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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

DESPEDIDA

DESPEDIDA

Trepidações
Um sossego sem fim
O repouso das paredes quietas
A casa arrumada nos seus alicerces
E um palmo de terra que espera por mim
A resolução final de todas as espécies
Breve a despedida
Estranha e sentida
Não mais do que isso
As cinzas diluem-se em sudações
Pluviosas e frias
Em abraços de aluvião
E na palidez das paredes fundas e sombrias
Sente-se o magma coração
Bate descompassado e lento
Em fogo frutuoso a escaldar
Néctares de um aroma peganhento
Não sei se pedra ou cimento
Ou cal ou madeira a estalar
O tempo a estremece
Sinto-a a morrer
Umbilical corte demorado
Nem ela tem a eternidade
Já que a velhice acontece
Abriga o passado
De saudade se tece
O chão a desfalecer
Um cansaço sem idade
Restam as paredes na solidão
E a morte que se demora
Sinto a pedra fria debaixo da mão
Talvez chegada a hora
Em que saberei o sentir
A casa fica
E eu vou partir
...
musa

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