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segunda-feira, 3 de abril de 2017

ESTE RUMOR INFINITO

ESTE RUMOR INFINITO

Já só converso com as paredes
Descanso sonhos
No arvoredo manso
Algumas lembranças ainda verdes
Das veias calejadas
Este rumor infinito remanso
De uma dor antiga
E as janelas todas fechadas
Tão velha quanto a cal
Quanto a vida
Dos muros despidos
Das velhas molduras
A fímbria luz das vidraças embaciadas
Abraçada da pele do pó
Tão íntima quanto carnal
A névoa saudade descansa
Crua e só
No embalo dos murmúrios
Das dobradiças a ranger
Dos ossos a gemer
A litania dos cansaços
Silentes augúrios
Porque há muito os abraços
Estremeceram tábuas de soalhos
E as telhas de vidro baças
As arcas cheias de memórias
Os castanhos e os carvalhos
As desilusões e as glórias
A luz essa escuridão
Os armários e os segredos
Os ratos e as traças
Deixaram de comer
A valentia e os medos
Da minha solidão
...
musa

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