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terça-feira, 28 de junho de 2016

DONA FLÂMULA

DONA FLÂMULA

Dona Flâmula cativa
Na seara doce espiga
Ao vento das tentações
Lá na torre tão esquiva
Da tiara perdida anel de dama antiga
Seus olhos provocações
Bela moura rival cristã
Chama acesa da manhã
No trigal flor silvestre
Era um tempo tão agreste
Cheirava a urze hortelã
A beleza que a veste
Madrigal temporã
Nos campos da serrania
Giesta esteva ou arçã
Da torre dama escondida
Vagabunda ou vadia
Adiando a própria vida
No amor da tentação
Melusina encantada
Na sua torre trancada
Esperando salvação
E do monte de S. Brás
Seu apetite voraz
Ecoa na ventania
Dona Flâmula princesa
Cobiça do cavaleiro
Há na lenda a incerteza
Se era bela o ano inteiro
Cabra de noite ou de dia
De tão estranho encantamento
Deixou por seu testamento
A torre ser de dona chama
Resistiu à história ao pensamento
Lendária mítica dama
Por vales e montes a memória melodia
Sussurra a brisa o desalento

Chama chamorra
Pernas de cabra
Cara de senhora

Dona Flâmula magia
Hei-de contar um dia
Essa terna inspiração
Dona Flâmula em segredo
Hei-de contar muito a medo
Sua história seu segredo
Encantamento e sedução

E por desgosto
Atirou-se ao poço
Fez-se lenda no tempo
E na paixão
...
musa

1 comentário:

António Reimão disse...

Muito bom Ana. Fico à espera do resto. Do contar da história... António Reimão