quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AMOR EM RUÍNAS


Ainda agora chamas por mim
Inundas-te na liquidez embriagada
Com que me bebes até ao fim
Na tua boca molhada
De mim

Os teus lábios molhados de prazer
Abrem valados de tépida excitação
São como um sol ao entardecer
Que se enterra no mar em solidão
E seus raios fazem humedecer
Pele humidade doido tesão
Toda a nossa vontade a escorrer
Na flor da pele em sedução

É sempre assim quando nos encontramos
Nossos corpos endurecidos num poente
Sobre uma cama profundo oceano nos amamos
No calor adocicado das nossas mãos e pele quente
Deitamo-nos com a loucura de saudosos amantes
Onde morrem tantos sóis em horizontes distantes

Cobrimo-nos de beijos em colo de profano olhar
Fazes de mim deusa em teu sagrado altar
Sacias-te do desejo mais cruel e insano
Sem quereres saber do beijo o seu tamanho
Até entrares em mim esgotado e provocante
Gozando até ao fim teu doce querer de amante

Fazia tempo que não te erguias do meu chão
Como o vento amansando dunas e colinas
E a chuva molhando a terra cada estação
E o sol dourando barcos nas marinas
E a bruma cobrindo vales e montanhas
Deixando a descobertos as ruínas
Depois dessas horas tão estranhas
Fazemos o amor e partimos
E por dentro de nós ruímos
musa

2 comentários:

Carlos Lobato disse...

Pura Arte escrita!
BELO!

Filipe Campos Melo disse...

Gostei muito da intersecção de dois traços muito presentes na tua escrita (o erotismo e verso enegrecido)
que formam um poema com ímpar força

Bjo.