Cartão de Visita do Facebook

domingo, 31 de julho de 2016

MEDO

MEDO

Sândalos sentidos
Secretas sensações
Sensíveis saberes

O teu medo sentir
Labirintos de silêncios
Lugar nenhum para onde fugir
Ninguém onde as palavras perdem o sentido
Na roda forca dos pareceres
A corda tomba o verbo perdido
Quase a partir

Tripartido despedaçado o verso
O corpo a alma o espirito despojado
Como se restasse um único poema no universo
Um rascunho rasgado
Sem tempo de existir
E a tua inspiração amedrontada
Cheia de amor por cumprir
Fosse adentro de mim
A porta fechada
Nunca por abrir
Sempre a ferir
A estrofe apunhalada
Até ao fim
Da vida
...
musa

sexta-feira, 29 de julho de 2016

CAMALEÃO

CAMALEÃO

Este ser e não ser
Em acinzentados umbrais
De expostas falanges
E palavras por dizer
Memórias por escrever
De sensações carnais
Adentro a desfalecer
Deslumbrados pássaros cantantes
Em ramos tuas mãos em flor
Teus olhos céus cinzentos
Teus abraços caminhos amantes
Teu corpo todo a tremer
Escondido medo e a dor
Marés e os ventos
De países distantes
Sem som nem cor
E o sonho perdido
Num verso esquecido
Onde não há melhor
musa 

UM MONTE DE ESTRELAS

UM MONTE DE ESTRELAS

ao Joseph

“No olhar no beijo na carícia no desejo”

O sal doce da vida
Na pele ou no olhar
Na ponta dos dedos
Loucura oferecida
Agrimel

“no toque no arrepio
No beijo o desejo”
Intimidade dossel
Tombando

A noite sentida
Vislumbrando
No topo do monte
Até a vista alcançar
Para além do horizonte
Todos os nossos segredos
E os teus lábios a fonte
Onde matar desejos

E um monte de estrelas
Em profundidade a cintilar
Nos teus olhos aguarelas
Por pintar
Em loucura devaneio

“no abraço o anseio
Nascente que nasce
Indicando caminho
Que devagarinho
Ambos tomam
Formando
Um só ser que se funde com prazer
Que se prolonga no carinho
E faz estremecer
A alma e o corpo em bem querer
Em explosão de sentidos
Em carnal endoidecer”

Todas as estrelas do firmamento
Num beijo entardecido
Em desejo e em prazer
Na noite escondem o sentido
Para além do pensamento
A escuridão a entristecer
Divino contentamento
musa 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

ASAS DA SEPARAÇÃO

ASAS DA SEPARAÇÃO

"Sou um inferno silencioso.
Pode o sol brilhar
E ser o céu do mais azul
Que meu coração permanece tenebroso
Como a morte.

Sou um pássaro por voar
Que perdeu o sul
Antes de perder o norte."

Talvez o tempo ganhe esta batalha
Dentro de mim
E a morte se ofereça
E o corpo arrefeça
O sacrifício desta aliança
No altar dos sentidos
O ofício das lágrimas derramadas
O corpo feito talha
Em dourado carmim
E sulcos fendidos
E o sangue floresça
O luto da esperança
Nas pedras marmoreadas
De saudade silêncio e solidão
E as dores da alma talhadas
Círios acesos de pranto a arder
Iluminem de vida luz a escuridão
Quando o caminho é seguir para morrer
Ainda que viver e sentir seja esse silencioso inferno
A esvoaçar asas de sofrimento
Na mais meiga desilusão
Tão frágil e eterno
Em silente pensamento
Como a dor da separação
A sangrar o sentimento
...
musa

sexta-feira, 22 de julho de 2016

SENTIR-SE

SENTIR

Se eu pudesse ser um anjo
Já o era
Esta loucura quimera
Estranha primavera
Estou pronta
Deixem-me partir

Talvez um dia
Eu morra a dizer poesia
E sinta o poema em confissão
Como prece oração
De quem teme a porfia
A insistente teimosia
No prelo da declamação
Do sentir

Magnânimo desenlace
Devolvo à vida a face
Solidão existir
Instinto disfarce
Em eloquente fingir

E já sabem assim
Que eu pude permitir
Da vida um só sentido
Desejo sem fim
Talvez o rasto perdido
Do que perdi ao nascer
A sensação de ter vivido
Toda a vida a morrer
...
musa

terça-feira, 19 de julho de 2016

ESQUECIMENTO

ESQUECIMENTO

Começo a esquecer-te dentro de mim
Este corpo pejado de esquecimento
E lembro a cada instante assim
Que esquecer-te não vai tirar-te do pensamento

E se és vivo querer da impossível ausência
Este entorpecer e dócil demência
Que a noite segrega peito aberto
Da memória que nega esquecido incerto
Silenciado sentir
E é na noite que te sinto mais
Ainda que imensamente do longe e perto
Sei e sinto estranhamente existir
As saudades do teu ser em mim como punhais
Deste esquecimento a fingir
Essa mentira como a noite certa
E deixa a porta aberta
Ao vão silenciado dos mortais
Das mulheres que se deitam ao teu lado
Cada rosto que não é o meu
Como o silêncio apunhalado
Do amor que não mereceu
A esquecer-me de ti
Quando parte de mim já morreu
Em palavras aqui

O verso recebe-me mortalha e luto
O poema devoluto
Em tempo esquecido
Da tua alma tiro o sentido
Um dia hei-de conseguir
Livrar-me deste sentir
...
musa

segunda-feira, 18 de julho de 2016

AGONIA

AGONIA

Arrastada na noite
Bebo-lhe o silêncio sede
A treva chicote açoite
Que a mão negra da dor teve
E geme desabrochada agonia
Que a madrugada fria
Fresca silenciosa e leve
Em luminosa agonia
A rondar de escuridão
Morde o escuro até ser dia
Desperta em luz sombria
A mancha derramada solidão
A dor a latejar sem sossego
Verte do olhar húmido medo
Espera o descanso em sagração
O meigo colo do cansaço
O beijo de seda e aço
Amanhece sem sentir
Acontece existir
Em agoniada desilusão
Tempera-se a vida
À muito prometida
À muito esquecida
À muito perdida
...musa

domingo, 17 de julho de 2016

AUSENTE

AUSENTE

Nem sempre estou presente
Vivo à margem do sentir
Sinto-me estranha e só
Como que ausente
Do delito de existir
E chegar a ser pó

Anónima incógnita transparente
Como quem da dor consente
A estranheza do sentimento
Na estribeira do pensamento
Uma dor que o corpo consente
E o olhar em alheamento
O rosto cansado sangrento
Trémulo não desmente
O punhal que rasga o tempo
E a ferida por sarar
Teima em ficar

Ausência e silêncio e cansaço
E a força que parece fugir
E derrotada no tempo e no espaço
Só apetece desistir
musa 

sábado, 16 de julho de 2016

SONETO DA INFELICIDADE

SONETO DA INFELICIDADE

Esta dor basilar enchendo o peito
Tristemente sentir adoçando olhar
Profundo estranho quase imperfeito
Cântico lágrimas de silêncio a entoar

Rasgando alma de amor infelicidade
Estremecem as veias desassossego
Latejando em desilusão e saudade
Em confuso instinto e dócil medo

Ofereço o ombro ao beijo sensual
Da tua boca ao meu pescoço quente
A esse teu desejo insano e carnal

Impassível ânsia que vive tua ausência
Triste aceita como quem saudosa consente
A vida essa paixão de infeliz essência
musa 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

PEQUENOS MILAGRES FLORIDOS

PEQUENOS MILAGRES FLORIDOS

A terra abandonada no canteiro
Na secura humedecida orvalhada
Esperando cansada o sol certeiro
Surpreendendo florida enfeitiçada

De folhagem verdejante a despontar
Botões de pétalas arroxeadas flores
Parecem doidas borboletas a esvoaçar
A terra adormecida de vivas cores

Trazendo à luz do dia lindas violetas
De perfume misterioso em milagre de amor
Deixando cair sementes de loucuras secretas

Depois de fenecidas azuis em flor de linho
Restam no canteiro vivo jardim em esplendor
Pequenos milagres floridos de carinho
musa

HÁ LÁGRIMAS EM NICE

HÁ LÁGRIMAS EM NICE

O azul derramado inocente
No chão das lágrimas de sal
A cal solitária e quente
Sobre a vida sepulcral
Tímida a florescer
Queima animal
A endoidecer

Horror em festiva noite escuridão
Faz a alma sentida estremecer
A carnificina por entender
A inocência azul da solidão
Tombada no chão
Em perigo

As flores azuis desabrochadas
Estão agora de sangue manchadas
Pela maléfica mão
Do solitário inimigo
musa

POR CONTAR

POR CONTAR

" Conta-me...
Que se passa no teu mundo...

Beijo-te...

Ant "

Paredes invisíveis
Por desmoronar
Dores indivisíveis
Por partilhar
Sonhos indiscritíveis
Por contar

Espesso silêncio que não deixa ver
As pegadas da alma no teu olhar
As palavras por escrever
Do meu mundo a naufragar
De tanto mistério e tanto segredo
Em sedução e fantasia
Em pranto e maresia
Em alegria e medo
Em terra e no mar
A ilusão de viver
Esta alegoria
Do ser

Pudesse eu contar
Os sonhos que vou viver
O tempo que não tenho
E de longe o aceno
Uma luz um astro uma estrela de vigia
No caminho rastro dor que é veneno
Adoçando a vida de poesia
...
musa

VAGAS DE SOLIDÃO

VAGAS DE SOLIDÃO


“Nada sei sobre o futuro caminho,
Mas nada poderá apagar as pegadas
Deste insano caminhar, sem destino e sem retorno,
Na espuma das tuas palavras...

Cumprir-se-á o destino dos amantes,
Abraçados na íntima vontade,
Na poética partilha que nos une,
Na comunhão do desejo...

Ant”


Talvez já tenhas chegado
E eu nem te vi


... só tu... para reservar além sentir
todas as palavras que teimam persistir
onde tudo parece desmoronar…
E o beijo sonhado
Que nunca esqueci
São vagas de solidão no mar do meu olhar


Caminhos por percorrer
Pegadas sobre memórias de um sentido desfeito
Um trilho selvagem com raízes no peito
Em rebeldia e querer
Nesta travessia de vida
Ainda por acontecer


A viagem dos passos desejados
Entre alguma insana estranheza
E esta tamanha leveza
Dos beijos enamorados
Em escrita de sentir
Fazendo existir
Poesia
musa
https://youtu.be/7hxIGKNhW1Q