Cartão de Visita do Facebook

domingo, 21 de junho de 2015

O SONO E O SONHO

Acordo sozinha e deito me sozinha
Esta ânsia magnânima âmago carnal
A minha solidão é do tamanho do mundo
Ao largo de horizontes sem cor e húmido areal
Uma cama vazia em frialdade e sem fundo
Da imensidão de um universo que eu nem conheço
De uma desilusão de um verso fecundo profundo
De uma inquietude angústia sem preço
De uma lassitude que de pranto teço
Em contas de lágrimas presas ao tear
Onde desisto e desfaleço
De tanto sofrer e chorar
E o luto lento derramado dos meus olhos
Tem a negridão e brilho da patina de petróleos
À flor da água a espessar as dores
Os sonhos profanos a fundear navios
Sagrados entardeceres a desflorar flores
E dentro deles náufragos vazios
A solitária loucura à deriva
Uma balsa perdida
Quando adormeço
Afundo a vida
Dela me esqueço
Dela me enfraqueço
Dela me não conheço
...

musa

PORQUE

Porque as palavras tão cansada me deixam
Porque os versos desfacelam parte de mim
Porque os poemas tão do eu se queixam
Porque esse eu dessa parte não tem fim

E depois de uma noite esgotada de escrever
Porque não sou mais eu este rosto distante
Da vida cansada de tudo e mais de viver
Com esta musa poesia possessiva amante

Misteriosa sedutora que me acompanha
Desde os tempos de triste e só criança
Escondida entrelinhas da alma estranha
Ainda a querer voltar a essa doce infância
...

musa poema sem nome

MORTE DE MIM

MORTE DE MIM

Morro um pouco a cada dia
Tão perto e longe estou da morte
Distante o gozo e a apatia
Ditosa dama de altivo porte
Estende me os braços a consorte
Que mais ninguém a queria

E eu na minha vida a aceitei
Este fardo lodoso triste pesado
Um manto encardido sujo molhado
Com todas as lágrimas que já chorei
A vida que a vida me ditou
A raiva que nunca ultrapassei
O destino que pelas costas me apunhalou
Desta vida cansada de tudo enfim
O silêncio que adentro calou
O mais secreto de mim

Morro um pouco a cada dia agora
Conformada com a minha condição
Desespero a morte que demora
A dar me finalmente a sua absolvição
...

musa

DIA LONGO

DIA LONGO
Verão as luzes em bolhas de sal
Do tempo da distante penumbra soalheira
Dos crepúsculos sombreados de pedra e cal
Ao umbral de uma tarde à lareira
Em estio e fogo apedrejado
Na luminosa clareira
Do dia incendiado
Ao sol fogueira
Noite ombreira
Do Verão
Olhar
Em chamas alaranjadas do solstício
Rubra luz tremula dos olhos
A combustão dos húmidos petróleos
A acender rituais preces vícios
Na candeia do tempo e dos óleos
O dia mais longo a iniciar
Rastilhos resquícios
Ainda a queimar
Doce sentir
Do vento
A aragem rastejante do deserto
A prolongar o tempo
Aqui tão perto
...

musa

sábado, 13 de junho de 2015

MARCHA DO SILÊNCIO a Fernando PESSOA

MARCHA DO SILÊNCIO a Fernando PESSOA

Um dia quando eu for e tu já não sejas
Das leis contrárias a este sentir
Eu seja uma e muitas e tu não me vejas
Nesse profundo e multiplicado existir

E serenamente dos outros eu despida e nua
Goze os predicados metáforas e paixões
Os versos universos firmamentos e essa lua
Que rege todo o meu ser nas mais diversas contradições

E o mundo há de dizer que inteira era o imperfeito
Em poemas palavras a alma nudez das emoções
Tanto era o prazer dessa musa que não lhe cabia no peito

Talvez nunca descubra mistério ou segredo do pensamento
Os tantos EUs a desmoronar de tênues ilusões
Do ser do sentir dos sentidos do sentimento
...

musa

quinta-feira, 11 de junho de 2015

UMA VIDA ANTIGA - Mariza - Beijo de Saudade


UMA VIDA ANTIGA
Sabes estou contigo amor
Queria lembrar o quanto já te amei
Que vida nós já tivemos de alegria tristeza risos ou dor
Queria fazer-te recordar o perfume das buganvílias a descair do ombro macio de luz
O sol as flores o orvalho o odor
O teu olhar que tanto me seduz
Das sombras ao entardecer guardadas na tua mão fechada
A água salgada a fazer brilhar os meus lábios de doce maresia
O teu abraço acolher-me na madrugada
E tudo e tanto em poesia
O leme dos teus braços a nortear-me o sentido
No convés do teu corpo amarar de silêncio e sossego entre um suspiro um gemido
... sim amor vem...
Talvez já tenha ido e não me lembre ...
Resgato-te em palavras
De lugares onde nunca estive
De sentires onde já andei
De vidas que já tive
Do tanto que já te amei
e continuas a amar-me ?
De silêncio e maresia
de espuma das ondas
Um beijo em poesia
Do verde dos teus olhos com a profundidade do mar
Desse lugar de uma vida antiga onde me escondas
Da lua que espera o nosso sentir
No teu corpo e alma fundear
E a noite em nós a sorrir
Seja mais do que um poema
Distante serena
Amor e prazer
Vida por viver
...

musa

segunda-feira, 8 de junho de 2015

RIO EU

RIO EU
Eu tenho um rio de palavras
Tu bem sabes que sou eu
E quantas vezes te cansas da minha enchente
Deste sentir de paisagens tão meu
Das margens selvagens que te crescem
Da alma e pranto e corpo e sentidos da veia que sente
Do meu ser escorrendo em rebeldia
Dos versos que de sonhos se tecem
Das águas límpidas murmurando como lágrimas
Deste âmago húmido latejando quente
Da minha essência que é poesia
Da profundidade do meu leito
Sou rio sim líquido e terno
Da nascente sem fim até à foz
Sumo sangue seiva a bater no peito
Sereno eterno
Silêncio e voz
...

musa

sexta-feira, 5 de junho de 2015

MONTMARTRE

Rua citadina de bairro tipico bela Paris
Bucólico charmoso de pintores de rua
No alto de uma colina tem olhar tão feliz
As árvores os cafés os cabarés à luz da lua

Sacré Coeur, Moulin Rouge, café da Amélie Poulain e Abbesses
Le Mur des Je t’Aime, porque te amo tanto cidade parisiense
Como se mel amoras e outros frutos vermelhos ela tivesse
Numa boca de rubro carmim a oferecer beijo doce e quente

Bairro boémio dos artistas de rua pintores bailarinas intelectuais
Das tendas de lábios vermelhos sorriso do vendedor ambulante
Paris sagrada e profana de cores misticas deslumbrantes abissais

Sinuosas íngremes por entre prédios velhinhos e cafés de esquina
As ruas e praças agitadas de Pigalle a La Chapelle bairro elegante
Fazem dela uma exquise cortesã glamorosa coquete dançarina
...

musa

quinta-feira, 4 de junho de 2015

FAROL

FAROL
Sobe no morro a luz iluminando a alvenaria
De branco vermelho verde o farol cintilante
Rasteja sobre as águas dançando a maresia
Quando silenciada ronca murmura acutilante

Em chão ermo a torre festeja a tempestade
Clarão iluminando céus de aviso em protecção
A bruma da ventania em lençois obscuridade
Abraça de sossego barcos e mares em solidão

Faroleiro anjo luz em terra na proximidade de rochedos
Grita aos ventos da noite a penúmbra insana do temporal
A água fria que encerra intimidade e os muitos segredos

Em escondida imensidão do profundo mar resguardado
Pelo farol orientação a prece guia do caminho espiritual
De marinheiros e pescadores cirio aceso sempre invocado
...

musa

FAZIA-TE UM FILHO NA LUA

FAZIA-TE UM FILHO NA LUA

Fazia-te um filho na lua
Compunha uma canção dos teus beijos
No espelho do mar a água nua
Revela o segredo dos teus desejos

No sal das águas ao luar
Inventava o silêncio do teu sentir
No brilho da lua no teu olhar
Fazia-te um filho sem pedir

Na lua que embala a escuridão
Fazia-te amor nos teus cabelos
Amava-te de sonhos e de paixão
Sem ter nunca medo de perdê-los

Fazia-te um filho na lua que sonhasse
Num abraço sem longe nem distante
O filho que fizesse o desejo que ficasse
Era a lua perdida num beijo de amante

Vamos à lua fazer um filho por amor
Um filho por um poema corpo de sentidos
Na lua serena a odisseia luz do esplendor
Um filho de palavras um filho de gemidos
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musa

terça-feira, 2 de junho de 2015

PAISAGEM

PAISAGEM

Bucólica a paisagem sossega estio arena
O vale manchado de agreste brisa solidão
Em frondoso abraço esvoaça a luz serena
Humedece de orvalho a mescla escuridão

Há um negro matizado de lágrimas por florir
Nessa paisagem de cor derramada madrigal
Desassossega as tintas e a alma por sentir
No peito aberto janela do olhar sobre o vale

Clareira campestre da arena adormecida druida
Colo de todas as ninfas infantas da doce poesia
Há-de haver silêncio na tela ao contemplar a vida

As cores desmaiadas de pranto silenciado da paisagem
Campo corpo e alma do pintor a tela nessa fantasia
Levam o sonho do Adamastor na sua mais serena viagem
...

musa

JADE

JADE                                                                    Aguarelas JoãoBrum

A planície pedra musgo a esmeralda
Dança trigueira flor verde o encanto
Serena entrançada na seara grinalda
Ilumina olhar doce e terno o espanto

Verde pavoneia luxúria mística cauda
Da esperança a natureza esverdeada
O vento esvoaça ao sol brilho espalda
Na planície ao longe de verde pintada

É jade preciosa gema ciano de pureza
Na planície fértil do chão humedecido
Mais verde não há lugar algum assim

Jade intenso e místico de extrema beleza
Ofuscando de frescura o peito do sentido
Na planície perfumada de amarelo jasmim
...

musa

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CRIANÇA

CRIANÇA
O tempo imperfeito um filho carregado
no sorriso da matinal esperança
no aperto do peito a desesperança
na angustia do punho cerrado
o rosto marcado de criança
um olhar perdido abandonado
as mãos caídas de possança
uma lágrima em desconfiança
na memória a lembrança
do pesado passado
a dor que balança
o corpo cansado
a última dança
...

musa

INOCÊNCIA

Às vezes entrego me na inocente
Complacência fugaz do além interior
Renego me vezes sem conta como quem consente
Essência demente de riso ou dor
A rasgar a alma do mesmo golpe carnal
O corte transversal a imbuir de fulgor
Esgar magnânimo visceral
Em inocência torpor
Que despe de vida
Desfere o punhal
Na carne ferida
Inocentada
Na alma vencida
Pelo bem e mal
Pelo tudo e nada
...

musa

PRANTO

Chorei hoje a minha morte
Abraçada à solidão
O corpo frio da vida
Lívida imagem despida
De adornos vestes porte
A palidez da negridão
No branco sangrento corte
A escorrer de pranto
Amargo de boca a dor
Pelo prazer da paixão
Timidez desencanto
Tem uma lágrima a cor
A morte o encanto
Tão pouco e tanto
Real ilusão
Torpor
...

musa

AMOR

E dizes me palavras bonitas arrematadas de amor
Vences o vazio enchente do meu sentir
Palavras vociferadas por sentimento
E um outro pensamento a ressurgir
Em braçadas de amor rompendo o silêncio em mim
Dizes a palavra amor como que a pedir
Olha me todos os dias assim
Como quem abraça com o corpo todo
E de terra de chão de lama de cal de lodo
Molda o amor em pedaços de ternura
Rasga o ventre do tempo
Ama de profunda loucura
Com o sentir o corpo a alma o alento
...

musa

ALMA VAZIA

A alma vazia
O corpo cansado de tudo
Carregando o mundo em palavras
O peso das luas sem chão
O fundo da noite sem brilho
O olhar fundido de solidão
Há noites e vazios por preencher
Um caminho perdido dos passos o trilho
Talvez eu ainda não tenha aprendido a viver
...

musa

PRELUDIO INTIMIDADE

Sombras ameaçam a luz que finda a tarde
Na linha desmaiada ao largo do horizonte
Fogo arredondado de sol intímo que arde
A tez do areal em húmida e corada fronte

A luz que a tarde esfria em prelúdio intimidade
Veste crespúsculo aceso de ocre pó fulgurante
Raiada esvaecida de laivos febris de claridade
Bruxuleia preâmbulo facetado puro diamante

De pranto em pranto se desfaz a tarde em glória
Chove em sol na pauta fria do magento entardecer
Da alma em carnal desassossego da memória

Que ao pôr do sol divide a noite do abandonado dia
Despedindo-se curvado de lágrimas quase a desfalecer
Deixando rasto perfumado de terra molhada e maresia
...

musa