Cartão de Visita do Facebook

segunda-feira, 30 de março de 2015

ALVORADA

Arde-me o peito em lento fogo agonia
O ventre menstruado da escuridão
Luz das trevas que negro sangue alumia
Consumida a carne de dor e podridão

Desferida a lâmina em seio duro excitado
Jorra o leite aceso da madrugada fria
Húmida espessa bruma cobre o lago enevoado
De cal ardida silêncio sêmen e euforia

Fútil erecção da estéril luz da alvorada
Que assim se faz mulher de hímen rasgado
E sangra luminosa a manhã despontada

Tinge a negra escura hora de sangue vivo
Da mais branca cal em chão manchado
De dor arrependimento e golpe desferido
...

musa

domingo, 29 de março de 2015

NÃO ESQUEÇAS DE MIM SEM EU SABER

Nas fímbrias temporais há resquícios de mim
A dura pedra onde repousa o tempo
Perdidos corais em profundezas sem fim
Um mar de sentidos em naufragado pensamento

Águas lavradas de murmúrios suspensos
Lágrimas em cascata de suspiros perdidos
Nevoeiros derramados delírios densos
Sonhos mutilados de viver esquecidos

E até as sombras se enchem de luz
Iluminando o esquecimento de saudade
Tanta é a tristeza que de brilho seduz

O silêncio duro da pedra fria onde o descanso
Esquece a fúria endurecida crueldade
Saber desse sentir rude e manso
...
musa

AMOR FOGO ARDIDO

Amor que nunca conheci outro a não ser
Chama ardente fumo desse fogo já ardido
Ausente flama ou porque não possa arder
Já que ninguém em mim o deva ter acendido

Do amor brasas mornas espalhem ao vento
E todos os sentidos incendiados da ilusão
Na fogueira ardida das lembranças o tempo
Que queimou de tristeza amarga desilusão

Quimera de cera na pira do descontentamento
Arde o fogo atiçado da ira dos infernos ausente
Que amor de lágrimas cinza lume dor lamento

Choro amor fogo ardido do que restou de viver
A infelicidade talvez a rasgar o peito demente
Loucura que me faz em chamas querer morrer
...
musa

DIA DE RAMOS

Domingo amanheceu florido nas mãos da madrinha
O ramo das grinaldas mimosas lírios e lilás em flor
Trazendo lembrança do rosto alegre da que foi minha
Recordada com saudade ternura carinho e muito amor

Tempo que o passado estendeu das memórias jardim
O afecto dos abraços estendidos para receber o ramo
Com parte de uma vida que se eterniza dentro de mim
E floresce de vivas cores saudosa primavera a cada ano

O dia de ramos ainda é espiritual sentimento respeito
Ainda que não haja flores para te dar de braços estendidos
Permanece o sentir florido a lembrar-te dentro do peito

Às madrinhas o ramo em dia festivo as palavras do verso
Perfumando o pensamento de aromas e doces sentidos
Num tempo que permanece tradição festiva do universo
...

musa

AMOR VIÚVO

Levaram-na ao entardecer fora de tempo
Um gélido frio abriu-lhe a alcova tumular
O leito de agonia a florescer pensamento
Essa última morada onde foste a sepultar

Dos meus braços arrancaram-te mulher
Banho de lágrimas manto grito ardente
Metade de mim enquanto na terra viver
Há-de amar-te para sempre eternamente

Ignóbil morte o arrepio profundo lamento
Que te roubou mãe dos filhos que me deste
E me deixou agonizar de dor e sofrimento

Morreu parte do meu ser assim enviuvado
O amor que te vigia do alto luto do acipreste
Sou eu viúvo além de olhar triste e desolado
...

musa

sábado, 28 de março de 2015

VELHICE

O tempo envelheceu no teu lugar
E o nó que desfaço no teu abraço
Por instantes estreitou o teu olhar
E afagou de lágrimas o cansaço

Já não te entendo nessa intimidade
De líquidos silêncios e gemidos
E a voz embargada de saudade
A estreitar entre nós os sentidos

Murmuras as horas já tão remoídas
Um queixume que tempo este que não passa
São manhãs e tardes esquecidas

Os dias repartidos de amor e gratidão
E ao olhar digo-te que queres que eu faça
Do tempo que em nós é solidão
...

musa

sexta-feira, 27 de março de 2015

CANSEI

CANSEI
Cansei me da vida
Já não acompanho ninguém
No pó dos caminhos perdidos
Faço me morte esquecida
A saudade de alguém
As lágrimas os sentidos
Que me chamam do além
Ao palco em despedida
Onde há palmas também
E gritos por viver
Foi longa e profunda a caminhada
Por veredas de palavras desbravadas
Agora só apetece é morrer
Nos olhos a tristeza descerrada
O pano tombado em fim de cena
Personagens amargamente encenadas
O assobio que em provocação condena
O cenário das palmas assim caladas
E morre o teatro da solidão
Das peças nunca mais lembradas
Onde representar pode ser paixão
As vestes de raiva e dor rasgadas
Quando cansada chegar ao fim
E hoje terminada a função
Retiro me do palco silenciada
E morre dos personagens parte de mim
A vida é um teatro feito de nada
...

musa

quinta-feira, 26 de março de 2015

ASAS SEM SABER VOAR

ASAS SEM SABER VOAR
Anjos de colo de seio
Nas nuvens sossego silenciado
Em descida arrepiante sem freio
Talvez ainda dormente
O voo inocente
Calado
Talvez tinhas umas asas e sabias voar...



OS POETAS SÃO MAL DITOS

OS POETAS SÃO MAL DITOS
Os poetas são mal ditos
Fogem das sombras o eco
Agonizam a voz proscritos
Afiam a esquina e o beco
Da intima declamação
As palavras da prostituição
Com que fazem a cama à poesia
E dessa proclamada heresia
Em templo de livros vendilhão
Arrastam a alma pelo chão
E em silêncio são enterrados
Tão mal ditos como hereges
Que negam a própria criação
Nós versos declamados
Gritam paga o que deves
Em soneto com refrão
Libertam ditos maus de sentir
Mas quem os quer ouvir
A esses poetas malditos
Que ecoam os podres da nação
Em poemas rasgados escritos
Com sangue da carne que os fez nascer
No maldito poema está o prazer
E os faz padecer pela força da mão
Mal dizentes poetas de ontem de hoje e de amanhã
Que escrever é dura missiva
Calem se a vossa palavra é vã
Divinal veio de inspiração
Consagrem ao silêncio a vossa vida
A vossa morte é que não
...
musa

terça-feira, 24 de março de 2015

HOJE te TRAGO SILÊNCIO - RIP Morreu Herberto Helder, o poeta dos poetas



HOJE te TRAGO SILÊNCIO

Manchei as palavras de lágrimas
E havia tanto silêncio por dizer
Ainda não morreram os versos
Dos tempos perdidos dispersos
Agonizam as horas até morrer
E calado e quieto ficaste
Na sombra que nos deixaste
Quando partiu o teu ser
Silenciado

Nas folhas nuas de sentidos
Recusas o nome nos livros
Em refrão amordaçado
Emudeces teus gemidos
Sem nunca esquecer
Os olhos cansados
De escrever
Silente
Sentido

Morria a morte em mestria
Domadas sombras das palavras
O silêncio dessa hora de agonia
Honrava em sentido o poema
Tivesse sido a morte serena
Em leito ungido poesia
No silêncio de todas as mágoas
Os versos em euforia
...
musa

segunda-feira, 23 de março de 2015

ERAM AS TUAS MÃOS

Abriam se em flor
Um botão desabrochado
No colo das tuas mãos macias
De carícias ternura amor
Um gesto o punho cerrado
Fechavas nas mãos o beijo roubado
Guardava lo nas tuas mãos vazias
As mãos floridas bravias
Rosas sem espinhos
De um perfume carnal
Nos dedos húmidos de carinhos
O gozo florescido sentimental
O anelar sentido
Das mãos vivas
De louco amor

Eram as tuas mãos que eu mais amava
Beijava a ponta dos dedos com sofreguidão
Nos teus ouvidos segredava
Palavras loucas de sedução
Secretos sentires
Dedo a dedo
Até me fazeres vir
Sem pudor
Sem medo
Desse sentir

Eram as tuas mãos que eu tanto amei
Nas curvas palmares dos abraços apertados
Todos os afagos que eu pude consentir
Mistérios de sentires guardados
Nelas todo o meu corpo deixei
Nas tuas mãos feitas de mim
Este desassossego sem fim
Mãos de ternurenta loucura
Saudades do teu toque meiguice
Em todo corpo ainda perdura
Segredo que eu jamais te disse
...

musa

40 DIAS

Começaram os ventos uivos sangrentos
Penitência oração conversão
O silêncio roxo dos tempos
A meditação da Paixão

Silenciada contemplação
Retiro sagrado da reflexão
Uiva o amanhecer vendaval
Silente jejum carnal
A boca fechada em negação

Sussurra a Palavra de Deus
Em espírito sepulcral
Ventania erosão
Desgasta a pedra do altar
Diante dos olhos ateus
Onde o vento vai rezar
Em penitente confissão
Ouve se em urros a gritar
Para lá da escuridão

Não chegam quarenta dias
Para assim tudo perdoar
Nem vendavais ventanias
Que o tempo faça urrar
...

musa

A MIMOSA

Tímida a mimosa floresce de amarelo o verde da folhagem
Junto à Biquinha da água fresca no lugar do Prado
Escorre no chão o regato que humedece a paisagem
Na tela o pintor imortaliza os ciganos e o gado

Mas é a velha mimosa que dá cor
Aos esboços traços que vão ganhando vida na pintura
São contornos de nostalgia lembranças de amor
Um pacto de ternura palavras sentir poesia e loucura

O quadro pintado em pensamento da mimosa florida
Tem alma e sentimento humedece o olhar
A bucólica imagem de um pedaço de vida
Que fica no poema para mais tarde recordar

Debaixo da mimosa já não nasce a frescura da água
Nem o sossego do campo silencia os animais
Brota no peito da terra a secura da mágoa

As flores da mimosa botões de sol radiante
São luz colorida em ponteiros cardeais
A marcar de saudade um passado distante
...

musa

domingo, 22 de março de 2015

HÁ UMA MAGNÓLIA NAS TUAS MÃOS

Ainda está por amadurecer
As pétalas de um amor tão puro
Espero ainda florescer
Esse sentimento seguro
Nos teus dedos entrelaçados
De segredos em silêncio guardados
Há uma magnólia nas tuas mãos enfim
Floriu já tão tardia
Alegrou o jardim
Com a flor poesia

As pétalas vivas cor da paixão
Roxas aveludadas misto de simpatia
Matizadas de tom róseo carnal
Têm a candura da pele da tua mão
E o perfume intenso húmido seminal
Da nobreza da íntima sedução

Espalhadas as pétalas pelo chão
Oferenda de amor pela natureza
É somente uma prece de gratidão
Da magnólia simbolo da beleza
...

musa

FRÉSIAS

Que odor embriagante que inebria
Frésia flor junquilho dos prados
Coloridos versos em florida poesia
Como se fossem doces e macios cardos
Nas mãos em ramalhetes os Bardos
Oferecem perfumada magia
O poema inebriante
De amanhecer
Florido
Colorindo a relva fresca verdejante
O cheiro doce esmaecido
Da flor cheirosa
Radiante
Dizem faz inveja ao odor da rosa
Campanuladas perfumadas
Brancas amarelas rosas violetas bulbosas
Pequeninas campanulas graciosas
De sua essência calma amizade
Ramalhete de felicidade
A Frésia significa protecção
Flor bela resistente
Quase poema paixão
Tal esse amor
Que a flor sente
...
musa

ALMA FLORIDA - GLICINIAS

Não sei se é velha a casa ou a Glicinia florida
Os temporais de pedra que ainda dão flor
Cresce em cachos de arroxeada cor
Trepa as velhas paredes viva
De aromas e abelhas zumbindo
De flores a gargantilha
De olhares e lábios sorrindo
No espanto dessa maravilha
A casa velha de paredes de pedra caindo
Ainda tem a alma florida
Como se dentro dela sentindo
A floração tardia da vida
A pedra gasta do tempo
A porta aberta ferida
Sangrando flores perfumadas
A alma profunda do sentimento
As Glicinias arroxeadas
As paredes desbotadas
Florissem o pensamento
Da velha casa preterida
...

musa

MALMEQUERES eu sei

Março não chegou primaveril
Nos malmequeres já floridos
As rosas de um azul tão anil
Perfumam os campos vestidos
De pétalas brancas e amarelas
Flores tão simples e singelas
A colorir o frio do entardecer
Que anuncia a primavera
No despontar do amanhecer
Ainda a minha alma te espera

Que floresças enfim
Em desfolhado botão
A flor mais bela do jardim
A anunciar a estação
No branco malmequer
Pois quem faz nascer
Uma flor por paixão
Do ventre fecundo da mulher
Em malmequeres a florescer
A primavera tão sentida
Bem sei que mal não me queres
E o bem amor que me tiveres
Desfolhada a flor nascida
Mesmo que flor campestre
A mais simples mais silvestre
Hei-de guardá-lo toda a vida
...

musa

sábado, 21 de março de 2015

AMAR TE PALAVRAS - FELIZ DIA POESIA

~AMAR TE PALAVRAS~

Hoje a poesia fez me uma declaração de amor
A palavra silencio chegou florida
Com paixão com ternura com cor
Um ramo de sentidos perfumados
Com todas as lembranças da minha vida
No coração todos os sonhos guardados
No olhar uma lágrima furtiva
E nas mãos os dedos entrelaçados
O verso de uma canção esquecida
Mas rimas da memória perdida
Os meus olhos molhados
E a certeza sentida

Amar te de palavras e ser

Com todas as poesias que possa escrever

O poema declamado última prece
A palavra em flor da despedida
Hei de amar te enquanto viver
O que adentro em poemas acontece
Juras de palavras lágrimas e poesia
Onde a alma e o sentido se tece
Enquanto houver um poema à vida
E eu puder declaradamente dizer
Declamo amor na tristeza e na alegria
Amo te palavras até morrer
...
musa

sexta-feira, 20 de março de 2015

DesESPERA A VIDA

DesESPERA A VIDA
Adormeço as lágrimas com que me deito
Adentro raiva dor amante ódio
Amargo vida pulsante no peito
Levo o pranto tristeza lugar ao pódio

Desesperada vencida pelo sonho desfeito
Nos olhos fundos a imensidão entristecida
O choro da esperança do verbo imperfeito
Como se tempo olhar fosse a despedida

Amanhece no meu corpo cansaço do leito
A escuridão da noite na alma vazia
Desespera viver assim desse jeito
Sem rumo sem remo amor em cama fria

Fosse somente desespero uma trégua sentida
Ultraje da vida em golpe de azar
Uma hora de mim aberta ferida


Há por dentro brechas palavras por dizer
Fendas de orvalho humedecendo olhar
O desespero inteiro rasgando todo o ser
...
musa

MAUS TRATOS

MAUS TRATOS
Violeta purpura roxo lilás
Nódoas de alma do sangue matizes
Cores marcas que o tempo desfaz
Vincos veios varizes
Dores olhares infelizes
Onde tristeza é paz
E tu nada dizes

Um só beijo
Gozo desejo
Louco sentir

Raiva estalo apertão consolo
Tanto resvalo assim mentir
Silêncio solidão sentida
Pode ser dano ou dolo
Essa ilusão que persiste
Aberta quase ferida
Sangra a dor vertida

A hora insiste
Nesse sofrer
Ainda resiste
Viver ou morrer
Esse colorido
Azulado vivo
A escorrer


Uma mancha mão levantada
Um grito abafado olhar triste
Uma lágrima a verter
A boca calada
Por nada dizer
A marca arroxeada
A violeta por florescer
Na carne marcada
De tanto padecer
...
musa

ECLIPSE - AO LUAR

ECLIPSE
Porque está tudo tão quieto
Esta manhã o galo não cantou
Amanheceu um luar fluo discreto
De nuvens que o vento não levantou
E junto ao mar
Que calmaria

Parece que o tempo se faz poesia
A lua encobriu o sol de brilhar
Fez lhe frente para a tapar
Quimera magia

E sim ainda está tudo aquietado
O dia em silêncio enevoado
Parece ter parado
No tempo

Há uma lua nova eclipse solar
super lua equinócio da primavera
A natureza agita se quieta serena
A calma estende a alma terrena
Amanhece uma sexta-feira perto do mar
Trago nas palavras versos temporais de espera
Sim começou a Primavera
Mas está tudo tão quieto
Parece que o dia desperto
É um segredo dito ao ouvido do sol pela lua
...
musa

AO LUAR
Espreitei a lua no teu olhar
Pareceu me nuvem na poeira
No pó das estrelas a brilhar
Um rasto de luz no luar
Nos olhos da feiticeira
Havia a lua a cintilar

Branca grande arredondada
De um azul frio mármore
Por entre a folhagem da árvore
Espreitei a iluminada

E quis parecer me um anjo branco
Estendendo sobre a terra o manto
De uma brancura caiada
De azul olhar espanto

Dentro dos meus olhos escondida
Brilha a lua e a vida
Tanto mas tanto
...
musa

quinta-feira, 19 de março de 2015

TORRE DOS SONHOS

TORRE DOS CLÉRIGOS - PORTO

Gáveas sombras anunciam a noite além
Longínqua torre chão de sonhos silvestres
Arvoredo escuridão noctívagas agrestes
As trevas que escondem alguém

Na alta torre dos céus iluminada
Vislumbro segredo guardado a sete chaves
Por entre a folhagem ausente luz coada
Que gritos ecoam atrás das grades

Murmura a brisa agitada aragem
Esvoaçam as aves silencio dorido
Da torre se avista doce miragem

Galhos nus tombam a noite serena
Árvores promontório longínquo sentido
A noite secreta guarda o poema
...
musa

SE ISTO É UM PAI

FELIZ DIA DO PAI

SE ISTO É UM PAI

Ocorre a aventura
O gozo vivido
A inconsequente loucura
Do acto consentido
E o sêmen escorre
Sem ser proibido
E dentro não morre
Multiplica se está vivo

As luas avançam
As estrelas dançam
O sol amanhecido
As tardes cansam
O ventre crescido
E vais ser pai sim
Já nada se pode fazer
Teu nome apetecido
O filho feito sem prazer
Cresce dentro de mim


No olhar dizes não
Negas com firmeza
Foges da razão
Semeias a incerteza
Abafas o grito inocente
Renegas a semente
Há nos olhos a tristeza
Da palavra que mente
A raiva o ódio a dureza
Que a natureza desmente
Tanta sentimental frieza
Carnal indiferente

Se isto é um pai
Se isto é ser pai
Se isto faz um pai

Há de um filho ser gente
...
musa

domingo, 15 de março de 2015

LONGURA

LONGURA
la longe
as luzes amorfas
vigiam a escuridão
num ocre alimonado
a estrada curva a aragem da maresia
jaz a escura sombra do silencio
riscada de faróis inquietos de fuga
trepida o comboio na linha junto ao mar
a noite enfurecida vai numa viagem sem fim
espera amanhecer o tempo curvado de neblina
são assim os dias entre o campo e o areal
onde a praia rumina as rochas salgadas
com o vaivém das ondas fugidias
a cada vaga a aragem morre
onde o tempo lacrimeja
uma cor enevoada
o escuro da luz
nuas trevas
distantes
...
musa