Cartão de Visita do Facebook

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

PEDRA DA MORTE

PEDRA DA MORTE

Sou estas pedras semeadas flor de sal
Grosso granito basalto ou xisto florido
Sou a carne o sangue a alma o sentido
E ainda a magnânima essência natural

Com que escrevo as palavras em poesia
De marés agrestes do alto da montanha
A respirar ofegante horizonte e maresia
Rochedo que encandeia de luz estranha

O poema murmurado grito em vendaval
Do alto mar ou da terra em prece a Deus
Sei e sinto em mim a veia transcendental

Dos versos que enfraquecem a minha vida
Como tempestade vinda em pranto lá dos céus
Chovem pedras iluminadas pela partida
musa 

ENTRE POETAS


ENTRE POETAS

Que rio de mágoas este no meu peito
Este frio leveza que arrepia até a alma
Penas que aconchego corpo em que me deito
A devassa hora infindável e calma

Entre poetas desassossego transcendental
Que ninguém parece compreender
É em mim desumano e tão carnal
Esse deslumbrado triste estranho meu viver

Quererá o corpo enfim libertar-se da vida
Se a morte é tão apetecível e desejada
Nos versos confidencia a prece sentida

Estão tão presentes e ninguém sabe
Como aquém e quasi seja nada
O mistério insondável num verso a trave
...
musa

DA NOITE

DA NOITE

A noite em enternecidos luminosidade
Trouxe à pele luz de sentidos
Em fina trama sumptuosidade
Nos claros olhos perdidos

Deixou a luz rasto intemporal
Clarão das tuas mãos iluminadas
De um sentir intenso e tão carnal
Pelo olhar fantasias tacteadas

Ensinando caminhos a dedos e boca excitados
Anoitece no corpo e sentidos em amanhecer
Há um trilho de desejos provocados

Quero te profundo intenso ardente ofegante
Cobrindo me clareira luz de prazer
Fazendo me chama acesa tua amante
...
musa

PENAS DESTA VIDA

PENAS DESTA VIDA

Na escuridão que vivo sossegada
De silêncio inquieto perseguida
Olho para trás e não vejo nada
Apenas triste e ressentida

De um vazio teimoso em meu ser
E uma solidão inteira e persistente
Daquelas que somente a gente
Pode no peito sentir e viver

E esta guarida de sangue e sentidos
Estes sussurros que rangem adentro
São talvez versos nunca escritos perdidos

E agora eu que acordo com a noite esquecida
Trago-os resgatados de longínquo tempo
Para serem as minhas penas desta vida
musa 

SEMPRE SAUDADE

SEMPRE SAUDADE

E vem o denso nevoeiro a esvoaçar
Pássaro neblina deixando o areal
A praia em abraços de terra e mar
Tão de sentidos tão de alma tão carnal

Como são as saudades por quem não vejo
E o silêncio espesso e profundo derrama
Da pele do sentir e do olhar húmido desejo
O inevitável sentimento por quem se ama

Que importa a luz coada sombria frialdade
Que o corpo arrepia em toada de prazer
Que tanto é em mim este grito de saudade

De amor sedenta em impossível destino
Quero somente seguir a claridade e morrer
Deixem- me então entrar no nevoeiro e seguir caminho
musa 

D'ALMA EM MIM - ao silêncio

D’ALMA EM MIM

Encerro em mim alma vazia
De dois mundos proibidos
Por descobrir além poesia
Onde se escondem sentidos

Muralhada alma por pele e sentir
Paliçada de versos a dizer do mundo
E o orvalho sangue que a vem cobrir
Humedece madeira do portal profundo

Ninguém nada nenhum visionário de olhar
Cravado nas pedras que a encerram prisioneira
Poderá destemido em sentimentos derrubar

O medo que a cativa no corpóreo burgo doce
E a tem sensível e inspirada dessa maneira
Ah… carnal impassível aconchego assim fosse
musa 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ANTES DE DIZER ADEUS

ANTES DE DIZER ADEUS

São tão raros os instantes
De uma subserviência pura
Uma nítida amargura
De segundos distantes
Em demora pacífica
Essa hora magnífica
Que havia antes

Antes de te ter conhecido
Antes de te ter vivido
Antes de te ter sentido

E já foi antes de todas as coisas vivas
As mornas cinzas arrefecidas
De uma morte que nunca aconteceu
Porque as saudades nunca esquecidas
As memórias nunca perdidas
As imagens adormecidas
Do que já se perdeu
Foi antes de tudo ter desaparecido
Pedaços diluídos em movimento
Tudo que antes se viveu
O tempo vivo
Em pensamento

Antes que tenhas tempo de adeus dizer
O espiritual consentimento
Que se consegue antes de morrer
musa 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

VEM EU DEIXO

VEM EU DEIXO

Vem eu deixo
Que ergas catedrais de gritos
No silêncio penumbra altar
Intimidades carnais do sacrifício
Despertados sinais do vício
E os círios acesos do olhar
Em gemidas preces de prazer
Como só tu sabes fazer endoidecer
Orar estremecer
De pele e sentidos
O ritual da mão
A comunhão da boca
A pequena morte em vida
A ressurreição perdida
O corpo inteiro sacrificado
No gozo rendido do pecado
...
musa

VOO SEM DONO

VOO SEM DONO

Há no meu ombro nu
Regaço descanso
O abraço manso
Onde tu
Vens poisar

A gaiola aberta de carinho
O caminho sossego até ao olhar
De raminho em raminho
Pássaro sem dono
A esvoaçar sentidos
Evadido do sono
Passos perdidos até encontrar
O voo da secreta intimidade
Por entre as grades da saudade
Cúmplice sentir da sedução
No ombro a tímida mão
Abre as asas para o desejo
Da gaiola aberta da boca ternurenta
Solta se a loucura de um beijo
Em gozo doido a sorrir
Ávida esvoaçando sedenta
De liberdade e sentir
...
musa

DORME MEU AMOR

DORME MEU AMOR

Adormece no chão do meu corpo nu
Na terra quente humedecida
Inebriada de intimo querer
O colo leito aconchegante do prazer
Ébria pele onde só tu
Encontras a clareira perdida
Onde de cansaço acabas por te render
O doce instante de um abraço a sentir
Sonolento consentir
De exaustão desfalecer
Depois do amor conseguir
Fazer te adormecer
Então dorme meu amor
...
musa

OUTONAL SENTIR

OUTONAL SENTIR

Como orvalhado instante da madrugada
O morno calor da natureza ainda adormecida
A fumegar a luz no chão da alvorada
Tremula agitada ardente humedecida

Desprende em fio a teia em pérolas a mão
Vai tecendo a vontade em doido desejo
Ponto a ponto gozo a gozo excitação
A natureza morta ressuscitada pelo beijo

Lá no lugar da clareira onde morre a luminosidade
Sol nascente escondido pela folha do querer
Desponta em gemidos a madrugada intimidade

Rasga num grito a molhada carnal loucura
Nasce aurora outonal em afogueado prazer
Intenso e profundo o tempo que a tortura
...
musa

PRISIONEIRA

PRISIONEIRA

Sou das que não voam
Já não sei voar
Não tenho as asas da liberdade
Apenas instantes de libertação
Nas asas de um momento
Voo contra o tempo
Em fugas secretas de sedução
E desejos com asas em magia
Na gaiola da vida prisioneira
Vivo as penas da solidão
Profunda crua inteira
Em espiritual teoria
Sou pássaro que não voa
Por entre as grades da fantasia
Derrubo muros da intimidade
Sou fera animal felina leoa
A carnal busca da cumplicidade
Em voos de provocação
Nos céus da boca a euforia
Engaiolada livre uso a mão
Ganho asas a escrever poesia
...
musa

NOITE

NOITE

As portas rangem o medo
Sangram de barulho a noite
O mais provável açoite
A abofetear o segredo
Na escuridão

Do silêncio da noite
Essa ingratidão
Fico a ouvir
Espessa quietude
Trespassa a negritude
A plenitude
Lança de aço seda sentir
Rasgo de vidro em lassitude
A noite silente parece dormir
Sossegado instante amplitude
Grita o silêncio ao existir
Com esta magnitude
Brilho profundidade
Negra e deslumbrada  hora
Filão de intimidade
Onde a penumbra demora
A luz a refulgir
Intensidade
...
musa

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

DOR

DOR

Névoa flor
Cegueira acesa
Neblina presa
Suspensa a dor
Laivos de loucura
Insano torpor
Medo tortura
Caminho no vazio
Cega procura
Do alivio sombrio
Dos passos a latejar
Sossego estranho e frio
Sobre o denso nevoeiro
Pendente proibida
Cristais de luz no olhar
Profundo inteiro
Travessia dorida
Portal sofrimento
A ponte perdida
Esse o maior tormento
Alma sentida
O quase lamento
Da passagem da vida
...
musa

domingo, 25 de setembro de 2016

INQUIETO

Sei que existe
Impaciente instante
Sinto como insiste
E sente
Este grito amante
Dizer-te do inquieto
Adormecido
O silêncio distante
Do sexto sentido
Em nós secreto

Do sentir
Ambos sabemos
Calamos o medo
No umbral da voz
Sem querermos
Revelar o segredo
Quando estamos a sós

Esquecemos o mundo
Fechamos a porta
Acendes a luminosidade
Que aporta
No olhar da janela
Em ti profundo
A inquietude desejo
Transforma se caravela
Navega a profundidade
O mais silente sentir
Na tua boca um oceano e o beijo
Afundamos saudade
Será isso existir
O inquieto deslumbramento

Sentimos como quem conhece o mar
Em toda a eternidade
O sensível momento
Quando olhas a sorrir
E sentes que sabes o caminho da felicidade
E lá chegar

Deixo-te sempre vir
Estranho anseio loucura inquieta
Esta amargura sem fim
Como a vaga incerta
Quem sabe um dia vás desistir
De mim
...
musa

A STEPHEN HAWKING - CENTELHA

A STEPHEN HAWKING

CENTELHA

A fórmula mágica escondida num verso
Átomos de palavras errantes de sentir
O voo da raça humana pelo universo
Haverá novos lugares onde existir

O futuro além do emocional firmamento
A lírica abstracção da doce humanidade
Talvez a esperança aprisionada pensamento
Nesta enraizada força da trémula saudade

Abre os portais da criação em busca da centelha
Admirável mundo da espiritual lógica sabedoria
A invisível obscuridade antiga nobre e velha

Só sei ver com as mãos em voo livre
A certeza incerta que há nas palavras poesia
Essa catedral de luz onde há a esperança que nunca tive
...
musa