Cartão de Visita do Facebook

sábado, 24 de junho de 2017

ANJO DE PORTUGAL

ANJO DE PORTUGAL

Sombria a lágrima dor
A luz pétala da flor
Negra chama ardia
Do cálice fogo da tua mão

Será poesia
E as asas labaredas
De um azul ensandecido
Desciam a escuridão
Do lume enfurecido
Chamas pelas veredas
Do caminho desconhecido
A comungar sem perdão

E de lágrimas no rosto
Pergunto ainda
Onde estavas tu Anjo de Portugal?
E se foi fogo posto
Esta raiva que não finda
Quem comungou desse mal
E deixou tela tão negra
A mais triste e fria seda
Esta loucura e desespero
Do luto que veste um país
Da justiça que eu espero
Tenha esse infeliz
musa

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O NADA DA VIDA

O NADA DA VIDA

Não sei se há poesia
Na seiva carbonizada
Na terra queimada
Na casa vazia
A dor do nada
Os nadas que sobram
Das cinzas que restam
Dos sinos que dobram
Dos homens que florestam
Verbos por inventar
Silêncios que manifestam
Lágrimas no olhar
E nada por dizer
Nada por gritar
E nada a fazer
Da alma em carvão
E a seiva ardida
O corpo é a solidão
Do nada da vida

musa

A TI FÉNIX AINDA

A TI FÉNIX AINDA

in memoriam de toda a fauna e flora ardida

Que lágrimas há de carvão
Nas labaredas que podem ser poesia
Ou o silêncio a incendiar de agonia
Esta mensagem treva luto escuridão
E pode sobreviver a esperança da vida
Uma palavra ainda em cinza voando
Verbos interrompidos de uma frase sentida
A tingir de negro e vastidão
Pode a exuberância do fogo crepitando
Dar-te as asas do infinito da poesia
O lume em substância o engodo
A lama quente a lava o negro lodo
Do voo mais alto deste dia
Podem as chamas subir aos céus
E as negras sombras rastejarem a copa dos pinheiros
Dançarem como damas pela mão de um deus
E os ventos serem carrascos prisioneiros
Lamentos em ascensão de versos meus
Serem gritos sombras da fauna selvagem
Da caixa de Pandora no segredo da floresta
Versos de vida a arder em miragem
E a testemunhar o que ainda resta
A lebre, a doninha, o veado, o javali
O lince, o coelho, o ouriço, o lobo
A raposa, a borboleta, o mocho logo ali
Penas sopros espirituais melancolias
Águias, falcões, milhafres, tentilhões
Cegonhas, pica-paus, garças, poupas, cotovias
Estorninhos, gaios, pegas, rouxinóis, pardais
Asas em fogo a esvoaçar assombrações
Podem as asas queimadas ser esquecidas
Sublimadas palavras de silêncio e fantasias
Ecos, bramidos, prantos, suspiros, ais
Das matas, do eucaliptal, dos pinhais
Negras cinzas e nada mais
Tristes sombrias
Da treva infinda
Podem ainda ser
Quero mesmo acreditar
Que deste viver
Sois Fénix ainda
A vibrar
Vidas

musa

terça-feira, 30 de maio de 2017

FOGO CRU

FOGO CRU

...

Fissuras as palavras onde o silêncio é liquido
Fendas abertas pela lâmina tempo
A ser fugidio
Ou breve
Uma sede maior
Como quem bebe
Da pele em rio
Aberturas como sombras de uma luminosidade que arde
Fogo liquefeito de sentir ou de lamento
Se a saudade a bater no peito esmaece
Fogo cru
E juras somente mais uma tarde
Onde tudo acontece
A nu
Por dentro

"... de ti."

Ou de ti... tudo o que invade.
...

musa

ENTRE AS MINHAS MÃOS E AS TUAS - PASION VEGA - TE QUIERO TANTO **video** (2003)



ENTRE AS MINHAS MÃOS E AS TUAS

Entre as minhas mãos fica uma tarde
E o teu corpo entre os meus braços
Vales e planaltos por onde invade
De sombras nuas por clareiras e espaços
Um longo beijo a entardecer
A enrugar de amor
Corpos engelhados de prazer
Rugas como ruas e fronteiras por passar
Entre o teu e o meu olhar
Chão ainda por descobrir
Pele ainda por sentir
De uma geografia por cartografar
Ou dos teus lábios a sorrir
Onde aprender a respirar
Terra ainda por achar
A boca de silêncio por beijar
Lugares secretos nos teus dedos
Os meus boreais sentidos
A deslumbrar mil segredos
De espasmos e gemidos
A morrer a tarde de beijos e abraços
Carnais desejos de mil e um cansaços
De um fogo humedecido por arder
Pernas a estremecer
Entre as minhas mãos e as tuas
Um tempo de infinito perdido
Em intimidade de muitas luas
Brisa a sussurrar querer
Olhos húmidos e baços
Verbos de meiga sedução
A tarde em agitação
E a meiga sensação
De que fica sempre tanto por dizer e fazer
E a certeza de que no teu corpo morro a viver
...

musa

IMPROVISO

IMPROVISO

Pisei o palco para o sentir
Passageira clandestina em negro chão
Trazia por dentro o silêncio a segurar
As pontas das palavras por fingir
A voz a dar passos na imaginação
Antes da cortina se fechar
A chorar ou a sorrir
A doce ilusão
No palco da improvável vida
Sonhos ou fingimento
A máscara da solidão
Cântico ou lamento
A deixar cair a asa vencida
Do poder do pensamento
A vingar de paixão
Do sangue o verso
Alegoria do tempo
Consentida
E no escuro da plateia
Sentido sentimental
Sopro sibilo suspiro
Brisa a consentir
Dizer magistral
Profundidade  que respiro
A luz que se incendeia
Negro transcendental
Palmas acesas a improvisar
A melancólica poesia
Canto de sereia
Sussurrando da alma
Infinito declamar
Sensível profundo
A única magia
De encantar
O mundo

musa

PORQUE ESPERAS

PORQUE ESPERAS

Das esperas
Desesperos
Dos cansaços
Momentos tão sinceros
Únicos deveras
Morrer nos teus braços
Com sofreguidão
Silêncio
Sentir
Deixar que o tempo
Se apague em lentidão
Deixar que a pequena morte chegue mansamente
Sem precisar fingir
Morrer abraçada à meiga paixão
Intimamente
Até o desejo eternamente
Cumprir querer
Ao fechar os olhos de prazer
...

musa

Quero ainda
Encontrar-te nos versos
Nos abraços de silêncios entre palavras
E despirmos as vogais pela mão
Deixarmos sentidos pelo chão
E poemas inteiros e dispersos
Os passos de um adeus emudecido
E entre os abraços o gemido
Da boca o sentir e a tentação
Os gestos os acenos e os reflexos
Das lágrimas escondidas do olhar
A rima distante
O verso livre e ausente
A tristeza a deslumbrar delirante
Uma lágrima a esvoaçar
O poema insolente
Que nunca saberei declamar
...
musa

... insinua o poeta...
"é muito bonito o que escreve, vai sair poema?"
A poesia é uma mulher vestida de palavras despidas até à alma
Nada nem ninguém consegue despir nos vestindo nos de sentidos
A pele da sedução
"a Poesia sabe as pessoas de quem se aproxima e quem seduz...
não se consegue despir a poesia
ela vem nua sempre"
Magnanimamente meiga espiritualmente torrencial
Sangue e sentidos
Surpresa carnal
Fogo aceso oração
Silêncio sepulcral
Intimidade verso
Unidade indivisível da criação
Talvez sensibilidade do universo
A respirar imaginação
musa

TRÊS POEMAS E A AUTORIA EM SEDUÇÃO

TRÊS POEMAS E A AUTORIA EM SEDUÇÃO

De Manuel da Veiga "Caligrafia Intima"

Tu rasgas ao meio
Loucura cumplicidade
Despes a nudez
Da intima caligrafia
Desnudas o seio
Do fogo saudade
E ateias de sentir
Fogosa poesia

De Virginia do Carmo
"Poemas Simples para Corações Inteiros"

Em poemas simples num aceno
Derramas a tinta a palpitar
Humedecendo olhar
E as palavras o veneno
Do desejo a latejar
Um coração vadio
A pele a arfar
Ansiando ser rio
De corações inteiros
Íntimos naufrágios
A fogueira do olhar
Dos sentidos prisioneiros
Níveis momentos estágios
Talvez por conquistar
Ou descobrir
Ou consentir
Sobreviver ou naufragar
Em águas de poesia
De seduzida autoria

De Graça Pires
"Fui quase todas as mulheres de Modigliane"

Ser um pouco mais
Angustia ou euforia
Sentimento e existir
Quase todas as mulheres na tua mão
Tão diferentes a cada dia
Nuas e carnais
Ou instantes revisitados
E no tempo mais e mais
Em cruzada de sedução
Olhares de silêncio pescoços em movimento
Oblíquos transversais
Trajectos cruzados
Assíduas leituras
Doçura ou sofrimento
Ambíguos lamentos
Viagens intemporais
Indivisíveis canduras
No leito eternidade
A caricia do pintor
A tela esboçada
De ínfimas loucuras
De formas maduras
De um grito de amor
Pinceladas de saudade
O gozo esplendor
Da intimidade
...

musa

MÃO DE FOGO

MÃO DE FOGO

Macia a mão
Que escreve palavras
Sem saber em que lugar
E canta os meus sentidos
E acende o fogo do olhar
O breve instante dos gemidos
Que faz recordar
De poesia
A ânsia inteira por cumprir
A palavra que sempre se demora
Silêncio a sangrar e a ferir
O tempo a lágrima e a hora
Acutilante
Sem ser poeta
Ou cantante
Traz de outrora
Desejo por viver
Uma estrofe secreta
Um verso de amante
Uma clara aurora
Em gritos de prazer
Um poema delirante
Nos lábios feitiço ou magia
Escreve como quem afunda um beijo
O barco navegante
Em águas de desejo
Um mar de intimidade
Um gozo de sentir
As palavras escritas de saudade
Remos de loucura
A vencer cansaços
A remar a ternura
Do rio querer dos teus abraços
...

musa

DO QUE NUNCA TE DISSE

DO QUE NUNCA TE DISSE

Eu sei que haverá abraços de mulheres mais interessantes do que eu
Mas sempre vens resgatar os meus braços desta solidão bravia
Embalar por instantes os meus cansaços por um dia
Uma hora um minuto uma tarde
Esta chama viva que arde
Toda pele do meu pescoço profundo
Do rosto ao olhar o riso meu
Loucura euforia vontade
Maior do que o mundo
Grito terra mar silencio céu
E da boca a intimidade e o beijo
Estreitar a saudade e sossegar o desejo
Ah e o querer como quem rasga luz de um túnel na escuridão
Caminha junto a uma clavícula funda
Por vales de sentidos
No corpo inteiro se afunda
De sussurros e gemidos
Em fonte humedecida
Onde nasce a excitação
E vibra a vida
Pela mão
...

musa

A UM DESEJO VADIO

A UM DESEJO VADIO

Solta das tuas mãos cerradas
Palavras querendo ser um verso
Liberta comigo angustias encerradas
Como um planeta distante
Algures perdido no universo
Explorador caminheiro amante
Libertador de silêncios esquecidos
Herói de um desejo vadio
Abre da alma asas dos sentidos
Da pele do sentir o intimo vazio
Onde o corpo gradeado
Encerra poemas escondidos
Tem fechados a cadeado
Suspiros gritos gemidos
Na secreta profundidade
De longínquos desassossegos
E entre os teus dedos
Infinitos segredos
Da louca intimidade
...

musa

PROVENÇAL CAMARGA a Saint Marie de La Mer

PROVENÇAL CAMARGA

a Saint Marie de La Mer

Cavalos touros e flamingos róseos
Terra e mar enchendo os meus olhos de reses bravas
A espelhar o céu planícies aluviais
Aonde sentir vai desaguar
Rio de todas as águas
Profundas intensas carnais
Várzeas de sangue e sentidos
Areias cascalhos humedecidos
Peito para onde migrar
Voos submergidos
Orvalhos endoidecidos
De tão intocável olhar
E a Camarga Provençal
Lençol estendido de loucos galopes
Tão alma e tão carnal
Entardeceres esmaecidos e torpes
Terra liquida deslumbrada viagem
Em leveza de prazer
De um Delta à solta na paisagem
Tortuoso fluido impreciso
Intimo e selvagem
Parece dizer
Aqui é o paraíso
...

musa

PLUMA

PLUMA

Aparo bico de tinta asa pena
Leveza súbita do cansaço em mim
Sentir que docemente se entranha e serena
A escrita decifrada dos lábios tacteados
Da carnal vontade em húmido carmim
No polme dos dedos a impressão apagada
As nervuras dos riscos manchados
Em digital sentido sem fim
Assinado pela pluma
O dócil desejo
Mil e uma
Vontade
O beijo
E a saudade
...

musa

terça-feira, 16 de maio de 2017

ABANDONO

ABANDONO

Não quero asas
Nem pés alados
No voo nocturno
Do teu olhar

Ou a pele flutuante
Dos poros planados
Do voo rasante
Da tua mão

Ou o vibrar
Dos teus lábios
Na escuridão
A murmurar grito que silencio
No estremecer dos astrolábios
A fugir da direcção das palavras
Em desvario

Não quero a trepidação
Do teu cansaço
O bater de asas de um abraço
A bramir
Os teus olhos desfeitos de aço
De infinita dureza
Ínfima beleza
Por sentir

Não quero de vidro ou de papel
O avião soprado ao ouvido
A melodia ou o gemido
O gozo adiado
O doce ou o fel
O sentido
Da viagem da tua boca de amor
O paladar ou o odor
O engenho amarrotado
Na raiva das mãos enfurecidas
O nome confiado
Às memórias esquecidas
E endurecidas
Pela dor
Até morrer

Abandonado
O teu beijo
Ganha asas
De silêncio
Por dizer
...
musa