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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

MAR E SENTIR

Obrigada Celso Cordeiro por teres partilhado comigo a tua poesia <3

MAR E SENTIR

Este mar
Esta cordilheira de vagas
Esta espuma revolta de aguas
Este azul a naufragar
E apaziguar distancias
Estas húmidas fragrâncias
Latitudes ventanias
Abraços e maresias
Rumos de sal e sentidos
Ensaios e poéticos sentires
Rumores e a cal dos sonhos vivos
As palavras catarse de profundidade
De onde partir de onde fugires
No cais insano da saudade
As pedras beijadas de mar
Os olhos tingidos de azul
Os poemas e a imortalidade
Esta imensa serenidade
Do norte até ao sul
A vida em cumplicidade
Da escadaria de onde partir
Um poema espera
O mar enfrenta a quimera
Um vendaval de sentir
Havemos de o escrever
Quando no areal a ultima onda morrer
...
musa

POEMA QUE CAMINHA

POEMA QUE CAMINHA

Já podia ter morrido
E a ti que importaria
Somos o oposto de um só sentido
Quando já tudo perdi
O caminho vivo da nostalgia
Na memória das tuas mãos morri
Dos silêncios frios com que me amortalhei
Do desprezo em glória que senti
Das lágrimas dos vazios que chorei
Fui corpo enregelado
Na tua indiferença
Um instante um legado sem nome ou pertença
Por tanto tempo esquecida
Sofrimento em tantos verbos e sentidos
Apenas uma virgula no lamento da vida
As reticências de descontentamento na ferida
O ignorante orgulho dos momentos bons esquecidos
E já tudo aconteceu
Não há desejo ou prazer que possa resistir
Já tudo morreu
E já só me resta desistir

O teu distanciamento abriu fissuras neste amor
Amargurou a imensidão da saudade
Abriu brechas de desencanto e fragilidade
Agudizou por dentro a incompreensão desta dor
Fazendo-a alcançar na pele a doce imortalidade

Hoje triste e sozinha
Envolvo-me no meu abraço
Agonizo entristecida este cansaço
Sou somente a lembrança que caminha
Desta ilusão que desfaço
De seda e de aço
Tão viva tão minha
...
musa

sábado, 27 de agosto de 2016

O BEIJO. De. JÚPITER

O BEIJO DE JÚPITER

Esperarei meio século tão distante
Dizem na solidão dos anos luz
Deusa do amor essa Vénus amante
Que além infinito entre as estrelas seduz

No misterioso espaço desconhecido
Um beijo acontece em doce proximidade
Há um desejo em rotas de sentido
No silêncio dos planetas que gravitam de saudade

Quase se beijam à claridade fria do luar
As estrelas serenando o queixume dos verbos
No firmamento das trevas a cintilar

Está Júpiter o quinto planeta do sistema solar
Como um reinado de súbditos e de servos
Que a mão cálida do espaço parece beijar
...
musa

ALICE MACHADO - Uma poeta entre amigos da poesia

UMA POETA ENTRE AMIGOS DA POESIA

ALICE MACHADO, autora de uma consagrada e vasta obra publicada em prosa e poesia, quatro romances e três antologias de poemas, assim como dois ensaios literários, fruto dos dois mestrados pela Universidade de Paris, um sobre o filosofo Gérard de Nerval, “Figuras femininas na viagem para o Oriente de Gérard de Nerval” 2007 e outro sobre o poeta françês Baudelaire, “Baudelaire, entre alvorada e crepúsculo” 2010, consta ainda de várias edições poéticas, tal como o seu poema “Os Gigantes” retirado do livro recentemente editado em Portugal pela editora Calendário das Letras, incluído na Antologia Parlamentar de Poesias publicada pela Assembleia Nacional Francesa.
Foi convidada de honra do Salão do Livro da cidade de Paris. Participa em vários festivais internacionais de poesia e muitos textos seus são publicados em revistas literárias europeias, e participou no evento cultural literário de Moçambique, “ As Pontes Lusufonas” com a presença do Prémio Nobel da Literatura José Saramago e outros escritores da diáspora portuguesa.
Recebeu algumas distinções pelo seu trabalho literário, tendo sido a primeira mulher a receber a medalha de Honra do Parlamento Português em reconhecimento da sua obra, e o prémio Label da revista ELLE.
Nasceu em Trás-os-Montes, vive em França há mais de vinte anos.
Publicou a primeira vez em 1991 o romance “ À Sombra das Montanhas Esquecidas”.
“A Cor da Ausência” em 1999.
“O Vale dos Heróis” em 2006.
“Os Silêncios de Porto Santo” em 2003
E na poesia no ano de 2000, “As Horas Azuis”.
“A Agitação dos Sonhos” em 2002.
“Os Sonhos de Rafael” em 2011.
Filha de dois países, como ela mesma se define, “tricota” as letras em françês, mas também ajuda na tradução da sua própria obra.
Mulher simples, doce, sensível, frágil, misteriosa, mestra no recato do pensar, (des)oculta as palavras, as mais tacteis, as mais duras, as mais nobres, mostrando à flor da pele uma pelicula de enorme sedução que inebria por esse mistério da sua obra apaixonante, insondável na capa que veste, mas transparente nas palavras que escreve, como profetisa capaz de crucificar o poema em jeito de oração, mostrando-se discipula de Miguel Torga, Antonio Nobre, Charles Baudelaire, entre tantos e consagrados da poesia, revelando-se figura de granito e fragilidade de chuva, pedra e feno, rochedo e orvalho, transportando o seu EU nas palavras que tece de memórias, saudades, perdas, lutas, jubilos, êxtases, fascínios, dramatismos, contradições, valores, regras, indultos, virtudes, que como diz o prémio Nobel da Literatura português, José Saramago, “ A escrita de Alice Machado é habitada pela vontade incessante de aceder ao humano, como se ela quisesse revelar a parte sublime que existe em cada um de nós.”, numa unificação de identidade onde apaziguar dores, exultar alegrias, entrincheirar saudades, escrever poesia para respirar e viver sabendo que carrega a metáfora da morte na eternidade do sentir legado escrito.
A Associação Cultural GATO VADIO, na Rua do Rosário, nº 281, acolheu-a na cidade do Porto, pela mão de Teresa Teixeira e ana barbara santo antonio, na frescura de uma noite de fim de Agosto, trouxe-a a partilhar as suas impressões sobre a prosa e a poesia, como se um bando de gatos de telhado tivessem escolhido o seu herói para descobrirem mais palavras pela noite adentro e por cima dos telhados do casario do Porto deixassem marcas de inspiração poética.
Muito grata Alice Machado por teres vindo visitar-nos e dar-nos a oportunidade de conhecer a tua obra literária.
...
ana barbara santo antonio

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A PENEDIA DO DEMO

A PENEDIA DO DEMO


Havia pedra nos teus olhos
Mistérios de granito e lousa
Areias acumuladas pelo tempo
A terra pelo vento endurecida
O orvalho na pétala onde pousa
As mãos calejadas de trabalho
A dureza do pensamento
Os caminhos e as silvas
A laje da vida
A sombra do carvalho
Aromas de madresilvas
A luz o atalho
A conduzir


E os cinco sentidos
Os sonhos e o sentir
Das alturas consagradas
Os rumos perdidos
As trevas iluminadas
Em altares sagrados do olhar
De infinitos rochedos
Mágicos penedos
E as mouras encantadas
Por despertar


Na penedia do demo agreste
Havia na pele o cheiro a feno
A poesia da flor silvestre
Por entre os dedos sepultados
Resquícios de feitiços e veneno
Em raízes de acipreste
Livros antigos fechados
E fantasmas por enterrar
Tumbas de mármore enegrecido
O pó acumulado de história
Clareiras onde as bruxas vão bailar
E ainda o sexto sentido
Em ascensão e glória
Por contar
musa 

A ITÁLIA TREME

A ITÁLIA TREME

Romana flor decepada
A terra treme sacudida
Bem no centro esventrada
Abrindo em escombros ferida

Vilas gentes tombados no chão
Como baralho de cartas soprado
Há cinzas e a morte e a escuridão
Pelo tremor de terra devastado

Um país em busca de sobreviventes
A enterrar os mortos e a cuidar dos feridos
A limpar as lágrimas às suas gentes

Os lares destruídos as vidas roubadas
A terra ainda treme e desassossega sentidos
Fazendo temer as vindouras madrugadas
musa 

NEBLINA EM VIAGEM

NEBLINA EM VIAGEM

Agora é assim este Agosto frio
Esta gélida aragem
Este tempo fechado à beira-mar
Esta neblina em viagem
Este entardecer cinzento sombrio
A nudez da luz a perecer
Em meigo ensombrar
A bruma a transparecer
Possessa neblina que cobre o dia
Com o vento a querer dançar
Tristeza pálida nostalgia
Da paisagem do olhar
Este Verão vestido de Inverno
Um verso espesso e nevoento
De humidade a trespassar
A vida e o tempo
Em sentir eterno
Como se a luz parecesse chorar
...
musa

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

FERIDA ABERTA

FERIDA ABERTA


A tempestade escondida
Na fenda aflorada
Da dor sentida
A ferida aberta
Da alma fechada


Uma palavra a derrubar o pranto
Na nesga luz do sentimento
O desencanto
O desalento
O desassossego
Ou quase nada
Adentro a ferir
A carne rasgada
Vivas as nuvens a sangrar
A ausência acinzentada
Do húmido sentir
A escorrer do olhar
A ferida putrefacta
A terra ingrata
Onde existir
E sonhar
musa 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

LOUCURA

LOUCURA


A loucura é o homem incompleto
Mórbido na concha da insanidade
Com o seu desassossego secreto
A imaginar a imortalidade


E inventa vidas ao seu redor
Invisíveis grades do cárcere medo
Um estranho encantamento maior
Onde adormece e esconde o segredo


Talvez a alma mais louca do mundo
A invenção do amor que não tem
A solidão em degredo profundo
Aos olhos cegos de alguém


E as vidas assim inventadas
Que arrasta pelo corredor
Sombras vultos fantasmas
Protegem no espírito a sua dor


De um corpo em terrivel devaneio
Ao abandono do discernimento
O sonho da vida partido ao meio
Da razão e do conhecimento
musa

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O GOZO DA VIDA


A dor a morte e uma lágrima
E primeiro que a primeira traga a segunda por um segundo
Abre-se caminho para a tristeza 

Os mais insanos devaneios do mundoUm passeio repleto de lágrimas tristes
A doer mortas de pranto
Chorar faz bem à alma
Mas dói tanto o choro enfurecido
A lagrima que acalma
Endurece o sentido
Da vida
Sofrimento asas de borboleta
Em voo a ferida
Volteia a esvoaçar
A dor secreta
Solta do olhar
Aguda insuportável
Massacra ferimento
Sem se ver
Absurda inimaginável
Tortura pensamento
Faz entristecer

As palavras doridas
Afagam-nas o cansaço de sentir
O abraço da borboleta no bico da pena
As asas enfraquecidas
O tempo a ferir
O verbo do poema
A seiva dor do ombro oferecido
Poiso de um voo em movimento
A escalar o desalento
Desta etapa da vida
Um instante perdido
No meigo sofrer
O gozo vivo
Que é viver
...
musa

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ABRIGO DE PAIXÃO

ABRIGO DE PAIXÃO

Há instantes assim... em que me cercas fogo posto de saudade...
Ficas na minha vida
Em todos os começos de poemas
Todos os tempos de sentir
Todos os instantes por dizer
O verso que a alma abriga
O beijo que sempre ofereço nas tuas mãos serenas
As palavras por dividir
Tão distantes de querer
E quando a saudade castiga
O tempo que invade em sentimento
De sentidos em pensamento
A tua mão amiga
Labareda fogo aceso
E o teu olhar preso ao meu
E o abraço apertado
Cenas de um filme por fazer
Ritual de amor e de prazer
E por mais que o tempo arraste esta separação
Há um instante logo ali ao lado
O teu corpo cansado
Em abrigo de paixão
...
musa

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

PARTIR

PARTIR

Um dia
Haverá uma borboleta
a esvoaçar
No teu pescoço
Para no entanto
Saberes o peso de um voo de despedida...
e sentires como o tempo queima as asas...
de saudade...
na vida...
Talvez os Agostos bailem nas penas do medo
E o arame esticado do fogo a arder
Acenda o desejo em húmido sentir
Em segredos inconfessados
Num voo raso de prazer
Esvoaçado sangrento odor de queimado despedir
De olhares e lábios fechados
Quando todos os silêncios deixarem de  sorrir
Do planalto do teu ombro
A loucura do querer
Sem saber para onde ir
Ou partir
E morrer
...
musa


O bafo quente do vento metálico a deserto visceral de areias em labaredas ruborizando o céu da madrugada ainda por acender o dia...

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A LUZ ENEGRECIDA

cidade do Funchal. - Ilha da Madeira
A LUZ ENEGRECIDA


A noite em chamas
Negra flor
Espesso manto
Aterrador
Dantescas flamas
Pétalas cinzas incandescentes
Denso mato de labaredas
Rasto de pranto e dor
Pela encosta enegrecida
Rastejam fluorescentes
Muros ravinas levadas veredas
Em fogo aceso rubor
A treva florida
Acendendo
A luz da vida
Em morte
musa 

domingo, 7 de agosto de 2016

A METÁFORA DA MORTE

A metáfora da morte

O gélido frio da manhã incendiada
O gozo metálico  do tempo ardido
Devora as entranhas e o sentido
Que o fogo aceso esfria em nada

Ao fundo do túnel a luz acendida
Se a escuridão é doce claridade
E o último caminho sopro de vida
A incendiar tempo de imortalidade

Morrer para tão mais ser vivo e ficar
Chama acesa para todo sempre eternidade
Que importa a morte que ensombra olhar

Pode haver algo mais presente do que imortal
Ninguém morre mais do que de saudade
Essa luminosidade que esmaece o nome carnal
musa