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sexta-feira, 27 de maio de 2016

A DOR DE VIVER

A DOR DE VIVER

Adio amar. Adio a viagem. Adio a vida. E sei que estou perdoada. Trago aos versos o silêncio da pontuação. Adio a negação dos sentidos. Deixo para trás o olhar, a paisagem, a ferida com que remendo a sombra, e sei que não resta nada.

Os versos feridos ainda sangram a metáfora infecta por sarar.

Os pontos descosidos vertem a linfa das palavras e a memória os versos brancos a lutar contra a insatisfação.

O corpo todo ruína é timbre e lacre de podridão.

Sobram os seios ainda maduros.

Os olham amarelecidos baços encandeiam de desejo.

Os braços caídos imaturos estendem os lábios a um ultimo beijo.

A língua um céu carregado de febre e medo. Na boca o ultimo segredo por cumprir.

O rosto pesado não sabendo mentir. Cismas chispas a fundir na forja lívida do fogaréu. A negra dama a rondar. A vida a ferir. Dói tanto pensar.
...

musa

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