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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ÁRTEMIS

Na mão as galhadas
O cervo da aurora
Ao longe as manadas
Por ti a demora
Silêncio da caça
Grito da hora
Vil e devassa
Na clareira os cervídeos
Ruminam o vento
Teus olhos canídeos
Seguem pensamento
Sussurram chamamento
E eu vou
Atrevida inquieta atenta esquiva
Caçadora do teu corpo eu sou
Desassossegada faminta furtiva
Deslumbrada pelo cervo fugidio
Eterna do velho mundo
Bebendo sossego na margem do rio
Golpe de seta certeiro profundo
Interrompe a sede e o frio
Incita a correr
Percorre o um beijo de morte
Um fio de luz e dócil prazer
Um golpe de asa ou de sorte
Um sonho para viver ou morrer
Presa ou predador
Cervo do medo e da madrugada
Em correria esplendor
Na solidão da manada
Rompendo o amanhecer
De sangue e fluidos
De abraços de amor
Morre ao entardecer
Silencio torturador
Num beijo da boca caçadora
De excitação e sentidos
De desejo pela sedutora
Em ternos gemidos
De doido querer
...

musa

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