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quinta-feira, 6 de julho de 2017

DA IMPROBABILIDADE DE SER FELIZ

DA IMPROBABILIDADE DE SER FELIZ

Vivo como um prisioneiro
De gaiola aberta
Incapaz de sair
Deste cativeiro
Pássaro sem asas para voar
Vivo tristemente discreta
Uma vida insípida e incerta
Com tantos segredos por contar
Vivo e durmo
Deito-me e acordo sozinha
Numa melancolia que assumo
Inteiramente minha
E sobre o dormir
Ah... Dormir é não sentir
É um pouco ou quase tudo esquecer
E nesta solidão de viver
Que afaga a ferir
Arrasto-me como a lesma
Vivo a lentidão de viver
A ilusão de ser
Da verdade a mentir
Da improbabilidade de ser feliz
Adormeço na infelicidade que condiz
Com o sono da solidão
Durmo
Abraçada a mim
Mesma
No meu pensamento
Durmo abraçada a ti
E o abraço que me enleia
O sangue que pulsa na veia
É o teu coração
Perto de mim
É o teu corpo logo ali
Ao lado do meu
Corpo ausente
Mas tão presente
Tão meu
Algures abraçado a alguém
E eu mesmo sem ninguém
Durmo abraçada
Num abraço apertado
Como o que já tive
Por que o corpo também se divide
E mesmo não tendo nada
Sei como é sentir-me abraçada
Num abraço do tamanho do mundo
Sentido e profundo
musa

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