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terça-feira, 28 de março de 2017

VIOLETAS


VIOLETAS

Tenho-lhes paixão e sinto-me enfeitiçada por elas. Alimento-as a chá, sacudo os saquinhos usados, do chá seco na terra, revolvo, rego-as e repito a cena a cada semana, o chá de todas as qualidades, elas aprovam e provam sabores de anti-oxidantes, calmantes e mineralizantes, fortificando e adubando naturalmente.
São a minha inspiração e das flores mais belas com que graciosamente a natureza borda lugares escondidos, às vezes por debaixo da folhagem caída no chão de uma clareira, ou margens de regatos e ribeiros em beleza espelhada ou pequenos lagos, ao sol e sombra, húmidos recantos como caixinhas de segredos de uma flor fechada.
No palco da vida como marionetas de um silêncio puro na inquietude da brisa, em tons de lilás às vezes azuis, frio desassossego em matizes de melancolia, pontilhando a solidão primaveril como que a adivinhar um renascimento de sentires de outrora que somente a memória despe de filigrana florida desse arroxeado encanto que esmaece a saudade de um odor perdido em vales da pré-história, talvez fragmentos de um passado por desenterrar.
Violetas com que a eternidade teima em fazer florir de sentidos a vida.
...
musa

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