Cartão de Visita do Facebook

sábado, 25 de fevereiro de 2017

PARA TI MEU AMOR QUE NÃO TE TENHO

PARA TI MEU AMOR QUE NÃO TE TENHO


Virá a Primavera
Meu amor
Com sua cauda de dias
Ensolarados
E as flores como livros
Guardados
A doce quimera
Da sabedoria
E as lembranças sombrias
Da estação da nostalgia
Meu amor que a Primavera venha
Ainda que de mãos vazias
Conhecer a dor mais profunda e secreta
E de inspiração florida se detenha
Que renasce em flor na poesia
E de versos íntimos desperta
Pétala de luz tão fria
Esmaece de palavras por sentir
Tão triste a ausência do teu ser
Que Primavera alguma ouse florir
Dor a essência flor de existir
Meu amor sem te ter
Negado o prazer jardim
Lágrimas da intimidade
Esta fraqueza em mim
Primavera da saudade
musa 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

PEDIDO

PEDIDO

Quando morrer
Vistam-me de negro e vermelho
De modo a que possa parecer
Uma camélia de sangue
Uma rosa de paixão
Um cravo de liberdade
E leve no corpo a intimidade
Da sensual sedução
A tingir de rubro a morte
Em escarlate desafio
E doida libertação
Como se a vida por um fio
Com a saudade que há-de ser
No limiar do vazio
No vermelho possa ter
A cor da loucura em cio
E a descida aos infernos
Da vida encarnada
Traga os sonhos eternos
Da negra sombra danada
Que eu possa vestir
E de negro e vermelho sentir
...
musa

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MEU RISO FOGO

MEU RISO FOGO

Às vezes o teu riso
Incendeia-se
Silêncio
E fica o olhar preso
Fogo aceso
A cintilar
Luminoso sorriso
Nos lábios desejo
Na íris frívolo juízo
Como se ai a boca fosse o beijo
Tantos por calar
Por arder
Por incendiar
Rubro prazer
Ao humidificar
Gozo da fogueira
Em risada faceira
Fogaréu
Assim dessa maneira
Ganhar o céu
Num vale ardente
Húmido e quente
Em tentação
Excitação
...
musa

MEDITAÇÃO

MEDITAÇÃO

Partes-me o coração
Todos os dias
Deixas-me de coração fendido
Um rasgo profundo sentido
Que os dias de coração partido
São horas de meditação
Demoras de transformação
A metamorfose da alma
No casulo coração
A osmose que o salva
Das fendas da solidão
Um golpe que tortura
Uma ferida madura
Um corte de loucura
Asas de sofreguidão
Meditar para esvoaçar
Rombo desvario
Bem lá no fundo do olhar
Haverá sempre o vazio
...
musa


https://youtu.be/VwRPLtHsvLA 

PONTAS SOLTAS

PONTAS SOLTAS

O tempo apaga-te
E tu deixas
Casulas de palavras por abrir
Amontoam-se confusas
As ideias perdem-se da razão
Dos becos sem saída do sentir
As saudades esquecidas
Arrefecem o coração
Já não se sabe mais onde procurar
E somente apetece desistir
Perdem-se as lembranças no velcro do pó
Inertes fragrâncias de luz agarradas
Soltas suspensas
Num laço e num nó
Ponto a ponto agrafadas
De matérias apensas
Mera pacificação
Partes do teu ser
Em imaterial infinito
De peças por coser
Nos puídos sonhos da ilusão
Um murmúrio contrito
A desmembrar a solidão
...
musa

FALA

FALA

Das pedras que te atravessam
Caminhos que se fizeram
À estrada
Da rocha nua escavada
Dos ninhos nas árvores despidas
Das viagens interrompidas
E a serra nevada
A emudecer-te a fala
Um rombo no teu espanto
E as folhas caídas
Os regatos a desabrochar
Os fios de água a pingar
No monte adormecido
Em sono encanto
Um recanto perdido
Ainda por encontrar
E a memória o tear
Das caminhadas por tecer
Ao horizonte o altar
No olhar o anoitecer
Derramando estrelas
E o silêncio da fala
Como quem adentro cala
Mil razões por dizer
Por que hão-de cair
Do céu ao luar
As lágrimas mais belas
Que na noite a cintilar
Falam do sentir
Em profundo existir
musa 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

POEMA ÀS MULHERES TRISTES

POEMA ÀS MULHERES TRISTES

Vejo-as sombrias
Olhar embaciado e cru
As mãos trémulas e frias
O corpo negro e nu
De cores fugidias
Gastas pelo sal das lágrimas
E pela vicissitude das mágoas
Consentidas de ilusão
Sobem e descem calçadas
Arrastando a solidão
Carregam o medo no peito
Pesam-lhe pequenos nadas
Apáticas e atarefadas
São maresia e litoral
Trazem o sonho desfeito
E a desgraça por vendaval
Em raiva e trovão

As mulheres tristes
Morrem cancerosas
Murcham dentro de si silêncio e pranto
Árido chão carnal
Semeiam a esperança das rosas
Em humedecido desencanto
Róseos laços
Desabrochando abraços
Quando a tristeza em temporal
Acinzenta o olhar
Na caída folha outonal
E tristes as mulheres da vida
Sonham em adiar a partida
Quando o luto
Se faz cal
musa 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

ABANDONO

ABANDONO

Deixas-me ficar sussurrando no meu sentir angustiada
Murmurando silêncio triste da ausência que permites
Humedecendo olhar das lágrimas cruas que omites
Pois ao não ver-te que sei do quanto sou amada

E assim esquecida dos teus olhos tão abandonada
Perdida em meus pensamentos ouso entristecer
Ao lembrar o quanto me queres de íntimo prazer
Quando por ti sou esculpida e na boca beijada

Derretendo mármore frio no calor das mãos chamas
Da fogueira que os teus lábios incendeiam de loucura
Ao abandono do sentido com que tanto me amas

Para arderem entre as carícias ousadas dos teus dedos
A cumplicidade abandonada da sensível e intensa ternura
Que os dois escondemos em tarde de mil sonhos e segredos
musa 

AMOR

AMOR

Como se o mundo parasse nos teus braços
O tempo que passa tão depressa até te encontrar
E do abraço estreito ao desejo feito brilho no teu olhar
Deixamos as roupas cair as bocas se beijar de abraços

E no corpo o sentir no lençol que se enreda no sofá
Debaixo da pele em odores fluídos sentidos beijos
Carícias mãos afagos olhares prazeres desejos
Sossegamos a vontade entregue à luz da manhã

Meu amor nossos corpos vencidos em rara nudez
Descansam o fogo o grito o silêncio intimidade
Para outra tarde rendidos ao amor outra vez

Os teus olhos afundarem nas costas nuas seda
Onde as tuas mãos deslizam dócil saudade
Para de novo acenderem na pele amor labareda
musa

A SESTA

A SESTA

Para ti meu amor
Quando depois do amor adormecemos
No leito do amor em que nos demos
E ficamos um instante abraçados
E todo corpo desfalece
Sem de facto sabermos
Que assim cansados
O amor acontece

Fazendo do meu peito teu leito
Ou do teu peito meu leito
Os dois enternecidos
Embalamos sentidos
O sono eleito
Dos vencidos

São só uns minutos a vibrar
A pele do sentir ainda a ofegar
Nos teus olhos ainda humedecidos
O amor a cintilar
Tanto prazer

E sabes meu amor meu bem querer
Que assim adormecendo no teu abraço
Envolve a alma em profunda intimidade
E nessa sesta de sensivel cansaço
Embalamos serenidade
Sossegamos saudade

Vamos para além do espiritual
Em união e sintonia
A nossa cumplicidade
Tão intensa e tão carnal
É prece pulsão poesia
O sono reparador
Oração de amor
Felicidade
musa 

PEDAÇOS DE INTERIOR

PEDAÇOS DE INTERIOR

A casa cheira a bolo de laranja e especiarias
E a persiana numa vénia a Oriente
Protege a vidraça da chuva e das pedrarias
Trazidas pelo gélido vento
Na intima corrente
Do invernoso tempo
Recolhido morno inverno na intimidade
Do fogo aceso dos aromas que atravessam muros
E lavam memórias sombrias na humedecida saudade
De silêncios estremecidos e duros
E enternecidos cheiros a temperar a alma
Há muito que foram leiloados os sentidos
Em pedaços de interior
E já só restam alguns livros esquecidos
O pó acumulado e teias de dor
E abandono da casa sem sentir
Resta o amor
Se ainda existir
...
musa

domingo, 29 de janeiro de 2017

A PELE DA VIDA

 A PELE DA VIDA 

Trago vinhas
Versos liquidos
A escorrer
Do olhar
Vinhedos nas faces coradas
Segredos por contar
Trago palavras minhas
Ainda por escrever
E sonhos sentidos
Em linhas paralelas
Trago paisagens de janelas
Encostas despidas
Viagens e lembranças
Imagens perdidas
De longínquas andanças
Vinhos por beber
E no copo vazio
Marcas de lábios doridos
Trago na boca gemidos
Nos olhos um longo rio
E seiva de saudades
Raízes de um tempo perdido
De arrancadas intimidades
Sulcos na pele ressequida
Chão duro a estremecer
De um pranto a derreter
Tristes outonalidades
Em lonjura de inverno
Trago vestida
A pele o manto eterno
Loucura da vida
...

musa

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

GRÃO DE MALICIA

GRÃO DE MALÍCIA

Na tarde de todos os encontros
Quando desespero se faz espera
E se fantasiam todos os confrontos
E se faz do frio primavera
Os corpos aquecidos de loucura e cio
Entre doces gemidos e um beijo fugidio
E a boca em rendição
À ternura do tormento
No rastro da excitação
No fruir do sentimento
Malícia em aventuras doidas carnais
As tuas mãos nas minhas cravadas
Em movimentos sensuais
Fortemente agarradas
Como areia a escorrer
Em intima vontade
Fazendo estremecer
No gozo da saudade
No palco da paixão
Exultas um grão de malícia ardente
Na pele húmida e quente
Nas linhas da tua mão
Uma sina de endoidecer
Há linhas longas de prazer
E a vida a acontecer
...

musa
https://musarenascentista.blogspot.pt

SE FRIA A MADRUGADA ABRIR EM FLOR

SE FRIA A MADRUGADA ABRIR EM FLOR

Bem cedo desabrocham as luas da manhã
Que luz incendiada de orvalho belo florido
Amanhece em pérolas de sangue vertido
Sobre o gelo fogo da terra crua e malsã

A formar ribeiros dos regatos ainda em flor
Borbulha a água como beijos de inocência
Por entre a relva fria em terna florescência
Suspira a natureza dócil húmido esplendor

Se fria a madrugada luminosa ténue em botão
Rendida aos beijos da alvorada soalheira
Ainda que gelada pela invernia da estação

Das neves adormecidas em gelo descanso
Desperta em luxúria campesina a vida inteira
Para florescer num olhar azul doce e manso

musa

MANHÃ DE SINCENO

MANHÃ DE SINCENO

As manhãs como auroras gélidas de alvo sinceno
Que ao longe os montes vestem de noiva invernia
Brancas flores silvestres dançando ao vento ameno
Na paisagem coberta de neve densa a neblina fria

Esmaece a sombra do dia clareando em sol ausente
No gelo pingando como franjas de um xaile branco
No chão húmido bafo respira em flor a névoa quente
Acordando a vida em misterioso e velado manto

Puro de algodão molhado que se esfuma ao passar das horas
Da madrugada tímida ao mais belo instante do anoitecer
Derramando a escuridão em todos os recantos e demoras

Trazendo mais sinceno e neve a engrossar o frio da montanha
Que parece chorar de orvalho gelado e os campos entristecer
De uma alvura inóspita e grandiosidade meigamente estranha

musa