Cartão de Visita do Facebook

domingo, 21 de fevereiro de 2016

DAS TRISTEZAS DO MUNDO

DAS TRISTEZAS DO MUNDO

Porque há tanta gente triste neste mundo
E as minhas tristezas onde eu as deixo
O meu sofrimento dolorido e profundo
Quantas vezes eu escondo e não me queixo

Tanta gente com dores e mágoas maiores
E faltas e lágrimas e sonhos tão desfeitos
E raivas e risos e gritos e silêncios e dores
E feridas abertas a sangrar nos seus peitos

E porque tem este mundo tanto que assim sofrer
Tantos castigos privações em dolorosa vida
Desejando a todo instante um motivo para morrer

Que mundo este que da tristeza faz bandeira
E a alegria é tão pouca tão escassamente sentida
E tudo faz para viver assim dessa maneira
...

musa

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MORRIAS HOJE

MORRIAS HOJE

O tempo não consegue fazer esquecer que morrias hoje.
E em minhas mãos deixavas a magnólia pranto da saudade
O tempo não apaga nos meus olhos os teus olhos
Nem a melancolia que no meu olhar insiste 
Nem desvanece um pouco as lágrimas da infelicidade
E eu serei todos os meus dias um pouco mais triste
Na incerteza do amor que não vivi
E esta dor ausência em que persisti
É tão profunda como a tua morte
Que lá atrás no tempo
Eu assisti
A vida vive os meus dias e resiste
Aos caudais de riso em dias de chuva
Os dias morrem o esplendor de silencio entardecer
Que escorre na vidraça embaciada e turva
E humedece de choro e dor o leito amanhecer
E o corpo devassado pela ilusão da vida
Com todas as promessas quebradas e ausentes
Só deseja morrer
Há uma infinita solidão sentida
Horas por viver em minutos pendentes
No gume aceso dos dias a sofrer
O lume que se acende
É dor que não passa
É dor que não entende
Que por mais que eu faça
Que de tudo o que eu penso
Não consigo esquecer
A única certeza
A morte em suspenso
A vida presa
Ao meu viver 
...
musa

19 de Fevereiro ... já foi há tanto tempo...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ABRAÇO-TE - dueto com Renato Paulino - Oscar Peterson " Night


ABRAÇO-TE - dueto com Renato Paulino

"abraço-te...
e nesse meu abraço
imaginado
que foi o teu amanhecer
sente agora
meu amor
todo o dia
entardecer
... Renato Paulino"

Trago te para os meus braços
Uma intensidade presente
Uma insistência de desejo
Intimo querer de abraços
Um amor que pressente
Da tua boca um beijo
Num afago de cansaços
Trago te para o meu sentir
Resgatado das tuas reticências
Invocado no teu existir
Do olhar infinitudes transparências
As mãos os beijos a consentir
Corpos estreitados e ardentes
Em ternura invocação
Em loucura excitação
Em doçura paixão
De olhares confidentes
Abres os teus braços às minhas resistências
À flor de uma vontade amanhecida
Na intimidade de magnânimas fluorescências
Deixas na boca a saudade entardecida
...

musa

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

BREVE EXISTIR - Alika - Soulmate (Official Video) by Yovie Widianto


BREVE EXISTIR

Em breve desta vida me despeço
Já outros poetas divagando o disseram
Em estranhos versos de um sentir confesso
Deixaram em palavras tudo o que viveram

Breve existir do tanto que a vida me deu
E agora um poema a ultimar de sentidos
Uma réstia de esperança que não morreu
Mesmo que os sonhos já estejam perdidos

Desventura triste o caminho ainda a percorrer
Do breviário profético que ameniza razão
Com que rescindo o contrato de viver

Profana loucura que tomou conta de mim
O doce odor da morte que insiste ilusão
Inebria de vontade o gosto gozo sem fim
...

musa

DO TEU AMOR É PRECISO - PRIMEIRO BEIJO - Rui Veloso


DO TEU AMOR É PRECISO

Uma estrofe perdida de sentir
Sem se ver ou se tocar
Sentida sem existir
Só lábios ou olhar
A pele do todo num verso
Sentidos de amor
O mais profundo do universo
Em absoluta dor
" (não sei porquê, mas hoje não deixo de pensar em ti, ...) "
Do teu amor é preciso
Eloquente estranho conciso
Tão intímo este momento
Quase amor declarado
Segredos do teu pensamento
Em silêncio guardado
" Apetecia-me beijar-te no meio da poesia... faço amor contigo no meio do teu poema..."
Somos o verso a querer ser poema...
Na noite serena
Um verso prisioneiro
Cristal de gelo quente
Um poema todo inteiro
Ofegante luminescente
Há palavras espalhadas
pelos cantos da memória
como sal de sentidos
A purificar sentir
no tacto dos sonhos
Uma palavra cristalizada
Húmida em fogo lento
Incandescente
Quase nada
O tempo
Sente
Beijos de vontade e desejados
Um beijo abraçado no temporal
Em bicos de pés da ventania
Chuva incendiada de luz
De que luz me acende o teu sentir
De que fogo me queima a tua vontade
De que silencio me busca o teu desejo
"Sinto-me explodir... quero-te..."
Querer
Saudade
Prazer
Poesia
... deixo te um beijo...
...

musa

DO AMOR - Hungry Ghosts - I Don't Think About You Anymore But, I Don't Think About...


DO AMOR

“sei lá se o tempo passa rebelde
nos ventos que vou colhendo
ou se é a pálida imagem da vida
que em mim se vai perdendo
sei lá se aí permaneces
quando o sol
enfim
regressar
ou se serei eu
a recolher-me
depois de tanto amar
renato”

Quando incansável o tempo
Um sopro respira desliza ofegar
Bate as asas de fogo o pensamento
Sobre o amor quem possa sentir e amar
Em sentimental recolhimento
E nessa pálida imagem da vida
Onde tantos sentidos parecem naufragar
Há uma imagem esquecida
Guardada no meu olhar
...

musa

CAL E SAL

                 João Carlos
CAL E SAL

Onde afoga a maresia
Brando olhar
Espuma a pedra
Branca cal
Água fria
Louca treva
Húmido mar
Lágrima e sal
Grito tormenta
Negro rochedo
Temporal
Vaga sedenta
Cabo do medo
Ondas bravias
Vendaval
Olhos bruma
Névoa espuma
Pedras macias
Engrossa caudal
O mar e o vento
A terra e o tempo
Forças medidas
Trevas sentidas
Tempestade
Momento
Violento
Cálido
Salgado
Mar
...

musa

EU ELE NÓS

EU ELE NÓS

Estendendo a corda na noite que nos envolve
Há todo um tempo de instantes tecidos em nós
Sentidos que de luz cumplicidade vem e devolve
O silêncio da escuridão poesia sentimentalidade na voz

E eu e tu e nós debaixo das traves negras onde perdura
A coberto da intima noite que se faz verso afago
Na cave secreta das vozes estendal da loucura
O poema grito sereno que adentro guardo

Palavras como beijos de uma sedução ao ouvido
A noite murmurada afectos de loucas paixões
Entre os dois o escuro é cântico oração gemido

Eu fio de luz em tear ou teia sensualidade
A noite em nós a trama tecendo as ilusões
Tu e a voz dos poetas cantando a dor e a saudade
...
musa

CINZAS

CINZAS

Frágil a vida
Humana
Como a carne
Estranha como o fogo
Um ilusório jogo
De conversão
A morte segura
A doida reflexão
A loucura
A abstinência
O jejum
O arrependimento
Só um
A maldicência
O encantamento
A fogueira
O deslumbramento
A morte
A sorte
Essa maneira de ser
Chama ou cinza
Ao morrer
...

musa

POEMA A UM POETA AUSENTE

POEMA A UM POETA AUSENTE

No interior da velha mansarda
Ainda agora arrumei as tartarugas
A pálida tarde turva e parda
Reparei que os embaciavam as rugas
De uma bruma salgada e fria
Talvez sei lá a maresia
No olhar da intimidade
Que a tristeza esvazia
De saudade
As rugas da pele do rosto das mãos
Os olhos molhados de umas lágrimas maduras
Sulcos no corpo marcas de tantas loucuras
Em baixios de ímpios vãos
Nos olhos cansados de ignorar ver
Mágoas nas escadas a correr
Os óculos riscados de tantas aventuras
E o tempo alma na pressa se estremecer
A utopia das lembranças arrumadas em secretos desvãos
Esquecido que foi o dia que se fez esquecer
Porque o corpo as mãos e as desventuras
Tombaram como um denso nevoeiro
E o sangue esfriou a tinta no tinteiro
Deixou as últimas marcas de palavras
A marcar presença do poeta ausente
A essência infinita do que ele sente
Passas a porta inconsciente
O poeta não estará mais aqui
E todo ele inteiro profundo
As mágoas que já senti
Em agonia euforia
Como a maioria do mundo
Quando sente a poesia
...
musa

BAIRRO DE MAR

BAIRRO DE MAR

Antes que o tempo o dê por esquecido
Moro num res-do-chão
Onde o sossego é deprimido
Não mais do que três andares
As escadas pertencem ao cão
Comigo estão a vizinha da frente
Que só fala se tu lhe falares
Na esquerda a vizinha contente
Passeia o cão todo o dia
É uma rua sem saída com cheiro a maresia
Um bairro quieto diferente
Muito perto do mar
E o comboio sempre a passar
Sossego e serenidade de campestre veraneio
Vêem se as estrelas e ouve se o galo em grito enleio
Amestram se as gaivotas e soltam se palavras selvagens
E a todas as horas lembram se viagens
Instantes momentos a divagar
A estrada e o comboio fazem cantoria com o ondular
Das aguas salgadas das praias e das dunas
A vida numa rua com um pouco de sol e vida
Janelas abertas esvoaçando espumas
Sobre o oceano a lua e em terra a noite perdida
Os vizinhos adormecidos e os meus sonhos perdidos
No rés do chão vive a solidão
Na poesia os versos sentidos
...

musa

MINA DE AMOR

MINA DE AMOR

O amor esse mistério
Oculto sentido
Secreto existir
Luz minério
Lamento
Gemido
Suspiro
Fluir
Dobra tímida do hemisfério
Geografia do pensamento
Vasto poderio esse império
Por vezes descontentamento
Loucura segredo filão
A explorar o sentimento
Ás vezes desencanto
Sonho feliz do coração
Outras vezes pranto
Outras vezes desilusão
Outras vezes paixão
Ás vezes quanto
De sim ou não
Sangue mina
Sofreguidão
A explodir
Aos olhos dos apaixonados
Nos túneis escuros do fingir
Nas paredes escavadas
Nos corredores abafados
Quase quase a desistir
As mãos já cansadas
De nada descobrir
Amor pedra gema metal
Do olhar prestes aluir
Tão sincero tão carnal
De silêncio emudecido
De um grito tão ferido
E no peito tão fatal
Tão adentro raridade
Tão feito de saudade
Tão sentido tão especial
Talvez ainda nunca encontrado
Talvez não seja para descobrir
Talvez de tão enterrado
Seja somente de sentir
...

musa

BRINDE À VIDA

BRINDE À VIDA

Traz o vinho
a pele
e uns lábios
e o odor
a tempo rotulado
como agradável
sentir
engarrafado
Traz liquido
o olhar
puro
cristalino
aquoso
fechado
na garrafa
vidro fosco
a bailar
néctar vibrante
aroma volátil
espumoso
fulgurante
vivo
Traz a garrafa
vamos brindar
à vida
...

musa

VEM

VEM

Se é tua vontade
Vem
Cavalo manso
Em liberdade
Do teu olhar selvagem
Fêmeas as mãos sem rédeas
Do teu dorso que não me canso
Do teu corpo paisagem
Prado encantado de sentidos
Do seio o esvoaçar delicado
Abrindo bico de prazer
Batendo asas de gemidos
Saciando endoidecer
A pele erva tão verde
A tua boca a sede
Bucólico querer
Húmido sentir
...

musa