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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ALVORECER SILENTE

Eu sei o que é em ti
A madrugada
Esse alvorecer
Silente

Essa luminosidade coada
Que no teu olhar senti
Da noite a florescer
Crescente

Eu ainda sei em ti despontar
Levantada a madrugada no colo
Como se no teu corpo
Fosse despertar
Um acorde um solo
Eu ainda pudesse raiar
Beijada olhos fechados
Coberta de beijos molhados
Numa áurea flutuar
Docemente fluir
Com orvalho a cair
Da manhã sentir
Clarear

Esse olhar onde me demoro
De gozo de prazer
Me vir sem pedir
Deixar acontecer
Sem nada dizer
Tudo consentir

Misto de ternura emoção
Como claridade a nascer
Loucura e sedução
De luz transparecer
Fluidos paixão
Desfalecer

Meu corpo sobre tua madrugada
Entregue consentida dada
Manhã de lençóis em húmido leito
Rompidos em madrigal tesão
Sol a despontar-nos no peito
Aurora nubente de solidão

Despertar de um tempo
Onde eu ainda me deito
Madrugada toda ela feita
De tácteis sentidos
Num lamento
De luz eleita
Olhares em nós perdidos
Clareando a noite num beijo
Os primeiros raios consentidos
Desse madrugar do teu desejo

Em abraços outros beijos por nascer
A luz do dia na tua pele imaginada
Onde a claridade ainda por romper
É feita de prece quente suada
Poro a poro de intenso prazer
Loucamente apaixonada
Amante e amada

Em fios de luz despida
Toda eu manhã beijada
De luar disperso
Ao teu beijo submetida
Corpo de carícias imerso
Vibrante desejo a crescer
O suor por dentro a inundar
Todo um arrepio submerso
Vontade de somente ser
Fio a fio presa ao teu olhar
Manhã de bocas mãos afagar
Restolhos de prado saciado
Pasto onde descansar
Corpo iluminado
Numa só vontade
Que tudo acabe

Madrigal silente
Do todo o universo
Cumplicidade
Sensualidade
De quem sente
Só distante
A alma em verso
Confidente amante
Da noite que me confia
Teu corpo em poesia
musa

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