sexta-feira, 30 de abril de 2010

PENAS DA ALMA PARA A MÃO - CONVITE


Convite


A Papiro Editora e a autora Ana Bárbara de 
Santo António têm o prazer de convidar V. Exa. 
a estar presente na apresentação do livro Penas 
da Alma para a Mão que terá lugar no dia 3 de 
Maio de 2010, pelas 23h00, no Café Pinguim, 
Rua Belmonte, 67 - Porto 

Apresentação da obra a cargo de Rui Spranger


Sinopse da obra:
 “É um livro cheio de metáforas, onde jorra a força feminina aliada à vida das palavras. O elemento líquido, sob a forma de mar e de rio, invade muitos poemas e penetra nas palavras, fornecendo-lhe a seiva do amor e transformando o acto de escrita em êxtase. A marca feminina que caracteriza esta obra, através de alguns títulos, versos e mesmo pelas várias referências ao corpo e à vida da mulher, impõe-se como a verdadeira imagem do livro; aliás o título é todo ele no feminino. No entanto, há um poema que é um louvor à poesia e ao poeta, sem a reivindicação de sexo, o que reforça o gosto e a sua aceitação do/ no feminino, embora o eu confidencie que, por vezes, há um desajustamento com o tu e com os outros. O encarceramento da palavra até à sua libertação, traduzindo metaforicamente o percurso psíquico e mental do sujeito, é a trave-mestra desta poesia e o guião que apoia o leitor a interpretar as penas que a pena escreveu através da mão.”              

domingo, 28 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

RUSSA A BURRINHA TECEDEIRA Apresentação/Divulgação

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No âmbito das comemorações Dia Mundial do Livro, a Papiro Editora em parceria com a Bertrand, pretende promover um encontro com um escritor/ilustrador, para que este possa ensinar às crianças e jovens como é concebida ou criada uma obra, contar uma história, falar sobre livros, a realizar no dia 23 de Abril (10h00 ou 11h00), na Bertrand de Guimarães, com Apresentação Divulgação do livro infanto-juvenil Russa a Burrinha Tecedeira.





A PAPIRO EDITORA e o Agrupamento Escolas Francisco Torrinha convidam para a Semana da Leitura "a realizar-se de 19 a 23 de ABRIL, numa divulgação apresentação do livro infanto-juvenil Russa a Burrinha Tecedeira.






Apresentação divulgação do livro "Russa - A Burrinha Tecedeira" da nossa autora Ana Bárbara de Santo António no dia 3 de Maio pelas 10h00, no Externato Delfim Ferreira, em Riba d'Ave/Famalicão.


Evento a realizar na "Feira dos Artesãos"



Apresentação Promocional - 2010
3 Maio - 10h00
Extrernato Delfim Ferreira, rua Pombinhas, Riba Ave, Vila Nova de Famalicão
Apresentação: Ana Bárbara de Santo António
de Ana Bárbara de Santo António


Biografia da Autora:

Nascida a 04 de Dezembro de 1965, em Torre D. Chama, concelho de Mirandela, distrito de Bragança, na província portuguesa de Trás-os-Montes, frequentou a escola primária e o liceu em Mirandela. Em 1990/93, frequentou o Curso Superior de Turismo no ISAI — Instituto Superior de Assistentes e Intérpretes, no Porto. Deixou o país e emigrar temporariamente para países da Europa, vivendo em Paris, em Londres, em Colónia, sempre à procura de temas – situações que lhe enriqueçam a alma para pôr o seu espírito à prova das palavras, atirando-a para uma ocupação letárgica, onde apenas faz sentido o trabalho da escrita, porque gosta de escrever sentindo o peso da caneta com que escreve há mais de trinta anos, pois só a escrita lhe liberta o pensamento da prisão dos sentidos e da dureza dos sentimentos.
– Editou Penas da Alma para a Mão, poesia, 2006 e Teu Cancro Meu, Testemunho, 2008, com a chancela da Papiro Editora

Sinopse da Obra:

«Vou contar-vos as aventuras da burrinha do meu avô, que se chama Russa. O meu avô João gosta muito dela! A minha avó, por vezes, chama-lhe “Tecedeirinha”.
Sabiam que os burros são uma raça em extinção?! Actualmente, um, dos oito animais em todo o mundo, em maior perigo de extinção total?!
– Olá! Eu sou a Russa! Uma burrinha divertida. Tenho o mesmo nome da minha mãe, da minha avó, da minha bisavó e da minha trisavó.
– A primeira burrinha que se chamava Russa nasceu em Portugal antes das invasões francesas. A sua mãe vivia muito sossegada numa quinta em frente ao rio Ave, num lugar chamado Souto de Bairros, em Santiago de Bougado, freguesia da Trofa, 24 km a norte do Porto, na margem esquerda do rio Ave. Lugar esse que serviu de local de acampamento às tropas de Napoleão em 1809, durante as Invasões Francesas.»

***

Kassandra Talk no Facebook:

Ana Bárbara: Acabo de ler RUSSA. A Burrinha Tecedeira. O livro é muito simpático e curioso, e percebo porque é que as escolas estão interessadas nele: é um livro pedagógico, de interesse não só para a disciplina de História, mas também para as disciplinas de Trabalhos Manuais (não sei se é assim que se chamará; em Inglês, 'Arts and Crafts') e Biologia/Meio Ambiente, pois os temas do processo de fabrico do linho, os diversos tipos de linho que existem/existiam, os animais em perigo de extinção também estão muito bem desenvolvidos. Uma das minhas escritoras favoritas é a Barbara Kingsolver, precisamente porque quando termino de ler um dos seus livros, sinto-me mais 'inteligente'; sinto que aprendi algo de novo sobre um tema interessante, até aí desconhecido ou simplesmente ignorado por mim. Conseguiste isso também neste livro, com explicações simples e claras, por exemplo 'Depois de fiado, era colocado através de um sarilho (espécie de dobadoura, aparelho giratório onde se enrolam os fios das maçarocas para formar as meadas, pequenas porções de fio enrolado) em meadas.' (p.10)Acho que também cheguei a mencionar que gostava dos livros em que as personagens têm um 'background', uma história familiar – tal como a tua Russa!!! Bom, ficas a saber que vou recomendar o teu livro à minha mãe (professora do ensino básico reformada, mas ainda com muitos contactos nas escolas locais onde vive) e à tal minha amiga de Lisboa, que é professora de Português-Francês.Parabéns! E obrigada por mo teres oferecido e autografado (!) - acho que, na altura, com a conversa, nem cheguei a ler com atenção o que me escreveste – gostei mesmo muito da dedicatória. Um abraço.

***

domingo, 7 de março de 2010

MULHER-A-DIAS SEM TEMPO

Sete estações de uma MULHER
E não é uma qualquer
É uma Mulher-a-dias
Mulher de todos os dias
Mulher sem dias

Passa por ela o tempo
Veste-a de ásperas estações
Despe-a de sentimento
Em nudez contradições
Aridez do pensamento
Numa pauta de variações
Leva-lhe por vezes o alento
Dessa vida de paixões

Olhar devorador
Seios fartos
Sexo pudor
Dor dos partos
Ato de amor


Desdobra-se polvo gigante
Na cama faz-se amante
Na vida dona de casa
Do cansaço distante
Entre os lençóis uma brasa
De um fogo vil diamante
Que a consome de descanso
Em tempero leve e manso
Quase desprotegida
Morre dia-dia sentida
Tempo remanso
Dura vida

Alimenta o filho ao peito
Outros dias já na boca
Deita-se no leito
Ama como louca
Uma mão para a cozinha
Dobra a espinha limpa o pó
Estendendo a roupa se anima
Sabendo que dela ninguém tem dó
Varre o chão da sua solidão
Engoma a roupa perfume de vapor
Sem tempo de levar à boca o pão
Trabalha silenciada sua dor
E no fim dos tempos
Esvoaça um sorriso
Liberta asas dos seus tormentos
Mostra-se feliz quando é preciso
musa

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

AMOR

amo como nunca amei
um amor que sangra alento
de ouro de lei
viaja por dentro
corre


que morre
mas ninguém conhece
intemporal profundo
luz quando amanhece
e é dia em todo mundo

um amor dorido
me fazendo sentir viva
com tamanho sentido
de dama musa diva

amo como nunca amei
sinto a tua presença
de lágrimas já te chorei
fundidas nossas almas
resta-nos uma sentença
o que de ti guardei
o que de mim tu salvas
réstia de indiferença
de amor ressalvas

amor maravilhoso
que possa em mim viver
feliz e não desgostoso
intenso de belo prazer
vivo delicioso
...
musa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

VIDA MARIONETA







Tem dias que não sei
se sou deste mundo
se o mundo é destes dias
tal o sentimento profundo
que mede mágoas e alegrias

sinto-me estranha marioneta
nesta existência presa de laços
sem rumo destino caminho meta
que leve a bom porto meus passos

às vezes não sei se me querem
se sou essa ausência sem nome
por dentro aceito tudo o que me derem
o que sacie minha sede e mate a fome

pergunto-me porque existo assim
sem morada de uma alma cansada
num
labirinto onde se esconde tudo
porque tantas vezes penso no fim
e sonho
mais do que vivo acordada
sem forças de viver o que nunca mudo

não sei
se alguma vez
alguém irá entender
este inferno de sentidos
quem sabe
talvez
possam compreender
todos meus castigos
e me ajudem a
ver
esses caminhos perdidos
entre o viver e o morrer
entre o querer e o
fazer
...
musa

A todos os Poetas da letra e da Imagem!... Descanço e sonho do poeta...Jose D`almeida d.m

costureiro de poesia...
lavra em linhas folhas furos
costura rimas versos antologia
dos tristes fortes fracos sensiveis duros

a velha máquina de costura
de peito aberto ao cansaço
adormece prazeirosa loucura
em doce sonho seu abraço

à luz ténue da noite amante
sonha o poeta o livro pronto
pé no pedal ritmado cantante
faz correr linha papel e ponto

persiste ainda sonho nostalgia
livros cosidos à máquina à mão
recordações de prosa a poesia
guardadas em cofre do coração
...


musa

DIA MUNDIAL DA POESIA 21 de MARÇO


Amei-te em tempo incerto
porque já nasci grávida de ti
poesia mar deserto
areia humedecida
poema senti
morte vida

morro
a cada palavra que desmancho
cada poetar que não nasce
cada vertar de águas
cada lágrima
poetada

vivo o pranto da poesia
choro por dentro calada
invade-me a noite e o dia
vivo quase cruxificada

quase morta de tantos sentidos
partos de um dentro quase fora
pensamentos assim perdidos
onde uma solidão se demora

nasci poema de sangue alma
num corpo poesia atormentada
perco o tempo perco a calma
à palavra abandonada

e deixo sentir
sombras poetizadas
primavera por florir
de raizes arrancadas

morro de poesia
todos os dias
morro viva
sentida
perdida
tida

viva morta
rendida
sempre que essa poesia
bate à minha porta
noite e dia
proclamada
declamada
palavreada
...

musa

Dueto (Dedicado a poeta Ana Bárbara de Santo Antônio)

Há dois pontos Duas taças cristalinas Uma mulher e uma menina Eles delas a brindar Há dois versos Dóis sóis, um universo Dínamos da constante cósmica Há duas luas Duas lógicas Dois barcos a navegar Há dois hiatos Dissílabos em expansão Dois cristais Uma canção Duas chaves Dois segredos Duas coragens Dois medos Dois destinos A bailar Há duas leis Duas hipóteses Dois teoremas Tu tão deusa Eu tão pequena Há um desafio no ar Há dois espaços Dois tempos Dois intentos Tu da água Eu dos ventos No teu deserto a escavar Há duas mentes Dois olhares Dois serventes Eu tão duo Tu somente Duas forças Um olhar Há um pensamento Duas vontades Desconexas Eu tão sinistro E tu tão destra Uma sílaba par Há duas saídas Um labirinto Dois mantras Um tesouro Um cais agudo Há quase tudo Quase nada Há um verso Uma morada Um amor Um esperar... RUSSO,T.C.F.
José Lourenço FlorentinoComentário de José Lourenço Florentino 25 minutos atrás
Sem palavras!... para comentar este poema encantador!!!
Jorge Cortás Sader FilhoComentário de Jorge Cortás Sader Filho 2 horas atrás
Harmonia e maturidade, descritas em linguagem simples, mas de conteúdo vigoroso. The sabe o que faz. Beijos. Fico solidário na homenagem a Ana Bárbara, sem intrometer-me na verdade do poema, mais um acerto de Theresa.
Ana Barbara de Santo AntonioComentário de Ana Barbara de Santo Antonio 2 horas atrás
Excluir comentário... profusão de palavras em dança poética... ciranda silhueta bailarina de sentidos que encanta esgota respiração e se faz musa pela mão de um sonho em poesia...sensibilidade na sensualidade do grão aqui semeado... fico extasiada por esta paixão de pensamentos à qual me curvo com agrado remetido e partilho sentimentos com um só sentido... venero seus ditos como minha deusa de palavras...
Harmonia e maturidade, descritas em linguagem simples, mas de conteúdo vigoroso. The sabe o que faz. Beijos. Fico solidário na homenagem a Ana Bárbara, sem intrometer-me na verdade do poema, mais um acerto de Theresa.
... profusão de palavras em dança poética... ciranda silhueta bailarina de sentidos que encanta esgota respiração e se faz musa pela mão de um sonho em poesia...sensibilidade na sensualidade do grão aqui semeado... fico extasiada por esta paixão de pensamentos à qual me curvo com agrado remetido e partilho sentimentos com um só sentido... venero seus ditos como minha deusa de palavras...
Às 14:36 em 6 janeiro 2010, EstherRogessi disse...
Ana, boa tarde! Poeta é poeta, até ao comentar! Fico na observância... A forma com que cada pessoa comenta, diz bem mais do que um livro inteiro... Revela: inteligência, sensibilidade ou a falta dela, criatividade, competência e algo mais... Obrigada por tua sensibilidade e competência, és um filtro poético! Por que obrigada? Porque és um presente para os amantes da poesia... Beijos! Responder Exibir a cadeia
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sábado, 21 de novembro de 2009

PALAVREÓLOGA

Mito-mythos é uma palavra grega em que os mitos e a mitologia falam grego, ou melhor, nos falam em grego. No subconsciente europeu o mito faz tremer os grandes narradores fundadores, aqueles que atravessaram gerações nas nossas sociedades arcaicas. Ainda que se pense que os mitos são um assunto dos outros, nós somos os oblíquos interpretes desse transmitir radiográfico, um aspecto da nossa mais soberana tradição, o mito greco-romano, o mito judeu cristão, os mitos são as histórias que se contam os homens para melhor se conhecerem. E se os mitos fundadores no ocidente nos vêm sobretudo da Grécia antiga, nós os trabalhamos ainda melhor para elaborar outros, sugerindo o mito, pátria de ontem, segmento de uma identidade nacional de hoje. O que é o mito? Claude Lévi-Strauss coloca a questão no pensar do índio americano e diz nos que é uma história do tempo em que os homens e os animais não estavam ainda distinguidos nas suas verdadeiras identidades. Talvez porque a palavra visionária de outros valores, se perdesse na mestiçagem de complementos e neologismos entre antagónicas forças de uma ingenuidade tida nos primários conhecimentos do crescimento da razão. Se a questão fosse apresentada a Eurípedes, o poeta trágico grego das Mulheres de Tróia e da Medeia, ele mostraria numa cena familiar, sentadas junto da fiandeira, escutando as histórias que toda a gente conhece, as belas histórias ouvidas junto aos mais velhos como testemunho de gerações de inventores orais de existências, as crianças de olhar pasmado ouvindo contar de animais que falam como os homens. Para Eurípedes os mitos, elementos orais da tragédia, eram apenas colecções de histórias cuja função era perpetuar crenças sobre concepções primitivas, relatando a histeria dos negados e/ou vencidos, compondo memorávelmente, cenas duma psicologia fortemente louvável, como ao falar das mulheres da cidade de Tróia que não eram consideradas como membros da sociedade. Dos Sumérios aos Babilónios, uma tradição de interpretações que se queria fosse ciência oral ou saber reflectido nos tempos vindouros. A ilusão do sonho pela mão dos antropólogos até à antropologia cognitiva contemporânea como o terreno de eleição para compreender o que são as representações culturais. Viajantes missionários, etnólogos, historiadores, todos vão dar asas à imaginação para contar em teorias as suas interpretações e suas similitudes surpreendentes entre histórias contadas aos quatro cantos do mundo, e aquelas que carregavam a marca da mitologia exemplar dos gregos, assumindo esse papel de ilusionistas do sonho prontos a acordar a adormecida crença nos espíritos, os mitos como o pensamento, revelados efeito duma análise confusa da realidade. Os deuses da mitologia não podiam ser que personificação das forças da natureza, altas figuras imaginadas nascidas duma linguagem primária sobressaída do subconsciente, e a imergência cúmplice desse estado de espírito primitivo e irracional à espera da passagem do mito à razão. A cumplicidade da religião e da magia nos braços do mito para num esforço medir forças entre o impacto dos símbolos, os ritos tributados, os costumes, os artefactos, e o selvagem e o domesticado, até ao nascimento do verbo. Nesta tribo de palavras, do mito à palavra, a palavra expressa, a fábula, a razão de vários autores, Jung, Lévi- Strauss, Tylor, Chase, Fiske, Cassirer, Frazer, Campbell, entre outros, e o Mito do Eterno Retorno de Mircea Eliade, a imaginação nas suas andanças secretas entre a alma e o espírito, os mitos podem ser: Teológicos - quando constituem narrativas sobre os deuses; Cosmogónicos - quando respeitam à Criação do Mundo (no princípio era o Verbo, como se lê no Evangelho segundo S. João, em consonância com a descrição contida no livro do Génesis - se nos ativermos apenas à teologia/mitologia cristã); Culturais - quando se centram sobre as actividades dos heróis que, tal como Prometeu, quiseram melhorar as condições de vida dos homens; Escatológicos - quando oferecem visões do fim do mundo e do Além; Soteriológicos - quando dizem respeito aos rituais de iniciação e/ou magia, de que o mito de Orfeu constitui, sem dúvida, um bom exemplo. O mito, incrustado como está na linguagem humana, é apenas actualizável através do discurso, ou seja, para que se conheça, o mito tem de ser narrado, ou contado. Assim, se na linguística saussurena encontramos uma distinção entre langue e parole, na linguagem mitológica, por sua vez, langue e parole intersectam se : - O significado do mito apenas é acessível quando o mito é analisado na sua globalidade, ou seja, os vários elementos que constituem o mito, se dissociados, obstaculizam a produção de sentido; - A linguagem do mito é simbólica, alegórica e metafórica. Mas haverá maior mito do que a própria palavra, o verbo, verdadeira caixa de Pandora, qual Fénix renascida das cinzas, a linguagem em todo seu esplendor resgatado, fulgor esmaecido pelas teorias de que à passagem do tempo serão imunes os mitos património da humanidade, deixamos escrito por palavras sinais, materializados ou não, tudo o que se compõe de proezas humanas e animais com a força da verdade e a manifestação do real. O ser humano capaz de se desdobrar em múltiplas faces, apoiado na razão, difere do mito, pois nele isso já não acontece, mesmo havendo em tudo o que o homem faz, pensa, quer, sente e crê, a sua cultura de ritos. Quando os ritos esquecem os mitos, começa a necessidade de criar o simbólico, onde a escrita abole o rito e deixa o mito entregue ao rito da escrita, gerando assim uma "perda" entre o rito do mito e o rito da escrita, que se reflectiria na própria relação/ referência linguagem/ língua/ narração, contribuindo para que o mito seja a língua do sagrado. A linguagem é o sagrado se manifestando em língua. Por isso, o mito é a linguagem de toda língua. Na poesia, o que se revela memória do mito é o apelo do lógos para dizê-lo. Por isso, mais no silêncio e no vazio do que nas palavras, sons, gestos e cores, está presente o mito enquanto memória do silêncio da poesia. O rito é o lógos se fazendo palavras, música, dança e pintura do mito. Uma reflexão da ligação do mito com a literatura a arte está exposta na interpretação de Schuback: "Ao narrar que Ulisses [Kafka] com cera nos ouvidos jamais poderia ouvir que as sereias não teriam cantado e, assim, descobrir que o mito seria ilusão. Kafka mostra que a literatura é itinerário para a verdade do mito. Literatura é a saga de Ulisses de volta para o mito" (1). Não só Ulisses tapa os ouvidos com cera, mas as sereias não cantam: "Mais do que silêncio, elas deixam em cena o seu não-canto e assim a ausência de encantamento que constituem 'armas ainda mais terríveis do que o canto'" (2). O canto quotidiano nos enche de contentamento, mas nos pode obstruir o caminho para o não-encantamento, para o silêncio. E esta pode ser a verdade do mito, o supremo encantamento, a morte, porque depois que o silêncio fala, qualquer palavra é excessiva, cada um achou a sua plenitude. Ulisses ao ouvir o que não pode ser ouvido só se salva porque se amarra ao limite que toda fala implica. O máximo de limite da fala frente ao ilimitado de todo silêncio está na palavra cantada, onde o encantamento advém como real e como possível, como desvelado e velado, como ordinário e extraordinário, onde a ambiguidade se faz o uno de toda diversidade. A palavra cantada sendo sucessão de sons se faz sentido enquanto uno de toda realidade. Por isso, o ritmo é o real se dando, se manifestando em formas no devir contínuo da não-forma. Eis porque na pausa não há ritmo, só na fala cantada do silêncio. (Manuel Antonio de Castro – O Acontecer Poético – a historia literária) Foi por meio da poesia homérica que o pensamento mítico manifestou-se na literatura, dando ao mito a dimensão grandiosa de uma verdade posta pela palavra. O mito é a história narrada. Ele conta uma história sagrada. Para Mircea Eliade, o mito é tido como uma narrativa verdadeira e uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares, uma vez que o mito relata um acontecimento que tem lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso das “origens”. ... ana barbara santo antonio

sábado, 7 de novembro de 2009

CORPÓREA PRIMAVERA

Pérfida primavera que aos meus olhos de lágrimas cheira
Nas minhas mãos humedecidas grita de rebentos sulcados
Na boca sabe-me a terra de húmus sangrenta verdadeira
Fustiga de cor negros risos meus lábios ardentes pecados
Impetuoso teu ventre de raça tez enclausurada meu olhar
Sossega teus seios renascer de flores folhas frutos d’ouro
De ramos estendidos cobres teu corpo ateia desabrochar
Pronta missiva o estio de cores secas cobiçado o tesouro
Estéril tua primavera que nos meus braços adormeces nua
Figura donzela de olhar azul eterna musa de cabelo louro
De sentidos corpóreos fios de luz espalham como raios lua
Ah! Fosse teu ser mulher de cores sabores cheiros olhares
Prenhe de vida renascimento em chão coroado vindouro
e… por grandeza seres primavera em mim até te cansares
...
musa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CHORO PRESO

... que sabes quem sou
a humidade seca
das lágrimas
que não te choram
entre a insanidade
e a demência
elas afloram
negra existência
dura saudade
em manchas de negra cor
verdade do que me dou
luz mórbida do cometa dor
perdido buraco negro
porque dentro dele sou
onde teus olhos demoram
ânsia sonho e medo
como luzeiro aceso
dos olhos que te choram
astro em choro desprendido
de mil raios de luz fulgente
como se olhar te tivesse mentido
por entre filamentos que exploram
longínqua triste estrela cadente
e os teus olhos tivessem sentido
dores lamentos duma luz demente
enquanto de rubor tuas faces coram
num olhar choro incontido
que por dentro já nada sente
desse brilho lágrimas perdido
... do que sabes do que sou
tenho no olhar choro preso
lágrimas que a humidade secou
num fogo lento nunca aceso
...
musa