um caso perdido
Nada se pode fazer

E por favores do corpo saciados
El Rei vila deMirandela lhe doou
Terras ermos outeiros sagrados
Montes que de seu corpo cismou

É-lhe serva de afectos pelas terras
Alqueires formosos de Mira Tua
A estender para além das serras
Perde-se olhar quando sua

Formosa sim e boa de cama
No seu leito bela e nua
Por entre trovas a ama

Nem a Rainha das Rosas o prende
Pois o rio Tua lhe corre selvagem no peito
Branca Lourenço seus caprichos entende
E de prazer o atende em seu leito
anabarbarasantoantonio

SEGREDOS DE VALE MANSO

Lezíria do campo em branco e amarelo
Albufeira sentida humedecendo olhar
Essa idílica paisagem em verde singelo
Hotel maravilhoso para aqui descansar

Tuas águas Castelo de Bode nostalgia
Guardando os Segredos de Vale Manso
É uma surpresa essa paisagem poesia
Pouso acolhimento de afável descanso

Simbiose perfeita conforto e natureza
Belas paisagens naturais e acolhedoras
Meus olhos se perdem em tanta beleza
Para além espelho de águas tentadoras

Foi-me contado um segredo em Vale Manso
Guardado entre paredes secreto seio
Na profundeza azul das águas doce remanso

Mistérios da aldeia prometem campestre ambiente
A todos convidam um dia visitar em passeio
E aos olhos revelar todo esse paraíso que se sente

anabarbarasantoantonio

domingo, 17 de julho de 2011

À CASA MINHA (a David Mourão Ferreira)



À CASA MINHA (poema a David Mourão Ferreira)
“CASA
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.”
David Mourão Ferreira
Infinito Pessoal
(1959-1962)
Obra Poética
1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença

À CASA MINHA
Homem que à casa minha
Meu corpo acedes
Escuridão que caminha
E sobes pela voz
Escadas do sentir
Onde me amas a sós
E aos meus olhos concedes
Janelas por abrir
Para entrar tua claridade
Onde luz é treva do meu ser
Paredes de luminosidade
Desejos íntimos de se ter
Corpo que te recebe
Sentir que te concebe
Abrigar por querer
Meu corpo dado prazer
Morada em mim
Casa da loucura
Erotismo sem fim
Corredores de procura
Pelo cio salas de vício
Esvoaçam cortinas de frescura
Recantos de meigo tesão
Divisões de sacrifício
Poro a poro o teu chão
A esse gozo propício
Onde te abrigas sem tempo
Cheiros que te são intimidade
Do coração já lamento
Da alma telhado felicidade
Poema que imaginado antevi
Tua sepultura sentimento
Do teu ser à terra eu senti
Dar-lhe voz pensamento
Neste verso por ti
musa

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ALMA VIVA


a alma
tenho-a no peito do pé
ao cimo dos sentidos
no ermo do sentir
de quem chega ao sopé
em lento provir
do ser

tenho-a a alma
em derradeiro florescer
em brechas fendas sulcos
em sobressalto alvorecer
rachaduras de tumultos
onde cabem os sentidos
depois dum amanhecer
pensamentos perdidos
duma alma inteira
planalto alento
flecha certeira
tiro ao vento
esgrimido
sentido

a alma
fuga do sentimento
ser desconhecido
remoinho de ar
desalento
sobre o pó do chão
caminho onde pisar
coração e razão
de Aquiles calcanhar
tenho-a na palma da mão
linhas da vida por decifrar
intuição por adivinhar
por dentro anima paixão

tenho-a a alma ser
nobre solidão
transparecer
abnegação consentida
guia-me sentido prazer
de assim me sentir viva
e tanto amar viver
musa

terça-feira, 28 de junho de 2011

RECUSA


Acudo ao teu horizonte
Onde vertidos meus olhos
Gritam nos teus desabridos
Por vales e montes
Loucos varridos
Urros sentidos
Em silêncio
De mim
Levo contra muros
Ecos murmurados
Trémulos inseguros
Dizeres amordaçados
Soa a voz queixosa
Desse doido sentir
Em suave prosa
Leve fluir
Pesarosa alma
Anima só
Feita pó
Que vento leva e espalha
E na voz coalha
Sussurrando alento
Por vales desabrigados
Montes despidos
Trave sustento
Pensamentos inanimados
Sentimentos perdidos
Fluo insustentável
Quase admirável
Rumo sem norte
Deixo-me ir
Leveza de sentir
Azar ou sorte
Nunca saberei
Do que sou e pretendo
Às vezes nem me entendo
Dou comigo a pensar
Sem ajuda sem lei
Posso ou não recusar
Consciência ou poema
Certeza ou dilema
Quem tomará conta de mim
Como vou terminar
Como será o fim
Quando eu desistir
E me recusar
A não partir
musa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CAFÉ DA MANHÃ

Levo-te o café à boca
A noite parece ainda dormir
No umbral do teu olhar
Parece ainda sentir
Belo intenso madrugar

O gosto da madrugada
O chilreio dos pardais
A manhã já clareada
Luzindo gume de punhais

Onde foi que nos pedimos
Onde foi que nos perdemos
Os olhares que nos sentimos
Os beijos que nos demos
As palavras que gostamos tanto
As âncoras os nós os remos
Perdidos de riso e pranto
Por tudo que ainda temos
Por tudo o que já tivemos


Os beijos que amanheciam
Em vale de lençóis floridos
Nossas bocas se pediam
Em olhares enternecidos

Mãos cortando o silêncio doce
Presos gestos na escuridão
Como se ainda a noite fosse
A esconder nossa paixão

E o café dessa manhã
Fica na mesa a arrefecer
Madrugada doce avelã
Que nos faz acontecer

Da tua boca lábios romã
Trazes de noite a tua fome
A pele sabor canela e romã
A romper o dia que ainda dorme

Pele que eu sacio sem saber
Ternura que me sabe no peito
Bebo-te café aroma prazer
Em cafezais no nosso leito

Sacio loucura na tua sede
Quanto mais amo mais louca sou
Dominada inteira na tua rede
Sou companheira e a ti me dou

Não sei se vivo se vou morrer
Ainda a madrugada acontecia
O café já não pude beber
Pois tua pele me arrefecia

Em calor ardente dócil distante
Tinha o dia em mim a começar
O sol rompia como amante
Da noite que amei e estava amar
musa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SER CRIANÇA SER MENINO


Hoje é o dia da CRIANÇA
Mas nem sempre se lembram de mim
Por vezes nem vivo a infância
Encurtando-me o fim
Terei uma vida longa e feliz
Cabe aos adultos dizer
Ser menino e ser petiz
Ter seu tempo de aprender
Acima de tudo o afecto
Às vezes tão ausente
Como um sonho secreto
Contado a toda a gente
E nessa inocência tão pura
Acreditem poetas
Só queria sentir-me segura
Nas vossas mãos abertas
Ter mil colos de carinho
Ter mil abraços de ternura
Os versos mais profundos
Cuidarem do meu destino
Aos olhos de tantos mundos
Ser CRIANÇA ser MENINO
musa