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domingo, 27 de novembro de 2016

RIO DE MIM

RIO DE MIM

Este rio
Que me corre
Em três faces
Preenche em mim
Prenhe vazio
Perde e morre
Mil desenlaces
Quase o fim
Tremulo leito
De aguas sombrias
A ofegar no peito
Perto da foz
Chego de mãos vazias
E rouca a minha voz
As mil fantasias
Já quase não grito
O olhar aflito
A sombra maresia
A alma como as pontes
Na boca a poesia
O corpo todo granito
No olhar ainda as fontes
Nas margens sós
Poentes horizontes
Um degredo solidão
Ruínas de saudade
Esventra o rio a cidade
Foge-lhe a vida da mão
Uma face de luz
Uma face de pranto
Uma face de gente
Um Porto que seduz
Riso insanidade
Um rio que se desfaz encanto
Atravessa e consente
Em gritos de liberdade
A vida que o conduz
O tempo de tudo e de tanto
Espelho côncavo de gente
O beijo infame demente
O riso devaneio indecente
Carrega a vida como cruz
Ou talvez nada
Em três faces da mente
A pele assim arrancada
A frio ou a quente
Sem se cansar
A vida levada
Pelo céu afluente
Até ao mar
...
musa

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