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segunda-feira, 10 de abril de 2017

VINHA DE PEDRA

VINHA DE PEDRA

Que granitos são estes
Que entalam as vinhas
Que arames estendais
Que pedras carnais
Que rebentos gavinhas
Que parras e punhais
Esteios cantaria
Ramadas a cobrir
Folhagem a sentir
Estas uvas sem grainhas
Estes néctares colossais
Que engrossam caudal
De versos em poesia
E embebedam olhar
De saudade e espanto
A pedra e a cal
O tempo de vindimar
Tudo e tanto
Em demasia
E fantasia  
Por contar
Que paisagens que socalcos que encostas
Encastoadas de vinhedos
Videiras entrelaçadas sobrepostas
Bagos de fel e doces segredos
Enliço em dossel
Palavras decompostas
Em sal e em mel
Que sumo e engaço
E que versos de cansaço
A pedra solta onde repousa a oração
Os grampos de ferro e aço
A lousa o xisto do chão
E as veias ensandecidas de vida
O sol amanhecido em entardecer
A alma em silêncio acontecida
O mosto por beber
...
musa

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