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sexta-feira, 5 de maio de 2017

AOS POETAS

AOS POETAS

Venho anunciar que morreu
A minha meiga inspiração
Rogo a todos a prece
Dos versos que a lua teceu
Seda que a aconchega no caixão
Onde o poema acontece
A luz que entardeceu
Mortalha de solidão
Trazendo o negro aos sentidos
E do luto de que me visto
Da alvura que se perdeu
Declamo os versos esquecidos
Do azul despido do céu
Soluços e gemidos
Em doce sulpicar

Ao poetas venho ofertar
O que resta da tinta azul do tinteiro
Folha branca imaculada
A humedecer o olhar
Aresta afiada do papel vazio
Pena das palavras que nunca escrevi
Aves soltas em reboada
O fosso profundo e sombrio
A arder-lhe a alma de aço
Dor que tanto senti
O pranto a fazer-se rio
E todo este cansaço
Embalo do que sofri
Na tristeza inspirada
A poesia enviuvada
Terna nostalgia

Deixo aos poetas súplica do tempo
Escondida no silêncio a poesia
A matriz inspiradora
A negra melancolia
Reveladora
Sentimento
musa 

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