Cartão de Visita do Facebook

sexta-feira, 27 de maio de 2016

DESILUSÃO

DESILUSÃO

Queima por dentro como se fosse lume
Ou tristeza embrulhada na brasa acesa
Não é vergonha não é impaciência não é ciúme
É somente a desilusão vestida para matar a certeza

Dos trajes menores uma culpa sentida
Apetecendo despir a falsa nudez
Se por dentro fosse capaz de ficar toda despida
Ou iludida em tão pouca e parca pequenez

Porque da mentira à mais ténue desilusão
Enganos fossem os caminhos da mesura
Há-os em cada esquina da ingratidão

Roçam a alma de esperanças derradeiras
Desiludido o corpo fenece na loucura
As feridas abertas e profundas de tantas maneiras
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musa

BREVIÁRIO

BREVIÁRIO

Um dia não estarei mais aqui
Breve talvez que sei eu
Nem sempre a maresia que senti
A vida de revez o olhar emudeceu

Hestia iluminando o caminho
Na areia das vagas abraçadas de mar
Disseram-me que era lá o meu destino
Quando de existir eu me cansar

Tão estranho o tempo que me vive
Sinto-me naufraga de instantes infinitos
Sonhos de silêncios que tive
Pesadelos que me acordaram aos gritos

O medo inferno queima-me a alma
A dureza das lagrimas pedra e cal
Um gélido inverno entorpece e acalma
A incerteza do sossego transcendental

Salgadas as mãos embalam a vida
Um regaço impulsivo de rendição
A maré é o berço e a cantiga
O abraço sentido da solidão
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musa 

VERSOS CURTOS

VERSOS CURTOS

Alto o sol radioso e quente e eu na lembrança de quando era feliz. Odioso ócio que me domina a esperança que com o verso não condiz. Ínfima partícula do universo em adiada decomposição.

Um traço de solidão à espera de ser apagado. Adio a memória da dor. E o amor negado.Tão difícil acordar neste mundo. Cumprir o ritual indolor louco e profundo de ser.

A carnal capacidade de sentir. Adiada a sombra erguida. Apetece voltar a adormecer.Talvez seja assim a vida e demorado seja existir.

Exausta acordo a alma adormecida da qual escondo a vida. Apetece tanto dormir. E talvez ninguém entenda que não estou a fingir.

Nesta exaustão na qual consagrei o corpo sem vontade. Admiro o cais da memória vazio de mim. Adio a ilusão. Honra e glória a Morfeu. Já tenho saudade. Os agradecimentos ficam para o fim.
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musa

A DOR DE VIVER

A DOR DE VIVER

Adio amar. Adio a viagem. Adio a vida. E sei que estou perdoada. Trago aos versos o silêncio da pontuação. Adio a negação dos sentidos. Deixo para trás o olhar, a paisagem, a ferida com que remendo a sombra, e sei que não resta nada.

Os versos feridos ainda sangram a metáfora infecta por sarar.

Os pontos descosidos vertem a linfa das palavras e a memória os versos brancos a lutar contra a insatisfação.

O corpo todo ruína é timbre e lacre de podridão.

Sobram os seios ainda maduros.

Os olham amarelecidos baços encandeiam de desejo.

Os braços caídos imaturos estendem os lábios a um ultimo beijo.

A língua um céu carregado de febre e medo. Na boca o ultimo segredo por cumprir.

O rosto pesado não sabendo mentir. Cismas chispas a fundir na forja lívida do fogaréu. A negra dama a rondar. A vida a ferir. Dói tanto pensar.
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musa

VARIAÇÕES DO MEDO


Todas as noites
Num útero seco maternal
Tenho uma mãe
A chorar nos meus olhos
Caudal de lágrimas sanguíneas 
A escorrer dos ventrículos cerebrais
Pérolas de sangue e um poema a ardejar
Sentimental
De inquietação
Dores dorsais
Da imaginação
E um frio medular
Um suor de liquor
Uma linfa de cetim
A cobrir a nudez dos versos sem fim
E um sorriso de silencio a latejar
Ruborizada palidez das palavras
Um medo embrulhado no peito
Da noite a querer estender se a meu lado
Na cama vazia do leito
Um olhar velado e pó
Gemem os ossos com o peso dos lençóis
Tange da noite escura a mó
Quase um travo de loucura a florir
E as mantas presas na pele do sentir
Lançam dos sonhos demoníacos anzóis
O sono agre e fel da ferida
Atemoriza em variações amedrontadas da estrofe das dores
Ja tive melhores dias
Há males menores pelo bem das flores
Agora agonizo na sombra sonolenta da vida
Resta me esperar
Quase de partida
As horas fugidias
Que não soube agarrar
...
musa

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Cabelos molhados a escorrer
Deles a água fria do banho quente
Os poros envergonhados a estremecer
A nudez que a pele parece emudecer
Como quem no corpo sente
Um sol entranhado e frio
A água a correr um rio
De pérolas caídas
Gotas escorrendo
Húmidas esvaidas
Uma outra pele tecendo
Caricias evasivas
As tuas mãos secando o molhado
Do corpo envergonhado
Assim despudor
Nessa entrega
Timida e cega
Do amor

musa

AVE

AVE

Sobrevivo
Uma letargia impura
Magica loucura
Sobre a vida
Assertiva
Derrama o lacre
Na ultima missiva
De existir

Amarga do tempo acre
As horas a ferir
Esfaimadas hienas
Arrancando as penas
Das asas aos dias
E dos bicos das poesias
Que se alimentam poemas
Esvoaçam lúdicos versos
Volteiam universos

No mais recôndito firmamento
Da inatingível ruína
Os olhos dispersos
Voam o pensamento
Da existência divina
Épico grito lamento

Aves leves e serenas
Súbditas constelações
A vida essa rainha
Que nunca será minha
Nem aceita os meus perdões
...

musa

SONETO DA ALMA

SONETO DA ALMA

Se a tens no lugar do instante sentir
Como prece que murmura suplica de pranto
E tece do olhar a verdade sem mentir
A admiração os sentidos e o espanto

Gozam o festim da admirável alegoria
Uma fé atingível pela nobreza de sentimentos
Talvez o verso mais singelo da insustentável poesia
Quando do poema brotam raros pensamentos

Do que resta da memória de um verso
A alma o peso de tristeza e lamento
A chorar de palavras todo o universo

Se as há mais do que as estrelas do firmamento
No além distante recôndito disperso
Que alma a dor descontentamento
...
musa

TRANQUILA IDADE

TRANQUILA IDADE

A casa é um sossego pintado de fresco
A tranquila idade descansando nos umbrais
Das moradias da loucura e do medo
Do regato que em segredo atravessa os canaviais
A bucólica estação da saudade
Na avenida das profundezas da memória
A vida no luto lento da fragilidade
Em ascensão de gozo e glória
Da brancura do casario já só resta o passado
E uma rua que o tempo abandonou
Corria um rio de ternura de caudal que o pranto engrossou
Um choro intranquilo e bem pesado
Leito profundo sepulcral
Margens que o silêncio transbordou
Na mais doce manhã de inverno
E quando o dia acordou
Era o sonho eterno
Inominal 
...

musa

FRÁGIL IDADE

FRÁGIL IDADE

Descosidas as cutículas das unhas por roer
Na boca sobras esquecidas
Entre os dentes saudades a doer
Na pele memórias ressequidas
Nas mãos sofridas tantas palavras por escrever
Que os anos pesam arráteis
E nos pés os sonhos perdidos
Ensombram a voz gritos voláteis
Em jejum de sentidos
Fareja a morte a baba cruel
Dos olhos a última lágrima viva
Um odor frágil na pele
A idade lívida
Parece dizer
Ganhei-lhe a cor
Mas não amor
Viver ou morrer
A roer a corda
Que eu morda
Por querer
...

musa

LUA CHEIA

LUA CHEIA

Vai chover na lua cheia
Nos meus olhos coloridos
Há um fogo que se ateia
Para incendiar os meus sentidos

Onde andas lua cheia
Dos telhados aos beirais
No céu cinzento que se enleia
No fumo dos vendavais

Lua escura negridão
Chuva abrir deslumbramento
No céu uiva o chamamento
Do sentir da solidão
...

musa

BORBOLETAS

BORBOLETAS

Um arrepio de suor
Húmido frio a escorrer
Talvez a pele a tremer
Excitação ou calor
Polpa dos teus dedos
Sibila de prazer
Nos poros mil segredos
Fazem estremecer
Batem as asas docemente
Na pele um jardim
Caricia amor
Beija em mim
Borboleta beija flor
Subtilmente
...

musa

ESQUECER

ESQUECER

Deixei de ter saudades do teu nome
Iludi a memória com novos afectos
Dei ao tempo um novo pronome
Voltaste aos sentidos secretos
Arrumado nas lembranças
Escondi as esperanças
E agora já só és
Maresia das marés
Em praia de sentir
Nunca chegado a existir
Barco ou vela ou concha perdida
Ou amarra leme âncora ou convés
Onde pedaços da minha vida
Flutuam em naufrágio da ilusão
A adivinhar outra vez
Quem se esconde no coração
Profundo mar da imaginação
Esse eterno amor talvez

musa

domingo, 22 de maio de 2016

SORRIR PARA VIIVER


A súbita sentença do teu riso
Desejo de amor dócil ausente
Impermeável premente
Breve conciso
Transparente
A rasgar no rosto apático
Aparente sarcástico
A ironia coerciva
Do insulto mordaz
Desprezo desdém
A raiva incisiva
O vulto fugaz
Altivez
Também
Podes rir ou chorar
Gritar ou calar
O sorriso que preciso for
Pois nenhuma dor
Me fará entristecer
Poderá condenar
A alegria de viver

musa

(telas de NORBERTO NUNES)

SILÊNCIO DE MORTE

Silêncio de morte
Têm as trincheiras
Escondidas da memória
A vala desferindo o corte
De mil e uma maneiras
No comum da história
E doce é o sal de barro da ferida
A amargura glória
A imprópria vida
Sem vitória
A roda da loucura
Do sentir
A bala a ferir
Imerecida ternura
Cântico imortal
Nos umbrais da desmesura
Os silêncios carnais
Da terra sepulcral
Abrem valas de tortura
Melodia ensurdecedora
A poesia vingadora
De mel e sal
Dos soldados mortais
Na guerra vencedora
De silêncios fatais
A morte rondando as cantorias
As vozes abafadas pela mão
Moldando o barro das olarias
Do lodo se faz a vida
Na roda da solidão
...

musa

TREVA E LUZ

Na treva de silêncio e saudade
Frémito arrepio de quieta aragem
Na mais negra e espessa bruma da paisagem
Como se escuridão tombasse sobre a cidade

Sombria a noite que se desfaz da claridade
Sussurram as paredes como quem respira
E nas pedras da rua a lua impávida conspira
A fina névoa que se dilui fresca e fria humidade

Nas esquinas sente-se o odor da morte à espreita
Chamamento quase um uivo lamento
Da luz que alumia a sombra no chão se deita

Triste o desassossego a vida a loucura
Essa frialdade e medo que se arrasta no tempo
Desdenha o sangue a alma o corpo todo se tortura
...

musa

CORREDORES DE SILÊNCIO

Vadio o vento ergue-se silêncio imperfeito
Da brancura ao cinzento umbrias tonalidades
Da loucura ao lamento sombrias sensualidades
Como se a luz abrisse ao tempo o seu peito

Tépida a claridade em cadáveres sem rosto
Pulsa o abandono na teia insustentável da leveza
Tons de preto a sangrar-se em sol adentro posto
Em silente e sensível orgia de medo e incerteza

No corredor do silêncio a treva floresce a solidão
Em emoções indivisiveis de absoluto sentimental
Como se fantasmas coloridos invadissem imaginação

Sussurra o vento em destroços pelo chão
Em abraços estreitando a sombra sepulcral
Como se a vida ainda refulgisse na escuridão
...

musa

sábado, 14 de maio de 2016

TEU OLHAR DE CARRARA

Na pedreira do prazer
Uma cidade fundeada amor
Mortal santuário de querer
Tão negra a dor
A pedra toda flutuante
Carrara em esplendor
Duro e lívido diamante
A terra toda a tremer
Brancura escuridão
Um rosto sem expressão
Lábios a estremecer
O beijo abraço mar distante
No olhar do Panteão
Memórias do Renascimento
Trémula dureza
Silenciamento
O eco gritante
De tristeza
musa

sexta-feira, 13 de maio de 2016

TERRA DO SILÊNCIO

TERRA DO SILÊNCIO

Dei o teu nome à água
Sem ela jamais saber
Brotei do silêncio a escorrer
As paredes húmidas de pranto
E de pernas abertas a tremer
Expulsei com lágrimas espanto
A fonte batizada encanto
Na terra que te viu nascer

Dei o teu nome à terra
Colérica a florescer
Paisagens de luz e pedra
De todos os sentidos vitais
Viva natureza a crescer
Pilares sustentando umbrais
Rios consanguineos carnais
Em fleumática melancolia
Equilíbrio sentimentalidade
Em rituais de poesia
Pura doçura intimidade
Mel de fogo loucura

Dei o teu nome ao fogo
Acendi a claridade
A chama viçosa e madura
De sóis estrelas e fogueiras
O lume de tantas maneiras
A arder a felicidade
A vida a respirar
Admirada a olhar
Onde vai a humanidade
No ar a flutuar

Dei o teu nome ao ar
Um brilho novo a cintilar
Odor de brisa e vento
Perde-se no firmamento
O nome entardecido
Murmura longe o sentido
Uma voz a sussurrar
Aspereza respiração
Terra de silêncio perdido
De nome Solidão

musa

segunda-feira, 9 de maio de 2016

FALO DA POESIA

Há nos homens próximos de uma poetisa
O encanto dos olhos a brilhar odor das palavras melodia
A voz das cores carregadas de sentir
A alma imensa maior do que as metáforas que o verso profetiza
A sombra clara do estendal da poesia
Sonhos profetas em altar de espantos
As palavras em rumor de silêncio e liturgia
Do alto dos versos o planalto das ilusões e desencantos
Inebriam abelhas pulsáteis no sangue dos verbos em tambor
Os homens próximos dos sentidos em poemas
Quando olham fazem amor
Têm o olhar carregado de visões da vida
E as falas possuídas e serenas
Despertam medos encantados
Brilhos musicais a refulgir
Numa clareira de chuva e mel perdida
Os Falos enfeitiçados
Ganham asas no papel
Fazem-se homens alados pela boca da poesia
Na serenidade terrena do sentir
...
musa