Cartão de Visita do Facebook

domingo, 4 de dezembro de 2016

PRESENTE - de Teresa Teixeira


PRESENTE
(Hoje, para a Ana)

Pego em palavras
Arranjo-as numa espécie de bouquet
(ou música de Brel)
Quem sabe, um poema

Depois, enfeito-as com papel  bonito
Aperto tudo com um laço bleu
(parfum de Chanel)
Hum, cheira a alfazema...!?

Não sei porquê!...
São só palavras
que arranjei...

Bem, na verdade
dentro das palavras
coloquei:

. chilreios de passarinhos
. um frasquinho de brisa de trás-os-montes
. tinta de pintar o sol-pôr
. pinguinhos de mar, colhidos na primeira onda da manhã em que nasceste
. um livrinho antigo do Sto António, com o Menino em cima
. coro de anjinhos recém-nascidos
. uma cartinha que te enviou o Principezinho  de Saint-Exupéry quando fizeste anos, há muito tempo
. sonhos de todas as cores
. um Tratado de  Amizade
. um livro inteirinho por escrever
. uma capa fofa com abraços dentro
. pozinhos de perlimpimpim
. 51 lamparinas mágicas
(para pedires 3 desejos
ao mago de cada uma delas)

Olha, acho que pus também
o poema que senti

Mas não digas a ninguém
É só pra ti.

Teresa Teixeira


DESPEDIDA DOS MEUS CINQUENTA ANOS

“Que ninguém
hoje me diga nada.

Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.

Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.”

Fernando Namora


DESPEDIDA DOS MEUS CINQUENTA ANOS

Tenho cinquenta anos
E o que vivi
Amores e desamores que senti
Os mais secretos e sensíveis estranhos
Dias intermináveis de enamoramento
Às vezes a branco e negro
Ou o deslumbramento colorido
O sossego e o medo
O dividido sentimento
A loucura do sentido
Por tudo o que fui e por tudo o que perdi
Confesso paixões feitiços gozos encantamentos
Sim as perdas e os ganhos
Foi por isso que existi
Mulher de tais pensamentos
E agradeço à vida
O amor maior
Sentir e ser
Essa brevidade sentida
Ávido honor
Viver
musa 


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AMOR SILÊNCIO

AMOR SILÊNCIO

Este amor silêncio na pedra escrito
Com gotas de chuva perfurando
A pele de pranto e grito
As lágrimas tristes de quem amando

Chora amargurada desilusão
Que lhe corrói o ser
De saudade e solidão
Na intimidade do prazer

E queima e arde o fogo acendido
De impossibilidade existir
Sendo apenas o único sentido

De viver para alimentar chamas de paixão
Que a vontade morre a consentir
A morte na alma do coração
...
musa

PRIMAVERA DO AMOR

PRIMAVERA DO AMOR

Tumulei o desejo
Selei a vontade
As mãos aguilhoei-as de silêncio
Hibernei a intimidade
Até à Primavera meu amor
Não saberei mais esperar-te este Inverno
A tremura do tempo enregelou o sentir
Fragmentada a dor
Degelou sem ferir
O medo eterno
De um dia te perder
Para sempre
Loucura

Até à Primavera meu amor
Quando húmidas as fontes
Voltarem a ser doçura de lágrimas
E as mãos como pontes
Passagens de beijos
Da ponta dos dedos
Aos lábios sequiosos
E nos teus olhos florirem segredos
E mil desejos
E cintilarem preciosos
Os pirilampos da noite no teu corpo adormecida
E o aroma da tua pele com fluidos de poesia
Libertar o perfume da vida
Silvestres sentidos e o sal da maresia

Até à Primavera meu amor
Porque agora com este frio
Demorarei a esperar-te
No umbral da angustia esteio sombrio
O corpo estuário rio
Transborda margens de tristeza
Na foz da incerteza
A gélida estação
Petrifica a tua mão
Fossilizado sentimento
Em profundo lamento
Sedimenta bem no fundo do coração
A Primavera do Amor
...
musa

LÁGRIMA

LÁGRIMA

Partiu
Da Babilónia do silêncio
O tempo ruiu
Cansado e triste
Dos corredores do riso
As mãos em elos
Do umbral espanto
A lágrima luz resiste
O pó dançante
Luminoso impreciso
O desencanto
No final juizo
Em dois riscos paralelos
Afiado insiste
Ser pranto
...
musa

AMOR

AMOR

Amor

Palavra fenecida
Tortura
Ternura
Tecida

Talvez a seda da vida
A teia prisioneira
Onde a dor escondida
Obsidia e ateia
A trama sentida
Da desilusão

O fio condutor
Da viva paixão
Que suplica querer
De amor
Fogo do coração
Alma incandescente
Ardente sabor

Todo corpo consente
Queima e arde
Sem se ver
E até pode acontecer
Rio que invade
Olhar de pranto
Tal é o desencanto
Que apetece morrer
musa 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

AMAR-TE TANTO - dueto com Teresa Horta

AMAR-TE TANTO - dueto com Teresa Horta

“UM OUTRO TANTO

Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
*
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
*
Perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
*
Poder amar-te ainda
um outro tanto

*

("Inquietude")”

Querer-te é pouco
de um amor maior
Que enquanto fantasia
É verso louco
Tanto da poesia
O amor
É dor

É súplica tanto a morte
É fantasia
É fogo brando
Ou quando a sorte

Perseguição
Tanto a loucura
A perdição
Amargo sabor
Da paixão desmedida
Do tanto que é a vida
Do jeito desconhecido
Do tanto do sentido
Arrebatador
De amar-te imensamente
Perdidamente
Ou desamor
musa 

AMARGURADO BEIJO

AMARGURADO BEIJO

Que importa pois se amargamente nos beijamos
Como quem na boca prova fruto amargo fel azedo
E sabe aos dois essa amargura que degustamos
O beijo da ternura com que a medo ficamos

Beijados os lábios quase mordidos
Maduros e gretados no silêncio de um dedo
Como quem morde em pranto a raiva em sentidos
E cala num beijo amargurado segredo

Entre lábios ofendido amertume assim triste
E não é ciúme ou azedo sentimento
Esta amarga loucura que aos beijos resiste

Amargo o gosto branda agrura de sabor
Travo choro de beijos no sentir do lamento
Como quem cala na boca a que sabe o amor
...
musa

AMARGURA. - dueto com Manuel Alegre

AMARGURA - dueto com Manuel Alegre

"NOS TEUS OLHOS ANDA O MAR

Nos teus olhos alguém anda no mar
alguém se afoga e grita por socorro
e és tu que vais ao fundo devagar
enquanto sobre ti eu quase morro.

E de repente voltas do abismo
e nos teus olhos há um choro riso
teu corpo agora é lava e fogo e sismo
de certo modo já não sou preciso.

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua.

Manuel Alegre"

Que este amor faça nascer lágrimas dentro de mim
Da terra árida infeliz o sentimento fértil da paixão
Um querer maior do que a vida já próxima ao fim
Mesmo que a flor já nasça de raiz arrancada ao chão

E preciso for em choro desespero viver
Em grito dor semeado aos quatro ventos
Em riso pranto entre os teus abraços de querer
E tanto tanto o prazer  das lágrimas e lamentos

E sentir na carne a seiva da saudade
A terra molhada e fria  da tua pele
Lavrados os corpos pelas mãos na intimidade

E são agora tristes os olhos leito sombrio
Chão humedecido de tristeza amargura e fel
Quase loucura as lágrimas e a vontade a fazer-se rio
...
musa

domingo, 27 de novembro de 2016

RIO DE MIM

RIO DE MIM

Este rio
Que me corre
Em três faces
Preenche em mim
Prenhe vazio
Perde e morre
Mil desenlaces
Quase o fim
Tremulo leito
De aguas sombrias
A ofegar no peito
Perto da foz
Chego de mãos vazias
E rouca a minha voz
As mil fantasias
Já quase não grito
O olhar aflito
A sombra maresia
A alma como as pontes
Na boca a poesia
O corpo todo granito
No olhar ainda as fontes
Nas margens sós
Poentes horizontes
Um degredo solidão
Ruínas de saudade
Esventra o rio a cidade
Foge-lhe a vida da mão
Uma face de luz
Uma face de pranto
Uma face de gente
Um Porto que seduz
Riso insanidade
Um rio que se desfaz encanto
Atravessa e consente
Em gritos de liberdade
A vida que o conduz
O tempo de tudo e de tanto
Espelho côncavo de gente
O beijo infame demente
O riso devaneio indecente
Carrega a vida como cruz
Ou talvez nada
Em três faces da mente
A pele assim arrancada
A frio ou a quente
Sem se cansar
A vida levada
Pelo céu afluente
Até ao mar
...
musa

RUÍNAS DO RIO



RUÍNAS DO RIO

Anjos sossegam as asas na cúpula ascensão
Às vezes questiono-me sobre as metáforas da poeira
Um raio de luz solar sobrevoa a escuridão
Assim sei dessa maneira
Onde paira a ilusão
Todos os anjos têm asas
Pintados de fresco desafiam o tempo
A pálida nitidez das cores
As almas são como as casas
As paredes abrigam o pensamento
As angelicais dores
O evocativo sentimento
Paira um certo sentido
Esvoaçam olhares
Flutuam visões
Um gerúndio vivo
Agita-se nos ares
No sentir das orações
Anjos e versos
Ou inversos
Das multidões
Restam as paredes a cair
As casas à beira-rio vazias
O multiplicado sentir
Debaixo dos pés as tábuas vivas
Das janelas sombrias
Foge a luz
Um sonho antigo
A memória das penas
Em ruínas uma história por contar
Lágrimas ou abrigo
O céu como olhar
O sossego ou o perigo
Pedras soltas desfiguradas
O impune castigo
Do senhorio tempo
Nas casas abandonadas
A claridade ofendida
Quase um lamento
As asas cortadas
Pelo vento
Da vida
...
musa