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quinta-feira, 9 de junho de 2016

EM TODAS AS ESTAÇÕES

EM TODAS AS ESTAÇÕES

Aprendi a enlouquecer
A frescura das nascentes e das fontes
A loucura a dias e céus e montes
Aprendi a entristecer
Em manhãs de centeio e mato e noites sepulcrais
Sob a luz das pontes
Adormecidas
No seio farto dos caudais
Aprendi formas esculturais e o orvalho a escorrer
Do colo dos rios azuis menstruados
Das águas com lamas enegrecidas
Das chuvas de prantos das serras
Dos olivais cinzentos das terras
Dos vales escondidos de passados
Da montanha crua de flores
De searas com sede de espanto
Vinhas bardos bacelos bois vigas e dores
Chão áspero de desencanto
Lágrimas a pingar dos beirais
A pedra sangrada
Aprendi no olhar resignado dos animais
A horta húmida e lavrada
O feno sepultando adormecer
Em todas as estações a morte adiada
O eterno canto a enternecer
A vida que espera cansada
A sombra na claridade imolada
O sol que há-de nascer
De saudade
...
musa

https://youtu.be/azwHNsGXxWI

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