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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

POEMA DOS MEUS CINQUENTA ANOS

Atravessei meio século
E deixei para trás tanto de mim
Senti e perdi e ganhei e vivi
Tudo o que do começo teve um fim
Emoções guerras e sentidos
Amei as lágrimas que chorei
De silêncio e solidão
As tristezas as dores os sonhos perdidos
Todos os projectos de vida que abandonei
Da raiva ao desespero da loucura à paixão
Pela berma do caminho
Num rasto de infelicidade
No trilho da desilusão
Nas pegadas do destino
Cumpri sempre a verdade
E tantas vezes desertei
Do que sentia o coração
Mea culpa pois não fui a melhor neta não fui a melhor filha não fui a melhor irmã não fui a melhor companheira não fui a melhor amiga não fui a melhor mulher não fui o melhor ser
Da criação da humanidade
E ficou tanto por aprender
E ficou tanto por dizer
E ficou tanto por fazer
Mas sei que nunca pisei o risco da desumanidade
Levo comigo muitas falhas muitas culpas muito por sentir
Tentei sempre não me desviar do bem e das regras da honestidade
Talvez por isso o melhor da vida seja o que ainda me falta cumprir
Viver outra vez para existir em felicidade
Morrer talvez de ternura serenidade
Com um único pensamento
Chama lamento da vida a saudade
O que sobra
Apenas e só
Um nó na garganta
Da terra não quero ser o pó
Sou mulher de fogo façam me em cinzas de poesia
A madrugada amanhecida que de luz se espanta
Do que sobra de um poente para além do horizonte
E que das memórias da infância se encanta
Das nascentes dos rios dos lagos da fonte
Da água do pranto do parto do frescor
Na fogueira acendida queimem a minha dor
Indivisível vontade transcendental
E dessa poeira enfurecida que reste o amor
Sensível feminino sensual carnal
De quimera de encanto de magia
Todos os meus sentimentos oferecidos
Soprem me ao vento num areal com a maresia
Pois deixo em testamento uma aurora boreal
E o pensamento em fantasia
De versos e sentidos
...

musa

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