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terça-feira, 21 de março de 2017

AMOR SEM POESIA OU OUTRA PRIMAVERA

AMOR SEM POESIA OU OUTRA PRIMAVERA

Do cansaço o cálice secura meigo rubor
Que poema lhe resta no fundo amargura
Talvez a maior loucura da vida o amor
Quando acontece de lágrimas a tortura

Que entristece melancólica poesia sentir
Dos abraços negados em silêncio solidão
Carregam mágoas consentidas de existir
Infinita a dor que teima ser a inspiração

Amor sem poesia ou outra primavera verso
Das palavras que ficam um dia por dizer
Cânticos de intimidade profunda ao universo

Ou a primaveril ilusão de toda a eternidade
Que poéticos sentidos possam escrever
E eterna fique para sempre a saudade
musa

quarta-feira, 15 de março de 2017

AMBOS

AMBOS

Anoitecemos ambos
Ungidos de sombras cruas
Formas de luz
A alvura do pano seda
A vestir as mãos nuas
Luminosidade que seduz
Fogo labareda
A incendiar
A noite

A cama o fim da noite
Súplica estendida
Dobras a cintilar
Esmaecida
A brilhar
Cetim

Noite algodão
Engelhada ternura
Carmesim loucura
Carnal em mim
Noctívaga ensombração
No leito candura
Escuridão
Sem fim
musa 

DO TEU SILÊNCIO AINDA

DO TEU SILÊNCIO AINDA

Espesso
Se fosse pó poeirento
A forma em gesso
Maleável
Do vento
Como se fosse poeira
A curvatura invisível
Avesso
Do desalento
Insensível
Sentir

A miserável canseira
Dos ímpios sentidos
Em silenciado existir
Sem que se queira
Desistir dos dias enternecidos
De silente sofrer
O dolente querer
Dos instantes perdidos
A abrir fendas no pensamento
Para verter
Silêncio apenas

Do teu silêncio ainda
Insistente sofrimento
Que causa tanta dor
O irremediável descontentamento
Grito profundo
Alma sem cor
Dos olhos tristeza sem fundo
O imperdível mundo
Do desamor
musa 

BOM DIA TRISTEZA

BOM DIA TRISTEZA

Infinita na sua bondade como o firmamento
Desconhecida ténue para além da escuridão
Deslumbra na saudade todo descontentamento
Mais do que a cintilante tortura da desilusão

Engrossa as veias em doce afrontamento
E o coração a palpitar invisível desgosto
Todo o corpo impotente nesse sentimento
Toma-lhe as rédeas e saboreia-lhe o gosto

Acontece ao despertar sangra o entristecer
Um gemido interior quase grito uterino
Como um sol a rasgar o céu ao amanhecer

Deslumbrado na infinitude das graças matutinas
Bom dia tristeza a marcar eterno o destino
Uma luz singela a raiar pálidas cortinas
musa

segunda-feira, 13 de março de 2017

SILÊNCIO SOLIDÃO SOFREGUIDÃO

SILÊNCIO SOLIDÃO SOFREGUIDÃO

No prego a paz interior
No olhar vidros partidos
No corpo a maior dor
Os braços descaídos
Fendas abertas nas paredes bafientas
Tantos sonhos perdidos
Tantos desgostos vencidos
Tantos instantes esquecidos
E as saudades que inventas
De abraços estendidos
Mas sempre estás só
Sozinho ou sozinha
Dos umbrais dos sentidos
A solidão caminha
No meio do nada
Sombrio o pó
Marca como a lama
Sangra o sentir
Dorida a ferros marcada
Um grito silêncio a ferir
E a ingratidão derrama
Na sofreguidão existir
...
musa

domingo, 12 de março de 2017

VENTANIA EM SILÊNCIO DOMINGUEIRO

VENTANIA EM SILÊNCIO DOMINGUEIRO

Sossego e sintonia
Só o silêncio por companhia
Nas sombras do dia domingueiro
Um ruído ventoso primaveril
Na plácida melancolia
De Março a deixar Abril
Entrar ruidoso e quente
A ameaçar chover
A escura latitude
Quase a pente
Ao vale a descer
A mansa inquietude
Do vendaval
A estremecer
Rios de ventos
Silenciosos

É só um domingo de outros tempos
Das cinzas que é preciso espalhar
Pelos olhos tristes e chorosos
Silentes pensamentos
Da alma a soluçar

No silêncio sentido nostalgia
Uiva a Primavera no meu peito
Um grito que apetece calar
Um risco incompleto imperfeito
Um verso húmido poesia
Em silenciado altar
musa 

sábado, 11 de março de 2017

AO PALADAR

AO PALADAR

Meu amor pela cozinha inventada
Quando às vezes trago o mundo
Para dentro das panelas
E de uma inspiração inesperada
Abro de dentro de mim janelas
Um sentir inebriante e profundo
Uma alma calada
Porque ao cozinhar o silêncio reinventado
De cheiros e sabores
Às vezes de lágrimas temperado
De cores e de odores
Fluídos e sentidos
Matizes de paisagens
Felizes viagens
Na minha cozinha
Trago à memória lembranças
Doces saudades
Uma intimidade tão minha
Rituais feitiços e danças
Ternas cumplicidades
Picantes ou o gozo sal
Cânticos e preces do olhar
Espiritual ou carnal
O tímido paladar
De quem sabe viver
E nunca quer esquecer
Que pela boca se sabe amar
O melhor tempero da vida
Odor que tempera o coração
Uma fome jamais esquecida
Com gosto a imaginação
musa 

quarta-feira, 8 de março de 2017

MULHER

MULHER


Força da natureza
Galho em flor
Intimidade e pureza
Cálido odor
Braços cansados


Nos teus olhos nevados
Rebentam lágrimas como fontes
Nos teus seios floridos montes
Escondidos valados
Ribeiros nascentes
Lagoas afluentes
Dos lábios rosados
Risos poentes
Horizontes
Por florir


No teu corpo entardecer
A força madura
A vida loucura
Carnal sentir
De prazer


E as mãos esculpidas
De veias e sonhos
Como raízes despidas
Nuas florescendo ao vento
Asas sentidas
Do tempo


Um riso ensandecido mansinho
A despontar do ventre
Proeminente
O destino
A contar as luas
As mãos nuas
De luz e seda
Arminho violeta
Chama labareda
A dançar
Secreta
Do olhar
musa

terça-feira, 7 de março de 2017

PALAVRAS E MELANCOLIA

PALAVRAS E MELANCOLIA

Mesmo que as palavras abram fissuras
E escorram delas outros significados
Que hajam brechas rachadelas rupturas
Buracos negros de outros passados
Rombos a verter sinónimos adjectivos
Substantivos verbos em infinitos tempos
Frases conscientes e maduras
A fazer brotar outros pensamentos
Imaginação e loucuras
E outras coisas por inventar
Como medidas de sentidos
E outras fragilidades
Sentires por decifrar
Olhares fendidos
Meras habilidades
Ilusões
Mesmo que as palavras sejam chavões
Só o silêncio pode compor
Silabas em melodia
A mais bela pauta de amor
O grito ensurdecedor
Do eco a transpor
Silenciada melancolia
...
musa

segunda-feira, 6 de março de 2017

POEMA PARA A ISABEL

POEMA PARA A ISABEL

Sentada à mesa diante da Grécia, o pão fresco e a caça
abrindo odores silvestres. Eram as tuas mãos a enxada
de labores e temperos, e os pratos cheios de poesia.
Querias ensinar-nos o canto dos paladares aprendidos
em livros antigos.

Havia nas chávenas debruadas a oiros antepassados, um colírio
de lágrimas tingidas de sonhos, marfinizadas por histórias ardendo
na alma em chamas, por um fogo a oscilar de lembranças,
e os olhos a teimar morrer as saudades.

A mesa o chão e as tuas mãos, e o húmido dia acinzentado,
parecia que os sentidos se deitavam com um entardecer
choroso para além da helénica civilização, e o gozo da boca,
a falante Castália inebriante, nascia das memórias e sabores
temperados de nostalgia. Sagrada a água que nascia,
saciando o sentir dos lábios em melancólica doçura.

E a dança dos líquidos fumegantes, o café, o chá, nas chávenas
de um oiro luminoso, traziam de palavras semeadas frutos
maduros colhidos no teu olhar, onde ainda se vê a mãe,
dos seus olhos a sorrir, pranto e prece,

a porcelana fina das chávenas com fio dourado
é uma oração de poético silêncio.
musa

@ agradecendo um almoço de domingo, em casa da amiga Isabel. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

PARA TI MEU AMOR QUE NÃO TE TENHO

PARA TI MEU AMOR QUE NÃO TE TENHO


Virá a Primavera
Meu amor
Com sua cauda de dias
Ensolarados
E as flores como livros
Guardados
A doce quimera
Da sabedoria
E as lembranças sombrias
Da estação da nostalgia
Meu amor que a Primavera venha
Ainda que de mãos vazias
Conhecer a dor mais profunda e secreta
E de inspiração florida se detenha
Que renasce em flor na poesia
E de versos íntimos desperta
Pétala de luz tão fria
Esmaece de palavras por sentir
Tão triste a ausência do teu ser
Que Primavera alguma ouse florir
Dor a essência flor de existir
Meu amor sem te ter
Negado o prazer jardim
Lágrimas da intimidade
Esta fraqueza em mim
Primavera da saudade
musa 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

PEDIDO

PEDIDO

Quando morrer
Vistam-me de negro e vermelho
De modo a que possa parecer
Uma camélia de sangue
Uma rosa de paixão
Um cravo de liberdade
E leve no corpo a intimidade
Da sensual sedução
A tingir de rubro a morte
Em escarlate desafio
E doida libertação
Como se a vida por um fio
Com a saudade que há-de ser
No limiar do vazio
No vermelho possa ter
A cor da loucura em cio
E a descida aos infernos
Da vida encarnada
Traga os sonhos eternos
Da negra sombra danada
Que eu possa vestir
E de negro e vermelho sentir
...
musa

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MEU RISO FOGO

MEU RISO FOGO

Às vezes o teu riso
Incendeia-se
Silêncio
E fica o olhar preso
Fogo aceso
A cintilar
Luminoso sorriso
Nos lábios desejo
Na íris frívolo juízo
Como se ai a boca fosse o beijo
Tantos por calar
Por arder
Por incendiar
Rubro prazer
Ao humidificar
Gozo da fogueira
Em risada faceira
Fogaréu
Assim dessa maneira
Ganhar o céu
Num vale ardente
Húmido e quente
Em tentação
Excitação
...
musa

MEDITAÇÃO

MEDITAÇÃO

Partes-me o coração
Todos os dias
Deixas-me de coração fendido
Um rasgo profundo sentido
Que os dias de coração partido
São horas de meditação
Demoras de transformação
A metamorfose da alma
No casulo coração
A osmose que o salva
Das fendas da solidão
Um golpe que tortura
Uma ferida madura
Um corte de loucura
Asas de sofreguidão
Meditar para esvoaçar
Rombo desvario
Bem lá no fundo do olhar
Haverá sempre o vazio
...
musa


https://youtu.be/VwRPLtHsvLA 

PONTAS SOLTAS

PONTAS SOLTAS

O tempo apaga-te
E tu deixas
Casulas de palavras por abrir
Amontoam-se confusas
As ideias perdem-se da razão
Dos becos sem saída do sentir
As saudades esquecidas
Arrefecem o coração
Já não se sabe mais onde procurar
E somente apetece desistir
Perdem-se as lembranças no velcro do pó
Inertes fragrâncias de luz agarradas
Soltas suspensas
Num laço e num nó
Ponto a ponto agrafadas
De matérias apensas
Mera pacificação
Partes do teu ser
Em imaterial infinito
De peças por coser
Nos puídos sonhos da ilusão
Um murmúrio contrito
A desmembrar a solidão
...
musa