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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

AMAR-TE TANTO - dueto com Teresa Horta

AMAR-TE TANTO - dueto com Teresa Horta

“UM OUTRO TANTO

Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
*
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
*
Perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
*
Poder amar-te ainda
um outro tanto

*

("Inquietude")”

Querer-te é pouco
de um amor maior
Que enquanto fantasia
É verso louco
Tanto da poesia
O amor
É dor

É súplica tanto a morte
É fantasia
É fogo brando
Ou quando a sorte

Perseguição
Tanto a loucura
A perdição
Amargo sabor
Da paixão desmedida
Do tanto que é a vida
Do jeito desconhecido
Do tanto do sentido
Arrebatador
De amar-te imensamente
Perdidamente
Ou desamor
musa 

AMARGURADO BEIJO

AMARGURADO BEIJO

Que importa pois se amargamente nos beijamos
Como quem na boca prova fruto amargo fel azedo
E sabe aos dois essa amargura que degustamos
O beijo da ternura com que a medo ficamos

Beijados os lábios quase mordidos
Maduros e gretados no silêncio de um dedo
Como quem morde em pranto a raiva em sentidos
E cala num beijo amargurado segredo

Entre lábios ofendido amertume assim triste
E não é ciúme ou azedo sentimento
Esta amarga loucura que aos beijos resiste

Amargo o gosto branda agrura de sabor
Travo choro de beijos no sentir do lamento
Como quem cala na boca a que sabe o amor
...
musa

AMARGURA. - dueto com Manuel Alegre

AMARGURA - dueto com Manuel Alegre

"NOS TEUS OLHOS ANDA O MAR

Nos teus olhos alguém anda no mar
alguém se afoga e grita por socorro
e és tu que vais ao fundo devagar
enquanto sobre ti eu quase morro.

E de repente voltas do abismo
e nos teus olhos há um choro riso
teu corpo agora é lava e fogo e sismo
de certo modo já não sou preciso.

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua.

Manuel Alegre"

Que este amor faça nascer lágrimas dentro de mim
Da terra árida infeliz o sentimento fértil da paixão
Um querer maior do que a vida já próxima ao fim
Mesmo que a flor já nasça de raiz arrancada ao chão

E preciso for em choro desespero viver
Em grito dor semeado aos quatro ventos
Em riso pranto entre os teus abraços de querer
E tanto tanto o prazer  das lágrimas e lamentos

E sentir na carne a seiva da saudade
A terra molhada e fria  da tua pele
Lavrados os corpos pelas mãos na intimidade

E são agora tristes os olhos leito sombrio
Chão humedecido de tristeza amargura e fel
Quase loucura as lágrimas e a vontade a fazer-se rio
...
musa

domingo, 27 de novembro de 2016

RIO DE MIM

RIO DE MIM

Este rio
Que me corre
Em três faces
Preenche em mim
Prenhe vazio
Perde e morre
Mil desenlaces
Quase o fim
Tremulo leito
De aguas sombrias
A ofegar no peito
Perto da foz
Chego de mãos vazias
E rouca a minha voz
As mil fantasias
Já quase não grito
O olhar aflito
A sombra maresia
A alma como as pontes
Na boca a poesia
O corpo todo granito
No olhar ainda as fontes
Nas margens sós
Poentes horizontes
Um degredo solidão
Ruínas de saudade
Esventra o rio a cidade
Foge-lhe a vida da mão
Uma face de luz
Uma face de pranto
Uma face de gente
Um Porto que seduz
Riso insanidade
Um rio que se desfaz encanto
Atravessa e consente
Em gritos de liberdade
A vida que o conduz
O tempo de tudo e de tanto
Espelho côncavo de gente
O beijo infame demente
O riso devaneio indecente
Carrega a vida como cruz
Ou talvez nada
Em três faces da mente
A pele assim arrancada
A frio ou a quente
Sem se cansar
A vida levada
Pelo céu afluente
Até ao mar
...
musa

RUÍNAS DO RIO



RUÍNAS DO RIO

Anjos sossegam as asas na cúpula ascensão
Às vezes questiono-me sobre as metáforas da poeira
Um raio de luz solar sobrevoa a escuridão
Assim sei dessa maneira
Onde paira a ilusão
Todos os anjos têm asas
Pintados de fresco desafiam o tempo
A pálida nitidez das cores
As almas são como as casas
As paredes abrigam o pensamento
As angelicais dores
O evocativo sentimento
Paira um certo sentido
Esvoaçam olhares
Flutuam visões
Um gerúndio vivo
Agita-se nos ares
No sentir das orações
Anjos e versos
Ou inversos
Das multidões
Restam as paredes a cair
As casas à beira-rio vazias
O multiplicado sentir
Debaixo dos pés as tábuas vivas
Das janelas sombrias
Foge a luz
Um sonho antigo
A memória das penas
Em ruínas uma história por contar
Lágrimas ou abrigo
O céu como olhar
O sossego ou o perigo
Pedras soltas desfiguradas
O impune castigo
Do senhorio tempo
Nas casas abandonadas
A claridade ofendida
Quase um lamento
As asas cortadas
Pelo vento
Da vida
...
musa

RIO DE LUZ. - dedicado ao Paulo Resende


 RIO DE LUZ
(dedicado ao Paulo Resende pelo carinho com que "faz brilhar" os eventos poéticos que abraça com a sua voz)

Quem te olha assim do rio
Da margem meiga escuridão
A brilhar o casario
Em prata ouro filão

Parece não ter escolha
Que o deslumbre é segredo
E quem a medo te olha
Estremece o coração
Aponta-te com o dedo
E a boca espanto emoção

Alumia-se o enlevo
Na outra margem a claridade
Noiva os telhados rio de luz
Nas clarabóias sensualidade
Espelha o Douro que a seduz

Um brilho céu de saudade
Um rebelo que a conduz
Nos ladrilhos da calçada
Nos passos duros da cruz
No chão que a tem marcada

Leva a vida à Ribeira
O sol na intimidade
Sombra e luz dessa maneira
Uma luz fina coada
Uma névoa sobranceira
De humidade talhada

Trazendo à claridade
Miragaia iluminada
A sombra luz afogueada
Pelo rio da cidade
...
musa





quinta-feira, 24 de novembro de 2016

MIL CORES -aguarelas João Brum

MIL CORES

Salpicos de feno e ferro e ocre e verde
Em pedrarias bordando a seda a serra
Cintilando brilhos que lhe matam a sede
Orvalhos límpidos humedecendo a terra

No seu manto de viva e cor a natureza
Os prados os vales por mais escondidos
Adornam quais gargantilhas de sentidos
Recantos de esplendor e tímida beleza

E na tela do pintor em aguarelas inspiradas
Teimam tonalidades com humor do tempo
Num verso imperfeito de rimas pintadas

O poeta na sua loucura imagina jardim de flores
Onde o pincel derramou pranto pensamento
E humedeceu de espanto em mil cores
musa 

ENTRE AS TUAS MÃOS

ENTRE AS TUAS MÃOS

Entre as tuas mãos sou manhã fria
Madrugada de orvalho por colher
A flor da roseira verso poesia
Rosa orvalhada de amor a florescer

Entre as tuas mãos ou as minhas
Já nem sei bem se era um espinho ou beijo
A pele por onde de beijos tu caminhas
Errando esse amor loucura e desejo

Entre as tuas mãos sou o jardim
Pétala humedecida em intimidade
A luz que se faz alvorada em mim

Entre as tuas mãos o ramo perfeito
O corpo amado de sentir saudade
Um botão rosado a florir no leito
...
musa

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

VERSO

Um verso
Que mal um verso há-de fazer
Elos de palavras aguilhoadas
Pelo prazer de o escrever
Palavras todas amotinadas
Estrofes unidas emparelhadas
Frases encadeadas
E o ritual de o dizer
Na poética entoação
As paginas viradas
Quase canção
Às vezes a rimar
E se o corpo perfeito
Num soneto bem feito
Modelado pelo punho da mão
Cinzelado ao desbaste do olhar
O verso fica a palpitar
Fica a bater sem jeito

Como um coração 
A ofegar de sentir
Coisa de emocionar
Nem precisa de se ler
E para o poema existir
E a coisa se compreender
Saiba-se o conceito
O verso há-de nascer
Ávido dom a desabrochar
Bem fundo dentro do peito

Poesia de segredos escondidos
Onde a alma lá há-de estar
Nos mais íntimos versos
Carnal seiva de sentidos
A suspirar 
 ...
musa

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

POESIA

POESIA

A poesia quer-se pura
Recatada
Silenciosa
Mansa
Introspectiva
Requer sentida leitura
Assertiva
Imaculada
Preciosa
Dança
Dos olhos embevecidos
Pelas palavras devoradas
Na magia dos sentidos
As frases arvoradas
De sonhos e fantasia
Em silente sossego
E doce melancolia
E algum pranto interior
Um pouco de medo
Um lago de lágrimas desfeito
Em versos de poesia
Com margens de tépida dor
A transbordar do peito
Caudal de nostalgia
Em enchente de amor
...
musa

DESPEDIDA

DESPEDIDA

Trepidações
Um sossego sem fim
O repouso das paredes quietas
A casa arrumada nos seus alicerces
E um palmo de terra que espera por mim
A resolução final de todas as espécies
Breve a despedida
Estranha e sentida
Não mais do que isso
As cinzas diluem-se em sudações
Pluviosas e frias
Em abraços de aluvião
E na palidez das paredes fundas e sombrias
Sente-se o magma coração
Bate descompassado e lento
Em fogo frutuoso a escaldar
Néctares de um aroma peganhento
Não sei se pedra ou cimento
Ou cal ou madeira a estalar
O tempo a estremece
Sinto-a a morrer
Umbilical corte demorado
Nem ela tem a eternidade
Já que a velhice acontece
Abriga o passado
De saudade se tece
O chão a desfalecer
Um cansaço sem idade
Restam as paredes na solidão
E a morte que se demora
Sinto a pedra fria debaixo da mão
Talvez chegada a hora
Em que saberei o sentir
A casa fica
E eu vou partir
...
musa