segunda-feira, 18 de julho de 2011

SEGREDOS DE VALE MANSO

Lezíria do campo em branco e amarelo
Albufeira sentida humedecendo olhar
Essa idílica paisagem em verde singelo
Hotel maravilhoso para aqui descansar

Tuas águas Castelo de Bode nostalgia
Guardando os Segredos de Vale Manso
É uma surpresa essa paisagem poesia
Pouso acolhimento de afável descanso

Simbiose perfeita conforto e natureza
Belas paisagens naturais e acolhedoras
Meus olhos se perdem em tanta beleza
Para além espelho de águas tentadoras

Foi-me contado um segredo em Vale Manso
Guardado entre paredes secreto seio
Na profundeza azul das águas doce remanso

Mistérios da aldeia prometem campestre ambiente
A todos convidam um dia visitar em passeio
E aos olhos revelar todo esse paraíso que se sente

anabarbarasantoantonio

domingo, 17 de julho de 2011

À CASA MINHA (a David Mourão Ferreira)



À CASA MINHA (poema a David Mourão Ferreira)
“CASA
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.”
David Mourão Ferreira
Infinito Pessoal
(1959-1962)
Obra Poética
1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença

À CASA MINHA
Homem que à casa minha
Meu corpo acedes
Escuridão que caminha
E sobes pela voz
Escadas do sentir
Onde me amas a sós
E aos meus olhos concedes
Janelas por abrir
Para entrar tua claridade
Onde luz é treva do meu ser
Paredes de luminosidade
Desejos íntimos de se ter
Corpo que te recebe
Sentir que te concebe
Abrigar por querer
Meu corpo dado prazer
Morada em mim
Casa da loucura
Erotismo sem fim
Corredores de procura
Pelo cio salas de vício
Esvoaçam cortinas de frescura
Recantos de meigo tesão
Divisões de sacrifício
Poro a poro o teu chão
A esse gozo propício
Onde te abrigas sem tempo
Cheiros que te são intimidade
Do coração já lamento
Da alma telhado felicidade
Poema que imaginado antevi
Tua sepultura sentimento
Do teu ser à terra eu senti
Dar-lhe voz pensamento
Neste verso por ti
musa

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ALMA VIVA


a alma
tenho-a no peito do pé
ao cimo dos sentidos
no ermo do sentir
de quem chega ao sopé
em lento provir
do ser

tenho-a a alma
em derradeiro florescer
em brechas fendas sulcos
em sobressalto alvorecer
rachaduras de tumultos
onde cabem os sentidos
depois dum amanhecer
pensamentos perdidos
duma alma inteira
planalto alento
flecha certeira
tiro ao vento
esgrimido
sentido

a alma
fuga do sentimento
ser desconhecido
remoinho de ar
desalento
sobre o pó do chão
caminho onde pisar
coração e razão
de Aquiles calcanhar
tenho-a na palma da mão
linhas da vida por decifrar
intuição por adivinhar
por dentro anima paixão

tenho-a a alma ser
nobre solidão
transparecer
abnegação consentida
guia-me sentido prazer
de assim me sentir viva
e tanto amar viver
musa

terça-feira, 28 de junho de 2011

RECUSA


Acudo ao teu horizonte
Onde vertidos meus olhos
Gritam nos teus desabridos
Por vales e montes
Loucos varridos
Urros sentidos
Em silêncio
De mim
Levo contra muros
Ecos murmurados
Trémulos inseguros
Dizeres amordaçados
Soa a voz queixosa
Desse doido sentir
Em suave prosa
Leve fluir
Pesarosa alma
Anima só
Feita pó
Que vento leva e espalha
E na voz coalha
Sussurrando alento
Por vales desabrigados
Montes despidos
Trave sustento
Pensamentos inanimados
Sentimentos perdidos
Fluo insustentável
Quase admirável
Rumo sem norte
Deixo-me ir
Leveza de sentir
Azar ou sorte
Nunca saberei
Do que sou e pretendo
Às vezes nem me entendo
Dou comigo a pensar
Sem ajuda sem lei
Posso ou não recusar
Consciência ou poema
Certeza ou dilema
Quem tomará conta de mim
Como vou terminar
Como será o fim
Quando eu desistir
E me recusar
A não partir
musa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CAFÉ DA MANHÃ

Levo-te o café à boca
A noite parece ainda dormir
No umbral do teu olhar
Parece ainda sentir
Belo intenso madrugar

O gosto da madrugada
O chilreio dos pardais
A manhã já clareada
Luzindo gume de punhais

Onde foi que nos pedimos
Onde foi que nos perdemos
Os olhares que nos sentimos
Os beijos que nos demos
As palavras que gostamos tanto
As âncoras os nós os remos
Perdidos de riso e pranto
Por tudo que ainda temos
Por tudo o que já tivemos


Os beijos que amanheciam
Em vale de lençóis floridos
Nossas bocas se pediam
Em olhares enternecidos

Mãos cortando o silêncio doce
Presos gestos na escuridão
Como se ainda a noite fosse
A esconder nossa paixão

E o café dessa manhã
Fica na mesa a arrefecer
Madrugada doce avelã
Que nos faz acontecer

Da tua boca lábios romã
Trazes de noite a tua fome
A pele sabor canela e romã
A romper o dia que ainda dorme

Pele que eu sacio sem saber
Ternura que me sabe no peito
Bebo-te café aroma prazer
Em cafezais no nosso leito

Sacio loucura na tua sede
Quanto mais amo mais louca sou
Dominada inteira na tua rede
Sou companheira e a ti me dou

Não sei se vivo se vou morrer
Ainda a madrugada acontecia
O café já não pude beber
Pois tua pele me arrefecia

Em calor ardente dócil distante
Tinha o dia em mim a começar
O sol rompia como amante
Da noite que amei e estava amar
musa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SER CRIANÇA SER MENINO


Hoje é o dia da CRIANÇA
Mas nem sempre se lembram de mim
Por vezes nem vivo a infância
Encurtando-me o fim
Terei uma vida longa e feliz
Cabe aos adultos dizer
Ser menino e ser petiz
Ter seu tempo de aprender
Acima de tudo o afecto
Às vezes tão ausente
Como um sonho secreto
Contado a toda a gente
E nessa inocência tão pura
Acreditem poetas
Só queria sentir-me segura
Nas vossas mãos abertas
Ter mil colos de carinho
Ter mil abraços de ternura
Os versos mais profundos
Cuidarem do meu destino
Aos olhos de tantos mundos
Ser CRIANÇA ser MENINO
musa

quarta-feira, 9 de março de 2011

POEMA DESFEITO EM VERSOS


Vou escrever onde os homens gotejam
De tanto pecarem pingam sémen
Onde lágrimas tombam desejo
Vontades sobejam

E mãos afagam membros erécteis
E olhos se fecham na esterilidade
Do poema desfeito em versos
Num vaivém inutilidade 
Apunhalados em poesia
De acariciados sentidos
Em mente orgia
Meus reversos
Noite e dia
Perdidos

Ficam gotas leitosas esbranquiçadas
Denunciando o pecado e a heresia
As prosas engalanadas em poesia
E os dizeres em afagos de mãos fechadas
Incriminam o verso tido imoral
E a mente da poetisa ousada
Verte-se quase imortal
Na rima desnorteada
Imprópria surreal
Desgovernada
Desengonçada
Destemperada

Soluça poético espasmo do verso
Masturbado na indecência incontida
Em rima de maledicência destemida
Jaz a melancolia incompreendida

Na mente sobeja e grassa o poema
Na indolente matéria poetada
Goteja incessante dilema
Na forma desinformada
Formula ou teorema
Poesia maltratada
Vil esquema
Tema tesão

Ei-la a rima que me acena
Alarmada na flor brusquidão
E grita: que fazes tu ao verso?
É poesia ou masturbação dos sentidos
É um poema imerso na inquietação e gemidos
Do teu corpo desassossegado?

Ri-o o sorriso orgasmo encontrado
Aflorando a estrofe em carícias doces
Deixo excitada vibrar em lentidão
Todo o poetar de alma e corpo amado
E antes que em mim fosses
Amor ou louca paixão
Sacio verso acabado
Sem solução
musa

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

MAR DE MIRAGENS

Nessa tua alma angústia possa eu florir
Ser-te a escuridão vestida de lua cheia
E de claridade em sombras te possuir
Onde de terna luz em vagas ela ondeia

Desassossego espanto todo mar e areia
Que na noite me chama para assim unir
Todo sangue luz que corre em cada veia
Palavras claridade que parecem se abrir

Num terno doce pranto de ondas em desejo
Como se vagas fossem árvores da floresta
As folhas eu agito em murmúrios dum beijo

Misturo mar e campo em sombras paisagens
Na negra noite abro de luzes essa louca festa
E toda eu me revelo nua lua mar de miragens
musa

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

TRANSMONTANA


Das faldas da montanha
Desci para o mar
Saudade estranha
Parece ficar
Deixei campos de olivais
Direcções cruciais
Deixei searas
Belas tiaras
Deixei vinhedos
 Guardei segredos
Lameiros de feno
Terras cultivadas
Aroma veneno
Paisagens enfeitiçadas
Fragas
Ribeiros
Fontes
Penedos
Caminhos
Chão
Donde nasci
Grata paixão
Trouxe comigo
Aqui senti
Ser solidão
Alma inteira
Corpo rude
Dócil abrigo
A vida por companheira
Tudo o que pude
Crime e castigo
Lodos e lamas
Chuvas e trovoadas
Rezas profanas
Santificadas
Olhar atiçado
Em fogos humedecidos
Sentido sagrado
De tantos sentidos
Em terra amanhada
Mão na enxada
No corpo cansado
De tanto prazer
De tanto viver
De tanto sonhar
O sonho alado
Deixado esvoaçar
De Trás-os-Montes
Da natureza
Musa das fontes
Verso pureza
Prosa poesia
De saudade veste
Corre nas veias
Lembranças ateias
Fogo incendeias
Agreste
Fantasia
...
anabarbarasantoantonio

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CONFRARIA DE POETAS NO FACEBOOK

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