Cartão de Visita do Facebook

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SE UM DIA AS PALAVRAS FERIREM MAIS DO QUE A SAUDADE

SE UM DIA AS PALAVRAS FERIREM MAIS DO QUE A SAUDADE

Meu amor que em segredo
Amo em travessia
A vida que acontece
É de instantes que se tece
O grito louco do medo
A tortura
Em poesia

Feridas
Essas palavras que adentro
Invadem côncavo sentir

No tecido mole do tempo
Ofendidas arestas
Sangram sentidos
Doendo a fingir

No verbo de silêncios
Fendidos e contundentes
A brancura de glóbulos silvestres
Multiplica orgasmos que tu sentes
Entre espasmos e gemidos
E fluidos escorridos
Entre pernas humedecidas e quentes
E os teus olhos a cintilar

Um vazio preenchido de intimidade
Na pele de aromas agrestes
A cumplicidade do olhar
Com que despes
A saudade

Fere o amor esvazia o verso
Fende a loucura
Finda a dor
A ternura

Há no universo
A exaustão
O corpo cansado
A doce excitação
Da tua mão
Mesmo ao meu lado
musa 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

MORTE

MORTE

Há um Eu em mim
Matéria que quer chegar ao fim
E um Eu espiritual
Infinito no ser
Cúmplice do teu eu carnal
Em desejo e em querer

Quando eu morrer
Dividam-me em duas partes iguais
Metade das minhas memórias ficam contigo
Em desejo silêncio e prazer
Cinzas espirituais
Em doce abrigo
A outra metade
Quero ficar enterrada na areia à beira-mar
Banhada pelas ondas em saudade
Ternura com lágrimas do teu olhar
A terra e o mar em louca intimidade
...
Al mussah

DOCE AMARGURA

DOCE AMARGURA

Tudo o que temos é o instante
Um pedaço de céu
Se és o amor ou o amante
Que sei eu
Do abraço sentido
Todo corpo a entorpecer
No teu olhar conseguido
De tanto desejo de tanto querer
Um beijo na terra ternura
Amarmos até morrer
Na intensidade loucura
Que sentimos a viver
A doce amargura
A vontade no chão
A pele da intimidade
Meiga sensualidade excitação
Que sentimos de saudade
A cada caricia a cada gemido
De bocas famintas
Em cumplicidade
No cio bramido
As mãos sucintas
A abrir caminho ritual
Ao nosso sentir tão carnal
No fogo pele de chamas a arder
A tua língua sensual
A queimar de prazer
E a gotejar em fluidos o mel
Há no teu olhar a doçura fel
Que amarga faz endoidecer
...
Al mussah

terça-feira, 28 de junho de 2016

DIAPASÃO

DIAPASÃO

Desço um pouco mais
Cedo na palavra madrigal
A palpitar entardecer
A tua boca cansada
A mão entorpecida
Nos olhos sensuais
Acontece carnal
Impassível estremecer
A pele adamada
Húmida sentida
Jardim formigueiro
De extenuado prazer
Ramagem esbatida
Tatuagem do tinteiro
E no mesmo lugar
Onde bate o coração
Logo abaixo do olhar
Enrola-se no peito
Doce vibração
Do pescoço ao ombro
Ressoa afinamento
Melodia assombro
Do corpo no leito
Suave tormento
Verso perfeito
E os teus dedos
Escrita em diapasão
Guardam segredos
De uma paixão
Al mussah

DONA FLÂMULA

DONA FLÂMULA

Dona Flâmula cativa
Na seara doce espiga
Ao vento das tentações
Lá na torre tão esquiva
Da tiara perdida anel de dama antiga
Seus olhos provocações
Bela moura rival cristã
Chama acesa da manhã
No trigal flor silvestre
Era um tempo tão agreste
Cheirava a urze hortelã
A beleza que a veste
Madrigal temporã
Nos campos da serrania
Giesta esteva ou arçã
Da torre dama escondida
Vagabunda ou vadia
Adiando a própria vida
No amor da tentação
Melusina encantada
Na sua torre trancada
Esperando salvação
E do monte de S. Brás
Seu apetite voraz
Ecoa na ventania
Dona Flâmula princesa
Cobiça do cavaleiro
Há na lenda a incerteza
Se era bela o ano inteiro
Cabra de noite ou de dia
De tão estranho encantamento
Deixou por seu testamento
A torre ser de dona chama
Resistiu à história ao pensamento
Lendária mítica dama
Por vales e montes a memória melodia
Sussurra a brisa o desalento

Chama chamorra
Pernas de cabra
Cara de senhora

Dona Flâmula magia
Hei-de contar um dia
Essa terna inspiração
Dona Flâmula em segredo
Hei-de contar muito a medo
Sua história seu segredo
Encantamento e sedução

E por desgosto
Atirou-se ao poço
Fez-se lenda no tempo
E na paixão
...
musa

domingo, 26 de junho de 2016

SOFREGUIDÃO

SOFREGUIDÃO

Na memória dos teus lábios
Aprendi rituais de silêncio
Na ausência das palavras
A intensidade do olhar
As mãos altares de catedrais
Torres erigidas em astrolábios
A boca umbral do tempo
No céu de beijos a perdoar mágoas
E nos teus abraços onde descansar
Húmidas saudades transcendentais
Em espiritual sentimento
Sofreguidão
Nas lembranças viscerais
A loucura intemporal excitação
A pele o templo onde orar
O chamamento carnal de mil desejos
A luz das lágrimas a cintilar
A solidão
Que eu sempre soube esconder
Na dor com que me amas
Acendendo o fogo do prazer
A alma que queimas nas tuas chamas
O amor que fazemos morrer
...
musa

sexta-feira, 17 de junho de 2016

RITOS DE SILÊNCIO

RITOS DE SILÊNCIO

Pedra pagã
Altar imperial
Templo de seda
Sombria e leda
Fria manhã
Ritual

Frondosa moradia
A estender raízes
A doce melodia
A pintar matizes
Em ritos de silêncio
Por sentir

No delta do olhar
Uma lágrima a fugir
O tempo foz
Estuário a cintilar
Brilho intimo da voz
Margens a enumerar
A imensidão
A vastidão
A extensão
Um pedaço de terra no mar
...
musa

INSUBMISSO. RUMOR


Insubmisso rumor ficou
Dos caudais de luz
Atravessados
Quando morreste
De tempo nenhum
Que jamais te trazia
De volta para mim


Matei-te secretamente
No gume silêncio da dor
E os olhos tão cansados
De esperar por ti
Fecharam-se em poesia
A sangrar ausência
E desse ardor
Eu te perdi


Ninguém te conhece
Ninguém sabe quem és
Ninguém nunca te viu
Tal como a vida entardece
O sal do pranto das marés
Algum dia já sentiu
O amor
musa 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

COM VERSOS COM MAR

COM VERSOS COM MAR

Homenagem a O Velho e o Mar (The Old Man and the Sea, no original em inglês) é um romance de Ernest Hemingway, escrito em Cuba, em 1951, e publicado em 1952.[1]
Foi a última grande obra de ficção de Hemingway a ser publicada ainda durante a sua vida, sendo uma das suas obras mais famosas.
Conta a história de um velho pescador que luta com um gigante espadarte em alto mar por entre a Corrente do Golfo. Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de o qualificar para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954.

COM VERSOS  COM  MAR

Qual foi o último livro que leste?
Foi o Velho e o Mar
Aliás, repeti a leitura, passados muitos anos.
Qual foi a tua maior luta no mar?
Contra mim mesmo
As lutas interiores são sempre as mais difíceis...
Indeed!
O mar e eu somos a mesma pessoa
O Pessoa dizia algo do género
A Sophia de MBA também.
Mas prefiro entrar no teu mar
Os meus olhos são um mar rebelde
De um azul infinito inalcançavel
De uma profundidade temerária
Gosto!
Mas nada disso me faz temer esse mar
Aventureiro destemido és tu...
É o que a vida tem de bom ainda!
O ainda é só uma vírgula na vida
Eu vivo-a, há quem só lhe sobreviva.
Mas faltou antes do ainda a vírgula
Cheguei aos cinquenta e sinto-me uma criança a descobrir a adolescência de viver
Sim? Estiveste refém de quê ou de quem?
Sempre um pássaro livre
Livre leve e solta,
Então faltou ainda! Ainda me sinto...
Livre leve e solta
Nada como uma mente resolvida
Desnecessário o ainda tanto que sou uma mente rebelde
És? Podes prová-lo?
Só provo o gosto da vida
A vida tem muitos sabores
A minha sabe ao silêncio da poesia...
Nunca provei.
O sabor das palavras?
O silêncio da poesia
Parecido com maresia
Esse já eu o provei
Então já conheces
Sabe ao sal da vida
E ao doce do silêncio
O que dá...
Agridoce loucura
Achas que é um mau resultado?
Eu não o trocaria por qualquer outro sabor
Se tivesses que começar um verso, agora, que palavras escolhias?
A vertigem das palavras não escritas
Gosto
“Podes ir comigo ao mar colher seixos?
Não tenhas medo que sinta por ti
Um pouco mais de poesia
Um pouco mais de palavra
Flui comigo
Ainda tenho a esperança de fundirmos as nossos afluentes poéticos
Obrigado... sente a carícia de um verso no teu rosto”
Gostei da ideia de fusão de afluentes
Na foz da agridoce loucura desagua a vertigem das palavras não escritas
Faz muito sentido, pelo menos para nós !
Nas margens da escrita há ventos moldando caminhos fundindo sentidos sem sentido algum
É sensual, quase erótica.
A escrita? A palavra? Ou eu?  
Na foz da agridoce loucura desagua a vertigem das palavras não escrita
E por consequência tu!
Eu sou poesia...
E?
Sou Mulher
E Mar
É o bastante
De Jade
Verde imperial
Neptuno ou Adamastor quem sossegas ou amedrontas
Both!
Nos mares intranquilos do sentir
E sossego e amedronto a Jade
Jade blue eyes
Juca green eyes
O que dizem os teus olhos
A verdade é sempre mais digna
O mistério é sempre inesquecível
A dúvida sim, o mistério não.
Gosto de mistérios
Não gosto de duvidas
O mistério adensa o desejo!
Vivemos delas
O desejo alimenta o mistério
Alimente mo-lo então!
De certeza?
Sim, sou desejo
Desejo de?
Do que desejes!
De que fiques...
No inesquecível?
Entre o mistério e o desejo
Isso é uma zona cinzenta
Haverá colorido
Do cinzento há o mais belo arco íris
Às vezes azul às vezes verde
Gosto do mar cinzento
O azul e o verde frente a frente trocando sensações
Provocando tempestade
Mares revoltos
Fúrias incontidas
Onde é o teu mar
No fim do delta do teu rio
Há um ribeiro aqui perto
Um pouco de doce no sal das ondas
No meu mar bravio
É desse ribeiro que quero beber
Só nos meus olhos de mar
O teu mar sou quem o revolto, esse ribeiro corre por mim.
E seco o sal desses olhos
De onde conheces os meus olhos
Conheço o mar e isso me basta
Sei-lhe a cor e sabor
Agridoce
Quero-o
Conquista o
Conquisto-o?
Mares conquistados
Já estão!
Ainda, há tanto por conquistar.
Já conquistei os meus
Agora opto pelas entregas mutuas e conscientes
Pois eu quero ter sempre mar para conquistar
Conquista-me se te achares capaz.
Acho que já conquistei um bocadinho
O suficiente! E eu a ti!
Também há rosas sobre o mar e príncipes sobre as vagas a cativar a maresia
E raposas à espreita onde as palavras tropeçam vírgulas
E o mistério é um avião a planar o sentir ou voo cruzeiro a demorar desassossego no tempo
A ver quem chega ou parte primeiro, de encontro a essa conquista de olhar o além.
O infinito do tempo a tocar as arestas da paciência.
...
musa