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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A CASA DOÇURA

A CASA DOÇURA 

A casa semeada de silêncio na gaveta da noite
Entorpecida de barulhos abafados e sombrios
Quieta sossega abraços de aromas silvestres 
Há sobre a mesa canteiro de flores agrestes
E um retrato envelhecido pelo ares frios
Dos aromas colhidos no velho jardim 

Do fogão de ferro as brasas a crepitar 
Esvoaçam um calor abraçado a mim
Preenchem de luz famintos vazios
Há danças de labaredas no olhar 
Um fogo feitiço sem fim
Prantos feitos rios
De luz a cintilar

Cheira a coco e flor de limão 
Em doces tradicionais
E um chá a fumegar a canela 
Na cozinha aquecida pela solidão 
A embaciada janela
Espelha o rosto da serenidade
Ainda há resquícios de amor na mão 
E a doçura da saudade 

São talvez doces de gritos de amor
Cozinhados trémula ternura
Aromas da intimidade
Com sabor a loucura 
...
musa

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