Cartão de Visita do Facebook

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

BRADOS VENTOS

BRADOS VENTOS

Tenebrosos desgostos em rendados suspiros
A tarde já no fim repousa a luz que escurece
O frio que em filigrana gélidos cinzas se tece
A renda das lágrimas que sufocam os delírios

De que ninguém mais se compadece entende
O sufoco do peito a sangrar tanto sentimento
Nos vendavais em que chuva gritos estende
Como murmúrios de dor a invadir pensamento

Brados ventos trazem do mar cântico oração
Das arribas onde a alma se deita nas águas frias
Ventania murmura secreta e doce meiga canção

Bardos ajoelham nos penhascos frente ao mar
Pranto prece ao vento das tempestades sombrias
Suplicam a luz que nunca falte ao ser ao olhar
...

musa

CONFISSÃO

Estava escrito
E não eram palavras de amor
Que jura mais fiel pode haver
A promessa ou delito
A alegria ou dor
Ainda por escrever
O sentir que admito
Ousar dizer
Confesso sentidos segredados
Por entrelinhas frases escondidas
Paixões e sonhos guardados
Pedaços que foram secretas vidas
Instantes fragmentados da cegueira
Que desce como manto obscuridade
E cobre inteiro profundo o ser
Estranha intensa essa maneira
De assim vestir a alma de felicidade
E em gozo e brilho e cor parecer
A estrela a iluminar sem querer
A negra solidão da saudade
Em luz ilusão intimidade
Confessada por prazer
Sonho ou profecia
Verso poesia
...

musa

LUZ

Tens em ti toda a desistência de ser
Rostos invadindo íntimos sentidos
Uma força luminosa a transparecer
Traços vivos esquecidos
De alguém que passou por ti
E não quis ficar
Tens em ti o que nunca senti
Nada além do grito secreto do olhar
Nas sombras que pairam desmaiadas
A luz pranto em relevo descida
Dois círios a cintilar
A mágoa imerecida
As cores da alma íris prateadas
Em húmido brilho ao chorar
Fogo aceso por apagar
Solitude soberba solidão
Sombreada tela por pintar
Luminosa intima negação
Do tanto que reflecte espiritualidade
O rosto vivo dos sentidos
Na beleza essência da idade
Traços indeléveis da incompreensão
Desbotados quase perdidos
No rasto lento da maturidade
O tempo parece querer dizer
Perde se a claridade
Do sentir e do ser
Luz viva saudade
...

musa

domingo, 23 de novembro de 2014

A MINHA MELANCOLIA - Tony Bennett - Smile


A MINHA MELANCOLIA

Ritmo a escorrer olhar humedecido
Bate como um coração apertado
Perturba ofegante o sentido
Quase uma melodia
Um som compassado
Quase uma poesia
Lamento gemido
Aperta a doer
O peito cansado
A estremecer
De melancolia

Uma apreensão de alegria amarrada
Desenlace em abraços desfeito
Claridade névoa desvanecida
Numa ânsia tão apertada
Num nó imperfeito
Que amarra a vida
E parece dizer
Tudo ruiu

Assim acontece turbulência de sentir
Todo o rasgo profundo que feriu
O sonho que alegria possa proibir
De tristeza e amargo viver
Quase como a dor a renascer
Asas imensas voo sentimental
Da noite negra escuridão sobre o dia
Descendo em florescência sepulcral
A lentidão da tumba fantasia
E no universo do profundo olhar
Um verso derrama melancolia
A cada lágrima que chorar
...

musa

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CAOS DE SENTIR

CAOS DO SENTIR

A minha vida é um caos de uma existência viva
Vivo o absurdo do sentir
O caos existencial emocional vivencial
Na aparência lenta do superficial existir
Professo a loucura imaterial
Do mundo a carne e a alma do pensar
E tenho por mim profundo respeito
Como se a vida adentro a sangrar
Libertasse os sonhos secretos e as dores do peito
Tão de chamas e tão carnal
Metafísico sublime imperfeito
Para ser dos sentidos o jeito
Com que vivo humano animal
Mas aí de mim cárcere caos covil
Onde aninho chagas e medos por dizer
Quando enfim revelo segredos por escrever
Fantasmas dessa alma desassossegada e vil
Sou assim o estranho trevo insano por colher
No mundano seio deste viver
A vida caos do sentir por prazer
Tão de sensações tão pueril
...

musa

SEIO DE MÃE

SEIO DE MÃE

Lotus de amamentação maternal
Vínculo afectivo profunda ternura
Guarda entre seios a hora Natal
Aconchego de carinho e doçura

Boca faminta que de sonho se sacia
Essa fome do leite morno alimento
Ter nos braços o seu menino da poesia
Que com versos se faz forte no sustento

Mãe e filho no útero seio do poema
Haverá amor maior que essa ligação
Como veio que liga o tinteiro à pena

O menino de sua mãe amamentado
Ao seio de vida em seu colo adoração
Quadro terno esculpido pintado
...

musa

terça-feira, 18 de novembro de 2014

MUDANÇA

MUDANÇA

Trouxe ao meu cabelo tons de chocolate
O olhar fixo no nada em busca de claridade
Abdiquei do dourado em tonalidades mate
O brilho transparente da alma com saudade

Das palavras que nunca foram escritas ou ditas
Nem a tinta do cabelo poderá mudar da alma o ser
E todas as mudanças mundanas ou malditas
Possam do olhar o coração deixar transparecer

Talvez os meus cabelos cor de chocolate agora
sejam para sempre parar o tempo sem fim
e arrastar o sonho pela vida fora

Mudei a cor do cabelo mas não da alma a vida
pois tudo se mantém intacto e firme em mim
esperando a hora de olhar enfim a despedida
...

musa

PALAVRAS

PALAVRAS

Que frias são as palavras
No verso vento das asas
Dorso gélido encrespado
Cinzento árido metalizado

As palavras em gume afiado
Crispam os olhos fogo lume
Acendem o círio do ciúme
Aragem em passo laminado

Cortam o tempo palavras vãs
Todas as horas derramam cor
Noites tardes perdidas manhãs
Sangram feridas em viva dor

Ah palavras letras do dócil verso
Que teimosia vive dentro de mim
Talvez seja isso poesia universo
De todo esse sentir nunca ter fim
...
musa 

domingo, 16 de novembro de 2014

SE ABRAÇO FOR POEMA

SE ABRAÇO FOR POEMA
Lês as palavras e imaginas o sentir
Um afago do verso no estreitar de sentidos
As rimas quantos beijos a pressentir
Outros tantos caminhos de abraços consentidos
E se a tua boca ousar permitir
O poema feito dança a admitir
Outros passos talvez proibidos
Nos beijos e abraços que possamos repetir
Nos versos sentimentos destemidos
Se um abraço for um poema de olhares perdidos
A poesia dos afectos e gemidos
Sabes meu amor vou te dizer
Em pensamentos estreitados desabridos
Nada mais se escreve e enlaça de prazer
Do que as palavras que abraçam versos no poema
Enquanto lábios e braços se entrelaçam sem querer
As mãos que escrevem as palavras com a pena
Fazem a ternura do sentir e do viver
E deixam às bocas e às mãos o dilema
Do abraço do beijo a escrever
...
musa


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O CINZENTO SENTIDO DA COR - Tristesse...Chopin...


O CINZENTO SENTIDO DA COR

Poderia ser poema a colorir
O cinzento sentido da cor
Que abre escancarada a sorrir
A porta ao lado onde mora gente
Que dorme come sorri e faz amor
E no prédio colorido habitado
Há uma felicidade que se sente
Entre a alegria e a dor
Há o presente e o passado
E a busca do futuro mais além
Aonde não chega ninguém
Porque todos ficam atrás da porta
À espera de vê-la abrir
Como sentimento do que importa
E nada mais impedir
E tudo consentir
No derrame intemporal da vida
Entre as mãos quietas no regaço
Como acinzentados dias que desfaço
Em lágrimas por chorar
Essa tristeza merecida
De quem não sabe amar
...
musa 

ÍBIS PROMETIDA

Num dia de chuva os céus rasgam se em trovões e raios prateados e a minha alma surge ave surfando as vagas nuvens da claridade cinzenta da tarde em pingos pesados silêncios em colorida trovoada a esvoaçar-me o ser de exóticos sentidos em plumas de solidão...

 Na senda do amor buscas as asas de vidro
O sentimento em voos soprados
A alma inteira escorrendo os sentidos pelo crivo
Dos sonhos na lentidão do tempo deixados
O desafecto das ausências e privações
As vivas transparências dos corações
Que nunca souberam amar
A esta hora rasga os céus o trovão
A ave voando os céus em liberdade
Há no poema a íngreme melodia da sedução
A melancólica prece da saudade
Talvez o pássaro das luas prometidas
Íbis de faraós e rainhas dos desertos
Gatos prometendo mais do que sete vidas
Areias e pirâmides e sarcófagos secretos
E o sonho por cumprir
No vão escuro do silêncio
Onde se possa sentir
Mais do que passado
A viagem da vida
Logo ali ao lado
...
musa

MIGRAÇÃO DO SILÊNCIO

Eremita do silêncio da casa
Guardadora de gatos
Rompe a escuridão
Em passos de luz
Sobre o chão encerado
Brilha a sombra acesa brasa
Imprime os passos dos sapatos
Com marcas firmes de solidão
Que o tempo a pó reduz
Toda a casa silenciada
Respira a mansidão dos afectos
Quieta estranha assim fechada
Vive a alma dos silêncios secretos
Espero a última dança dos raios de sol despertos
No rasto de poeira bailando o escuro da sala
Em silente segredo os mistérios da Cabala
O refúgio da poesia é sempre o ultimo reduto da alma migratória
O silêncio a casa e o gato vagueiam a vida
Talvez se conte por aí sempre a mesma história
Há de haver um tempo que a saudade seja proibida
...

musa

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SE UM DIA

SE UM DIA

Se um dia entenderes os meus olhos cansados
Na mansidão dos ventos à deriva
Um cata-vento de rumos desencontrados
Nos telhados uma gata perdida
Nas janelas olhares enfeitiçados
Na ventania adiada da vida
Talvez entendas porque uiva o vento
A melodia das telhas soltas
Nas teclas ruidosas do tempo
O miar da gata às voltas
Com o frio do pensamento
Talvez entendas o silêncio dos telhados
A escuridão e o desalento
A alma das casas abraçadas
Nas ruas e nos becos aquietados
As sombras dos muros fantasiados
De claridades ofuscadas
Por dias a noites roubados
E eu possa ser entendida
Na noite que se faz dia
Em instantes abraçados
Na tênue doce fantasia
Dos dias sem tempo guardados
Versos das palavras poesia
...

musa

O ETERNO SILÊNCIO

O ETERNO SILÊNCIO

Chega a mansidão de todos os silêncios afáveis
A envolvência de tantos dias memoráveis
A eternidade silenciada
De instantes incontáveis
Em que em silente sentir
Fui quase tudo fui tanto e nada
Deixei por momentos de existir
E roubei da vida o grito profundo
Que a alma do ser ecoa no mundo

O eterno silêncio que levo à sepultura
De todos os sentidos onde afundo
A alma do ser em silenciada loucura
Antes de mim transparecida
Um sussurro réstia de vida

Sem tamanho sem fondura
Talvez essa esperança perdida
Que tristemente em mim perdura
O eterno silêncio estranho sentido
Quase um grito quase um gemido
Levo comigo tanta amargura
O grito vivo
A vida dura
O sentir

O eterno silêncio por cumprir
Se da vida nunca desistir
Ainda sobrevivo
...

musa

OS LIVROS E OS GATOS


A vida essa estante apinhada de almas por ler
Livros arrumados no silêncio de pó
Às vezes ordenados e catalogados no ser
Outras vezes e apenas e só
A leitura de vidas por prazer
E o destino um gato com sete vidas
Entre livros ainda por escrever
Entre folhas guardado marcador
Em palavras secretas proibidas
Entre existências sentidas
Entre o bem o mal a solidão o amor
O gato vagueando telhados
Nas páginas de livros fechados
Deixo a minha vida acontecer
Com tanta coisa por dizer
...
musa

sábado, 8 de novembro de 2014

QUERER DE AMAR E TANTO NÃO TER - Mafalda Veiga- " Velho "- Mafalda Veiga (legendado)


QUERER DE AMAR E TANTO NÃO TER

E o tempo chega de palavras anuentes
De um verso vendido a um forrasteiro
De olhares perdidos no meio de gentes
Que acabam sozinhas no mundo inteiro

Desse amor gratificado que vende ilusão
Um punhado de gente que se perde tanto
Quando é sentir roubado em doce pranto
Pelas ruas onde se arrasta meiga a solidão

Amar e tanto não ter somente por querer
Que angustia afere intima docilidade emoção
Abraço que apertado de vida não quer morrer

Querer de amar e tanto não ter e tudo desejar
A vida essa senhora que amante consome desilusão
Tantos braços apertados num só profundo doce olhar
...

musa

NO LUGAR DAS COISAS PEQUENAS

NO LUGAR DAS COISAS PEQUENAS

Aparecem pela manhã
No lugar de todos os instantes
E do tempo ficam distantes
Como o cheiro a canela e a maçã
E tornam se maiores
Ainda que menores
Pequenas lembranças de outrora
Réstias de ousados sentidos
No lugar das coisas pequenas de agora
Há tantos momentos esquecidos
Viagens a um passado profundo
As cores sons odores sabores perdidos
Que embelezam avivam o mundo
Fazem da negra cor do café um colorido
O aroma da alma cheia
A vida que a incendeia
E lhe arruma o sentido
Senta se ao seu lado
Como quem chega de uma longa viagem
Dando cor e feitio a essa paisagem
Talvez isso seja o passado
Das pequenas coisas no seu lugar
De um pedaço de tempo guardado
No vão secreto do olhar
A memória que de amor arrestou
O que o coração guardou
...

musa

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ALMA CONCERTINA

ALMA CONCERTINA

Ecoam na sala versos musicais
A valsa dos dedos na alma diatónica
As palhetas livres em sonoridade
Há na pauta dos sons carnais
Borboletas na luz harmônica
Em volta das sombras da claridade
A dança da concertina
Em delirios de saudade
Na tua alma menina
...
musa

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

GRITO

O vento solta espartilho
Agita-se se enreda enleia-se
A tarde esmaecida de luz incendeia-se
Na escuridão sentida da chuva vem o rastilho
Há um grito abafado de um trovão por cumprir
Um uivo resgatado do raio a cair
Elegia da tempestade
A tarde que arde
O fogo molhado

Para além do horizonte o céu acinzentado
Escurece a luz esfriada na humidade parda
A chuva ripada faiscando ruge em oração
A procissão da porcela rasgando os céus
A ventania aproxima-se e não tarda
A mão pesada do poder de Deus
Quanto do tempo é solidão
E desassossego sentir

Não há lugar a fingir
No império do temporal
As lágrimas por esgrimir
Na partilha do bem e do mal
No pranto da salvação
As dúvidas do imoral
A perturbar a razão
...

musa

VENTO CHUVA FRIO

VENTO CHUVA FRIO

Lágrimas tombam sobre a terra do alto do céu
Derramam gélidas gotas frias em obliqua ventania
A chuva levando as últimas folhas das árvores como troféu
Dançantes as sombras descendo a escuridão como um véu
Uiva o vento em furiosa alucinante litania
Proclamando temeroso pesado o inverno
Encurtando as horas do dia
Fazendo eterno

Fria chuva vendaval
Entristece o tempo que há-de vir
Efémera leveza da claridade sepulcral
Que esfria esmaece alivia de pranto este sentir
As rosas que perdem as pétalas sob a chuva
As velas que se apagam na humidade
O tempo que repentinamente se muda
Em arrebatada docilidade
Forma-se o temporal
Que é tempo de hibernar
Tombam as gotas em miríade
De luminosas pedrarias
Como se o dia estivesse a chorar
Das suas tristezas as alegrias

Olho da natureza essa magnanimidade
E sinto-me pela metade
Nessas gotas de chuva em fantasias
Da luz sinto saudade
Em gotículas euforias
...
musa


domingo, 2 de novembro de 2014

DIA DE FINADOS

A caravana dos anjos passa
No sangue aceso dos delírios
Onde nem eu me sinta escrava
Das mortas horas e martírios
Da caminhada triste e brava

Círios acesos e flores viçosas
E o branco mármore tão lavado
Aos pés do Cristo lindas rosas
À cabeceira do túmulo crucificado

Murmura voz do pranto na mistura
A terra toda em tumbas e jazigos
Acesas as velas ardem a loucura
Das preces atenuando os castigos

Em gavetão ou ultima morada
Os sete palmos que alma há de ter
Do corpo a vida assim retirada
Quando no último suspiro morrer

A cera em doces pingos sobre a lage fria
Lágrimas como pétalas já caídas
Bruxuleia a tarde triste e sombria
A pedra e o pó sobre a campa rasa
As preces em salvação de tantas vidas
Silêncio que do grito verte vaza
A podridão das dores e das feridas

Os sinos dobram em dia de finados
Nas horas mortas e perdidas
Lembram faltas e pecados

A caravana dos anjos em procissão
Há tristezas vivas e sentidas
No ar o vento leva a oração
...
musa