FLORBELA ESPANCA
Na intimidade da manhã ainda surpresa
Janela da alma que em sentir flor abria
Odor inebriante da dor despertada sentia
Como se a escura madrugada fosse acesa
Aurora de violentos fogos em matizes
Uma frialdade de espanto em explosão
E nos olhos adormecidos tempos infelizes
Acordasse para o mundo a alma do coração
Tão arroxeadas as veias como violetas
As mãos a face e todo corpo tão dorido
Parece vestido por um manto de borboletas
Perfumado e assim ungido e tão floral
Um verso de tantas palavras com sentido
Não sabendo mais se é flor espírito ou carnal
...
musa
https://youtu.be/yd9qSIYGBGc
PENAS DA ALMA PARA A MÃO - papiro editora TEU CANCRO MEU - papiro editora RUSSA A BURRINHA TECEDEIRA - papiro editora À FLOR DA PELE DOS SENTIDOS DA ALMA - pastelaria studios editora
domingo, 11 de março de 2018
sábado, 3 de março de 2018
SOMBRIO INTERIOR
Perdeu o gozo da vida
A vontade de viver
Fechou a porta
Para morrer
Retirou as cortinas
Abreviou a despedida
E sem muito bem entender
A súbita desilusão da aorta
Sem nada dizer ou querer
Pois nada mais importa
Do cimo da alma fez saber
Do sombrio interior
Do sonho abandonado
Do pranto e da dor
Do silêncio calado
Confessou que haveria pó
Sobre os ossos e o olhar
Por cima de tudo a ser deixado
Quando velha e só
Já nada dissesse
Mais ninguém a visse chorar
E a casa já esquecida
Numa berma da vida
Alguém a pudesse
Encontrar
...
musa
QUE NOS TIREM TUDO
"Que nos tirem tudo
mas nunca a poesia"
O mar bravio agitado
No excesso das metáforas
Agredido
Da ausência do sossego
Algo aturdido magoado
No paredão ruidoso e bravo
Parece um cão raivoso ferido
A espumar o medo
Despojado de tudo
Vejo-o e quase o sinto
Assim furioso e faminto
Entre soslaio desejo
E o barulhento instinto
A lamber as feridas
Por entre as rochas nuas
De saudades despidas
De ventos e de luas
E as estrelas que a bruma encobre
E o vaivém da água
Pranto que sobre
A palavra só uma
Tudo além da poesia
A húmida mágoa
Pó espuma
Não mais do que nostalgia
O verso nobre
Tudo para te dizer
Meu amor
À água flor
Sim
Ainda há o desejo
Com a poesia o escrever
Tudo mais é o fim
Se te não vejo
Até morrer
Tudo mais que resta
Este mar furibundo
Mar e terra
E tudo mais não presta
Que da areia seresta
O grito profundo
Encerra
Dos teus lábios
O beijo
Um fio de desejo
Pálido sentir
E toda esta agitação
Tanto ruído de vagas
Parecem ondas a ruir
Da tua boca a excitação
Das mãos aonde
Ainda guardas
Solidão
No peito do olhar
Mais terra do que mar
Onde afunde
Desilusão
Gritos e segredos
E este murmurar
Vagido silêncio
Tanto mar
Estendal de angústia
Profundidade de medos
As pedras lavradas
Um sem fim de sobressaltos
Águas revoltadas
Areias a escorrer entre os dedos
E dos precipícios mais altos
A espiritual litania
A bruma melancolia
Murmúrios segredos
As pedras tão molhadas
As lágrimas por esconder
Todo corpo a estremecer
E a noite um trovão
Um verso de poesia
O ritual escrever
Fantasia
Oração
O dia apressado nascer
A madrugada esfria
Gélida e vã
Prece
De sentidos
Se tece
Geme o mar a manhã
De luz translúcida tecida
Lá longe te conheci
Nos teus abraços amanhecida
Meus olhos fechados perdidos
De beijos na sede bebida
Raivas gritos feridos
Gota lágrima pranto
Dilúvio desencanto
Agitado viver
Da vida
Ainda senti
Perder
...
musa
O mar bravio agitado
No excesso das metáforas
Agredido
Da ausência do sossego
Algo aturdido magoado
No paredão ruidoso e bravo
Parece um cão raivoso ferido
A espumar o medo
Despojado de tudo
Vejo-o e quase o sinto
Assim furioso e faminto
Entre soslaio desejo
E o barulhento instinto
A lamber as feridas
Por entre as rochas nuas
De saudades despidas
De ventos e de luas
E as estrelas que a bruma encobre
E o vaivém da água
Pranto que sobre
A palavra só uma
Tudo além da poesia
A húmida mágoa
Pó espuma
Não mais do que nostalgia
O verso nobre
Tudo para te dizer
Meu amor
À água flor
Sim
Ainda há o desejo
Com a poesia o escrever
Tudo mais é o fim
Se te não vejo
Até morrer
Tudo mais que resta
Este mar furibundo
Mar e terra
E tudo mais não presta
Que da areia seresta
O grito profundo
Encerra
Dos teus lábios
O beijo
Um fio de desejo
Pálido sentir
E toda esta agitação
Tanto ruído de vagas
Parecem ondas a ruir
Da tua boca a excitação
Das mãos aonde
Ainda guardas
Solidão
No peito do olhar
Mais terra do que mar
Onde afunde
Desilusão
Gritos e segredos
E este murmurar
Vagido silêncio
Tanto mar
Estendal de angústia
Profundidade de medos
As pedras lavradas
Um sem fim de sobressaltos
Águas revoltadas
Areias a escorrer entre os dedos
E dos precipícios mais altos
A espiritual litania
A bruma melancolia
Murmúrios segredos
As pedras tão molhadas
As lágrimas por esconder
Todo corpo a estremecer
E a noite um trovão
Um verso de poesia
O ritual escrever
Fantasia
Oração
O dia apressado nascer
A madrugada esfria
Gélida e vã
Prece
De sentidos
Se tece
Geme o mar a manhã
De luz translúcida tecida
Lá longe te conheci
Nos teus abraços amanhecida
Meus olhos fechados perdidos
De beijos na sede bebida
Raivas gritos feridos
Gota lágrima pranto
Dilúvio desencanto
Agitado viver
Da vida
Ainda senti
Perder
...
musa
"Que nos tirem tudo
mas nunca a poesia"
sexta-feira, 2 de março de 2018
DO AMOR NAO SABEMOS
DO AMOR NÃO SABEMOS
Tardio
Talvez nunca fosse
Não mais do que a impressão
De um sentimento vazio
A leve sensação
Algo a ser
Do amor não sabemos
Sem tempo de aprender
Nem nunca tivemos
Gosto a saborear
Dúbio querer
Do olhar
Metade do infinito de mim
O coração na boca do paladar
A urgência de sentir
Um sem fim
De argumentos e citações
E metáforas indigestas
Tremulas ilusões
Esquinas e frestas
O oblíquo da luz
A romper
Arestas
A dor que seduz
Vaga paixão
De prazer
Dizem de um amor a ferir
Ou silêncio a bramir
Sem acontecer
No coração
...
musa
Tardio
Talvez nunca fosse
Não mais do que a impressão
De um sentimento vazio
A leve sensação
Algo a ser
Do amor não sabemos
Sem tempo de aprender
Nem nunca tivemos
Gosto a saborear
Dúbio querer
Do olhar
Metade do infinito de mim
O coração na boca do paladar
A urgência de sentir
Um sem fim
De argumentos e citações
E metáforas indigestas
Tremulas ilusões
Esquinas e frestas
O oblíquo da luz
A romper
Arestas
A dor que seduz
Vaga paixão
De prazer
Dizem de um amor a ferir
Ou silêncio a bramir
Sem acontecer
No coração
...
musa
ANGULAR
ANGULAR
Um fio solto de sombra
Oculta breve escuro
Recanto endurece
Luz obsidiante
Envolto obscuro
Na escuridão acontece
Tremulo inquietante
O tempo maduro
Apodrece
Na angular travessia
Retorcidos os dias
A luminosidade tece
Horas tardias
De poesia
E ângulos de palavras extintas
Letras folhas linhas versos tintas
Um tratado de sentidos e de melancolia
Metáforas indistintas
A angulada nostalgia
A querer dizer
Contornos poemas
Pensamentos confiados
A angular pedra por escrever
Ou apenas
Dois olhos fechados
Que não sabem ler
...
musa
Um fio solto de sombra
Oculta breve escuro
Recanto endurece
Luz obsidiante
Envolto obscuro
Na escuridão acontece
Tremulo inquietante
O tempo maduro
Apodrece
Na angular travessia
Retorcidos os dias
A luminosidade tece
Horas tardias
De poesia
E ângulos de palavras extintas
Letras folhas linhas versos tintas
Um tratado de sentidos e de melancolia
Metáforas indistintas
A angulada nostalgia
A querer dizer
Contornos poemas
Pensamentos confiados
A angular pedra por escrever
Ou apenas
Dois olhos fechados
Que não sabem ler
...
musa
VIOLETAS DE MARÇO
VIOLETAS DE MARÇO
Tímidas ainda em botão
Escondido lilás por florir
A terra húmida a sorrir
Do ribeiro a ilusão
Dos verdes prados a cercania
Parecem esvoaçar borboletas
No chão desabrocham violetas
Pequenos versos da poesia
Dos vasos rumores da primavera
São as primeiras do tempo
Como se Março tivera
Das chuvas o doce lamento
E o gelo as neves e tão frio
A floração da intimidade
Inverno ou eternidade
Lágrimas gotas do rio
Querem florir as violetas
Algo a dizer escondido
Escrito nas pétalas secretas
Um amor louco sentido
...
musa
Tímidas ainda em botão
Escondido lilás por florir
A terra húmida a sorrir
Do ribeiro a ilusão
Dos verdes prados a cercania
Parecem esvoaçar borboletas
No chão desabrocham violetas
Pequenos versos da poesia
Dos vasos rumores da primavera
São as primeiras do tempo
Como se Março tivera
Das chuvas o doce lamento
E o gelo as neves e tão frio
A floração da intimidade
Inverno ou eternidade
Lágrimas gotas do rio
Querem florir as violetas
Algo a dizer escondido
Escrito nas pétalas secretas
Um amor louco sentido
...
musa
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
NÃO DEIXAREI A TRISTEZA
NÃO DEIXAREI A TRISTEZA
Bairros ausentes de janelas fechadas
Lavradio de silêncio em memórias guardadas
Quem sabe testamentos por cumprir
No papel rasgado o desassossego desolador
E no esquecimento do pó humedecido
Um olhar da janela entristecido
A sombra luz a refulgir
Em laivos fugidios de amor
Uma telha desviada
Uma brecha mutilada
Um vidro partido
A brisa bruma névoa a fluir
E o lugar da porta ausente
Todos os sonhos evadidos
Nada por possuir
A cama ainda quente
As lágrimas a escorrer
E a única certeza
Não deixarei a tristeza
No vão da vida morrer
Por entre os versos perdidos
Um odor de grito profundo
As tábuas do chão dos sentidos
E dos verbos tanto que fica por escrever
No fundo da alma bem fundo
Resquícios do encerado em vincos mágoa
Farpas nos dedos feridos
Preces murmúrios gemidos
Olhos vazios ombros descaidos
O maior peso do mundo
A palavra
musa
Bairros ausentes de janelas fechadas
Lavradio de silêncio em memórias guardadas
Quem sabe testamentos por cumprir
No papel rasgado o desassossego desolador
E no esquecimento do pó humedecido
Um olhar da janela entristecido
A sombra luz a refulgir
Em laivos fugidios de amor
Uma telha desviada
Uma brecha mutilada
Um vidro partido
A brisa bruma névoa a fluir
E o lugar da porta ausente
Todos os sonhos evadidos
Nada por possuir
A cama ainda quente
As lágrimas a escorrer
E a única certeza
Não deixarei a tristeza
No vão da vida morrer
Por entre os versos perdidos
Um odor de grito profundo
As tábuas do chão dos sentidos
E dos verbos tanto que fica por escrever
No fundo da alma bem fundo
Resquícios do encerado em vincos mágoa
Farpas nos dedos feridos
Preces murmúrios gemidos
Olhos vazios ombros descaidos
O maior peso do mundo
A palavra
musa
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